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Palavra de Maestro
#1
PALAVRA
DE
MAESTRO:
Natal=Coros;
Resto
do
ano=Nada!
Estou ligado a coros há mais de 10 anos! E há
mais de 10 anos que verifico o seguinte no nosso país: as pessoas , geralmente,
não saiem de casa para assistir a actuações de coros! Mas na altura do Natal
(até) vão! Porquê?!?! Simples!
-
O
repertório apresentado pelos coros é normalmente do conhecimento do público
que assiste;
-
As
pessoas estão mais sensibilizadas para os “X-mas carols”, do que para o
resto do repertório coral;
-
Existe
uma ideia generalizada que “os coros são uma seca!”, mas como é Natal
pode ser que haja um milagre
Quanto ao primeiro ponto, quem é que gosta de
ser apanhado de surpresa? Só se for uma boa surpresa! Não o será quando o
repertório de um concerto é completamente desconhecido. Nem mesmo uma peça
para que o público possa participar activamente ( já não digo cantando com a
sua voz, mas com a sua alma). É fundamental fazer boa música coral para o público.
Sem público, não há actuação! Um artista sem público, mais vale não
marcar concertos, pois cantará para si e só para si.
Que as pessoas estão mais sensibilizadas no
Natal é verdade! Mas voltamos ao ponto anterior! Sejamos francos e sem qualquer
tipo de preconceitos! Aquele espírito de Natal, as luzes, o Pai-Natal, a árvore,
o presépio, e acima de tudo, o Menino Jesus, está já embrulhado de certos clássicos
de natal, que os coros não devem, nem podem fugir! São os clássicos que o público
quer ouvir! E existem milhares de versões e arranjos para todo o tipo de gostos
dos denominados clássicos de Natal! Faz sentido que num Concerto de Natal não
tenha um “We wish you a Merry X-mas”, “Noite feliz” ou um “Jingle
Bells”? Temos que ter um grande respeito e consideração pelo público
saciando a sua fome e sede! Não sou dos que fazem música só para que os
outros gostem, mas temos de ter um repertório ( no Natal ou noutra época),
equilibrado: conhecidas com desconhecidas (que depois passam para o lado das
conhecidas). O público é como um bebé: há que saber dar de comer! Ou nós
desde de pequenos já gostávamos de chocos, ou de iscas, ou de um bom peixe
grelhado? Tudo se educa, tudo se aprende e especialmente o bom gosto.
Chegámos ao terceiro ponto –tentei
simplificar o mais possível, mas muitos outros pontos podiam ser
acrescentados – da ideia generalizada de
que é uma seca assistir a coros! Devo dizer que em muitos casos, é verdade.
Uma falta de respeito completa para com o público! Mas só fazem uma dessas ao
público! O problema é quando, esse público que ficou “vacinado” a coros,
já nem quer tentar ver outros,; já nem dá o benefício da dúvida! E os coros
que têm um enorme respeito pelo público, equilibrando o seu repertório com peças
desconhecidas e conhecidas, com momentos calmos e serenos
e outros mais vivos, temperado com o condimento da qualidade, sentem que
remam contar a maré. É como quando estamos a ter um pesadelo e esforçamo-nos
para correr, mas o nosso movimento é muito lento, apesar de todo o esforço
para chegar à tal porta!...
As mentalidades mudam se os tempos mudarem também!
Não podemos ter o mesmo tipo de coros de há 20 anos atrás! Há que haver uma
lufada de ar fresco, sangue novo, pois senão corremos o risco do colesterol e
de enfartes cardíacos que matarão quaisquer hipóteses
de sucesso de as pessoas saírem das suas casas para assistirem a coros.
O
maestro, Myguel Santos e Castro
Palavra de Maestro
#2
II DOMINGO
Acreditando num ente superior ou não, chame-se Deus, Alá
ou outro, o que é certo é que todos nós, cada um de nós , procura estar bem
consigo mesmo e com os outros, uma “espécie” de paz interior, a que
chamarei agora de espiritualidade! Este equilíbrio entre as forças do exterior
e do interior, entre o stress do dia-a-dia e a serenidade do nosso coração,
entre as vicissitudes da nossas relações pessoais e a tranquilidade da nossa
alma...convenhamos!...não é fácil! Este equilíbrio cada pessoa encontra de várias
modos: uns a irem ao ginásio, outros a apaixonarem-se, alguns a descobrir
locais no mundo onde são fontes para retemperar de forças (Taizé, França?),
etc. Mas a espiritualidade no seu conceito mais vasto está indubitavelmente
ligada à instituição da Igreja!
Foi num convite, feito pelo Prior da Igreja Paroquial de
S.Domingos de Rana, que desde Novembro, que o Coro VOX LACI Adulto, é responsável
pela animação musical da Eucaristia no segundo domingo de cada mês. Os
resultados viram-se de imediato no final da primeira Eucaristia, e sobretudo
antes do começo da segunda vez:
-
no
final da primeira, pois veio muita gente agradecer pelos momentos musicais
(espirituais) que tocaram no coração das pessoas, ajudando assim a fazer
uma melhor ligação entre o equilíbrio exterior e interior;
-
na
segunda pois, sabendo já que seria o Coro VOX LACI Adulto animar a
Eucaristia, a Igreja encontrava-se a abarrotar mesmo antes do início da
mesma, participando no ensaio que é feito 30 minutos antes da celebração;
Aceitei o desafio, estando consciente da eventual resistência
que iria encontrar no seio interior-“MISSA?!?!” Benefícios para o Coro? Os
mesmos de um concerto ou actuação, mas com um suplemento maior de
espiritualidade, de uma certa paz interior! As razões de ter aceite?
-
Haver
uma rotina de concertos, ajudando a quebrar o medo inicial do palco!
Havendo no mínimo uma actuação por mês, permite a que todos tenham uma
relação “tu cá , tu lá!” com o palco;
-
Permitiu
uma integração muito maior dos novos coristas seleccionados nas Audições!
Visto que são peças (em português e latim)que não têm um grande grau
de dificuldade, apenas com um ensaio as dez peças todas, ficam prontas,
permitindo que os novos coristas possam estar em palco o mais rápido possível;
-
Estamos
a actuar para 400 pessoas por mês! São o maior veículo de publicidade!
São também potenciais futuros coristas!
-
Sentimos
uma adesão muito maior nas Audições em Janeiro! Perguntámos como
sabiam das audições e porquê que gostariam de ser VOX LACI? Souberam
através da folha de cânticos ou da folha de concertos; porque fazemos
boa música e somos úteis!
-
É
também um dever cívico, colocar à disposição da sociedade os nossos
talentos (parábola dos talentos) e fazer frutificar! Sinto que agora, os
coristas do Adulto e do Juvenil ( que se juntaram desde da Eucaristia
passada), no final sentem uma certa paz, dever cumprido e alegria por
termos actuado!
Existem milhares de peças que podem ser interpretadas no
decorrer de uma cerimónia! Não é vergonha actuar em missas! Vergonha é
actuar sem as peças terem qualidade pois ou não estão ainda prontas, ou
porque o maestro ou o coro não tem ainda capacidade para a
interpretar! Na Alemanha, França, Inglaterra, países bálticos, é com
orgulho que participam em cerimónias religiosas, pois fazem-no com grande
qualidade!
Coros que já tenham atingido um bom nível de qualidade:
coloquem as vossas gargantas ao serviço do outro!
Despeço-me respeitosamente,
O Maestro, Myguel Santos e Castro
#3
Todos os dias deparo-me com pessoas mal dispostas... certamente não cantam em
coros!
Todos nós sabemos que a música tem um efeito terapêutico nas pessoas!
Seja a ouvi-la ou interpretá-la, a música é um veículo de emoções! Tudo
o que está cá dentro salta cá para fora! E é com este "cá para
fora" que os maestros trabalham para que esta energia toda que se gera
numa sala de ensaios, com pessoas tão diferentes umas das outras, com locais
de trabalho tão díspares, modos de pensar , problemas pessoais e
profissionais, tenha um objectivo comum: que as pessoas se sintam bem em
cantar! Sem este sentir bem interior, sem esta paz, as pessoas, os coristas
não deixam grande margem de manobra para o maestro faze-las atingir patamares
individuais, e por consequência, colectivos. Aprendo todos os dias, com um
olhar mais triste de um corista ou com um sorriso mais forçado, aprendo que a
minha primeira função como maestro é eu ser feliz com o que faço! Se eu
for feliz, a minha energia contagiará um a um, e o contágio coral, é mais
rápido de que um vírus informático. Seja um contágio positivo, seja
negativo. O povo diz "que quem canta, seus males espanta!". Então
cantem! Cantem, que os vossos problemas não desaparecerão mas terão outra
visão sobre eles! Cantem, que um amor não correspondido continuará a fazer
sofrer mas não são os cantos de amor os mais bonitos? Cantem, que mesmo o
mais desafinado tem direito a aprender a cantar!
Cantem e contagiem! Contagiem e teremos mais coros, mais pessoas, mais
alegria de viver, porque Cantamos!
Reações
»» Viva
Maestro Myguel! Muito
Bom Dia! Chapeaux!!!!!!!!!
Como dizem os franceses! Chapeaux para o seu bom sentido de humor! Para o seu
entusiasmo e empenho! Há dias, depois de um acesso de relativo mau
humor…um anjo sussurrou-me:” ponha música na sua vida”. Estou a seguir o
conselho. Continuação de Bom trabalho…com esse entusiasmo todo. Até sempre
Um abraço
Isabel
Macedo
»»
Pedimos que nos retirem da vossa lista !
Ex.mos
Srs.
-
O Projecto Vox Angelis não pretende continuar a receber a vossa Newsletter no
endereço de e-mail. Por
favor, pedia-lhe que nos retirasse da sua lista ! Muitos
cumprimentos, A
Direcção da Vox Angelis
*
Lamentamos o transtorno e lamentamos ainda mais a falta de espírito de
cooperação! Está retirado o vosso email!
o
Maestro, Myguel Santos e Castro www.voxlaci.com
-
Uma pequena advertência ! Maestro
Em
resposta à sua observação "lamentamos ainda mais a falta de espírito
de cooperação", gostaria de lembrar-lhe que a vossa informação
institucional não nos é útil e nem nos interessa. Nessa
medida, não se trata de cooperação, mas trata-se de inteligência,
coerência e bom-senso. Muitos
cumprimentos
*
Não sabemos sinceramente o porquê de tanta agressividade! Talvez seja porque
no vosso largo repertório sacro haja falta de Deus...
Lamentamos
mais uma vez a vossa falta "de inteligência, coerência e
bom-senso". Saudações
corais e sucesso
o
Maestro, Myguel Santos e Castro
www.voxlaci.com
#4
“é
um pais do ram-ram!”
Nunca
tinha ouvido esta expressão, mas de facto, é uma expressão que denota a
frustração e a desilusão de quem quer fazer algo, mas depende de outros .E
depender dos outros neste pais... é um ram-ram!
É
de facto um pais pequenininho em
mentalidade. Como haverá este pais não estar na cauda? São nas simples
coisas, nas “burocratices”, nos papeis e mais papeis, na passividade de
tantas pessoas, na inércia da resolução, na pouca vontade de
fazer, na preocupação com o seu umbigo, no picar o ponto na entrada e
saída, na falta de brio em si próprio e na tarefa a executar,... É um ram-ram
de coisas que de facto desespera o mais destemido e obstinado herói que quer
fazer pela vida, fazer “coisas” neste pais. Mas como herois que são,
existem poucos. Sim não vale a pena ser herói. “ Herois não existem!”
É
de facto muito irritante, querer fazer, querer lá chegar, sonhar com ideais e
ideias , e termos alguém do nosso lado a dizer” é uma utopia!” ou “
tomara eu ter tempo para as minhas coisas!” De facto tempo, deve ser a única
coisas que todos temos por igual! Do mais pobre ao mais rico: 24h por dia! Mas há
quem decida fazer algo de útil para a sociedade nesse tempo! Outros ( e são a
maioria) preferem como que numa consola de jogos brincar com a vida e paciência
de utentes de um hospital , de um serviço, ou de uma associação.
O
que fazer para que essas pessoas, que normalmente, não são pessoas que ocupam
lugar de chefias (no fundo são uns frustrados, pois farão e serão sempre
ram-ram), se apercebam que não trabalham por conta de outrem mas por conta própria,
que o Estado não é ele mas todos nós, que o grãozinho de areia como se
sentem trava a engrenagem! Nada! Não se pode obrigar alguém mudar e evoluir.
Apenas a vida, as tareias que a vida dá, tem esse dom da mudança. Infelizmente
há quem prefira o ram-ram e lamentar-se. As coisas mudam, as sociedades mudam,
as pessoas nem todas... Para muitos ser-se funcionário público é um
objectivo, “ é pouco , mas é certo”! Com os despedimentos que vemos ao
nosso redor de empresas publicas, afinal “não é (tão)certo”. Certo é a
morte, e o que fazemos da vida é da nossa inteira responsabilidade.
Se
é verdade que o ram-ram dos outros é obstáculo ao nosso fazer, também é
verdade que o ram-ram dos outros não
impedirá de atingirmos os nossos sonhos. Pode demorar mais tempo, mas fiquem
sabendo que chegamos lá!
Reações
»Concordo completamente consigo e grito
também" quem sabe faz a hora, não espera acontecer..."
Que este ano, apesar de todas as
dificuldades que se nos deparem, consigamos todos continuar a cantar bem e
muito!
Beijinho para todos,
DAD
Coro Ecce Gratum - São João do Estoril
»Adorei!...e
Concordei! Cumprimentos, Cristina Tomé cdanca-almada
»Caro
Myguel Santos e Castro
Gostei
muito do texto “Palavra de Maestro” e gostava de o incluir como artigo de
opinião no Jornal de Cascais. Para isso, preciso do seu acordo e de uma
fotografia tipo passe.
Aguardo
uma resposta, Ana Luisa Pinho (chefe de redacção) Jornal
de Cascais
»Viva
Miguel! Acabo
de ler o seu email! No placar que tenho ao lado da minha secretária colei uma
mensagem…que um colega um dia me fez chegar…num dos meus momentos de
desalento…desse mundo que fala, e passo-lho: “Em vez de te lamentares da
escuridão… Acende uma vela!
Que
o conforte a si como a mim me vai confortando…qdo as forças se vão abaixo! Bjo
amigo Até
sempre! Isabel Macedo
»Myguel, ao ler o seu email de ontem, ñ
percebi se havia chorar..vi nele, um retrato perfeito de comportamentos
arrogantes duma sociedade sem consideracao por si propria. Gostaria de
alguma forma continuar com o LUTADOR chamado Myguel. Admiro-o e nao kero
viver no mundo so dos utopicos. Bem Haja Clotilde
#5
Não podemos continuar a lavar as mãos!
A educação e formação são temas muito sensíveis para mim. Quer um,
quer outro são a base de um indivíduo, e por conseguinte, a base de um grupo,
de uma empresa, de um concelho, de um pais, e por final, de um mundo. Não são
“as crianças de hoje”, não são “onde isto vai parar”, não são “os
alunos que batem em professores”, não são “os adolescentes de hoje”, não
são “os adultos não querem emprego, mas trabalho”! São “os pais de
hoje”, são “onde estiveram vocês que não pararam os
vossos filhos”, são “porque não quiseram se chatear no momento
certo”, são “os pais de ontem”, são “os valores do facilitismo e da não
frustração”. Isto pára, no dia que nós pais parar de lavarmos as mãos. No
dia em que nós, mesmo cansados do trabalho, brincamos com os nossos filhos ao
final do dia; mesmo com o trânsito caótico arranjamos maneiras de fugir dele e
organizamos programas em família; rotinas familiares, tais como sentarem à
mesa sem televisão; rotinas em que se conversa do que acontece de bom e de
menos bom; horários fixos de deitar e de levantar permitindo o corpo e a mente
descansarem para que no dia seguinte esteja recuperado.
Paremos
de lavar as mãos senhores empresários, quando acusamos a crise dos maus
resultados, procuremos novas oportunidades e inovemos! Paremos de lavar as mãos
senhores políticos, quando por “ restrições orçamentais” não apoiam as
crianças e jovens na ocupação dos seus tempos livres, na cultura, na formação,
na educação, não prevenindo e gastam milhares em tentativas de reintegrações,
curas e desintoxicações. Paremos de lavar as mãos agentes culturais
subsidiodepentes, quando não há dinheiro, nada fazem e atiram a
responsabilidade para os outros. Paremos todos de lavar as mãos! Este
testemunho e legado da lavagem de mãos tem de acabar, e agora! Não é só
fazer um filho, não é só ter um canudo, não é só ser eleito, não é só
picar o ponto! Isso tudo é o começo de uma responsabilidade de fazer algo, de
inovar em tempos de vacas magras, de usar a imaginação para ultrapassar os
obstáculos, de FAZER!
Pais!!!!
Estejamos atentos aos nossos filhos, pois senão estivermos, outros estão à
espreita. Depois é tempo das lamentações, do “fiz tudo o que sabia”! A
questão é que no mundo globalizante fazer tudo o que sabemos muitas vezes não
chega. Há que querer saber mais, para fazer melhor! Há que saber mexer no
computador, para saber que conteúdos eles estão a ver. Há que resistir ao
constante consumismo, dos ténis xpto, do telemóvel última geração, do
leitor mp3, dos gadgets que a toda a hora nos tentam incutir como bens de
primeira necessidade. Há que impor regras com consequências claras caos as
respeitam ou não, há que impedir de ver tanto lixo na televisão, há que
estar com eles! É difícil ?!?!?
E
quem disse que amar era fácil?
Feedbacks
*Maestro
Tem toda a razão, mas ...... estou farta!, porque se eu fosse ( e o meu
marido!) e todos os outros Pais dos seus coros como critica....não tinha
alunos! Somos nós que continuamos, e acreditamos, que vale a pena tentar fazer
a diferença, e Deus sabe muitas vezes com que sacrifícios! ...Quando falo
disto não são os monetários que me afligem mais, são os sociais... pelos
valores que estamos a incutir e que transformam os nossos filhos nuns
"estranhos" perante o mundo que estamos a criar e onde eles vão ter
que lutar com "armas" bem diferentes das comunmente usadas. Ainda não
estou certa de que tenho este direito! Por isso peço um favor... escreva ,
critique, tem toda a razão e concordo com o que pensa, mais ....faça o que
pensa!, Aliás a prova é que a maioria dos seus formandos ( porque assim
os considero ) troca muita coisa pelo prazer de estar nesse projecto.
E no mínimo utilize os seus Jovens como exemplo de que mudar é possível,
e de que afinal Pais como os que pede existem. Cumprimentos Mafalda
Monteiro
#6
o
tal pequenininho nó
Nada é errado, nada é
proibido, isto se soubéssemos pormo-nos no lugar do outro. Cada atitude tem
uma consequência, mas antes cada atitude tem uma causa. Quando existe um
novelo de lã emaranhado, é porque começou com um pequenininho nó, que
não faz muita importância no inicio, mas começa a incomodar à medida que o
tempo passa. Temos inúmeros exemplos disso: uma avalanche, um assassinato, um
furacão, motor gripado, divórcio, uma doença, uma falta de aptidão de
integração social, uma depressão, etc. Todos eles começaram com algo muito
pequeno ( um floco de neve, um acontecimento traumático na infância, uma
brisa, falta de óleo, falta de diálogo, etc.), mas que marcará no desenrolar
do tempo; todos eles tem uma origem, uma causa, uma estaca zero. Se nos
libertássemos de preconceitos e valores estabelecidos pela sociedade,
entenderíamos o mais hediondo, o mais horrível. Foi por isso que foi criado as
regras na família, no trabalho, na sociedade, pois assim cria-se o
comportamento aceitável, independentemente da origem de cada um, das causas
que definiram a personalidade, das mágoas, raivas e frustrações. Ninguém tem
desculpa, pois as regras são claras. Eu diria que ninguém tem culpa, mas
responsabilidade. A palavra culpa tem uma carga negativa tão pesada que não
permite que o indivíduo se responsabilize, nesta sociedade generalizada pela
falta de amor. Muitos andam à procura da sua alma gémea, outros frustrados com
a metade que encontrou, poucos são felizes pois entendem que é preciso fazer
diariamente pelo outro, todos à procura da causa de si mesmo. É um desencontro
do “que preciso” de cada um. É a evolução da consciência individual e global.
Não diria que seja uma visão dramática, mas uma visão que pretende aceitar a
responsabilidade das minhas atitudes mas que procura estar em paz com a causa
que define aquelas.
Quando temos um problema, temos de procurar a solução, e a vida diz-me que
é o tal pequenininho nó onde tudo começou. Tudo tem uma solução: seja a
solução de amar, lutar e ir à procura do pequenininho nó; seja a
solução de amar, lutar e ir à procura de um novo novelo de lã...
#7
Relações em rede
Se todos cuidassem primeiro
de si, não precisariam do outro para viver. Não nascemos para estar sós, mas
também não nascemos para sermos dependentes. Estamos ligados através de
inúmeras relações, como que se tratasse de uma rede, quando há uma linha que
se rompe o todo aguenta, quando dependemos de uma relação e se a linha
arrebenta, nós arrebentamos. É muito importante estarmos em vários grupos.
Cada grupo tem determinadas características que nos dá algo que permite que
nos sintamos mais fortes como indivíduo. Mas deve ser uma relação de
equilíbrio entre dar e receber. Tal como a relação que estabelecemos com quem
queremos que nos rodeie. Como saber se estamos em equilíbrio? A maior parte
sente que dá mais do que recebe, mas se assim fosse não devia haver uma menor
parte que sentia que recebe mais do que dá? Tenho algumas dúvidas de conseguir
encontrar alguém deste último grupo. Pelo menos aqui na “zona”!
E que tal se permitíssemos
receber? E que tal se não sentíssemos em dívida ou culpados? Não há uma
balança de pagamentos de importações e exportações do amor. Mas temos algo
dentro de nós que nos diz, ou que nos incomoda, e se a quisermos ouvir,
saberemos saber viver a vida como ela a merece: em pleno! Mas tal como nos
esforçamos na escola para ter boas notas, ou no local de trabalho, é
necessário esforço para sermos felizes. Esta ideia que nos violenta que tudo é
tão fácil... fácil é baixar os braços, fácil é não fazer nada, fácil é o
capitão largar o seu leme, fácil é dizermos que somos assim e pronto, fácil é
culparmos o outro pelas nossas frustrações e fracassos! Difícil é ouvirmos o
nosso interior sem sermos molestados pelo fácil. Todo o esforço tem uma
consequência: seja a recompensa que nos fez avançar, seja a frustração de não
atingirmos. Vencedores não são aqueles que têm mais vitórias, mas os que
souberam fazer depois das derrotas. Uma boa relação é aquela que não termina
após um desentendimento, mas fortalece-se, um bom grupo não se desagrega na
dificuldade, mas une-se e procura novas soluções.
Feedback
#8
Diz-me como comes o
bitoque, dir-te-ei quem és
Quando temos um bitoque à nossa frente o que
fazemos? Qual a estratégia? Atacamos as batatas? Deixamos o ovo para o fim?
Não comemos a pouca salada que existe? Engonha mos a comer o bife? São nos
pequenos comportamentos, nas pequenas estratégias que nos vamos moldando para
o futuro. Recentemente saiu um trabalho que dizia que as crianças que
conseguiam deixar o ovo para o fim, tinham um nível de aceitação à frustração
muito elevado face às dificuldades, sabendo que seriam recompensados no fim.
Isto vai ser uma ferramenta muito útil para o seu futuro!
No mundo de hoje atacamos o ovo, o que dá prazer
de imediato. Um sinal visível é o nível de obesidade infantil; um sinal menos
visível é o aumento de pessoas em tratamento psiquiátrico e psicoterapia... Se
hoje as coisas parecem más, no futuro será muito pior, pois estamos a
habituarmo-nos pelo princípio do ovo. E que tal se deixássemos todos o ovo
para o fim? Sabendo que há ovo no fim comeríamos a salada que faz bem ao
corpo, não mastigaríamos a carne como se tratasse de pastilha elástica e as
batatas molhadinhas no molho e ovo é que “saberia a pato”. Mas não!!!!
“Porque eu tenho que sofrer? Que disparate!
Eu tenho é que ser feliz!” Pois é, mas não vejo muitas caras
satisfeitas por ai... vejo sim uma busca desenfreada pelo encher de um vazio
através de prazeres imediatos. É como se quiséssemos esvaziar o mar com uma
concha. Não é esse o caminho. Em vez do
“eu tenho é de ser feliz!” porque não alterar o discurso e com ela
a atitude. “Eu tenho é que me sentir bem
comigo próprio/a”. É muito chato muitas vezes, mas temos o chato do
Grilo Falante , a nossa consciência que nos fala. Podemos não querer ouvir,
mas vai pesando e pesando.
Em princípio temos todos uma certa consciência
do que é o certo. “E é certo sofrer?!?!?!”
Depende. Não é certo sofrer porque que se está longe e quer estar perto? Não é
certo sofrer porque é preciso perder algum peso para ser mais saudável? Porque
ralhamos com os nossos filhos porque os amamos? Damos segunda oportunidade
porque também falhamos? Comer tudo e deixar o melhor para o fim? Poupar em
pequenos sacrifícios para comprar algo maior?
Sofrer por algo maior sim, sofrer por sofrer,
por masoquismo, porque não se é amado não. Como canta Padre Zézinho “ A
decisão é tua, a decisão é tu-u-a!”
Feedback das Ultimas Actuações
Com a época de
exames em que estou, tive que fazer as minhas opções.e penso que não
errei nas minhas escolhas. não faltei aos ensaios nem aos
3concertos. ajudei a montar na quinta feira o palco nos maristas de
manha.á tarde fui ao ensaio geral.no sábado apresentei-me logo de
manha para qualquer ajuda. e isso foi recompensado.e hoje estou
feliz por isso. foram três concertos diferentes mas muito bons para
a evolução do coro Vox Laci. no concerto de sexta foi evidente o
equilibrio que existe entre o coro Juvenil e o Adulto. a energia
juvenil com a maturidade do adulto brotou num concerto muito coeso,
simples e brilhante.sem material e improvisando, pois estava nos
maristas, os coros conseguiram transformar o concerto num serão de
vozes do lago, encantado as poucas pessoas que lá estavam (que foi
uma pena). Do concerto do maristas penso que não é necessário falar,
pois foi um concerto maravilhoso, onde cada coro deu o seu melhor. O
concerto os jerónimos foi o culminar perfeito do trabalho que o coro
juvenil teve ao longo deste ano.Agradeço ao maestro Myguel, pelo
empenho e pela entrega que tem feito desde o inicio do seu sonho.
desejava ter 100 pessoas. hoje tem mais de 140 nas suas mãos. temos
todos que lhe dar um obrigado.mais que um projecto é uma alegria tão
para quem assiste como para quem canta. Tenham ATITUDE e seremos os
melhores. David
#9
Vale
muito a pena viver!
“Quando
chegarmos ao nosso último dia ou chegarmos à outra vida, aí perceberemos
o porquê das coisas da nossa vida...”
Não
sei se será assim, mas sei que tudo o que acontece, acontece porque tem uma
razão de ser. Mesmo as coisas mais monstruosas e inacreditáveis, mesmo as
coisas mais sem sentido e as que menos estamos à espera. Hoje vivi esta última.
Vi
reunido numa sala pessoas que nada tinham a ver uns com os outros, e por
causa de um sonho de há mais de 13 anos, por causa da música coral, se
uniram e fizeram algo em conjunto. Pessoas estiveram juntas em comunidade,
à parte das suas crenças, educações e ideias. Estiveram alegres,
conviveram, deram-se a conhecer, trabalharam para um bem em comum. Seria bom
que o exemplo destas micro sociedades se extravasasse para a sociedade.
Sabemos
que estamos a fazer a diferença, seja na música que fazemos, seja na
atitude e empenho que pomos no que fazemos, seja nos valores e princípios
que partilhamos e fomentamos.
Sim,
hoje não foi preciso ir para o estrangeiro para buscar novas forças e
ideias. Vi pessoas que deram o duro, pessoas que partilharam do seu ser,
pessoas que preparam surpresas para que outros pudessem sorrir, pessoas que
se dispuseram a ajudar sem procurar recompensa.
A
todos vós que são parte do meu sonho, a todos vós que me fizeram
acreditar ainda mais que vale a pena sonhar, apesar das vicissitudes da
vida, a minha eterna gratidão!
Vale
muito a pena viver!
#10 Palavra
de Maestro:Professor
por opção, ensino por paixão
Por
mais tempo que passe, quando uma pessoa nos marca, esse efeito fica para o
resto da vida. Uma das pessoas que me marcou, foi a minha professora de
português do 10º e 11º ano. Marcou-me de tal
maneira, que sempre que escrevo ou componho, penso o que ela diria
sobre o que fiz. Muitas vezes em seminários e workshops e falo que o mais
importante não é sermos professores fixes na primeira aula, mas um
professor por opção e ensinar com paixão, a minha professora português
é sempre o meu exemplo top do que é um verdadeiro professor.
Estava nos meus milhares pensamentos e um deles era como estaria a
professora? E o que a vida me preparou?!? “Bom dia sr.maestro!” Eu
fiquei tal modo atónito... passados mais de 15 anos, a professora! Qual a
probabilidade de às oito e meia da manhã, num supermercado, depois de 15
anos, eu estar a pensar no efeito que a professora teve em mim até hoje,
nos encontarmos? Naquele instante, foi como se o tempo se congelasse, e
viesse à memória uma série de acontecimentos: a primeira aula onde os
engraçadinhos do costume perceberam que “esta” não era para
brincadeiras, quando chorei a receber a minha primeira negativa a português,
a sua indiferença perante a
minha revolta, o quão trabalhei como nunca tinha feito, e como
passei mesmo à tangente no final do ano,... mas foi sem dúvida a melhor
professora, pois obrigou os alunos a superarem-se. E é disto que faz
falta em Portugal: pessoas que não tenham medo que os seus alunos,
coristas e empregados se superem, pois isso obrigará os professores,
maestros e patrões a nunca se instalarem com a ideia patética que mais
nada têm a aprender.
A
vida tem destas coisas, é estar atento ao que ela nos diz. E uma das
coisas que ela nos diz constantemente é que “parar é morrer”.
#11 Palavra de
Maestro:
“dou graças
por existires!”
É nos vendido que é tudo tão fácil no mundo
materialista. Queremos um carro, roupas, viagens
e é só fazer um creditozinho.
Credotizinho aqui, creditozito ali, e
num ápice estamos encrencados. O movimento de
dinheiro e prendas este Natal... terá sido
proporcional ao movimento de amor e carinho?
Será que os 50€ correspondem ao que sinto por
ti, ou gasto 50€ porque também fazes o mesmo e
depois sentir-me-ia mal por dar uma prenda
menor? Porque são os Euros, a tabelar o que
sentimos pelo outro, e não a experiência de
fazer o outro verdadeiramente feliz: os nossos
pais, filhos, amigos, maridos, esposas e
namorados.
O que é o Natal? Não é a paz? No programa
“Dr.Phil” ele dizia que o que todos procuram é
aquela sensação fantástica de paz interior. Não
foi por isso que o Natal surgiu, que Nossa
Senhora sofreu ao dar à Luz o Menino Jesus, para
que estejamos em paz e harmonia? Para isso temos
de saber ser coerentes, que os nossos actos
correspondam às nossas palavras (mesmo no mundo
que nos tenta moldar para o facilitismo), que
saibamos fazer o outro sentir-se especial,
saibamos ouvir e dar o benefício da dúvida antes
de nos exaltarmos.
Hoje que ainda é Natal, pois os Reis Magos estão
a caminho com as suas ofertas, poderíamos pegar
nas tecnologias ao nosso dispor e surpreender
quem estimamos: os nossos pais, filhos, amigos,
maridos, esposas e namorados com algo como “dou
graças por existires!”. Não custa nada.
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#12
Palavra de maestro
Só podemos exigir direitos, se cumprirmos com os
deveres
Por todo o lado ouve-se a
luta pelos direitos. Nos coros que dirijo
também. Aliás, sobretudo nos coros que são
constituídos por jovens adolescentes, a
reivindicação dos direitos está muito
patente nos seus comportamentos. Já não
crianças, querem ser tratados como adultos,
mas não o são ainda. Ser adulto não é quando
se atinge os 18 anos, mas quando se atinge a
responsabilização plena dos seus deveres e
direitos.
No VOX LACI incunte-se muito
a responsabilização: seja a individual, seja
a colectiva. Deste modo prepara-se,
molda-se, dá-se objectivos e projectos aos
coristas que lhes permitirá manejar uma
série de ferramentas que a um determinado
momento fará sentido. A propósito disso,
lembro-me sempre de um filme que me marcou
muito: “Karate Kid I”. É que o jovem com a
ânsia natural da sua idade de quem queria
aprender a lutar, foi posto a pintar
paredes, lavar janelas, carregar baldes,
enfim, actividades pouco dignificantes para
um futuro campeão. O professor sabia o que
estava a fazer, havia um propósito naqueles
momentos repetitivos. Até que surgiu o “click”!
Os olhos do jovem brilharam quando entendeu
como aqueles “trabalhos forçados” não eram
mais do que a base dos movimentos do Karaté.
Para ter direito a praticar Karaté, teve que
cumprir com os deveres que esse direito
acarreta.
E é isso que se passa com
tudo. Com o direito à família temos os
deveres como filhos, o direito à educação
para quem cumpre com o dever de estudar, o
direito a estar em palco se cumpre com os
deveres de estar nos ensaios. No VOX LACI
não se procura ver quem é o melhor, mas
fazer sobressair o melhor de cada um, levar
as pessoas a alcançar objectivos (pequenas
vitórias) que mais não são níveis de
desenvolvimento pessoal.
Em todo o tipo de direito
está subjacente um dever, e apenas podemos
exigir e lutar por mais direitos se os
nossos deveres estiverem a ser cumpridos.
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#13
Palavra de maestro
Porquê existe tanta maldade no mundo?
Pena que a liberdade de uns seja uma arma de maldade. Acredito que
quando nascemos somos uma tábua rasa, e a vida vai-nos marcando, pelas
decisões e consequências que vamos vivendo no dia-a-dia. Então, porque
existe tanta maldade no mundo? Porque existe pessoas que acordam a
pensar quem vão magoar e se deitam como fazer pior no dia seguinte? Será
que não se apercebem que o boomerang da vida aparecerá quando menos
esperam? Como é possível magoar pessoas inocentes, utilizando crianças
sem qualquer respeito pelo ser humano? Como podemos deixar de olhar para
os nossos umbigos? Tem de haver alternativas e novos caminhos, com novas
estratégias...
São vítimas da falta de bondade, não conhecem outro modo de viver, é uma
questão de sobrevivência : “Ou eu, ou o outro!”. Nunca viveram a
experiência de se sentirem especiais e únicos. São vítimas de quem os
criou, ou de quem lavou as mãos da responsabilidade de os criar.
Tornou-se para eles uma questão de sobrevivência, em vez de uma questão
do “Eu com o outro”, do “Eu pelo outro”, do “Eu através do outro”. Não
têm objecto da bondade, muitos nem têm consciência que agem com maldade.
Defendem as suas atitudes como se houvesse justificação, há sempre um
“porque...” Pouco ou nenhum espaço há para “Desculpe. Por favor
ajude-me”
Uns são vítimas, outros vitimizam-se. Somos livres, Ele deu-nos a
liberdade.
#14
Palavra de maestro
O risco de viver no seu próprio casulo
Quantas pessoas não conhecemos que vivem no seu próprio casulo, quantas
vezes nós mesmos não tivemos alturas assim? O risco desta opção (porque
é uma opção!), comporta outros riscos, mas talvez o maior seja o da vida
passar ao lado. Presumo que não deve haver nada pior do que sentirmos
que a “vida não espera”, ela acontece a cada milésimo de segundo,
indiferente às nossas opções.
Este casulo pode ter várias formas: o excesso de trabalho, o medo de
relação, os vícios, o pensamento obsessivo, as mudanças de humor, a
tristeza profunda, a euforia sem razão aparente... enfim uma série de
sintomas todas elas comuns no seu objectivo: negar a realidade que o
circunda. “E é mais fácil assim.” Será mesmo? E se um dia tal como
Veronika, Eduard e Mari quiserem sair de Villete, depois de tantos
anos enclausurados, e assumirem o risco de viver? O “lá fora”, continuou
com a sua vida, os “lá dentro” optaram por fazer um pause e agora querem
play. É que o “lá fora” já está noutra etapa, e na vida não existe o
rewind nem o forward. Depois como é? O risco do casulo não é assumido,
pois não se adaptam à vida. Ou voltam para o pause ou optam pelo stop.
Quem não tem altos e baixos? Quem nunca sofreu nem sofre? E não é isso a
vida? Um caminho que não sabemos onde nos leva, mas é feito das nossas
acções e não opções (que é uma opção!).
O risco está em todo o lado, mesmo no nosso pequeno casulo.
#15
Palavra de maestroA
dimensão de quanto mais damos, mais recebemos
Aprendemos desde de berço que devemos ser bons uns para os outros, mas
não somos preparados para os que são maus para connosco. Chocamo-nos com
histórias e notícias trágicas, “mas ainda bem que não é comigo!”. Até ao
dia em que abrimos a porta da nossa casa, do nosso coração e alma, e
ficamos vulneráveis pois não temos a “segurança” da porta fechada.
Magoam-nos, maltratam-nos pois pensámos que o outro pensa e sente como
nós: damos tudo, o outro recebe...e não retribui.. faz pouco...e o que
nos dá não é coerente com o que tínhamos em mente.
Muitos começam a nunca abrir mais a porta, sempre com medo de voltar a
acontecer o mau inesperado. A dimensão de quanto mais damos, mais
recebemos é posta em causa e torna-se mentira. Outros, os idílicos, os
que não vivem neste mundo, continuam a pensar e agir contra o pensamento
dominante na sociedade. Sofrem mas continuam a abrir a porta, sem
esperar nada em troca, apenas o sorriso a quem abriram a porta.
Os que vivem em relações de portas fechadas às sete chaves vivem uma
vida morna, com horários certinhos, com medo do inesperado que só
acontece a quem abre a porta. “Pois é, os outros têm sorte!” Os outros
são aqueles que abrem a porta, que sabem que poderão sofrer, mas também
sabem que se algum dia decidirem não abrir a porta, pode ser que estejam
a deixar partir a sua hipótese de ser feliz... E se um dia o inesperado
fosse um “obrigado!”, “gosto de ti!”, “fazes-me falta?”, “queres viver a
vida comigo?”
Nunca saberão porque a porta está fechada...
#16 Palavra de
Maestro:
Diferentes pobrezas
De
Amsterdão escrevo onde participo num dos acontecimentos
mais marcantes da minha vida: preparo em conjunto com
outros maestros internacionais o Poverty Requiem, para
podermos realizar nos nossos paises de origem. É um
encontro de culturas, mas mais forte ainda, é um
encontro de diferentes pobrezas. Um dos maestros que vem
do Senegal, dizia “todos somos pobres materialmente, mas
nao cultural e intelectuamente”, e como se fez silêncio
na sala...
Tenho estado a pensar desde então o que quis ele mesmo
dizer. E de facto, quando não lutamos pão diário, temos
a necessidade de lutar contra uns e outros, seja quando
estamos a irritarmo-nos no trânsito, seja no trabalho
onde tensões entre colegas e patrões fragilizam-nos,
seja no seio familiar onde deveria ser o “nosso castelo”
para nos sentirmos seguros. É triste que o ser humano,
em geral, nunca esteja satisfeito com o que já tem.
Ambição e querer ser melhor julgo que é importante, mas
dar graças pelo que se é e o que se tem é de uma alegria
e paz extrema, que poucos se podem gabar. Quando
poderemos nos gabar que usamos os transportes públicos
ou bicicletas para o trabalho e escola, que somos
companheiros e atenciosos no trabalho, e que a família
é, de facto, o nosso porto seguro? Quando haverá
qualidade de vida para não perder tempo no trânsito, não
ser necessário baixas por depressão nem comprimidos
“milagrosos” que põem uma pessoa a dormir?
Falou (nome do maestro senegalês) tinha razão.Eles lutam
para ter comida e são felizes, nós temos comida e
lutamos para ser felizes.
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#17 Palavra de Maestro A
desilusão faz parte da vida, a traição faz parte da vida de quem
trai
Somos humanos e como tal faliveis e cheio de defeitos, mas também
temos virtudes. Nalguns pesa mais os defeitos, noutros as virtudes.
Às vezes é uma fase na vida, que pende mais para um lado do que para
o outro...
Continuo a acreditar nas pessoas, na instituição da família, nas
regras e valores que devem reger um ser humano e, por fim, um grupo.
No meu dia-a-dia lido com pessoas, e seja o VOXLACI uma instituição
com objectivos corais e musicais, é antes um modo de estar. Alguém
escreveu “é simplesmente lindo olhar e pensar que algo tao
simples como um coro pode mexer na nossa vida e fazer um torbilhão
no coração e saltar de alegria, deixar cair lagrimas!”. E como
mexe...
Recentemente mexeu muito comigo a ingratidão de algumas “estrelas”
(que só existem no céu, mas não lhes digam nada!). A mãe de um deles
disse-me “Maestro:a desilusão faz parte da vida.” A desilusão faz
parte do crescimento de todos, a traição faz parte da vida de quem
trai. E será a própria vida a “professora”, quem ensinará que mentir
não leva a lado nenhum, que enganar faz parte dos falsos, e
trair....quem trai uma, trairá outra..Existe algo chamado de
“arrependimento”, mas só os de carácter já ouviram falar.
A essas “estrelas” corruptiveis, que foram importantes para o grupo
num determinado tempo, altura em que se regiam pela verdade e
decisões dificeis...espero que tenha valido a pena!
Feedbacks
Exmos. Senhores,
Recebo com regularidade notícias da VOX LACI, que agradeço, por
um lado, e por outro me enche de orgulho porque sou uma
residente da freguesia de S. Domingos de Rana.A “Palavra do
Maestro” tocou-me particularmente, porque nela consegui
encontrar a expressão de algo que há muito venho sentindo. Como
poderão constatar, também eu trabalho com pessoas e, em
particular, com músicos da Orquestra Metropolitana de Lisboa,
tendo já no meu curriculum uma passagem de 9 anos pelo Teatro
Nacional de São Carlos e pela Orquestra Sinfónica
Portuguesa.Bem-haja maestro pelas suas palavras que vou guardar
e que me permitirei citar, com a devida vénia, nas ocasiões
próprias. E são tantas… Mas “a desilusão faz parte da vida”, não
é? Aproveito a oportunidade para vos enviar o meu BEM-HAJAM pelo
vosso trabalho e pelo imagem de qualidade que vêm passando a um
público cada vez mais vasto e fiel. Com as mais cordiais
saudações.
Isabel Menezes Bandeira
Vogal da Direcção da AMEC
Boa tarde Sr. Maestro
Não sei porque recebi este email, mas sensibilizou-me.
Também já fui, como infelizmnte milhares de outras pessoas,
vítima da
traição, e sei que doi mais em quem é traído do que em traí.
De qualquer modo gostaria apenas de lhe dizer que a sua
"nova"
experiência vai-lhe permitir chegar a um nº ainda maior de
corações. "Deus nunca dá peso superior aquele que podemos
suportar..." Dina Agante
Compreendo a sua reflexão e o seu desgosto. O Coro é tudo o
que disse mas também um grupo de gente que reage de maneiras
diversas e muitas vezes aqueles que, porventura se
consideram "estrelas" por não terem assimilado o que é um
Coro (acho que no Coro não devem existir "estrelas" porque
somos um todo) pretende brilhar a todo o custo, esquecendo o
interesse do todo. Não se entristeça porque esses momentos
de solidão e tristeza só nos fazem crescer como seres
humanos e poderão ser transformados em excelentes
oportunidades para lutarmos mais e melhor por aquilo em que
acreditamos. Vá à luta e continue com o amor e boa
disposição ao serviço da causa que é a sua vida como Maestro
de um Coro que ama. Lá diz o ditado...."os cães ladram mas a
caravana passa..." e eu acrescento SEMPRE!!! Um abraço para
si e continuação de felicidades para o Vox Laci! Maria da
Piedade
Olá, o meu nome não vos diz nada. Canto no Coro da
Universidade da 3ª Idade do Barreiro e sou admirador da
vossa obra, Já nos encontrá-mos uma vez e sou leitor dos
seus escritos. Tenh 64 anos , fui colega e sou amigo do
Ivo Miranda (ACAL). Obrigado pelas suas intervenções
escritas, eu mesmo tenho -me apropriado de alguns
pensamentos e ensinamentos seus para no meu coro
os "transmitir". Para que este email não seja anónimo, sou
o Ernesto Nogueira tenor do CORUTIB. Saudações coralistas.
Obrigado
#18 Palavra de MaestroA
Moda da Solidariedade do Autocolante
Ser solidário não é para estarmos de bem com a nossa
consciência, é para que o outro se sinta bem com o nossa
disponibilidade. A moda da Solidariedade do autocolante
(“Vejam como eu ajudo!”), não serve os interesses de quem
mais necessita, mas de quem mais necessidade tem de se
mostrar. Ora, isso não é solidariedade...é exibicionismo à
conta da desgraça da próximo.
Segundo o dicionário, solidário vem do Lat. solidu, sólido,
ou seja, algo não pode ser sólido e depois já não o é.
“Agora apetece-me ser solidário!...Agora não dá muito
jeito...” Alguém solidário é alguém que se sente do mesmo
modo, como por exemplo, quando ouvimos alguém e o escutamos
com o coração, e ajudamos em silêncio, porque escutámos (em
Dublin, existem pessoas que são os “listeners” que estão nos
bancos da cidade para escutar quem quiser falar). Ser
solidário é dar apoio ou auxílio a quem precisa mais do que
nós. Há que fazer ouvir a nossa voz a favor dos que mais
precisam de nós, seja porque não têm para comer, para viver
ou para com quem falar. Um terço da População mundial é
POBRE, vive com menos de 1$ por dia.Em cada 6 pessoas do
mundo, 2 pessoas morrerão à fome dentro de pouco tempo
(ainda hoje até!). Por dia morrem 50 mil pessoas no mundo,
uma a cada 3 segundos...uma pessoa a cada 3 segundos morre,
deixa de ter vida a correr nas suas veias.. Em contraste
outros dois terços do mundo, morrem por viverem com excesso:
doenças cardiovasculares por má alimentação, tabagismo e
alccolismo, acidentes de viação por excesso de velocidade,
doenças do foro psiquiátrico por excesso de endeusamneto do
mundo material. É um contrasenso, o mundo está
desequilibrado, e o estar de braços cruzados é não só
aceitar tudo isto, como promover este desequilibrio.
A nossa solidariedade, a nossa voz é fundamental! Um dia
poderemos ser nós que necessitaremos que alguém grite por
nós.
#19 Palavra de Maestro
Quando a morte nos bate ao lado
Todos dias morrem pessoas. Os noticiários falam de pessoas
que morrem como se tratasse de apenas números “Hoje no
Afeganistão um bombista suicida provocou mais de 70 mortes!
Em Bangladesh poderão morrer milhões de pessoas se não
chegar ajuda!No Burundi uma aldeia foi completamente
dizimada!...” São números de facto, pois não temos um
contacto directo e humano. É demasiado longe...
Como podemos exigir que tenhamos, se nem o vizinho
conhecemos ou falamos, e muito menos convidamos para nossa
casa? Festa de Boas vindas do Bairro ao novo vizinho? Para
isso era preciso que houvesse um sentimento de bairro, de um
colectivo que cresce entre os membros de uma mesma
comunidade. O vizinho não é mais do que alguém que pouco
respeito nos merece, pois sacode as migalhas para cima de
nós, não paga as quotas a tempo, está sempre mal disposto.
Quem não tem um vizinho assim? Certamente todos têm. E se
perguntarmos, quem não tem um vizinho assim dentro de si? É
sempre mais fácil apontar o dedo ao vizinho, do que fazer
uma autocrítica. Sim, porque os outros é que isto e aquilo.
Até que algo nos faz parar nesta intensa batalha de
alegações contra o vizinho: a morte do vizinho do lado, e
sobretudo se fôr uma criança que tragicamente perdeu a vida
numa passadeira. Mas mais uma vez será que parámos para
pensar na dor desses pais,familiares e amigos (deixo aqui a
minha solidariadade), ou assustámo-nos de tal modo , pois
poderia ser o nosso filho? Talvez tenha tido sido ambos. De
todo o sofrimento do mundo, não haverá mais dor que a perda
de um filho. Deve ser uma dor de tal maneira devastadora e
incompreensível... “Porquê?”
Egoisticamente falando, quando a morte bater à porta, apenas
peço a Deus que me faça partir primeiro.
Reacções
*Gostei muito Anónimo
*E, apesar de tudo, dizemos que acreditamos em Deus e que a vida
continua...Bom fim de semana,Dad Ecce Gratum
*Caro Myguel Santos e Castro, hoje abrimos o jornal. Folheamos as páginas
do interior. Secção: Sociedade. Deparamos com um texto de
uma crónica de opinião que costumamos consultar. É um fulano
chamado Ruy Mossa que escreve os comentários semanalmente.
Um dia falámos a um amigo: já leste as colunas de um sujeito
chamado Ruy Mossa? É o maior. Não encontro pessoa alguma nas
páginas da imprensa escrita." - Sabes quem é?"" - Não"." -
Seu parvo, é o teu vizinho de porta".A partir daquela
informação, Ruy Mossa tornou-se um amigo para sempre. Os
vizinhos? Não existem. Agora são inseparáveis amigos.
Acreditam nesta estória? Filipe Oliveira
#20 Palavra de Maestro
Se não está preparado para o não, não está para o sim
Em muitas situações da nossa vida
somos injustiçados, ou pelo menos é o que sentimos,
nomeadamente quando achamos que merecemos determinada
posição no trabalho, determinada nota num trabalho escolar,
determinado/a pessoa numa relação de amizade e/ou amorosa,
determinados direitos (esquecendo os determinados deveres
que isso acarreta), determinada presença em palco. A questão
está aqui mesmo. Nada nem ninguém estão determinados tal
qual tragédia clássica, mas as nossas acções talvez não
tenham sido coerentes para atingir a “determinada”.
E eis que surge o determinado Não.
E com ele, que não era determinado, não estava nos planos,
assenta-se e invade-nos uma raiva, uma frustração, que
apenas o tempo a converterá em tristeza e, por fim, na
aceitação, e os mais desenvolvidos emocionalmente, na
felicidade que o outro ficou “ com a minha determinada”.
Quando o meu objectivo não é possessivo estou preparado para
o Sim, e mesmo que o Não surja, não ficarei
arrasado, mas aceito como parte do processo para receber o
Sim. Saber fazer as pazes com o Não, é
caminhar para o Sim. É verdade que existem muitas
injustiças, pessoas com cunhas, alunos lambe-botas, pessoas
manipuladoras e chefes (não os confundamos com líderes) que
são prepotentes e usam o seu determinado “poder”, no fundo
para se vingarem das suas frustrações e usam as pessoas. Mas
não é sobre estes caso que reflicto.
Já agradeceu hoje pelo lindo sol, por
ter saúde, por ter determinada pessoa quando acorda, pela
chuva que lava as almas, pelo trabalho que nos faz sentir
úteis, pelos filhos que trouxemos ao mundo? Saber aceitar e
agradecer as dificuldades, pode ser um caminho para viver em
harmonia com o melhor que a vida tem: o tempo que usufruímos
com quem mais amamos.
Reacções
"Verona"...
...fonte de inspiração !
...mergulhado nos seus pensamentos!
...no palco das águas de um lago ( não sei se profundo, mas
acredito que sim, pelo resultado de tão grande e profundo
trabalho! )
...espelhados hoje, em acções constantes, coerentes e
abrangentes...o "vox laci"...cresceu!
...é fruto de um grande "pensador!"
" vox laci" pelo que transparece ,caminha sempre mergulhado
neste "sonho".
Quem conhece " vox laci", não se cansa de "o" admirar!
O caminho feito e tudo o que já está planeado para os anos
seguintes, desejo seja repleto das maiores
Benções do "menino jesus" !!!
E , continue a renascer no coração da família, "vox laci"
(já enorme).
Ao maestro incansável, saúde e amor para continuar o
brilhante o trabalho que em boa hora escolheu!
Junto-me a todos vós num fraterno abraço!
Fátima Santos
#21 Palavra de Maestro A verdade vem sempre ao de
cima
Temos
vários exemplos na História, que a mentira e o engano não
perdura. É como o azeite num recipiente de água, vem sempre
ao de cima, mas no seu tempo próprio. Muitas vezes queremos
a verdade fast-food, imediata, mas ela não funciona assim. A
semente não se torna flor mais rápida, se regarmos com mais
água: ela se afogará. A verdade não se esconde, não finge,
não tem atalhos, ela apenas é. Muitos são aqueles à nossa
volta que não entendem esta lei básica da vida, e passam a
vida a sorrir falso, a cumprimentar sarcástico, a olhar
foragido, e constantemente com as costas viradas para a
simplicidade do "Gosto de estar contigo!"
Um dia saberemos a verdade sobre Hitler e Kennedy, a sida e
o cancro, do amigo e do desconhecido, sobre os sentimentos
de quem estamos (ou queremos estar) próximos. É preciso
saber ser paciente e, sê-lo, não poderá ser vivendo à espera
que o azeite à nossa volta venha ao de cima, mas cuidar que
o azeite não entre em nós. É um combate diário para que não
sejamos uma esponja que absorve o azeite, mas um corpo
dominado pela mente e ambos liderados pelo nosso grilo
falante. É tão fácil dizer mal, somos seduzidos que os
espertos são os que pisam e os inteligentes não têm emoções.
Esta é a "verdade" que reina, mas todos sabemos que é uma
questão de tempo. O hipócrita cansar-se-á de se ouvir, o
mentiroso não distinguirá a verdade, o ladrão roubará sua
paz, o assassino matará sua razão de viver, e o simples
viverá a verdade.
Quase sempre a verdade apenas quer vir ao de cima, mas não
estamos preparados para a receber, pois muitas vezes faz
sofrer, e "ninguém quer sofrer". Mas evoluir individualmente
é também sofrer, é aceitar que a nossa verdade pode não ser
tão verdade como pensávamos, pode afinal não ser água mas
azeite. E isso dói. Mas faz crescer.
Reacções
*Agir e sofrer como lugares de aprendizagem da
esperança “Podemos procurar limitar o
sofrimento e lutar contra ele, mas não podemos eliminá-lo.
Precisamente onde os homens, na tentativa de evitar qualquer
sofrimento, procuram esquivar-se de tudo o que poderia
significar padecimento, onde querem evitar a canseira e o
sofrimento por causa da verdade, do amor, do bem, descambam
numa vida vazia, na qual provavelmente já quase não existe a
dor, mas experimenta-se muito mais a obscura sensação da
falta de sentido e da solidão. Não é o evitar o sofrimento,
a fuga diante da dor, que cura o homem, mas a capacidade de
aceitar a tribulação e nela amadurecer, de encontrar o seu
sentido através da união com Cristo, que sofreu com infinito
amor (...) o
indivíduo não pode aceitar o sofrimento do outro, se ele
pessoalmente não consegue encontrar no sofrimento um
sentido, um caminho de purificação e de amadurecimento, um
caminho de esperança”. Bento
XVI, SPE
SALVI
*Maestro, honestamente não sei se lhe diga que tem razão ou
não... Como as coisas andam... :)
Acho que o Woody Allen expressou muito bem essa situação no
filme "Match Point" e o Marquês de Sade em "Os infortúnios
da virtude". Não sei se será assim tão linear... Porque para
todos os efeitos, há muitas verdades, como diria o João sem
Medo, do José Gomes Ferreira. Um abraço e votos de
excelentes festas.David Rodrigues
#22 Palavra de Maestro
O Natal não é sinónimo de felicidade para todos
O Natal espera-se feliz para as pessoas, mas não foi tão infeliz para as
pessoas que negaram abrigo a Maria e José? Todos os natais
pessoas continuam a negá-l´O, a si mesmo e a tantas Marias e
Josés que batem à porta não só nesta noite.
Num grupo uma pessoa altera uma dinâmica de grupo, uma pessoa altera o
ambiente num jantar de família, uma pessoa altera o destino
duma outra. No VOX LACI chamamos-lhe de factor X (FX), o
elemento variável que transforma a dinâmica quer esteja
presente ou ausente. Hoje, véspera de Natal muitos não terão
a sorte de ser ou ter ao seu lado o FX. Sofre-se muito nesta
noite de Natal, diria quase que talvez seja a noite, depois
do fim-de-ano, onde as pessoas mais sofrem. São dias que
estão embebidos de uma festividade, que quem não sentir,
pensará que algo de errado se passa consigo mesmo ou com os
outros. E tal como no “Pássaro da Alma” existem em cada um
de nós uma série de gavetas prontas a abrirem: uns a gaveta
da alegria de estar com quem ama, outros a da tristeza de
não estar; outros a gaveta da companhia em oposição com a
gaveta da solidão; outros a gaveta da fala contrapondo com a
da gaveta do silêncio. E todas as gavetas irmãs catapultam
numa sinfonia orquestrada pela presença ou ausência do FX
dando origem a composições individuais a nós chamamos de
vidas.
Muitos vivem o lado triste do Natal: dormem nas ruas até nesta noite que
devia ser de todos; discutem à mesa na noite da família
unida e em harmonia; comem sozinhos tendo como companhia um
copo de vinho ou um livro; alguns morrerão nas estradas e
suas casas, outros perderão a esperança de voltarem a ser
felizes. E tudo isto acontece também nesta noite que devia
ser de todos, mas não o é. É apenas para os felizardos que
têm dentro de si ou ao seu lado o FX.
#23 Palavra de Maestro A Dúvida da Certeza
A dúvida coexiste com a certeza e acompanha-nos no dia-a-dia
sempre que temos de tomar decisões. Umas são simples de
tomar, enquanto que outras podem parecer um inferno na
terra.
Em tempos de dúvidas e incertezas, é como se estivéssemos à
deriva numa jangada, onde até o céu coberto tapa qualquer
hipótese sequer de nos guiarmos pelas estrelas. Parecem
horas, dias a fio onde nada acontece e tudo ou qualquer
coisa esperamos que aconteça para que nos ajude a fazer um
“clique” e seja a faísca que precisávamos para dar algum
sentido ao sofrimento da dúvida, na procura de um porto de
abrigo, terra firme. E andamos de bóias em bóias iludidos
que são portos, mas mais não são que balões de ar, que nos
ajudam sim, mas dentro do espaço e tempo limite que um balão
de ar pode suportar. E continuamos com dúvidas, a sentir que
estamos prestes a afogar, e lutamos desesperados para não
deixar a dúvida vencer. Mas vencer quem? A nós próprios? Se
conseguiremos viver apenas connosco próprios? Sem dúvidas,
sem bengalas, sem dependências, sem relações que em vez de
nos fazer evoluir nos apagam, sem o nosso naipe por perto? A
dúvida instala-se, e desesperamos numa agonia sádica. Mas
porquê? Se depois da tempestade só pode vir a bonança, se
depois da dor só pode vir a cura, se depois da chuva só pode
vir o sol? Porquê que a dúvida que assola os mais corajosos
que estão dispostos a enfrentar os seus medos, pois querem
ser melhores pessoas, não é apenas aceite como um meio para
atingir um fim, mesmo que não saibamos onde ele se encontra,
mas com a certeza que existe.
“A Dúvida pode ser um laço tão poderoso e forte como a
certeza” e a primeira será a estrela polar que nos levará à
segunda, a terra firme, ao tal porto abrigo, que não está
fora de nós, mas no interior de cada um.
Reacções
*A
grande esperança-certeza "Toda a acção séria e recta do
homem é esperança em acto. É-o antes de tudo no sentido
de que assim procuramos concretizar as nossas esperanças
menores ou maiores: resolver este ou aquele assunto que
é importante, para prosseguir na caminhada da vida; com
o nosso empenho contribuir a fim de que o mundo se torne
um pouco mais luminoso e humano, e assim se abram também
as portas para o futuro. Mas o esforço quotidiano pela
continuação da nossa vida e pelo futuro da comunidade
cansa-nos ou transforma-se em fanatismo, se não nos
ilumina a luz daquela grande esperança que não pode ser
destruída sequer pelos pequenos fracassos e pela
falência em vicissitudes de alcance histórico (...) É
importante saber: eu posso sempre continuar a esperar,
ainda que pela minha vida ou pelo momento histórico que
estou a viver aparentemente não tenha mais qualquer
motivo para esperar. Só a grande esperança-certeza de
que, não obstante todos os fracassos, a minha vida
pessoal e a história no seu conjunto estão conservadas
no poder indestrutível do Amor e, graças a isso e por
isso, possuem sentido e importância, só uma tal
esperança pode, naquele caso, dar ainda a coragem de
agir e de continuar". Bento XVI, SPE SALVI
#24 Palavra de Maestro
Moluscos e lapas de mágoa
A mágoa é inerente a todo o ser humano:
uns vivem acima dela, outros gerem o dia-a-dia com os seus
afazeres, outros simplesmente cegam.
A esta hora existem pessoas que vivem magoadas, agarradas a situações do
passado, como mexilhões e lapas à rocha, que lhes custa
simplesmente viver e aceitar a dor e o sofrimento. Correm
numa azáfama, como se fosse véspera de natal atrás das
últimas prendas, mas em vez de ser um dia por ano, o fazem
por “desporto diário”, não escutando os outros, nem a vida,
muito menos a si mesmo. Não podem parar senão vão ao fundo,
não podem abrandar porque têm dependentes a seu cargo, não
podem estar sem fazer nada pois senão a mágoa vem ao de
cima, devem ser racionais e funcionais. Enquanto não pararem
o saco de batatas (mágoa), não se tornará mais leve, muito
menos desaparecerá. O seu peso será cada vez maior, e
tornar-se-á cada vez mais insuportável. É que ele não está
às nossas costas, mas dentro de nós, como mexilhões e lapas,
e apenas cada um de nós tem a faca para as retirar, e a
chave consiste em simplesmente aceitar que essa mágoa tem
uma razão de ser, mesmo que fiquemos incrédulos com tamanha
barbaridade que nos infligiram. Quando, mesmo não percebendo
as razões, aceitarmos a mágoa como processo de cura, de
crescimento individual, ela desaparecerá. Será lavada e
levada pelas ondas do mar que batem nas rochas, até que os
moluscos simplesmente caiem sem resistência, pois acabou o
seu tempo. A mágoa também é assim, mas tem uma vantagem: não
precisa da persistência e a força das ondas, mas a força da
nossa persistência em simplesmente a deixar cair. Cada um
tem os seus processos, as suas ondas de actuação, não
existem soluções gerais, pois as mágoas são individuais e
pessoais, e necessitam de uma chave própria. O ter a chave
depende apenas do tempo que eu quiser/precisar da mágoa.
O estar inserido num grupo, como por exemplo no coro, pode ajudar a
pessoa magoada a curar-se, a transformar-se interiormente,
sem nunca perder o seu EU, mas relativizando com a mágoa de
outros, poderá ser uma forma de decisão de simplesmente
deixar partir a pessoa que nos magoou. E muito.
#25 Palavra de
Maestro Pessoas abelhas
Fico sempre triste quando alguém sai do VOX LACI, é alguém
que deixou algo e segue o seu caminho. Muitos já passaram
por esta “experiência” que o VOX LACI proporciona a quem
quer crescer. Poucos são os que saíram e não sabemos a
razão. Uma coisa é certa: um dia todos sairão. É sempre
importante perceber a razão que leva alguém a terminar um
relacionamento seja ela com uma pessoa especial ou com um
determinado grupo.
Eu estou muito preocupado com a facilidade com que as
pessoas experimentam, tal abelhas, de flor em flor, buscando
emoções. Basta ver o crescente número de praticantes de
actividades radicais, de namoros e casamentos curtos mas
“intensos”, de uma crescente sensação de impunidade nos
actos das pessoas. O que vale é “sentir-me vivo”, estar
sempre apaixonado, com as emoções à flor da pele, e quando
elas terminam, o frenesim de andar atrás de uma nova emoção,
e depois outra...até que nada resta. Vivemos na era do
fast-food, fast-emotion, fast-sex e fast-tudo. E o que dá
isto tudo? Fast-depressões! A quantidade de receitas de
calmantes e estimulantes e o número de pessoas cada vez mais
dependentes do “seu” psicólogo, psiquiatra e em muitos casos
astrólogo. Já viram bem à volta? Existirá alguém que não
tenha no seu grupo de conhecimentos, uma pessoa que não
esteja deprimida ou que “não seja boa da cabeça”? Acredito
que começa na laxismo e banalização de tudo, sem objectivos
e sonhos que leve as pessoas a acreditarem que o sofrimento
numa determinada fase tem uma razão de ser. O sofrimento de
ter que estudar para ter uma boa nota, de ensaiar
repetidamente para um bom concerto, da fidelidade para uma
relação de confiança e amor, da alimentação cuidada para uma
boa saúde, de um desporto para a disciplina do corpo e
mente, e por aí fora. E são os nossos jovens e crianças que
têm de se perguntar: o que quero? Valerá o esforço?
Um carácter forte passa pela formatação do pensamento desde
do berço, que deverá ser apoiado pelas as acções diárias e
repetidas até ao fim da vida, e não resistente às mudanças
interiores. Assim teremos pessoas que não desistem de
relações com uma pessoa especial ou com um determinado
grupo, ao “mínimo” obstáculo. Infelizmente, são cada vez
mais raras.
Reacções
*Não posso estar mais de acordo. mencionaste os pontos
certos. Boa reflexão. Filomena
#26 Palavra de
MaestroSalvem-nos das festinhas de
escola
Não há Santo que aguente as Festinhas de Escola. Eu tive que
aguentar a da minha filha, no passado Natal, numa escola do
Concelho de Cascais. Não encontro melhor palavra do que
“deplorável”:
-
enquanto alunos actuavam, professores e auxiliares
transitavam pelo palco;
a actividade do inglês para mostrar que aprenderam
alguma coisa, cantaram o (apenas) o refrão do Jingle
Bells quatro vezes num inglês deplorável (gostaria de
ter uma conversa em inglês coma professora, só para a
ouvir falar!)
-
para ajudar tivemos que esperar a meio que as crianças
trocassem de indumentárias, mas informaram-nos de que
seríamos entretidos pelo professor de música, que com o
seu acordeão, e duas crianças aos berros, gritavam
músicas do pantanal (Brasil)
-
a actividade de expressão dramática teve a ideia de
colocar os seus alunos a dançar uma coreografia, onde
nitidamente apenas uma sabia o que fazia, mas todos com
movimentos sensuais?!?! Isto é a primária?!?
-
alunos que já não lhes apetecia estar no palco saíam a
meio, e os professores faziam beicinho para que eles
voltassem
Foram mesmo muito poucas as demonstrações, onde se via
empenho, brio dos professores, através dos seus alunos. Mas
nem tudo foi mau, teve uma coisa positiva: chegou ao fim.
(Ufa!)
Coitadas das crianças, mas a responsabilidade não é delas,
elas apenas estão ali para absorver e aprender. “mas as
crianças não dão mais..” Tira-me do sério este tipo de
afirmações. É como aqueles maestros que se queixam dos
“seus” coristas. Deveriam parar para pensar! Dei aulas
durante quase 20 anos, e quando me chegava um aluno, e se
alguém me dissesse “Professor, este aqui só dá problemas, e
não aprende nada”, o meu olhar era gélido para o/a
ignorante. A questão é que não foi ensinado à criança de que
ela é capaz, com o apoio de quem quer mesmo que ela consiga
atingir o objectivo de ser cada vez melhor, e não melhor do
que o outro, o que é completamente diferente, mas fica para
uma próxima reflexão. Esse tal aluno, passava a ser um dos
mais aplicados nas minhas aulas.
Esta reflexão esteve guardada desde do Natal, de modo que a
revolta que senti ao sair daquela festinha, fosse mais
serena ao passar para escrita. Mas é difícil, quando se
trata dos valores e princípios a que nossos filhos são
expostos. O princípio da mediocridade, da falta de empenho,
da falta de amor próprio e brio, o princípio de que qualquer
coisa serve. Mas sabemos que não serve, pois os que vivem
sob estes princípios são uns coitados! Mas sabem ainda de
outra coisa, quando transmiti a minha opinião à professora e
disse-lhe “deplorável”, ficou muito chocada, perguntou-me se
eu sabia o que significava, e que acha muito estranho pois
todos os pais gostaram muito. Pais e país, por favor,
acordem!!
Reacções
*Sempre que crescemos intelectualmente sentimos maior
isolamento na responsabilidade. Responsabilidade e exigência
para connosco , também na tolerância . Um abraço Jorge Sousa
Rêgo
*Olá bom, dia!Achei interessante a sua opinião sobre as
festas das escolas. Porque acho que a maioria dos pais pode
até pensar o mesmo, mas não questiona, ou por espírito
acanhado e pouco assumido (como em tantas outras coisas da
vida), ou porque tudo o que as nossas crianças fazem, tem
sempre um pouco de graça. Enfim, também penso que o sistema
actual e tradicional de ensino falha em muitos aspectos,
nomeadamente na estimulação das crianças para valorizarem o
que aprendem e terem gosto nisso. Sara Peres
#27 Palavra de
Maestro
Apenas podemos amar o que conhecemos
Hoje parece que
os dias deixaram de ter 24 horas, a semana 7
dias e o ano 12 meses. Tudo é para ontem,
como se o amanhã não fosse existir. Até
parece que temos menos tempo, quando a
esperança média de vida é bem superior ao
dos nossos antepassados. Que estranho, não é
verdade? E quando não há tempo, as pessoas
não param, não dialogam, logo não se
conhecem, e dificilmente saberão o que é
amar.
Quando por
acaso da vida (não acredito em acasos)
conhecemos alguém, ou desejamos pertencer a
um grupo, tudo é intensamente vivido, diria
mesmo, extenuadamente, como é próprio da
altura da paixão, mas e depois? Teremos de
escolher se preferimos andar de paixão em
paixão, como elefantes de nenúfar em
nenúfar, ou querer conhecer mais a fundo,
tomando a opção de parar, dar tempo, escutar
e dialogar. No meu entender cada vez são
mais raros estas atitudes de dar tempo para
conhecer, e depois do tempo de conhecimento,
o dito “namoro”, tomar uma decisão
consciente e responsável: “Sim desejo,
apesar de difícil, optar por estar com este
grupo, coro ou pessoa, pois vales a pena!”
Ou não…
Talvez se
déssemos tempo, se soubéssemos esperar,
refrear a nossa vontade de dizer mal, se não
julgássemos pelas primeiras impressões, se
não catalogássemos uns aos outros, talvez
pudéssemos criar novas amizades e simpatias,
mas com os blogues e emails, a difamação e a
crítica fácil, destrutiva e anónima
prevalece. Já tiveram tempo, conhecem
verdadeiramente o grupo/pessoa para falar
mal? Nas famílias, nas relações entre casais
e amigos, no trabalho e nos grupos, deve
haver espaço e tempo: espaço para poder
dizer o que nos vai a alma; tempo para poder
digerir/aceitar o outro que é naturalmente
diferente de mim. É quando damos tempo que a
semente se torna flor, que os nossos filhos
se tornam homens e mulheres, que nós
aceitamos o outro e, sobretudo, aceitamos as
nossas próprias limitações.
Temos amado e
sentimo-nos amados? Temos dado tempo?...
Reacções
Olá,Na maior parte das vezes gosto muito do que escreve.
Escreve o que sente e o que pensa!Sinto e penso de forma
muito semelhante, mas não escrevo, ou escrevo muito
pouco.De igual forma já compreendo e até consigo aceitar
esta falta de tempo, aliás não o espero sequer,
limito-me a dar. As vicissitudes da vida e também o
facto de ser muito mais velha do que você, fez-me
talvez, erradamente ou não, resfriarem os meus
“impulsos”. Espero que nunca mude! Contudo, deixe-me
dizer-lhe que se não lesse os seus textos, se não
tivesse tido a oportunidade de falar consigo e de
silenciosamente observar o seu carácter justo,
equivocamente confundido com intolerância, autoritarismo
e vingança, seria muito difícil reconhecer a Grande
Pessoa que é.Obrigada.Esmeralda
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#28 Palavra de
Maestro
Optar
pelo urgente ou pelo importante
É importante a urgência com que vivemos o
dia-a-dia?Ou será urgente aprender a viver o
importante no dia-a-dia? Quando deixamos de
dar valor ao essencial, a probabilidade de
nos sentirmos cansados na/da vida é muito
elevada. Acordamos já cansados, o dia todo
sentimos o corpo pesado e resistente, até
custa mexer as bochechas e os lábios a quem
uns chamam de vulgo sorriso, e no final do
dia a sensação é de um cansaço ainda maior,
mesmo não termos tido feito nada.
Ironicamente com tanto cansaço, pode até
custar a adormecer.
Vivemos com a pressa de
tantas coisas que necessitam da nossa
atenção urgente, que muitas vezes perdemos o
importante por causa daquelas: o aniversário
de um amigo, a festa final da escola dos
filhos, uma data que nos passa completamente
ao lado, alguém ao nosso lado que precisou
de nós. É quando nos sentimos úteis que a
vida nos faz sentido, quando nos sentimos
importantes para alguém. Então porque se vê
tantas pessoas a correr atrás de supostas
urgências. O telemóvel que não para, a troca
de emails, a pausa rápida no trabalho, as
horas perdidas no trânsito para chegar a
tempo,etc. Será mesmo necessário? Claro que
todos sabemos que existem alturas da nossa
vida, que é urgente darmos o litro, mas são
fases, não uma rotina diária. Serão mais
felizes os que fazem muitas coisas pois são
urgentes? Ou os que procuram filtrar das
distracções mundanas e escolhem fazer o que
é importante? Mas como poderemos distinguir
o urgente do importante? Penso que basta
estar atento, apurar os sentidos, e se no
final a nossa atenção fez a diferença para o
outro, então optamos pelo importante.
Hoje fez a diferença para
alguém? Então optou pelo importante.Se não o
fez, pense que pode fazer como as dietas:
pode começar AMANHÃ. Quer fazer a diferença
e não sabe por onde começar? Junte-se
HOJE
a um coro.
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#29 Palavra de Maestro Acompanha-me
num tango?
Aprendemos muito com os nossos
pais, e uma delas que aprendi, é
que não se pode forçar a
“velhinha a atravessar a
passadeira”. Se a senhora não
quer, se prefere ficar ali à
espera (enquanto a vida vai
passando), se não quer ajuda,
forçar não é certamente o
desejável, pois tem de partir da
sua vontade e não contra a sua
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