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Palavra de Maestro 

#1 PALAVRA DE MAESTRO: Natal=Coros; Resto do ano=Nada!

Estou ligado a coros há mais de 10 anos! E há mais de 10 anos que verifico o seguinte no nosso país: as pessoas , geralmente, não saiem de casa para assistir a actuações de coros! Mas na altura do Natal (até) vão! Porquê?!?! Simples!

  • O repertório apresentado pelos coros é normalmente do conhecimento do público que assiste;
  • As pessoas estão mais sensibilizadas para os “X-mas carols”, do que para o resto do repertório coral;
  • Existe uma ideia generalizada que “os coros são uma seca!”, mas como é Natal pode ser que haja um milagre

Quanto ao primeiro ponto, quem é que gosta de ser apanhado de surpresa? Só se for uma boa surpresa! Não o será quando o repertório de um concerto é completamente desconhecido. Nem mesmo uma peça para que o público possa participar activamente ( já não digo cantando com a sua voz, mas com a sua alma). É fundamental fazer boa música coral para o público. Sem público, não há actuação! Um artista sem público, mais vale não marcar concertos, pois cantará para si e só para si.

Que as pessoas estão mais sensibilizadas no Natal é verdade! Mas voltamos ao ponto anterior! Sejamos francos e sem qualquer tipo de preconceitos! Aquele espírito de Natal, as luzes, o Pai-Natal, a árvore, o presépio, e acima de tudo, o Menino Jesus, está já embrulhado de certos clássicos de natal, que os coros não devem, nem podem fugir! São os clássicos que o público quer ouvir! E existem milhares de versões e arranjos para todo o tipo de gostos dos denominados clássicos de Natal! Faz sentido que num Concerto de Natal não tenha um “We wish you a Merry X-mas”, “Noite feliz” ou um “Jingle Bells”? Temos que ter um grande respeito e consideração pelo público saciando a sua fome e sede! Não sou dos que fazem música só para que os outros gostem, mas temos de ter um repertório ( no Natal ou noutra época), equilibrado: conhecidas com desconhecidas (que depois passam para o lado das conhecidas). O público é como um bebé: há que saber dar de comer! Ou nós desde de pequenos já gostávamos de chocos, ou de iscas, ou de um bom peixe grelhado? Tudo se educa, tudo se aprende e especialmente o bom gosto.

Chegámos ao terceiro ponto –tentei  simplificar o mais possível, mas muitos outros pontos podiam ser acrescentados – da ideia generalizada  de que é uma seca assistir a coros! Devo dizer que em muitos casos, é verdade. Uma falta de respeito completa para com o público! Mas só fazem uma dessas ao público! O problema é quando, esse público que ficou “vacinado” a coros, já nem quer tentar ver outros,; já nem dá o benefício da dúvida! E os coros que têm um enorme respeito pelo público, equilibrando o seu repertório com peças desconhecidas e conhecidas, com momentos calmos e serenos  e outros mais vivos, temperado com o condimento da qualidade, sentem que remam contar a maré. É como quando estamos a ter um pesadelo e esforçamo-nos para correr, mas o nosso movimento é muito lento, apesar de todo o esforço para chegar à tal porta!... 

As mentalidades mudam se os tempos mudarem também! Não podemos ter o mesmo tipo de coros de há 20 anos atrás! Há que haver uma lufada de ar fresco, sangue novo, pois senão corremos o risco do colesterol e de enfartes cardíacos que matarão quaisquer hipóteses  de sucesso de as pessoas saírem das suas casas para assistirem a coros.

O maestro, Myguel Santos e Castro


Palavra de Maestro    #2 II DOMINGO 

Acreditando num ente superior ou não, chame-se Deus, Alá ou outro, o que é certo é que todos nós, cada um de nós , procura estar bem consigo mesmo e com os outros, uma “espécie” de paz interior, a que chamarei agora de espiritualidade! Este equilíbrio entre as forças do exterior e do interior, entre o stress do dia-a-dia e a serenidade do nosso coração, entre as vicissitudes da nossas relações pessoais e a tranquilidade da nossa alma...convenhamos!...não é fácil! Este equilíbrio cada pessoa encontra de várias modos: uns a irem ao ginásio, outros a apaixonarem-se, alguns a descobrir locais no mundo onde são fontes para retemperar de forças (Taizé, França?), etc. Mas a espiritualidade no seu conceito mais vasto está indubitavelmente ligada à instituição da Igreja!

Foi num convite, feito pelo Prior da Igreja Paroquial de S.Domingos de Rana, que desde Novembro, que o Coro VOX LACI Adulto, é responsável pela animação musical da Eucaristia no segundo domingo de cada mês. Os resultados viram-se de imediato no final da primeira Eucaristia, e sobretudo antes do começo da segunda vez:

  • no final da primeira, pois veio muita gente agradecer pelos momentos musicais (espirituais) que tocaram no coração das pessoas, ajudando assim a fazer uma melhor ligação entre o equilíbrio exterior e interior;
  • na segunda pois, sabendo já que seria o Coro VOX LACI Adulto animar a Eucaristia, a Igreja encontrava-se a abarrotar mesmo antes do início da mesma, participando no ensaio que é feito 30 minutos antes da celebração;

Aceitei o desafio, estando consciente da eventual resistência que iria encontrar no seio interior-“MISSA?!?!” Benefícios para o Coro? Os mesmos de um concerto ou actuação, mas com um suplemento maior de espiritualidade, de uma certa paz interior! As razões de ter aceite?

    1. Haver uma rotina de concertos, ajudando a quebrar o medo inicial do palco! Havendo no mínimo uma actuação por mês, permite a que todos tenham uma relação “tu cá , tu lá!” com o palco;
    2. Permitiu uma integração muito maior dos novos coristas seleccionados nas Audições! Visto que são peças (em português e latim)que não têm um grande grau de dificuldade, apenas com um ensaio as dez peças todas, ficam prontas, permitindo que os novos coristas possam estar em palco o mais rápido possível;
    3. Estamos a actuar para 400 pessoas por mês! São o maior veículo de publicidade! São também potenciais futuros coristas!
    4. Sentimos uma adesão muito maior nas Audições em Janeiro! Perguntámos como sabiam das audições e porquê que gostariam de ser VOX LACI? Souberam através da folha de cânticos ou da folha de concertos; porque fazemos boa música e somos úteis!
    5. É também um dever cívico, colocar à disposição da sociedade os nossos talentos (parábola dos talentos) e fazer frutificar! Sinto que agora, os coristas do Adulto e do Juvenil ( que se juntaram desde da Eucaristia passada), no final sentem uma certa paz, dever cumprido e alegria por termos actuado!

Existem milhares de peças que podem ser interpretadas no decorrer de uma cerimónia! Não é vergonha actuar em missas! Vergonha é actuar sem as peças terem qualidade pois ou não estão ainda prontas, ou porque o maestro ou o coro não tem ainda capacidade para a  interpretar! Na Alemanha, França, Inglaterra, países bálticos, é com orgulho que participam em cerimónias religiosas, pois fazem-no com grande qualidade!

Coros que já tenham atingido um bom nível de qualidade: coloquem as vossas gargantas ao serviço do outro!

 

Despeço-me respeitosamente,

O Maestro, Myguel Santos e Castro


#3  Todos os dias deparo-me com pessoas mal dispostas... certamente não cantam em coros! 

Todos nós sabemos que a música tem um efeito terapêutico nas pessoas! Seja a ouvi-la ou interpretá-la, a música é um veículo de emoções! Tudo o que está cá dentro salta cá para fora! E é com este "cá para fora" que os maestros trabalham para que esta energia toda que se gera numa sala de ensaios, com pessoas tão diferentes umas das outras, com locais de trabalho tão díspares, modos de pensar ,  problemas pessoais e profissionais, tenha um objectivo comum: que as pessoas se sintam bem em cantar! Sem este sentir bem interior, sem esta paz, as pessoas, os coristas não deixam grande margem de manobra para o maestro faze-las atingir patamares individuais, e por consequência, colectivos. Aprendo todos os dias, com um olhar mais triste de um corista ou com um sorriso mais forçado, aprendo que a minha primeira função como maestro é eu ser feliz com o que faço! Se eu for feliz, a minha energia contagiará um a um, e o contágio coral, é mais rápido de que um vírus informático. Seja um contágio positivo, seja negativo. O povo diz "que quem canta, seus males espanta!". Então cantem! Cantem, que os vossos problemas não desaparecerão mas terão outra visão sobre eles! Cantem, que um amor não correspondido continuará a fazer sofrer mas não são os cantos de amor os mais bonitos? Cantem, que mesmo o mais desafinado tem direito a aprender a cantar!

Cantem e contagiem! Contagiem e teremos mais coros, mais pessoas, mais alegria de viver, porque Cantamos!

Reações

»» Viva Maestro Myguel!  Muito Bom Dia! Chapeaux!!!!!!!!!  Como dizem os franceses! Chapeaux para o seu bom sentido de humor! Para o seu entusiasmo e empenho!  Há dias, depois de um acesso de relativo mau humor…um anjo sussurrou-me:” ponha música na sua vida”. Estou a seguir o conselho. Continuação de Bom trabalho…com esse entusiasmo todo. Até sempre  Um abraço

Isabel Macedo

 

»» Pedimos que nos retirem da vossa lista !

 

Ex.mos Srs.

 

- O Projecto Vox Angelis não pretende continuar a receber a vossa Newsletter no endereço de e-mail. Por favor, pedia-lhe que nos retirasse da sua lista !  Muitos cumprimentos,  A Direcção da Vox Angelis

 

 

* Lamentamos o transtorno e lamentamos ainda mais a falta de espírito de cooperação!  Está  retirado o vosso email!

o Maestro, Myguel Santos e Castro  www.voxlaci.com

 

- Uma pequena advertência ! Maestro 

Em resposta à sua observação "lamentamos ainda mais a falta de espírito de cooperação", gostaria de lembrar-lhe que a vossa informação institucional não nos é útil e nem nos interessa.  Nessa medida, não se trata de cooperação, mas trata-se de inteligência, coerência e bom-senso.  Muitos cumprimentos

 

* Não sabemos sinceramente o porquê de tanta agressividade! Talvez seja porque no vosso largo repertório sacro haja falta de Deus...

Lamentamos mais uma vez a vossa falta  "de inteligência, coerência e bom-senso". Saudações corais e sucesso  

o Maestro, Myguel Santos e Castro
www.voxlaci.com 


#4  “é um pais do ram-ram!”

 Nunca tinha ouvido esta expressão, mas de facto, é uma expressão que denota a frustração e a desilusão de quem quer fazer algo, mas depende de outros .E depender dos outros neste pais... é um ram-ram!

É de facto um pais pequenininho em mentalidade. Como haverá este pais não estar na cauda? São nas simples coisas, nas “burocratices”, nos papeis e mais papeis, na passividade de tantas pessoas, na inércia da resolução, na pouca vontade de  fazer, na preocupação com o seu umbigo, no picar o ponto na entrada e saída, na falta de brio em si próprio e na tarefa a executar,... É um ram-ram de coisas que de facto desespera o mais destemido e obstinado herói que quer fazer pela vida, fazer “coisas” neste pais. Mas como herois que são, existem poucos. Sim não vale a pena ser herói. “ Herois não existem!”

É de facto muito irritante, querer fazer, querer lá chegar, sonhar com ideais e ideias , e termos alguém do nosso lado a dizer” é uma utopia!” ou “ tomara eu ter tempo para as minhas coisas!” De facto tempo, deve ser a única coisas que todos temos por igual! Do mais pobre ao mais rico: 24h por dia! Mas há quem decida fazer algo de útil para a sociedade nesse tempo! Outros ( e são a maioria) preferem como que numa consola de jogos brincar com a vida e paciência de utentes de um hospital , de um serviço, ou de uma associação.

O que fazer para que essas pessoas, que normalmente, não são pessoas que ocupam lugar de chefias (no fundo são uns frustrados, pois farão e serão sempre ram-ram), se apercebam que não trabalham por conta de outrem mas por conta própria, que o Estado não é ele mas todos nós, que o grãozinho de areia como se sentem trava a engrenagem! Nada! Não se pode obrigar alguém mudar e evoluir. Apenas a vida, as tareias que a vida dá, tem esse dom da mudança. Infelizmente há quem prefira o ram-ram e lamentar-se. As coisas mudam, as sociedades mudam, as pessoas nem todas... Para muitos ser-se funcionário público é um objectivo, “ é pouco , mas é certo”! Com os despedimentos que vemos ao nosso redor de empresas publicas, afinal “não é (tão)certo”. Certo é a morte, e o que fazemos da vida é da nossa inteira responsabilidade.

Se é verdade que o ram-ram dos outros é obstáculo ao nosso fazer, também é verdade que o ram-ram  dos outros não impedirá de atingirmos os nossos sonhos. Pode demorar mais tempo, mas fiquem sabendo que chegamos lá!

 Reações

»Concordo completamente consigo e grito também" quem sabe faz a hora, não espera acontecer..."
Que este ano, apesar de todas as dificuldades que se nos deparem, consigamos todos continuar a cantar bem e muito!
Beijinho para todos,
DAD
Coro Ecce Gratum - São João do Estoril

»Adorei!...e Concordei! Cumprimentos,  Cristina Tomé  cdanca-almada

»Caro Myguel Santos e Castro  

Gostei muito do texto “Palavra de Maestro” e gostava de o incluir como artigo de opinião no Jornal de Cascais. Para isso, preciso do seu acordo e de uma fotografia tipo passe.  

Aguardo uma resposta, Ana Luisa Pinho (chefe de redacção)  Jornal de Cascais

»Viva Miguel!  Acabo de ler o seu email! No placar que tenho ao lado da minha secretária colei uma mensagem…que um colega um dia me fez chegar…num dos meus momentos de desalento…desse mundo que fala, e passo-lho: “Em vez de te lamentares da escuridão… Acende uma vela!   

Que o conforte a si como a mim me vai confortando…qdo as forças se vão abaixo! Bjo amigo Até sempre!  Isabel Macedo

»Myguel, ao ler o seu email de ontem, ñ percebi se havia chorar..vi nele, um retrato perfeito de comportamentos arrogantes duma sociedade sem consideracao por si propria. Gostaria de alguma forma continuar com o LUTADOR chamado Myguel. Admiro-o e nao kero viver no mundo so dos utopicos. Bem Haja  Clotilde


 #5  Não podemos continuar a lavar as mãos!

 A educação e formação são temas muito sensíveis para mim. Quer um, quer outro são a base de um indivíduo, e por conseguinte, a base de um grupo, de uma empresa, de um concelho, de um pais, e por final, de um mundo. Não são “as crianças de hoje”, não são “onde isto vai parar”, não são “os alunos que batem em professores”, não são “os adolescentes de hoje”, não são “os adultos não querem emprego, mas trabalho”! São “os pais de hoje”, são “onde estiveram vocês que não pararam os  vossos filhos”, são “porque não quiseram se chatear no momento certo”, são “os pais de ontem”, são “os valores do facilitismo e da não frustração”. Isto pára, no dia que nós pais parar de lavarmos as mãos. No dia em que nós, mesmo cansados do trabalho, brincamos com os nossos filhos ao final do dia; mesmo com o trânsito caótico arranjamos maneiras de fugir dele e organizamos programas em família; rotinas familiares, tais como sentarem à mesa sem televisão; rotinas em que se conversa do que acontece de bom e de menos bom; horários fixos de deitar e de levantar permitindo o corpo e a mente descansarem para que no dia seguinte esteja recuperado.

Paremos de lavar as mãos senhores empresários, quando acusamos a crise dos maus resultados, procuremos novas oportunidades e inovemos! Paremos de lavar as mãos senhores políticos, quando por “ restrições orçamentais” não apoiam as crianças e jovens na ocupação dos seus tempos livres, na cultura, na formação, na educação, não prevenindo e gastam milhares em tentativas de reintegrações, curas e desintoxicações. Paremos de lavar as mãos agentes culturais subsidiodepentes, quando não há dinheiro, nada fazem e atiram a responsabilidade para os outros. Paremos todos de lavar as mãos! Este testemunho e legado da lavagem de mãos tem de acabar, e agora! Não é só fazer um filho, não é só ter um canudo, não é só ser eleito, não é só picar o ponto! Isso tudo é o começo de uma responsabilidade de fazer algo, de inovar em tempos de vacas magras, de usar a imaginação para ultrapassar os obstáculos, de FAZER!

Pais!!!! Estejamos atentos aos nossos filhos, pois senão estivermos, outros estão à espreita. Depois é tempo das lamentações, do “fiz tudo o que sabia”! A questão é que no mundo globalizante fazer tudo o que sabemos muitas vezes não chega. Há que querer saber mais, para fazer melhor! Há que saber mexer no computador, para saber que conteúdos eles estão a ver. Há que resistir ao constante consumismo, dos ténis xpto, do telemóvel última geração, do leitor mp3, dos gadgets que a toda a hora nos tentam incutir como bens de primeira necessidade. Há que impor regras com consequências claras caos as respeitam ou não, há que impedir de ver tanto lixo na televisão, há que estar com eles! É difícil ?!?!?

E quem disse que amar era fácil?

Feedbacks

*Maestro   Tem toda a razão, mas ...... estou farta!, porque se eu fosse ( e o meu marido!) e todos os outros Pais dos seus coros como critica....não tinha alunos! Somos nós que continuamos, e acreditamos, que vale a pena tentar fazer a diferença, e Deus sabe muitas vezes com que sacrifícios! ...Quando falo disto não são os monetários que me afligem mais, são os sociais... pelos valores que estamos a incutir  e que transformam os nossos filhos nuns "estranhos" perante o mundo que estamos a criar e onde eles vão ter que lutar com "armas" bem diferentes das comunmente usadas. Ainda não estou certa de que tenho este direito! Por isso peço um favor... escreva , critique, tem toda a razão e concordo com o que pensa, mais ....faça o que pensa!, Aliás a  prova é que a maioria dos seus formandos ( porque assim os considero ) troca muita coisa pelo prazer de estar  nesse projecto.  E no mínimo utilize os seus Jovens como exemplo de que mudar é possível, e de que afinal Pais como os que pede existem.  Cumprimentos Mafalda Monteiro


#6  o tal pequenininho

 

 

Nada é errado, nada é proibido, isto se soubéssemos pormo-nos no lugar do outro. Cada atitude tem uma consequência, mas antes cada atitude tem uma causa. Quando existe um novelo de lã emaranhado, é porque começou com um pequenininho nó, que não faz muita importância no inicio, mas começa a incomodar à medida que o tempo passa. Temos inúmeros exemplos disso: uma avalanche, um assassinato, um furacão, motor gripado, divórcio, uma doença, uma falta de aptidão de integração social, uma depressão, etc. Todos eles começaram com algo muito pequeno ( um floco de neve, um acontecimento traumático na infância, uma brisa, falta de óleo, falta de diálogo, etc.), mas que marcará no desenrolar do tempo; todos eles tem uma origem, uma causa, uma estaca zero. Se nos libertássemos de preconceitos e valores estabelecidos pela sociedade, entenderíamos o mais hediondo, o mais horrível. Foi por isso que foi criado as regras na família, no trabalho, na sociedade, pois assim cria-se o comportamento aceitável, independentemente da origem de cada um, das causas que definiram a personalidade, das mágoas, raivas e frustrações. Ninguém tem desculpa, pois as regras são claras. Eu diria que ninguém tem culpa, mas responsabilidade. A palavra culpa tem uma carga negativa tão pesada que não permite que o indivíduo se responsabilize, nesta sociedade generalizada pela falta de amor. Muitos andam à procura da sua alma gémea, outros frustrados com a metade que encontrou, poucos são felizes pois entendem que é preciso fazer diariamente pelo outro, todos à procura da causa de si mesmo. É um desencontro do “que preciso” de cada um. É a evolução da consciência individual e global. Não diria que seja uma visão dramática, mas uma visão que pretende aceitar a responsabilidade das minhas atitudes mas que procura estar em paz com a causa que define aquelas.

Quando temos um problema, temos de procurar a solução, e a vida diz-me que é o tal pequenininho nó onde tudo começou. Tudo tem uma solução: seja a solução de amar, lutar e ir à procura do pequenininho nó; seja a solução de amar, lutar e ir à procura de um novo novelo de lã...


#7  Relações em rede 

Se todos cuidassem primeiro de si, não precisariam do outro para viver. Não nascemos para estar sós, mas também não nascemos para sermos dependentes. Estamos ligados através de inúmeras relações, como que se tratasse de uma rede, quando há uma linha que se rompe o todo aguenta, quando dependemos de uma relação e se a linha arrebenta, nós arrebentamos. É muito importante estarmos em vários grupos. Cada grupo tem determinadas características que nos dá algo que permite que nos sintamos mais fortes como indivíduo. Mas deve ser uma relação  de equilíbrio entre dar e receber. Tal como a relação que estabelecemos com quem queremos que nos rodeie. Como saber se estamos em equilíbrio? A maior parte sente que dá mais do que recebe, mas se assim fosse não devia haver uma menor parte que sentia que recebe mais do que dá? Tenho algumas dúvidas de conseguir encontrar alguém deste último grupo. Pelo menos aqui na “zona”!

E que tal se permitíssemos receber? E que tal se não sentíssemos em dívida ou culpados? Não há uma balança de pagamentos de importações e exportações do amor. Mas temos algo dentro de nós que nos diz, ou que nos incomoda, e se a quisermos ouvir, saberemos saber viver a vida como ela a merece: em pleno! Mas tal como nos esforçamos na escola para ter boas notas, ou no local de trabalho, é necessário esforço para sermos felizes. Esta ideia que nos violenta que tudo é tão fácil... fácil é baixar os braços, fácil é não fazer nada, fácil é o capitão largar o seu leme, fácil é dizermos que somos assim e pronto, fácil é culparmos o outro pelas nossas frustrações e fracassos! Difícil é ouvirmos o nosso interior sem sermos molestados pelo fácil. Todo o esforço tem uma consequência: seja a recompensa que nos fez avançar, seja a frustração de não atingirmos. Vencedores não são aqueles que têm mais vitórias, mas os que souberam fazer depois das derrotas. Uma boa relação é aquela que não termina após um desentendimento, mas fortalece-se, um bom grupo não se desagrega na dificuldade, mas une-se e procura novas soluções. 

Feedback

"Uma boa relação é aquela que não termina após um desentendimento, mas fortalece-se "Aí é que está o busílis, amigo... Por isso mesmo, por vezes chegamos à conclusão que, apesar de tudo o que demos e de tudo o que recebemos, não conseguimos construir uma boa relação...  Até... Sandra 

Boa tarde, maestro
Pelo desabafo, acho que está a precisar de passear um pouco no meu jardim. Permita-se um pouco de sonho.
Passeie pelo www.jardimdepedra.blogspot.com
Um dia feliz  anete joaquim

Exmo Sr Presidente do Coro Vox Laci, A Poesia e a Música Coral andam por vezes de mãos dadas. Por isso o convidamos cordialmente a visitar a página: www.poetas-somos.org

Com estima e consideração, Orlando Soares  Fânzeres-Gondomar


#8  Diz-me como comes o bitoque, dir-te-ei quem és 

 Quando temos um bitoque à nossa frente o que fazemos? Qual a estratégia? Atacamos as batatas? Deixamos o ovo para o fim? Não comemos a pouca salada que existe? Engonha mos a comer o bife? São nos pequenos comportamentos, nas pequenas estratégias que nos vamos moldando para o futuro. Recentemente saiu um trabalho que dizia que as crianças que conseguiam deixar o ovo para o fim, tinham um nível de aceitação à frustração muito elevado face às dificuldades, sabendo que seriam recompensados no fim. Isto vai ser uma ferramenta muito útil para o seu futuro! 

No mundo de hoje atacamos o ovo, o que dá prazer de imediato. Um sinal visível é o nível de obesidade infantil; um sinal menos visível é o aumento de pessoas em tratamento psiquiátrico e psicoterapia... Se hoje as coisas parecem más, no futuro será muito pior, pois estamos a habituarmo-nos pelo princípio do ovo. E que tal se deixássemos todos o ovo para o fim? Sabendo que há ovo no fim comeríamos a salada que faz bem ao corpo, não mastigaríamos a carne como se tratasse de pastilha elástica e as batatas molhadinhas no molho e ovo é que “saberia a pato”. Mas não!!!! “Porque eu tenho que sofrer? Que disparate! Eu tenho é que ser feliz!” Pois é, mas não vejo muitas caras satisfeitas por ai... vejo sim uma busca desenfreada pelo encher de um vazio através de prazeres imediatos. É como se quiséssemos esvaziar o mar com uma concha. Não é esse o caminho. Em vez do “eu tenho é de ser feliz!” porque não alterar o discurso e com ela a atitude. “Eu tenho é que me sentir bem comigo próprio/a”. É muito chato muitas vezes, mas temos o chato do Grilo Falante , a nossa consciência que nos fala. Podemos não querer ouvir, mas vai pesando e pesando.

Em princípio temos todos uma certa consciência do que é o certo. “E é certo sofrer?!?!?!” Depende. Não é certo sofrer porque que se está longe e quer estar perto? Não é certo sofrer porque é preciso perder algum peso para ser mais saudável? Porque ralhamos com os nossos filhos porque os amamos? Damos segunda oportunidade porque também falhamos? Comer tudo e deixar o melhor para o fim? Poupar em pequenos sacrifícios para comprar algo maior?

Sofrer por algo maior sim, sofrer por sofrer, por masoquismo, porque não se é amado não. Como canta Padre Zézinho “ A decisão é tua, a decisão é tu-u-a!”


Feedback das Ultimas Actuações

Com a época de exames em que estou, tive que fazer as minhas opções.e penso que não errei nas minhas escolhas. não faltei aos ensaios nem aos 3concertos. ajudei a montar na quinta feira o palco nos maristas de manha.á tarde fui ao ensaio geral.no sábado apresentei-me logo de manha para qualquer ajuda. e isso foi recompensado.e hoje estou feliz por isso. foram três concertos diferentes mas muito bons para a evolução do coro Vox Laci. no concerto de sexta foi evidente o equilibrio que existe entre o coro Juvenil e o Adulto. a energia juvenil com a maturidade do adulto brotou num concerto muito coeso, simples e brilhante.sem material e improvisando, pois estava nos maristas, os coros conseguiram transformar o concerto num serão de vozes do lago, encantado as poucas pessoas que lá estavam (que foi uma pena). Do concerto do maristas penso que não é necessário falar, pois foi um concerto maravilhoso, onde cada coro deu o seu melhor. O concerto os jerónimos foi o culminar perfeito do trabalho que o coro juvenil teve ao longo deste ano.Agradeço ao maestro Myguel, pelo empenho e pela entrega que tem feito desde o inicio do seu sonho. desejava ter 100 pessoas. hoje tem mais de 140 nas suas mãos. temos todos que lhe dar um obrigado.mais que um projecto é uma alegria tão para quem assiste como para quem canta. Tenham ATITUDE e seremos os melhores.  David
 

OLÁ ‘ MYGUEL’ Muitos parabéns pelo concerto de ontem dia 25, nos Jerónimos. Como pude constatar o Coro Jovem tem feito progressos muito significativos… estão mais coordenados, as coreografias mais perfeitas, o visual está muito bonito, é muito agradável ver o ouvir um grupo de jovens que sabe estar em palco.  Parabéns a todos, continuem a cantar e encantar, um futuro cheio de sucessos.  Da Amiga, Ana Maria Santos

ola maestro! quero desde ja dar os parabens pelo belissimo espetaculo de hoje... o coro juvenil está cada vez melhor e nós nem sequer temos noçao disso, so mesmo quem ve de fora, claro que ha muito a melhorar, mas no geral desde a sonoridade, presença e ate mesmo a propria atitude esta muito boa! as pessoas estavam a deliciar e a saborear o exlente expetaculo que o coro estava a propocionar! um espetaculo tao bom que foi de ir as lagrimas!!! gostava também de dizer que existem diversas pessoas que estao de parabens, a oportunidade que foi dada a teresinha de fazer o solo (e muito bem) e que cantou divinalmente, o eugenio que esta com uma presença muito boa e ate a joana khalil q esta a levar isto cada vez mais a serio.  Ana Cotovio

Olá Myguel, Parabéns pelo seu trabalho, pela sua dedicação pelo seu amor ao trabalho. Hoje finalmente consegui ver como o Miguel fez o coro evoluir, sei que sem coristas não era possível, mas sem o Miguel era UTÓPICO, mesmo impossível. Sabe que eu não digo o que não me sai da alma, e do coração. A verdade é que o Coro é do Miguel. Não quero que me responda nem agradeça, eu é que deixar bem claro como me orgulho de si e do seu trabalho. Um Abracinho Luisa

Olá Myguel! Adorei o concerto de sabado e queria dar-lhe os parabens e agradecer o seu excelente trabalho.Obrigada mais uma vez, Sofia

Adoro o Coro VOX LACI e Adoro particpar nele! Sara

Gosto muito de trabalahr com o maestro! Carolina

Foi muito, muito giro! Anónimo

Este espectáculo foi muito bem organizado e o Coro VOX LACI é muito unido!! Rita Faria

Muito Bom, gostei muitíssimo, mas pouco divulgado!!! MªFerreira

Foi espectacular e muito bem organizado. Penso que deveriam haver mais concertos em conjunto (4 coros) durante o ano e não apenas no Natal e no encerramento das actividades. Também poderia e deveria ser mais divulgado nos arredores.Parabéns e felicidades! Lurdes Barbosa

Gosto muito de participar no Coro VOX LACI, nunca vou querer desistir! Parabéns a todos nós! Inês Moreira

Acho que o Coro VOX LACI é um coro muito unido e que o maestro faz tudo para que o coro cante muito bem. Barbara Costa

Acho que o espectáculo está muito bom! Carolina

Espectacular! A organização está fantástica e o coro está cada vez mais a atingir um estádio de maturidade, profissionalismo como nunca. Continuem! Parabéns! Ângela Alves


#9  Vale muito a pena viver! 

“Quando chegarmos ao nosso último dia ou chegarmos à outra vida, aí perceberemos o porquê das coisas da nossa vida...”

 

Não sei se será assim, mas sei que tudo o que acontece, acontece porque tem uma razão de ser. Mesmo as coisas mais monstruosas e inacreditáveis, mesmo as coisas mais sem sentido e as que menos estamos à espera. Hoje vivi esta última.

 

Vi reunido numa sala pessoas que nada tinham a ver uns com os outros, e por causa de um sonho de há mais de 13 anos, por causa da música coral, se uniram e fizeram algo em conjunto. Pessoas estiveram juntas em comunidade, à parte das suas crenças, educações e ideias. Estiveram alegres, conviveram, deram-se a conhecer, trabalharam para um bem em comum. Seria bom que o exemplo destas micro sociedades se extravasasse para a sociedade.

Sabemos que estamos a fazer a diferença, seja na música que fazemos, seja na atitude e empenho que pomos no que fazemos, seja nos valores e princípios que partilhamos e fomentamos.

Sim, hoje não foi preciso ir para o estrangeiro para buscar novas forças e ideias. Vi pessoas que deram o duro, pessoas que partilharam do seu ser, pessoas que preparam surpresas para que outros pudessem sorrir, pessoas que se dispuseram a ajudar sem procurar recompensa.

A todos vós que são parte do meu sonho, a todos vós que me fizeram acreditar ainda mais que vale a pena sonhar, apesar das vicissitudes da vida, a minha eterna gratidão!

 

Vale muito a pena viver!


#10  Palavra de Maestro:Professor por opção, ensino por paixão  

 

Por mais tempo que passe, quando uma pessoa nos marca, esse efeito fica para o resto da vida. Uma das pessoas que me marcou, foi a minha professora de português do 10º e 11º ano. Marcou-me de tal  maneira, que sempre que escrevo ou componho, penso o que ela diria sobre o que fiz. Muitas vezes em seminários e workshops e falo que o mais importante não é sermos professores fixes na primeira aula, mas um professor por opção e ensinar com paixão, a minha professora português é sempre o meu exemplo top do que é um verdadeiro professor. 

            Estava nos meus milhares pensamentos e um deles era como estaria a professora? E o que a vida me preparou?!? “Bom dia sr.maestro!” Eu fiquei tal modo atónito... passados mais de 15 anos, a professora! Qual a probabilidade de às oito e meia da manhã, num supermercado, depois de 15 anos, eu estar a pensar no efeito que a professora teve em mim até hoje, nos encontarmos? Naquele instante, foi como se o tempo se congelasse, e viesse à memória uma série de acontecimentos: a primeira aula onde os engraçadinhos do costume perceberam que “esta” não era para brincadeiras, quando chorei a receber a minha primeira negativa a português, a sua indiferença perante a  minha revolta, o quão trabalhei como nunca tinha feito, e como passei mesmo à tangente no final do ano,... mas foi sem dúvida a melhor professora, pois obrigou os alunos a superarem-se. E é disto que faz falta em Portugal: pessoas que não tenham medo que os seus alunos, coristas e empregados se superem, pois isso obrigará os professores, maestros e patrões a nunca se instalarem com a ideia patética que mais nada têm a aprender.

A vida tem destas coisas, é estar atento ao que ela nos diz. E uma das coisas que ela nos diz constantemente é que “parar é morrer”.


#11 Palavra de Maestro: “dou graças por existires!” 

 

É nos vendido que é tudo tão fácil no mundo materialista. Queremos um carro, roupas, viagens e é só fazer um creditozinho. Credotizinho aqui, creditozito ali, e num ápice estamos encrencados. O movimento de dinheiro e prendas este Natal... terá sido proporcional ao movimento de amor e carinho? Será que os 50€ correspondem ao que sinto por ti, ou gasto 50€ porque também fazes o mesmo e depois sentir-me-ia mal por dar uma prenda menor? Porque são os Euros, a tabelar o que sentimos pelo outro, e não a experiência de fazer o outro verdadeiramente feliz: os nossos pais, filhos, amigos, maridos, esposas e namorados.

O que é o Natal? Não é a paz? No programa “Dr.Phil” ele dizia que o que todos procuram é aquela sensação fantástica de paz interior. Não foi por isso que o Natal surgiu, que Nossa Senhora sofreu ao dar à Luz o Menino Jesus, para que estejamos em paz e harmonia? Para isso temos de saber ser coerentes, que os nossos actos correspondam às nossas palavras (mesmo no mundo que nos tenta moldar para o facilitismo), que saibamos fazer o outro sentir-se especial, saibamos ouvir e dar o benefício da dúvida antes de nos exaltarmos.

Hoje que ainda é Natal, pois os Reis Magos estão a caminho com as suas ofertas, poderíamos pegar nas tecnologias ao nosso dispor e surpreender quem estimamos: os nossos pais, filhos, amigos, maridos, esposas e namorados com algo como “dou graças por existires!”. Não custa nada.


 #12 Palavra de maestro Só podemos exigir direitos, se cumprirmos com os deveres

 

Por todo o lado ouve-se a luta pelos direitos. Nos coros que dirijo também. Aliás, sobretudo nos coros que são constituídos por jovens adolescentes, a reivindicação dos direitos está muito patente nos seus comportamentos. Já não crianças, querem ser tratados como adultos, mas não o são ainda. Ser adulto não é quando se atinge os 18 anos, mas quando se atinge a responsabilização plena dos seus deveres e direitos.

No VOX LACI incunte-se muito a responsabilização: seja a individual, seja a colectiva. Deste modo prepara-se, molda-se, dá-se objectivos e projectos aos coristas que lhes permitirá manejar uma série de ferramentas que a um determinado momento fará sentido. A propósito disso, lembro-me sempre de um filme que me marcou muito: “Karate Kid I”. É que o jovem com a ânsia natural da sua idade de quem queria aprender a lutar, foi posto a pintar paredes, lavar janelas, carregar baldes, enfim, actividades pouco dignificantes para um futuro campeão. O professor sabia o que estava a fazer, havia um propósito naqueles momentos repetitivos. Até que surgiu o “click”! Os olhos do jovem brilharam quando entendeu como aqueles “trabalhos forçados” não eram mais do que a base dos movimentos do Karaté. Para ter direito a praticar Karaté, teve que cumprir com os deveres que esse direito acarreta.

E é isso que se passa com tudo. Com o direito à família temos os deveres como filhos, o direito à educação para quem cumpre com o dever de estudar, o direito a estar em palco se cumpre com os deveres de estar nos ensaios. No VOX LACI não se procura ver quem é o melhor, mas fazer sobressair o melhor de cada um, levar as pessoas a alcançar objectivos (pequenas vitórias) que mais não são níveis de desenvolvimento pessoal.

Em todo o tipo de direito está subjacente um dever, e apenas podemos exigir e lutar por mais direitos se os nossos deveres estiverem a ser cumpridos.


#13 Palavra de maestro Porquê existe tanta maldade no mundo?

Pena que a liberdade de uns seja uma arma de maldade. Acredito que quando nascemos somos uma tábua rasa, e a vida vai-nos marcando, pelas decisões e consequências que vamos vivendo no dia-a-dia. Então, porque existe tanta maldade no mundo? Porque existe pessoas que acordam a pensar quem vão magoar e se deitam como fazer pior no dia seguinte? Será que não se apercebem que o boomerang da vida aparecerá quando menos esperam? Como é possível magoar pessoas inocentes, utilizando crianças sem qualquer respeito pelo ser humano? Como podemos deixar de olhar para os nossos umbigos? Tem de haver alternativas e novos caminhos, com novas estratégias...
São vítimas da falta de bondade, não conhecem outro modo de viver, é uma questão de sobrevivência : “Ou eu, ou o outro!”. Nunca viveram a experiência de se sentirem especiais e únicos. São vítimas de quem os criou, ou de quem lavou as mãos da responsabilidade de os criar. Tornou-se para eles uma questão de sobrevivência, em vez de uma questão do “Eu com o outro”, do “Eu pelo outro”, do “Eu através do outro”. Não têm objecto da bondade, muitos nem têm consciência que agem com maldade. Defendem as suas atitudes como se houvesse justificação, há sempre um “porque...” Pouco ou nenhum espaço há para “Desculpe. Por favor ajude-me”
Uns são vítimas, outros vitimizam-se. Somos livres, Ele deu-nos a liberdade.


#14 Palavra de maestro O risco de viver no seu próprio casulo

Quantas pessoas não conhecemos que vivem no seu próprio casulo, quantas vezes nós mesmos não tivemos alturas assim? O risco desta opção (porque é uma opção!), comporta outros riscos, mas talvez o maior seja o da vida passar ao lado. Presumo que não deve haver nada pior do que sentirmos que a “vida não espera”, ela acontece a cada milésimo de segundo, indiferente às nossas opções.
Este casulo pode ter várias formas: o excesso de trabalho, o medo de relação, os vícios, o pensamento obsessivo, as mudanças de humor, a tristeza profunda, a euforia sem razão aparente... enfim uma série de sintomas todas elas comuns no seu objectivo: negar a realidade que o circunda. “E é mais fácil assim.” Será mesmo? E se um dia tal como Veronika, Eduard e Mari quiserem sair de Villete, depois de tantos anos enclausurados, e assumirem o risco de viver? O “lá fora”, continuou com a sua vida, os “lá dentro” optaram por fazer um pause e agora querem play. É que o “lá fora” já está noutra etapa, e na vida não existe o rewind nem o forward. Depois como é? O risco do casulo não é assumido, pois não se adaptam à vida. Ou voltam para o pause ou optam pelo stop.
Quem não tem altos e baixos? Quem nunca sofreu nem sofre? E não é isso a vida? Um caminho que não sabemos onde nos leva, mas é feito das nossas acções e não opções (que é uma opção!).
O risco está em todo o lado, mesmo no nosso pequeno casulo.


#15 Palavra de maestroA dimensão de quanto mais damos, mais recebemos


Aprendemos desde de berço que devemos ser bons uns para os outros, mas não somos preparados para os que são maus para connosco. Chocamo-nos com histórias e notícias trágicas, “mas ainda bem que não é comigo!”. Até ao dia em que abrimos a porta da nossa casa, do nosso coração e alma, e ficamos vulneráveis pois não temos a “segurança” da porta fechada. Magoam-nos, maltratam-nos pois pensámos que o outro pensa e sente como nós: damos tudo, o outro recebe...e não retribui.. faz pouco...e o que nos dá não é coerente com o que tínhamos em mente.
Muitos começam a nunca abrir mais a porta, sempre com medo de voltar a acontecer o mau inesperado. A dimensão de quanto mais damos, mais recebemos é posta em causa e torna-se mentira. Outros, os idílicos, os que não vivem neste mundo, continuam a pensar e agir contra o pensamento dominante na sociedade. Sofrem mas continuam a abrir a porta, sem esperar nada em troca, apenas o sorriso a quem abriram a porta.
Os que vivem em relações de portas fechadas às sete chaves vivem uma vida morna, com horários certinhos, com medo do inesperado que só acontece a quem abre a porta. “Pois é, os outros têm sorte!” Os outros são aqueles que abrem a porta, que sabem que poderão sofrer, mas também sabem que se algum dia decidirem não abrir a porta, pode ser que estejam a deixar partir a sua hipótese de ser feliz... E se um dia o inesperado fosse um “obrigado!”, “gosto de ti!”, “fazes-me falta?”, “queres viver a vida comigo?”
Nunca saberão porque a porta está fechada...


#16 Palavra de Maestro: Diferentes pobrezas
 

De Amsterdão escrevo onde participo num dos acontecimentos mais marcantes da minha vida: preparo em conjunto com outros maestros internacionais o Poverty Requiem, para podermos realizar nos nossos paises de origem. É um encontro de culturas, mas mais forte ainda, é um encontro de diferentes pobrezas. Um dos maestros que vem do Senegal, dizia “todos somos pobres materialmente, mas nao cultural e intelectuamente”, e como se fez silêncio na sala...

Tenho estado a pensar desde então o que quis ele mesmo dizer. E de facto, quando não lutamos pão diário, temos a necessidade de lutar contra uns e outros, seja quando estamos a irritarmo-nos no trânsito, seja no trabalho onde tensões entre colegas e patrões fragilizam-nos, seja no seio familiar onde deveria ser o “nosso castelo” para nos sentirmos seguros. É triste que o ser humano, em geral, nunca esteja satisfeito com o que já tem. Ambição e querer ser melhor julgo que é importante, mas dar graças pelo que se é e o que se tem é de uma alegria e paz extrema, que poucos se podem gabar. Quando poderemos nos gabar que usamos os transportes públicos ou bicicletas para o trabalho e escola, que somos companheiros e atenciosos no trabalho, e que a família é, de facto, o nosso porto seguro? Quando haverá qualidade de vida para não perder tempo no trânsito, não ser necessário baixas por depressão nem comprimidos “milagrosos” que põem uma pessoa a dormir?

Falou (nome do maestro senegalês) tinha razão.Eles lutam para ter comida e são felizes, nós temos comida e lutamos para ser felizes.


#17 Palavra de Maestro A desilusão faz parte da vida, a traição faz parte da vida de quem trai

 

Somos humanos e como tal faliveis e cheio de defeitos, mas também temos virtudes. Nalguns pesa mais os defeitos, noutros as virtudes. Às vezes é uma fase na vida, que pende mais para um lado do que para o outro...

Continuo a acreditar nas pessoas, na instituição da família, nas regras e valores que devem reger um ser humano e, por fim, um grupo. No meu dia-a-dia lido com pessoas, e seja o VOXLACI uma instituição com objectivos corais e musicais, é antes um modo de estar. Alguém escreveu “é simplesmente lindo olhar e pensar que algo tao simples como um coro pode mexer na nossa vida e fazer um torbilhão no coração e saltar de alegria, deixar cair lagrimas!”. E como mexe...

Recentemente mexeu muito comigo a ingratidão de algumas “estrelas” (que só existem no céu, mas não lhes digam nada!). A mãe de um deles disse-me “Maestro:a desilusão faz parte da vida.” A desilusão faz parte do crescimento de todos, a traição faz parte da vida de quem trai. E será a própria vida a “professora”, quem ensinará que mentir não leva a lado nenhum, que enganar faz parte dos falsos, e trair....quem trai uma, trairá outra..Existe algo chamado de “arrependimento”, mas só os de carácter já ouviram falar.

A essas “estrelas” corruptiveis, que foram importantes para o grupo num determinado tempo, altura em que se regiam pela verdade e decisões dificeis...espero que tenha valido a pena!

 

Feedbacks

Exmos. Senhores,

 Recebo com regularidade notícias da VOX LACI, que agradeço, por um lado, e por outro me enche de orgulho porque sou uma residente da freguesia de S. Domingos de Rana.A “Palavra do Maestro” tocou-me particularmente, porque nela consegui encontrar a expressão de algo que há muito venho sentindo. Como poderão constatar, também eu trabalho com pessoas e, em particular, com músicos da Orquestra Metropolitana de Lisboa, tendo já no meu curriculum uma passagem de 9 anos pelo Teatro Nacional de São Carlos e pela Orquestra Sinfónica Portuguesa.Bem-haja maestro pelas suas palavras que vou guardar e que me permitirei citar, com a devida vénia, nas ocasiões próprias. E são tantas… Mas “a desilusão faz parte da vida”, não é? Aproveito a oportunidade para vos enviar o meu BEM-HAJAM pelo vosso trabalho e pelo imagem de qualidade que vêm passando a um público cada vez mais vasto e fiel. Com as mais cordiais saudações.

Isabel Menezes Bandeira Vogal da Direcção da AMEC

Boa tarde Sr. Maestro

Não sei porque recebi este email, mas sensibilizou-me. Também já fui, como infelizmnte milhares de outras pessoas, vítima da
traição, e sei que doi mais em quem é traído do que em traí. De qualquer modo gostaria apenas de lhe dizer que a sua "nova"
experiência vai-lhe permitir chegar a um nº ainda maior de corações. "Deus nunca dá peso superior aquele que podemos suportar..."  Dina Agante

Compreendo a sua reflexão e o seu desgosto. O Coro é tudo o que disse mas também um grupo de gente que reage de maneiras diversas e muitas vezes aqueles que, porventura se consideram "estrelas" por não terem assimilado o que é um Coro (acho que no Coro não devem existir "estrelas" porque somos um todo) pretende brilhar a todo o custo, esquecendo o interesse do todo. Não se entristeça porque esses momentos de solidão e tristeza só nos fazem crescer como seres humanos e poderão ser transformados em excelentes oportunidades para lutarmos mais e melhor por aquilo em que acreditamos. Vá à luta e continue com o amor e boa disposição ao serviço da causa que é a sua vida como Maestro de um Coro que ama. Lá diz o ditado...."os cães ladram mas a caravana passa..." e eu acrescento SEMPRE!!! Um abraço para si e continuação de felicidades para o Vox Laci! Maria da Piedade

Olá, o meu nome não vos diz nada. Canto no Coro da Universidade da 3ª Idade do Barreiro e sou admirador da vossa obra, Já nos encontrá-mos uma vez e sou leitor dos seus escritos. Tenh 64 anos , fui colega e sou   amigo   do Ivo Miranda (ACAL). Obrigado pelas suas intervenções escritas, eu mesmo tenho -me apropriado de alguns pensamentos e ensinamentos seus para no meu coro os "transmitir". Para que este email não seja anónimo, sou  o Ernesto Nogueira tenor do CORUTIB. Saudações coralistas. Obrigado


#18 Palavra de MaestroA Moda da Solidariedade do Autocolante

Ser solidário não é para estarmos de bem com a nossa consciência, é para que o outro se sinta bem com o nossa disponibilidade. A moda da Solidariedade do autocolante (“Vejam como eu ajudo!”), não serve os interesses de quem mais necessita, mas de quem mais necessidade tem de se mostrar. Ora, isso não é solidariedade...é exibicionismo à conta da desgraça da próximo.
Segundo o dicionário, solidário vem do Lat. solidu, sólido, ou seja, algo não pode ser sólido e depois já não o é. “Agora apetece-me ser solidário!...Agora não dá muito jeito...” Alguém solidário é alguém que se sente do mesmo modo, como por exemplo, quando ouvimos alguém e o escutamos com o coração, e ajudamos em silêncio, porque escutámos (em Dublin, existem pessoas que são os “listeners” que estão nos bancos da cidade para escutar quem quiser falar). Ser solidário é dar apoio ou auxílio a quem precisa mais do que nós. Há que fazer ouvir a nossa voz a favor dos que mais precisam de nós, seja porque não têm para comer, para viver ou para com quem falar. Um terço da População mundial é POBRE, vive com menos de 1$ por dia.Em cada 6 pessoas do mundo, 2 pessoas morrerão à fome dentro de pouco tempo (ainda hoje até!). Por dia morrem 50 mil pessoas no mundo, uma a cada 3 segundos...uma pessoa a cada 3 segundos morre, deixa de ter vida a correr nas suas veias.. Em contraste outros dois terços do mundo, morrem por viverem com excesso: doenças cardiovasculares por má alimentação, tabagismo e alccolismo, acidentes de viação por excesso de velocidade, doenças do foro psiquiátrico por excesso de endeusamneto do mundo material. É um contrasenso, o mundo está desequilibrado, e o estar de braços cruzados é não só aceitar tudo isto, como promover este desequilibrio.
A nossa solidariedade, a nossa voz é fundamental! Um dia poderemos ser nós que necessitaremos que alguém grite por nós.


#19 Palavra de Maestro Quando a morte nos bate ao lado


Todos dias morrem pessoas. Os noticiários falam de pessoas que morrem como se tratasse de apenas números “Hoje no Afeganistão um bombista suicida provocou mais de 70 mortes! Em Bangladesh poderão morrer milhões de pessoas se não chegar ajuda!No Burundi uma aldeia foi completamente dizimada!...” São números de facto, pois não temos um contacto directo e humano. É demasiado longe...
Como podemos exigir que tenhamos, se nem o vizinho conhecemos ou falamos, e muito menos convidamos para nossa casa? Festa de Boas vindas do Bairro ao novo vizinho? Para isso era preciso que houvesse um sentimento de bairro, de um colectivo que cresce entre os membros de uma mesma comunidade. O vizinho não é mais do que alguém que pouco respeito nos merece, pois sacode as migalhas para cima de nós, não paga as quotas a tempo, está sempre mal disposto. Quem não tem um vizinho assim? Certamente todos têm. E se perguntarmos, quem não tem um vizinho assim dentro de si? É sempre mais fácil apontar o dedo ao vizinho, do que fazer uma autocrítica. Sim, porque os outros é que isto e aquilo.
Até que algo nos faz parar nesta intensa batalha de alegações contra o vizinho: a morte do vizinho do lado, e sobretudo se fôr uma criança que tragicamente perdeu a vida numa passadeira. Mas mais uma vez será que parámos para pensar na dor desses pais,familiares e amigos (deixo aqui a minha solidariadade), ou assustámo-nos de tal modo , pois poderia ser o nosso filho? Talvez tenha tido sido ambos. De todo o sofrimento do mundo, não haverá mais dor que a perda de um filho. Deve ser uma dor de tal maneira devastadora e incompreensível... “Porquê?”
Egoisticamente falando, quando a morte bater à porta, apenas peço a Deus que me faça partir primeiro.
 

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  *Gostei muito Anónimo
  *E, apesar de tudo, dizemos que acreditamos em Deus e que a vida continua...Bom fim de semana,Dad Ecce Gratum
  *Caro Myguel Santos e Castro, hoje abrimos o jornal. Folheamos as páginas do interior. Secção: Sociedade. Deparamos com um texto de uma crónica de opinião que costumamos consultar. É um fulano chamado Ruy Mossa que escreve os comentários semanalmente. Um dia falámos a um amigo: já leste as colunas de um sujeito chamado Ruy Mossa? É o maior. Não encontro pessoa alguma nas páginas da imprensa escrita." - Sabes quem é?"" - Não"." - Seu parvo, é o teu vizinho de porta".A partir daquela informação, Ruy Mossa tornou-se um amigo para sempre. Os vizinhos? Não existem. Agora são inseparáveis amigos. Acreditam nesta estória? Filipe Oliveira


#20 Palavra de Maestro Se não está preparado para o não, não está para o sim

 Em muitas situações da nossa vida somos injustiçados, ou pelo menos é o que sentimos, nomeadamente quando achamos que merecemos determinada posição no trabalho, determinada nota num trabalho escolar, determinado/a pessoa numa relação de amizade e/ou amorosa, determinados direitos (esquecendo os determinados deveres que isso acarreta), determinada presença em palco. A questão está aqui mesmo. Nada nem ninguém estão determinados tal qual tragédia clássica, mas as nossas acções talvez não tenham sido coerentes para atingir a “determinada”.

E eis que surge o determinado Não. E com ele, que não era determinado, não estava nos planos, assenta-se e invade-nos uma raiva, uma frustração, que apenas o tempo a converterá em tristeza e, por fim, na aceitação, e os mais desenvolvidos emocionalmente, na felicidade que o outro ficou “ com a minha determinada”. Quando o meu objectivo não é possessivo estou preparado para o Sim, e mesmo que o Não surja, não ficarei arrasado, mas aceito como parte do processo para receber o Sim. Saber fazer as pazes com o Não, é caminhar para o Sim. É verdade que existem muitas injustiças, pessoas com cunhas, alunos lambe-botas, pessoas manipuladoras e chefes (não os confundamos com líderes) que são prepotentes e usam o seu determinado “poder”, no fundo para se vingarem das suas frustrações e usam as pessoas. Mas não é sobre estes caso que reflicto.

Já agradeceu hoje pelo lindo sol, por ter saúde, por ter determinada pessoa quando acorda, pela chuva que lava as almas, pelo trabalho que nos faz sentir úteis, pelos filhos que trouxemos ao mundo? Saber aceitar e agradecer as dificuldades, pode ser um caminho para viver em harmonia com o melhor que a vida tem: o tempo que usufruímos com quem mais amamos.

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"Verona"...
...fonte de inspiração !
...mergulhado nos seus pensamentos!
...no palco das águas de um lago ( não sei se profundo, mas acredito que sim, pelo resultado de tão grande e profundo trabalho! )
...espelhados hoje, em acções constantes, coerentes e abrangentes...o "vox laci"...cresceu!
...é fruto de um grande "pensador!"
" vox laci" pelo que transparece ,caminha sempre mergulhado neste "sonho".
Quem conhece " vox laci", não se cansa de "o" admirar!
O caminho feito e tudo o que já está planeado para os anos seguintes, desejo seja repleto das maiores
Benções do "menino jesus" !!!
E , continue a renascer no coração da família, "vox laci" (já enorme).
Ao maestro incansável, saúde e amor para continuar o brilhante o trabalho que em boa hora escolheu!
Junto-me a todos vós num fraterno abraço!
Fátima Santos


#21 Palavra de Maestro A verdade vem sempre ao de cima
 
 Temos vários exemplos na História, que a mentira e o engano não perdura. É como o azeite num recipiente de água, vem sempre ao de cima, mas no seu tempo próprio. Muitas vezes queremos a verdade fast-food, imediata, mas ela não funciona assim. A semente não se torna flor mais rápida, se regarmos com mais água: ela se afogará. A verdade não se esconde, não finge, não tem atalhos, ela apenas é. Muitos são aqueles à nossa volta que não entendem esta lei básica da vida, e passam a vida a sorrir falso, a cumprimentar sarcástico, a olhar foragido, e constantemente com as costas viradas para a simplicidade do "Gosto de estar contigo!"  
 Um dia saberemos a verdade sobre Hitler e Kennedy, a sida e o cancro, do amigo e do desconhecido, sobre os sentimentos de quem estamos (ou queremos estar) próximos. É preciso saber ser paciente e, sê-lo, não poderá ser vivendo à espera que o azeite à nossa volta venha ao de cima, mas cuidar que o azeite não entre em nós. É um combate diário para que não sejamos uma esponja que absorve o azeite, mas um corpo dominado pela mente e ambos liderados pelo nosso grilo falante. É tão fácil dizer mal, somos seduzidos que os espertos são os que pisam e os inteligentes não têm emoções. Esta é a "verdade" que reina, mas todos sabemos que é uma questão de tempo. O hipócrita cansar-se-á de se ouvir, o mentiroso não distinguirá a verdade, o ladrão roubará sua paz, o assassino matará sua razão de viver, e o simples viverá a verdade.
  Quase sempre a verdade apenas quer vir ao de cima, mas não estamos preparados para a receber, pois muitas vezes faz sofrer, e "ninguém quer sofrer". Mas evoluir individualmente é também sofrer, é aceitar que a nossa verdade pode não ser tão verdade como pensávamos, pode afinal não ser água mas azeite. E isso dói. Mas faz crescer.

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 *Agir e sofrer como lugares de aprendizagem da esperança  “Podemos procurar limitar o sofrimento e lutar contra ele, mas não podemos eliminá-lo. Precisamente onde os homens, na tentativa de evitar qualquer sofrimento, procuram esquivar-se de tudo o que poderia significar padecimento, onde querem evitar a canseira e o sofrimento por causa da verdade, do amor, do bem, descambam numa vida vazia, na qual provavelmente já quase não existe a dor, mas experimenta-se muito mais a obscura sensação da falta de sentido e da solidão. Não é o evitar o sofrimento, a fuga diante da dor, que cura o homem, mas a capacidade de aceitar a tribulação e nela amadurecer, de encontrar o seu sentido através da união com Cristo, que sofreu com infinito amor (...) o indivíduo não pode aceitar o sofrimento do outro, se ele pessoalmente não consegue encontrar no sofrimento um sentido, um caminho de purificação e de amadurecimento, um caminho de esperança”.    Bento XVI, SPE SALVI 

  *Maestro, honestamente não sei se lhe diga que tem razão ou não... Como as coisas andam... :)
Acho que o Woody Allen expressou muito bem essa situação no filme "Match Point" e o Marquês de Sade em "Os infortúnios da virtude". Não sei se será assim tão linear... Porque para todos os efeitos, há muitas verdades, como diria o João sem Medo, do José Gomes Ferreira. Um abraço e votos de excelentes festas.David Rodrigues


#22 Palavra de Maestro O Natal não é sinónimo de felicidade para todos

  O Natal espera-se feliz para as pessoas, mas não foi tão infeliz para as pessoas que negaram abrigo a Maria e José? Todos os natais pessoas continuam a negá-l´O, a si mesmo e a tantas Marias e Josés que batem à porta não só nesta noite.
  Num grupo uma pessoa altera uma dinâmica de grupo, uma pessoa altera o ambiente num jantar de família, uma pessoa altera o destino duma outra. No VOX LACI chamamos-lhe de factor X (FX), o elemento variável que transforma a dinâmica quer esteja presente ou ausente. Hoje, véspera de Natal muitos não terão a sorte de ser ou ter ao seu lado o FX. Sofre-se muito nesta noite de Natal, diria quase que talvez seja a noite, depois do fim-de-ano, onde as pessoas mais sofrem. São dias que estão embebidos de uma festividade, que quem não sentir, pensará que algo de errado se passa consigo mesmo ou com os outros. E tal como no “Pássaro da Alma” existem em cada um de nós uma série de gavetas prontas a abrirem: uns a gaveta da alegria de estar com quem ama, outros a da tristeza de não estar; outros a gaveta da companhia em oposição com a gaveta da solidão; outros a gaveta da fala contrapondo com a da gaveta do silêncio. E todas as gavetas irmãs catapultam numa sinfonia orquestrada pela presença ou ausência do FX dando origem a composições individuais a nós chamamos de vidas.
  Muitos vivem o lado triste do Natal: dormem nas ruas até nesta noite que devia ser de todos; discutem à mesa na noite da família unida e em harmonia; comem sozinhos tendo como companhia um copo de vinho ou um livro; alguns morrerão nas estradas e suas casas, outros perderão a esperança de voltarem a ser felizes. E tudo isto acontece também nesta noite que devia ser de todos, mas não o é. É apenas para os felizardos que têm dentro de si ou ao seu lado o FX.


#23 Palavra de Maestro A Dúvida da Certeza

A dúvida coexiste com a certeza e acompanha-nos no dia-a-dia sempre que temos de tomar decisões. Umas são simples de tomar, enquanto que outras podem parecer um inferno na terra.
Em tempos de dúvidas e incertezas, é como se estivéssemos à deriva numa jangada, onde até o céu coberto tapa qualquer hipótese sequer de nos guiarmos pelas estrelas. Parecem horas, dias a fio onde nada acontece e tudo ou qualquer coisa esperamos que aconteça para que nos ajude a fazer um “clique” e seja a faísca que precisávamos para dar algum sentido ao sofrimento da dúvida, na procura de um porto de abrigo, terra firme. E andamos de bóias em bóias iludidos que são portos, mas mais não são que balões de ar, que nos ajudam sim, mas dentro do espaço e tempo limite que um balão de ar pode suportar. E continuamos com dúvidas, a sentir que estamos prestes a afogar, e lutamos desesperados para não deixar a dúvida vencer. Mas vencer quem? A nós próprios? Se conseguiremos viver apenas connosco próprios? Sem dúvidas, sem bengalas, sem dependências, sem relações que em vez de nos fazer evoluir nos apagam, sem o nosso naipe por perto? A dúvida instala-se, e desesperamos numa agonia sádica. Mas porquê? Se depois da tempestade só pode vir a bonança, se depois da dor só pode vir a cura, se depois da chuva só pode vir o sol? Porquê que a dúvida que assola os mais corajosos que estão dispostos a enfrentar os seus medos, pois querem ser melhores pessoas, não é apenas aceite como um meio para atingir um fim, mesmo que não saibamos onde ele se encontra, mas com a certeza que existe.
“A Dúvida pode ser um laço tão poderoso e forte como a certeza” e a primeira será a estrela polar que nos levará à segunda, a terra firme, ao tal porto abrigo, que não está fora de nós, mas no interior de cada um.

Reacções

*A grande esperança-certeza "Toda a acção séria e recta do homem é esperança em acto. É-o antes de tudo no sentido de que assim procuramos concretizar as nossas esperanças menores ou maiores: resolver este ou aquele assunto que é importante, para prosseguir na caminhada da vida; com o nosso empenho contribuir a fim de que o mundo se torne um pouco mais luminoso e humano, e assim se abram também as portas para o futuro. Mas o esforço quotidiano pela continuação da nossa vida e pelo futuro da comunidade cansa-nos ou transforma-se em fanatismo, se não nos ilumina a luz daquela grande esperança que não pode ser destruída sequer pelos pequenos fracassos e pela falência em vicissitudes de alcance histórico (...) É importante saber: eu posso sempre continuar a esperar, ainda que pela minha vida ou pelo momento histórico que estou a viver aparentemente não tenha mais qualquer motivo para esperar. Só a grande esperança-certeza de que, não obstante todos os fracassos, a minha vida pessoal e a história no seu conjunto estão conservadas no poder indestrutível do Amor e, graças a isso e por isso, possuem sentido e importância, só uma tal esperança pode, naquele caso, dar ainda a coragem de agir e de continuar". Bento XVI, SPE SALVI


#24 Palavra de Maestro Moluscos e lapas de mágoa

 

A mágoa é inerente a todo o ser humano: uns vivem acima dela, outros gerem o dia-a-dia com os seus afazeres, outros simplesmente cegam.
  A esta hora existem pessoas que vivem magoadas, agarradas a situações do passado, como mexilhões e lapas à rocha, que lhes custa simplesmente viver e aceitar a dor e o sofrimento. Correm numa azáfama, como se fosse véspera de natal atrás das últimas prendas, mas em vez de ser um dia por ano, o fazem por “desporto diário”, não escutando os outros, nem a vida, muito menos a si mesmo. Não podem parar senão vão ao fundo, não podem abrandar porque têm dependentes a seu cargo, não podem estar sem fazer nada pois senão a mágoa vem ao de cima, devem ser racionais e funcionais. Enquanto não pararem o saco de batatas (mágoa), não se tornará mais leve, muito menos desaparecerá. O seu peso será cada vez maior, e tornar-se-á cada vez mais insuportável. É que ele não está às nossas costas, mas dentro de nós, como mexilhões e lapas, e apenas cada um de nós tem a faca para as retirar, e a chave consiste em simplesmente aceitar que essa mágoa tem uma razão de ser, mesmo que fiquemos incrédulos com tamanha barbaridade que nos infligiram. Quando, mesmo não percebendo as razões, aceitarmos a mágoa como processo de cura, de crescimento individual, ela desaparecerá. Será lavada e levada pelas ondas do mar que batem nas rochas, até que os moluscos simplesmente caiem sem resistência, pois acabou o seu tempo. A mágoa também é assim, mas tem uma vantagem: não precisa da persistência e a força das ondas, mas a força da nossa persistência em simplesmente a deixar cair. Cada um tem os seus processos, as suas ondas de actuação, não existem soluções gerais, pois as mágoas são individuais e pessoais, e necessitam de uma chave própria. O ter a chave depende apenas do tempo que eu quiser/precisar da mágoa.
  O estar inserido num grupo, como por exemplo no coro, pode ajudar a pessoa magoada a curar-se, a transformar-se interiormente, sem nunca perder o seu EU, mas relativizando com a mágoa de outros, poderá ser uma forma de decisão de simplesmente deixar partir a pessoa que nos magoou. E muito.


 

#25 Palavra de Maestro Pessoas abelhas

Fico sempre triste quando alguém sai do VOX LACI, é alguém que deixou algo e segue o seu caminho. Muitos já passaram por esta “experiência” que o VOX LACI proporciona a quem quer crescer. Poucos são os que saíram e não sabemos a razão. Uma coisa é certa: um dia todos sairão. É sempre importante perceber a razão que leva alguém a terminar um relacionamento seja ela com uma pessoa especial ou com um determinado grupo.

Eu estou muito preocupado com a facilidade com que as pessoas experimentam, tal abelhas, de flor em flor, buscando emoções. Basta ver o crescente número de praticantes de actividades radicais, de namoros e casamentos curtos mas “intensos”, de uma crescente sensação de impunidade nos actos das pessoas. O que vale é “sentir-me vivo”, estar sempre apaixonado, com as emoções à flor da pele, e quando elas terminam, o frenesim de andar atrás de uma nova emoção, e depois outra...até que nada resta. Vivemos na era do fast-food, fast-emotion, fast-sex e fast-tudo. E o que dá isto tudo? Fast-depressões! A quantidade de receitas de calmantes e estimulantes e o número de pessoas cada vez mais dependentes do “seu” psicólogo, psiquiatra e em muitos casos astrólogo. Já viram bem à volta? Existirá alguém que não tenha no seu grupo de conhecimentos, uma pessoa que não esteja deprimida ou que “não seja boa da cabeça”? Acredito que começa na laxismo e banalização de tudo, sem objectivos e sonhos que leve as pessoas a acreditarem que o sofrimento numa determinada fase tem uma razão de ser. O sofrimento de ter que estudar para ter uma boa nota, de ensaiar repetidamente para um bom concerto, da fidelidade para uma relação de confiança e amor, da alimentação cuidada para uma boa saúde, de um desporto para a disciplina do corpo e mente, e por aí fora. E são os nossos jovens e crianças que têm de se perguntar: o que quero? Valerá o esforço?

Um carácter forte passa pela formatação do pensamento desde do berço, que deverá ser apoiado pelas as acções diárias e repetidas até ao fim da vida, e não resistente às mudanças interiores. Assim teremos pessoas que não desistem de relações com uma pessoa especial ou com um determinado grupo, ao “mínimo” obstáculo. Infelizmente, são cada vez mais raras.

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*Não posso estar mais de acordo. mencionaste os pontos certos. Boa reflexão. Filomena


#26 Palavra de MaestroSalvem-nos das festinhas de escola

Não há Santo que aguente as Festinhas de Escola. Eu tive que aguentar a da minha filha, no passado Natal, numa escola do Concelho de Cascais. Não encontro melhor palavra do que “deplorável”:

  • enquanto alunos actuavam, professores e auxiliares transitavam pelo palco;
    a actividade do inglês para mostrar que aprenderam alguma coisa, cantaram o (apenas) o refrão do Jingle Bells quatro vezes num inglês deplorável (gostaria de ter uma conversa em inglês coma professora, só para a ouvir falar!)

  • para ajudar tivemos que esperar a meio que as crianças trocassem de indumentárias, mas informaram-nos de que seríamos entretidos pelo professor de música, que com o seu acordeão, e duas crianças aos berros, gritavam músicas do pantanal (Brasil)

  • a actividade de expressão dramática teve a ideia de colocar os seus alunos a dançar uma coreografia, onde nitidamente apenas uma sabia o que fazia, mas todos com movimentos sensuais?!?! Isto é a primária?!?

  • alunos que já não lhes apetecia estar no palco saíam a meio, e os professores faziam beicinho para que eles voltassem

Foram mesmo muito poucas as demonstrações, onde se via empenho, brio dos professores, através dos seus alunos. Mas nem tudo foi mau, teve uma coisa positiva: chegou ao fim. (Ufa!)

Coitadas das crianças, mas a responsabilidade não é delas, elas apenas estão ali para absorver e aprender. “mas as crianças não dão mais..” Tira-me do sério este tipo de afirmações. É como aqueles maestros que se queixam dos “seus” coristas. Deveriam parar para pensar! Dei aulas durante quase 20 anos, e quando me chegava um aluno, e se alguém me dissesse “Professor, este aqui só dá problemas, e não aprende nada”, o meu olhar era gélido para o/a ignorante. A questão é que não foi ensinado à criança de que ela é capaz, com o apoio de quem quer mesmo que ela consiga atingir o objectivo de ser cada vez melhor, e não melhor do que o outro, o que é completamente diferente, mas fica para uma próxima reflexão. Esse tal aluno, passava a ser um dos mais aplicados nas minhas aulas.

Esta reflexão esteve guardada desde do Natal, de modo que a revolta que senti ao sair daquela festinha, fosse mais serena ao passar para escrita. Mas é difícil, quando se trata dos valores e princípios a que nossos filhos são expostos. O princípio da mediocridade, da falta de empenho, da falta de amor próprio e brio, o princípio de que qualquer coisa serve. Mas sabemos que não serve, pois os que vivem sob estes princípios são uns coitados! Mas sabem ainda de outra coisa, quando transmiti a minha opinião à professora e disse-lhe “deplorável”, ficou muito chocada, perguntou-me se eu sabia o que significava, e que acha muito estranho pois todos os pais gostaram muito. Pais e país, por favor, acordem!!

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*Sempre que crescemos intelectualmente sentimos maior isolamento na responsabilidade. Responsabilidade e exigência para connosco , também na tolerância . Um abraço Jorge Sousa Rêgo

*Olá bom, dia!Achei interessante a sua opinião sobre as festas das escolas. Porque acho que a maioria dos pais pode até pensar o mesmo, mas não questiona, ou por espírito acanhado e pouco assumido (como em tantas outras coisas da vida), ou porque tudo o que as nossas crianças fazem, tem sempre um pouco de graça. Enfim, também penso que o sistema actual e tradicional de ensino falha em muitos aspectos, nomeadamente na estimulação das crianças para valorizarem o que aprendem e terem gosto nisso. Sara Peres


#27 Palavra de Maestro  Apenas podemos amar o que conhecemos

 

Hoje parece que os dias deixaram de ter 24 horas, a semana 7 dias e o ano 12 meses. Tudo é para ontem, como se o amanhã não fosse existir. Até parece que temos menos tempo, quando a esperança média de vida é bem superior ao dos nossos antepassados. Que estranho, não é verdade? E quando não há tempo, as pessoas não param, não dialogam, logo não se conhecem, e dificilmente saberão o que é amar.

Quando por acaso da vida (não acredito em acasos) conhecemos alguém, ou desejamos pertencer a um grupo, tudo é intensamente vivido, diria mesmo, extenuadamente, como é próprio da altura da paixão, mas e depois? Teremos de escolher se preferimos andar de paixão em paixão, como elefantes de nenúfar em nenúfar, ou querer conhecer mais a fundo, tomando a opção de parar, dar tempo, escutar e dialogar. No meu entender cada vez são mais raros estas atitudes de dar tempo para conhecer, e depois do tempo de conhecimento, o dito “namoro”, tomar uma decisão consciente e responsável: “Sim desejo, apesar de difícil, optar por estar com este grupo, coro ou pessoa, pois vales a pena!” Ou não…

Talvez se déssemos tempo, se soubéssemos esperar, refrear a nossa vontade de dizer mal, se não julgássemos pelas primeiras impressões, se não catalogássemos uns aos outros, talvez pudéssemos criar novas amizades e simpatias, mas com os blogues e emails, a difamação e a crítica fácil, destrutiva e anónima prevalece. Já tiveram tempo, conhecem verdadeiramente o grupo/pessoa para falar mal? Nas famílias, nas relações entre casais e amigos, no trabalho e nos grupos, deve haver espaço e tempo: espaço para poder dizer o que nos vai a alma; tempo para poder digerir/aceitar o outro que é naturalmente diferente de mim. É quando damos tempo que a semente se torna flor, que os nossos filhos se tornam homens e mulheres, que nós aceitamos o outro e, sobretudo, aceitamos as nossas próprias limitações.

Temos amado e sentimo-nos amados? Temos dado tempo?...

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Olá,Na maior parte das vezes gosto muito do que escreve. Escreve o que sente e o que pensa!Sinto e penso de forma muito semelhante, mas não escrevo, ou escrevo muito pouco.De igual forma já compreendo e até consigo aceitar esta falta de tempo, aliás não o espero sequer, limito-me a dar. As vicissitudes da vida e também o facto de ser muito mais velha do que você, fez-me talvez, erradamente ou não, resfriarem os meus “impulsos”. Espero que nunca mude! Contudo, deixe-me dizer-lhe que se não lesse os seus textos, se não tivesse tido a oportunidade de falar consigo e de silenciosamente observar o seu carácter justo, equivocamente confundido com intolerância, autoritarismo e vingança, seria muito difícil reconhecer a Grande Pessoa que é.Obrigada.Esmeralda


#28 Palavra de Maestro Optar pelo urgente ou pelo importante

   É importante a urgência com que vivemos o dia-a-dia?Ou será urgente aprender a viver o importante no dia-a-dia? Quando deixamos de dar valor ao essencial, a probabilidade de nos sentirmos cansados na/da vida é muito elevada. Acordamos já cansados, o dia todo sentimos o corpo pesado e resistente, até custa mexer as bochechas e os lábios a quem uns chamam de vulgo sorriso, e no final do dia a sensação é de um cansaço ainda maior, mesmo não termos tido feito nada. Ironicamente com tanto cansaço, pode até custar a adormecer.

  Vivemos com a pressa de tantas coisas que necessitam da nossa atenção urgente, que muitas vezes perdemos o importante por causa daquelas: o aniversário de um amigo, a festa final da escola dos filhos, uma data que nos passa completamente ao lado, alguém ao nosso lado que precisou de nós. É quando nos sentimos úteis que a vida nos faz sentido, quando nos sentimos importantes para alguém. Então porque se vê tantas pessoas a correr atrás de  supostas urgências. O telemóvel que não para, a troca de emails, a pausa rápida no trabalho, as horas perdidas no trânsito para chegar a tempo,etc. Será mesmo necessário? Claro que todos sabemos que existem alturas da nossa vida, que é urgente darmos o litro, mas são fases, não uma rotina diária. Serão mais felizes os que fazem muitas coisas pois são urgentes? Ou os que procuram filtrar das distracções mundanas e escolhem fazer o que é importante? Mas como poderemos distinguir o urgente do importante? Penso que basta estar atento, apurar os sentidos, e se no final a nossa atenção fez a diferença para o outro, então optamos pelo importante.

  Hoje fez a diferença para alguém? Então optou pelo importante.Se não o fez, pense que pode fazer como as dietas: pode começar AMANHÃ. Quer fazer a diferença e não sabe por onde começar? Junte-se HOJE a um coro. 


 

#29 Palavra de Maestro Acompanha-me num tango?

 

    Aprendemos muito com os nossos pais, e uma delas que aprendi, é que não se pode forçar a “velhinha a atravessar a passadeira”. Se a senhora não quer, se prefere ficar ali à espera (enquanto a vida vai passando), se não quer ajuda, forçar não é certamente o desejável, pois tem de partir da sua vontade e não contra a sua