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Palavra de Maestro
#1
PALAVRA
DE
MAESTRO:
Natal=Coros;
Resto
do
ano=Nada!
Estou ligado a coros há mais de 10 anos! E há
mais de 10 anos que verifico o seguinte no nosso país: as pessoas , geralmente,
não saiem de casa para assistir a actuações de coros! Mas na altura do Natal
(até) vão! Porquê?!?! Simples!
-
O
repertório apresentado pelos coros é normalmente do conhecimento do público
que assiste;
-
As
pessoas estão mais sensibilizadas para os “X-mas carols”, do que para o
resto do repertório coral;
-
Existe
uma ideia generalizada que “os coros são uma seca!”, mas como é Natal
pode ser que haja um milagre
Quanto ao primeiro ponto, quem é que gosta de
ser apanhado de surpresa? Só se for uma boa surpresa! Não o será quando o
repertório de um concerto é completamente desconhecido. Nem mesmo uma peça
para que o público possa participar activamente ( já não digo cantando com a
sua voz, mas com a sua alma). É fundamental fazer boa música coral para o público.
Sem público, não há actuação! Um artista sem público, mais vale não
marcar concertos, pois cantará para si e só para si.
Que as pessoas estão mais sensibilizadas no
Natal é verdade! Mas voltamos ao ponto anterior! Sejamos francos e sem qualquer
tipo de preconceitos! Aquele espírito de Natal, as luzes, o Pai-Natal, a árvore,
o presépio, e acima de tudo, o Menino Jesus, está já embrulhado de certos clássicos
de natal, que os coros não devem, nem podem fugir! São os clássicos que o público
quer ouvir! E existem milhares de versões e arranjos para todo o tipo de gostos
dos denominados clássicos de Natal! Faz sentido que num Concerto de Natal não
tenha um “We wish you a Merry X-mas”, “Noite feliz” ou um “Jingle
Bells”? Temos que ter um grande respeito e consideração pelo público
saciando a sua fome e sede! Não sou dos que fazem música só para que os
outros gostem, mas temos de ter um repertório ( no Natal ou noutra época),
equilibrado: conhecidas com desconhecidas (que depois passam para o lado das
conhecidas). O público é como um bebé: há que saber dar de comer! Ou nós
desde de pequenos já gostávamos de chocos, ou de iscas, ou de um bom peixe
grelhado? Tudo se educa, tudo se aprende e especialmente o bom gosto.
Chegámos ao terceiro ponto –tentei
simplificar o mais possível, mas muitos outros pontos podiam ser
acrescentados – da ideia generalizada de
que é uma seca assistir a coros! Devo dizer que em muitos casos, é verdade.
Uma falta de respeito completa para com o público! Mas só fazem uma dessas ao
público! O problema é quando, esse público que ficou “vacinado” a coros,
já nem quer tentar ver outros,; já nem dá o benefício da dúvida! E os coros
que têm um enorme respeito pelo público, equilibrando o seu repertório com peças
desconhecidas e conhecidas, com momentos calmos e serenos
e outros mais vivos, temperado com o condimento da qualidade, sentem que
remam contar a maré. É como quando estamos a ter um pesadelo e esforçamo-nos
para correr, mas o nosso movimento é muito lento, apesar de todo o esforço
para chegar à tal porta!...
As mentalidades mudam se os tempos mudarem também!
Não podemos ter o mesmo tipo de coros de há 20 anos atrás! Há que haver uma
lufada de ar fresco, sangue novo, pois senão corremos o risco do colesterol e
de enfartes cardíacos que matarão quaisquer hipóteses
de sucesso de as pessoas saírem das suas casas para assistirem a coros.
O
maestro, Myguel Santos e Castro
Palavra de Maestro
#2
II DOMINGO
Acreditando num ente superior ou não, chame-se Deus, Alá
ou outro, o que é certo é que todos nós, cada um de nós , procura estar bem
consigo mesmo e com os outros, uma “espécie” de paz interior, a que
chamarei agora de espiritualidade! Este equilíbrio entre as forças do exterior
e do interior, entre o stress do dia-a-dia e a serenidade do nosso coração,
entre as vicissitudes da nossas relações pessoais e a tranquilidade da nossa
alma...convenhamos!...não é fácil! Este equilíbrio cada pessoa encontra de várias
modos: uns a irem ao ginásio, outros a apaixonarem-se, alguns a descobrir
locais no mundo onde são fontes para retemperar de forças (Taizé, França?),
etc. Mas a espiritualidade no seu conceito mais vasto está indubitavelmente
ligada à instituição da Igreja!
Foi num convite, feito pelo Prior da Igreja Paroquial de
S.Domingos de Rana, que desde Novembro, que o Coro VOX LACI Adulto, é responsável
pela animação musical da Eucaristia no segundo domingo de cada mês. Os
resultados viram-se de imediato no final da primeira Eucaristia, e sobretudo
antes do começo da segunda vez:
-
no
final da primeira, pois veio muita gente agradecer pelos momentos musicais
(espirituais) que tocaram no coração das pessoas, ajudando assim a fazer
uma melhor ligação entre o equilíbrio exterior e interior;
-
na
segunda pois, sabendo já que seria o Coro VOX LACI Adulto animar a
Eucaristia, a Igreja encontrava-se a abarrotar mesmo antes do início da
mesma, participando no ensaio que é feito 30 minutos antes da celebração;
Aceitei o desafio, estando consciente da eventual resistência
que iria encontrar no seio interior-“MISSA?!?!” Benefícios para o Coro? Os
mesmos de um concerto ou actuação, mas com um suplemento maior de
espiritualidade, de uma certa paz interior! As razões de ter aceite?
-
Haver
uma rotina de concertos, ajudando a quebrar o medo inicial do palco!
Havendo no mínimo uma actuação por mês, permite a que todos tenham uma
relação “tu cá , tu lá!” com o palco;
-
Permitiu
uma integração muito maior dos novos coristas seleccionados nas Audições!
Visto que são peças (em português e latim)que não têm um grande grau
de dificuldade, apenas com um ensaio as dez peças todas, ficam prontas,
permitindo que os novos coristas possam estar em palco o mais rápido possível;
-
Estamos
a actuar para 400 pessoas por mês! São o maior veículo de publicidade!
São também potenciais futuros coristas!
-
Sentimos
uma adesão muito maior nas Audições em Janeiro! Perguntámos como
sabiam das audições e porquê que gostariam de ser VOX LACI? Souberam
através da folha de cânticos ou da folha de concertos; porque fazemos
boa música e somos úteis!
-
É
também um dever cívico, colocar à disposição da sociedade os nossos
talentos (parábola dos talentos) e fazer frutificar! Sinto que agora, os
coristas do Adulto e do Juvenil ( que se juntaram desde da Eucaristia
passada), no final sentem uma certa paz, dever cumprido e alegria por
termos actuado!
Existem milhares de peças que podem ser interpretadas no
decorrer de uma cerimónia! Não é vergonha actuar em missas! Vergonha é
actuar sem as peças terem qualidade pois ou não estão ainda prontas, ou
porque o maestro ou o coro não tem ainda capacidade para a
interpretar! Na Alemanha, França, Inglaterra, países bálticos, é com
orgulho que participam em cerimónias religiosas, pois fazem-no com grande
qualidade!
Coros que já tenham atingido um bom nível de qualidade:
coloquem as vossas gargantas ao serviço do outro!
Despeço-me respeitosamente,
O Maestro, Myguel Santos e Castro
#3
Todos os dias deparo-me com pessoas mal dispostas... certamente não cantam em
coros!
Todos nós sabemos que a música tem um efeito terapêutico nas pessoas!
Seja a ouvi-la ou interpretá-la, a música é um veículo de emoções! Tudo
o que está cá dentro salta cá para fora! E é com este "cá para
fora" que os maestros trabalham para que esta energia toda que se gera
numa sala de ensaios, com pessoas tão diferentes umas das outras, com locais
de trabalho tão díspares, modos de pensar , problemas pessoais e
profissionais, tenha um objectivo comum: que as pessoas se sintam bem em
cantar! Sem este sentir bem interior, sem esta paz, as pessoas, os coristas
não deixam grande margem de manobra para o maestro faze-las atingir patamares
individuais, e por consequência, colectivos. Aprendo todos os dias, com um
olhar mais triste de um corista ou com um sorriso mais forçado, aprendo que a
minha primeira função como maestro é eu ser feliz com o que faço! Se eu
for feliz, a minha energia contagiará um a um, e o contágio coral, é mais
rápido de que um vírus informático. Seja um contágio positivo, seja
negativo. O povo diz "que quem canta, seus males espanta!". Então
cantem! Cantem, que os vossos problemas não desaparecerão mas terão outra
visão sobre eles! Cantem, que um amor não correspondido continuará a fazer
sofrer mas não são os cantos de amor os mais bonitos? Cantem, que mesmo o
mais desafinado tem direito a aprender a cantar!
Cantem e contagiem! Contagiem e teremos mais coros, mais pessoas, mais
alegria de viver, porque Cantamos!
Reações
»» Viva
Maestro Myguel! Muito
Bom Dia! Chapeaux!!!!!!!!!
Como dizem os franceses! Chapeaux para o seu bom sentido de humor! Para o seu
entusiasmo e empenho! Há dias, depois de um acesso de relativo mau
humor…um anjo sussurrou-me:” ponha música na sua vida”. Estou a seguir o
conselho. Continuação de Bom trabalho…com esse entusiasmo todo. Até sempre
Um abraço
Isabel
Macedo
»»
Pedimos que nos retirem da vossa lista !
Ex.mos
Srs.
-
O Projecto Vox Angelis não pretende continuar a receber a vossa Newsletter no
endereço de e-mail. Por
favor, pedia-lhe que nos retirasse da sua lista ! Muitos
cumprimentos, A
Direcção da Vox Angelis
*
Lamentamos o transtorno e lamentamos ainda mais a falta de espírito de
cooperação! Está retirado o vosso email!
o
Maestro, Myguel Santos e Castro www.voxlaci.com
-
Uma pequena advertência ! Maestro
Em
resposta à sua observação "lamentamos ainda mais a falta de espírito
de cooperação", gostaria de lembrar-lhe que a vossa informação
institucional não nos é útil e nem nos interessa. Nessa
medida, não se trata de cooperação, mas trata-se de inteligência,
coerência e bom-senso. Muitos
cumprimentos
*
Não sabemos sinceramente o porquê de tanta agressividade! Talvez seja porque
no vosso largo repertório sacro haja falta de Deus...
Lamentamos
mais uma vez a vossa falta "de inteligência, coerência e
bom-senso". Saudações
corais e sucesso
o
Maestro, Myguel Santos e Castro
www.voxlaci.com
#4
“é
um pais do ram-ram!”
Nunca
tinha ouvido esta expressão, mas de facto, é uma expressão que denota a
frustração e a desilusão de quem quer fazer algo, mas depende de outros .E
depender dos outros neste pais... é um ram-ram!
É
de facto um pais pequenininho em
mentalidade. Como haverá este pais não estar na cauda? São nas simples
coisas, nas “burocratices”, nos papeis e mais papeis, na passividade de
tantas pessoas, na inércia da resolução, na pouca vontade de
fazer, na preocupação com o seu umbigo, no picar o ponto na entrada e
saída, na falta de brio em si próprio e na tarefa a executar,... É um ram-ram
de coisas que de facto desespera o mais destemido e obstinado herói que quer
fazer pela vida, fazer “coisas” neste pais. Mas como herois que são,
existem poucos. Sim não vale a pena ser herói. “ Herois não existem!”
É
de facto muito irritante, querer fazer, querer lá chegar, sonhar com ideais e
ideias , e termos alguém do nosso lado a dizer” é uma utopia!” ou “
tomara eu ter tempo para as minhas coisas!” De facto tempo, deve ser a única
coisas que todos temos por igual! Do mais pobre ao mais rico: 24h por dia! Mas há
quem decida fazer algo de útil para a sociedade nesse tempo! Outros ( e são a
maioria) preferem como que numa consola de jogos brincar com a vida e paciência
de utentes de um hospital , de um serviço, ou de uma associação.
O
que fazer para que essas pessoas, que normalmente, não são pessoas que ocupam
lugar de chefias (no fundo são uns frustrados, pois farão e serão sempre
ram-ram), se apercebam que não trabalham por conta de outrem mas por conta própria,
que o Estado não é ele mas todos nós, que o grãozinho de areia como se
sentem trava a engrenagem! Nada! Não se pode obrigar alguém mudar e evoluir.
Apenas a vida, as tareias que a vida dá, tem esse dom da mudança. Infelizmente
há quem prefira o ram-ram e lamentar-se. As coisas mudam, as sociedades mudam,
as pessoas nem todas... Para muitos ser-se funcionário público é um
objectivo, “ é pouco , mas é certo”! Com os despedimentos que vemos ao
nosso redor de empresas publicas, afinal “não é (tão)certo”. Certo é a
morte, e o que fazemos da vida é da nossa inteira responsabilidade.
Se
é verdade que o ram-ram dos outros é obstáculo ao nosso fazer, também é
verdade que o ram-ram dos outros não
impedirá de atingirmos os nossos sonhos. Pode demorar mais tempo, mas fiquem
sabendo que chegamos lá!
Reações
»Concordo completamente consigo e grito
também" quem sabe faz a hora, não espera acontecer..."
Que este ano, apesar de todas as
dificuldades que se nos deparem, consigamos todos continuar a cantar bem e
muito!
Beijinho para todos,
DAD
Coro Ecce Gratum - São João do Estoril
»Adorei!...e
Concordei! Cumprimentos, Cristina Tomé cdanca-almada
»Caro
Myguel Santos e Castro
Gostei
muito do texto “Palavra de Maestro” e gostava de o incluir como artigo de
opinião no Jornal de Cascais. Para isso, preciso do seu acordo e de uma
fotografia tipo passe.
Aguardo
uma resposta, Ana Luisa Pinho (chefe de redacção) Jornal
de Cascais
»Viva
Miguel! Acabo
de ler o seu email! No placar que tenho ao lado da minha secretária colei uma
mensagem…que um colega um dia me fez chegar…num dos meus momentos de
desalento…desse mundo que fala, e passo-lho: “Em vez de te lamentares da
escuridão… Acende uma vela!
Que
o conforte a si como a mim me vai confortando…qdo as forças se vão abaixo! Bjo
amigo Até
sempre! Isabel Macedo
»Myguel, ao ler o seu email de ontem, ñ
percebi se havia chorar..vi nele, um retrato perfeito de comportamentos
arrogantes duma sociedade sem consideracao por si propria. Gostaria de
alguma forma continuar com o LUTADOR chamado Myguel. Admiro-o e nao kero
viver no mundo so dos utopicos. Bem Haja Clotilde
#5
Não podemos continuar a lavar as mãos!
A educação e formação são temas muito sensíveis para mim. Quer um,
quer outro são a base de um indivíduo, e por conseguinte, a base de um grupo,
de uma empresa, de um concelho, de um pais, e por final, de um mundo. Não são
“as crianças de hoje”, não são “onde isto vai parar”, não são “os
alunos que batem em professores”, não são “os adolescentes de hoje”, não
são “os adultos não querem emprego, mas trabalho”! São “os pais de
hoje”, são “onde estiveram vocês que não pararam os
vossos filhos”, são “porque não quiseram se chatear no momento
certo”, são “os pais de ontem”, são “os valores do facilitismo e da não
frustração”. Isto pára, no dia que nós pais parar de lavarmos as mãos. No
dia em que nós, mesmo cansados do trabalho, brincamos com os nossos filhos ao
final do dia; mesmo com o trânsito caótico arranjamos maneiras de fugir dele e
organizamos programas em família; rotinas familiares, tais como sentarem à
mesa sem televisão; rotinas em que se conversa do que acontece de bom e de
menos bom; horários fixos de deitar e de levantar permitindo o corpo e a mente
descansarem para que no dia seguinte esteja recuperado.
Paremos
de lavar as mãos senhores empresários, quando acusamos a crise dos maus
resultados, procuremos novas oportunidades e inovemos! Paremos de lavar as mãos
senhores políticos, quando por “ restrições orçamentais” não apoiam as
crianças e jovens na ocupação dos seus tempos livres, na cultura, na formação,
na educação, não prevenindo e gastam milhares em tentativas de reintegrações,
curas e desintoxicações. Paremos de lavar as mãos agentes culturais
subsidiodepentes, quando não há dinheiro, nada fazem e atiram a
responsabilidade para os outros. Paremos todos de lavar as mãos! Este
testemunho e legado da lavagem de mãos tem de acabar, e agora! Não é só
fazer um filho, não é só ter um canudo, não é só ser eleito, não é só
picar o ponto! Isso tudo é o começo de uma responsabilidade de fazer algo, de
inovar em tempos de vacas magras, de usar a imaginação para ultrapassar os
obstáculos, de FAZER!
Pais!!!!
Estejamos atentos aos nossos filhos, pois senão estivermos, outros estão à
espreita. Depois é tempo das lamentações, do “fiz tudo o que sabia”! A
questão é que no mundo globalizante fazer tudo o que sabemos muitas vezes não
chega. Há que querer saber mais, para fazer melhor! Há que saber mexer no
computador, para saber que conteúdos eles estão a ver. Há que resistir ao
constante consumismo, dos ténis xpto, do telemóvel última geração, do
leitor mp3, dos gadgets que a toda a hora nos tentam incutir como bens de
primeira necessidade. Há que impor regras com consequências claras caos as
respeitam ou não, há que impedir de ver tanto lixo na televisão, há que
estar com eles! É difícil ?!?!?
E
quem disse que amar era fácil?
Feedbacks
*Maestro
Tem toda a razão, mas ...... estou farta!, porque se eu fosse ( e o meu
marido!) e todos os outros Pais dos seus coros como critica....não tinha
alunos! Somos nós que continuamos, e acreditamos, que vale a pena tentar fazer
a diferença, e Deus sabe muitas vezes com que sacrifícios! ...Quando falo
disto não são os monetários que me afligem mais, são os sociais... pelos
valores que estamos a incutir e que transformam os nossos filhos nuns
"estranhos" perante o mundo que estamos a criar e onde eles vão ter
que lutar com "armas" bem diferentes das comunmente usadas. Ainda não
estou certa de que tenho este direito! Por isso peço um favor... escreva ,
critique, tem toda a razão e concordo com o que pensa, mais ....faça o que
pensa!, Aliás a prova é que a maioria dos seus formandos ( porque assim
os considero ) troca muita coisa pelo prazer de estar nesse projecto.
E no mínimo utilize os seus Jovens como exemplo de que mudar é possível,
e de que afinal Pais como os que pede existem. Cumprimentos Mafalda
Monteiro
#6
o
tal pequenininho nó
Nada é errado, nada é
proibido, isto se soubéssemos pormo-nos no lugar do outro. Cada atitude tem
uma consequência, mas antes cada atitude tem uma causa. Quando existe um
novelo de lã emaranhado, é porque começou com um pequenininho nó, que
não faz muita importância no inicio, mas começa a incomodar à medida que o
tempo passa. Temos inúmeros exemplos disso: uma avalanche, um assassinato, um
furacão, motor gripado, divórcio, uma doença, uma falta de aptidão de
integração social, uma depressão, etc. Todos eles começaram com algo muito
pequeno ( um floco de neve, um acontecimento traumático na infância, uma
brisa, falta de óleo, falta de diálogo, etc.), mas que marcará no desenrolar
do tempo; todos eles tem uma origem, uma causa, uma estaca zero. Se nos
libertássemos de preconceitos e valores estabelecidos pela sociedade,
entenderíamos o mais hediondo, o mais horrível. Foi por isso que foi criado as
regras na família, no trabalho, na sociedade, pois assim cria-se o
comportamento aceitável, independentemente da origem de cada um, das causas
que definiram a personalidade, das mágoas, raivas e frustrações. Ninguém tem
desculpa, pois as regras são claras. Eu diria que ninguém tem culpa, mas
responsabilidade. A palavra culpa tem uma carga negativa tão pesada que não
permite que o indivíduo se responsabilize, nesta sociedade generalizada pela
falta de amor. Muitos andam à procura da sua alma gémea, outros frustrados com
a metade que encontrou, poucos são felizes pois entendem que é preciso fazer
diariamente pelo outro, todos à procura da causa de si mesmo. É um desencontro
do “que preciso” de cada um. É a evolução da consciência individual e global.
Não diria que seja uma visão dramática, mas uma visão que pretende aceitar a
responsabilidade das minhas atitudes mas que procura estar em paz com a causa
que define aquelas.
Quando temos um problema, temos de procurar a solução, e a vida diz-me que
é o tal pequenininho nó onde tudo começou. Tudo tem uma solução: seja a
solução de amar, lutar e ir à procura do pequenininho nó; seja a
solução de amar, lutar e ir à procura de um novo novelo de lã...
#7
Relações em rede
Se todos cuidassem primeiro
de si, não precisariam do outro para viver. Não nascemos para estar sós, mas
também não nascemos para sermos dependentes. Estamos ligados através de
inúmeras relações, como que se tratasse de uma rede, quando há uma linha que
se rompe o todo aguenta, quando dependemos de uma relação e se a linha
arrebenta, nós arrebentamos. É muito importante estarmos em vários grupos.
Cada grupo tem determinadas características que nos dá algo que permite que
nos sintamos mais fortes como indivíduo. Mas deve ser uma relação de
equilíbrio entre dar e receber. Tal como a relação que estabelecemos com quem
queremos que nos rodeie. Como saber se estamos em equilíbrio? A maior parte
sente que dá mais do que recebe, mas se assim fosse não devia haver uma menor
parte que sentia que recebe mais do que dá? Tenho algumas dúvidas de conseguir
encontrar alguém deste último grupo. Pelo menos aqui na “zona”!
E que tal se permitíssemos
receber? E que tal se não sentíssemos em dívida ou culpados? Não há uma
balança de pagamentos de importações e exportações do amor. Mas temos algo
dentro de nós que nos diz, ou que nos incomoda, e se a quisermos ouvir,
saberemos saber viver a vida como ela a merece: em pleno! Mas tal como nos
esforçamos na escola para ter boas notas, ou no local de trabalho, é
necessário esforço para sermos felizes. Esta ideia que nos violenta que tudo é
tão fácil... fácil é baixar os braços, fácil é não fazer nada, fácil é o
capitão largar o seu leme, fácil é dizermos que somos assim e pronto, fácil é
culparmos o outro pelas nossas frustrações e fracassos! Difícil é ouvirmos o
nosso interior sem sermos molestados pelo fácil. Todo o esforço tem uma
consequência: seja a recompensa que nos fez avançar, seja a frustração de não
atingirmos. Vencedores não são aqueles que têm mais vitórias, mas os que
souberam fazer depois das derrotas. Uma boa relação é aquela que não termina
após um desentendimento, mas fortalece-se, um bom grupo não se desagrega na
dificuldade, mas une-se e procura novas soluções.
Feedback
#8
Diz-me como comes o
bitoque, dir-te-ei quem és
Quando temos um bitoque à nossa frente o que
fazemos? Qual a estratégia? Atacamos as batatas? Deixamos o ovo para o fim?
Não comemos a pouca salada que existe? Engonha mos a comer o bife? São nos
pequenos comportamentos, nas pequenas estratégias que nos vamos moldando para
o futuro. Recentemente saiu um trabalho que dizia que as crianças que
conseguiam deixar o ovo para o fim, tinham um nível de aceitação à frustração
muito elevado face às dificuldades, sabendo que seriam recompensados no fim.
Isto vai ser uma ferramenta muito útil para o seu futuro!
No mundo de hoje atacamos o ovo, o que dá prazer
de imediato. Um sinal visível é o nível de obesidade infantil; um sinal menos
visível é o aumento de pessoas em tratamento psiquiátrico e psicoterapia... Se
hoje as coisas parecem más, no futuro será muito pior, pois estamos a
habituarmo-nos pelo princípio do ovo. E que tal se deixássemos todos o ovo
para o fim? Sabendo que há ovo no fim comeríamos a salada que faz bem ao
corpo, não mastigaríamos a carne como se tratasse de pastilha elástica e as
batatas molhadinhas no molho e ovo é que “saberia a pato”. Mas não!!!!
“Porque eu tenho que sofrer? Que disparate!
Eu tenho é que ser feliz!” Pois é, mas não vejo muitas caras
satisfeitas por ai... vejo sim uma busca desenfreada pelo encher de um vazio
através de prazeres imediatos. É como se quiséssemos esvaziar o mar com uma
concha. Não é esse o caminho. Em vez do
“eu tenho é de ser feliz!” porque não alterar o discurso e com ela
a atitude. “Eu tenho é que me sentir bem
comigo próprio/a”. É muito chato muitas vezes, mas temos o chato do
Grilo Falante , a nossa consciência que nos fala. Podemos não querer ouvir,
mas vai pesando e pesando.
Em princípio temos todos uma certa consciência
do que é o certo. “E é certo sofrer?!?!?!”
Depende. Não é certo sofrer porque que se está longe e quer estar perto? Não é
certo sofrer porque é preciso perder algum peso para ser mais saudável? Porque
ralhamos com os nossos filhos porque os amamos? Damos segunda oportunidade
porque também falhamos? Comer tudo e deixar o melhor para o fim? Poupar em
pequenos sacrifícios para comprar algo maior?
Sofrer por algo maior sim, sofrer por sofrer,
por masoquismo, porque não se é amado não. Como canta Padre Zézinho “ A
decisão é tua, a decisão é tu-u-a!”
Feedback das Ultimas Actuações
Com a época de
exames em que estou, tive que fazer as minhas opções.e penso que não
errei nas minhas escolhas. não faltei aos ensaios nem aos
3concertos. ajudei a montar na quinta feira o palco nos maristas de
manha.á tarde fui ao ensaio geral.no sábado apresentei-me logo de
manha para qualquer ajuda. e isso foi recompensado.e hoje estou
feliz por isso. foram três concertos diferentes mas muito bons para
a evolução do coro Vox Laci. no concerto de sexta foi evidente o
equilibrio que existe entre o coro Juvenil e o Adulto. a energia
juvenil com a maturidade do adulto brotou num concerto muito coeso,
simples e brilhante.sem material e improvisando, pois estava nos
maristas, os coros conseguiram transformar o concerto num serão de
vozes do lago, encantado as poucas pessoas que lá estavam (que foi
uma pena). Do concerto do maristas penso que não é necessário falar,
pois foi um concerto maravilhoso, onde cada coro deu o seu melhor. O
concerto os jerónimos foi o culminar perfeito do trabalho que o coro
juvenil teve ao longo deste ano.Agradeço ao maestro Myguel, pelo
empenho e pela entrega que tem feito desde o inicio do seu sonho.
desejava ter 100 pessoas. hoje tem mais de 140 nas suas mãos. temos
todos que lhe dar um obrigado.mais que um projecto é uma alegria tão
para quem assiste como para quem canta. Tenham ATITUDE e seremos os
melhores. David
#9
Vale
muito a pena viver!
“Quando
chegarmos ao nosso último dia ou chegarmos à outra vida, aí perceberemos
o porquê das coisas da nossa vida...”
Não
sei se será assim, mas sei que tudo o que acontece, acontece porque tem uma
razão de ser. Mesmo as coisas mais monstruosas e inacreditáveis, mesmo as
coisas mais sem sentido e as que menos estamos à espera. Hoje vivi esta última.
Vi
reunido numa sala pessoas que nada tinham a ver uns com os outros, e por
causa de um sonho de há mais de 13 anos, por causa da música coral, se
uniram e fizeram algo em conjunto. Pessoas estiveram juntas em comunidade,
à parte das suas crenças, educações e ideias. Estiveram alegres,
conviveram, deram-se a conhecer, trabalharam para um bem em comum. Seria bom
que o exemplo destas micro sociedades se extravasasse para a sociedade.
Sabemos
que estamos a fazer a diferença, seja na música que fazemos, seja na
atitude e empenho que pomos no que fazemos, seja nos valores e princípios
que partilhamos e fomentamos.
Sim,
hoje não foi preciso ir para o estrangeiro para buscar novas forças e
ideias. Vi pessoas que deram o duro, pessoas que partilharam do seu ser,
pessoas que preparam surpresas para que outros pudessem sorrir, pessoas que
se dispuseram a ajudar sem procurar recompensa.
A
todos vós que são parte do meu sonho, a todos vós que me fizeram
acreditar ainda mais que vale a pena sonhar, apesar das vicissitudes da
vida, a minha eterna gratidão!
Vale
muito a pena viver!
#10 Palavra
de Maestro:Professor
por opção, ensino por paixão
Por
mais tempo que passe, quando uma pessoa nos marca, esse efeito fica para o
resto da vida. Uma das pessoas que me marcou, foi a minha professora de
português do 10º e 11º ano. Marcou-me de tal
maneira, que sempre que escrevo ou componho, penso o que ela diria
sobre o que fiz. Muitas vezes em seminários e workshops e falo que o mais
importante não é sermos professores fixes na primeira aula, mas um
professor por opção e ensinar com paixão, a minha professora português
é sempre o meu exemplo top do que é um verdadeiro professor.
Estava nos meus milhares pensamentos e um deles era como estaria a
professora? E o que a vida me preparou?!? “Bom dia sr.maestro!” Eu
fiquei tal modo atónito... passados mais de 15 anos, a professora! Qual a
probabilidade de às oito e meia da manhã, num supermercado, depois de 15
anos, eu estar a pensar no efeito que a professora teve em mim até hoje,
nos encontarmos? Naquele instante, foi como se o tempo se congelasse, e
viesse à memória uma série de acontecimentos: a primeira aula onde os
engraçadinhos do costume perceberam que “esta” não era para
brincadeiras, quando chorei a receber a minha primeira negativa a português,
a sua indiferença perante a
minha revolta, o quão trabalhei como nunca tinha feito, e como
passei mesmo à tangente no final do ano,... mas foi sem dúvida a melhor
professora, pois obrigou os alunos a superarem-se. E é disto que faz
falta em Portugal: pessoas que não tenham medo que os seus alunos,
coristas e empregados se superem, pois isso obrigará os professores,
maestros e patrões a nunca se instalarem com a ideia patética que mais
nada têm a aprender.
A
vida tem destas coisas, é estar atento ao que ela nos diz. E uma das
coisas que ela nos diz constantemente é que “parar é morrer”.
#11 Palavra de
Maestro:
“dou graças
por existires!”
É nos vendido que é tudo tão fácil no mundo
materialista. Queremos um carro, roupas, viagens
e é só fazer um creditozinho.
Credotizinho aqui, creditozito ali, e
num ápice estamos encrencados. O movimento de
dinheiro e prendas este Natal... terá sido
proporcional ao movimento de amor e carinho?
Será que os 50€ correspondem ao que sinto por
ti, ou gasto 50€ porque também fazes o mesmo e
depois sentir-me-ia mal por dar uma prenda
menor? Porque são os Euros, a tabelar o que
sentimos pelo outro, e não a experiência de
fazer o outro verdadeiramente feliz: os nossos
pais, filhos, amigos, maridos, esposas e
namorados.
O que é o Natal? Não é a paz? No programa
“Dr.Phil” ele dizia que o que todos procuram é
aquela sensação fantástica de paz interior. Não
foi por isso que o Natal surgiu, que Nossa
Senhora sofreu ao dar à Luz o Menino Jesus, para
que estejamos em paz e harmonia? Para isso temos
de saber ser coerentes, que os nossos actos
correspondam às nossas palavras (mesmo no mundo
que nos tenta moldar para o facilitismo), que
saibamos fazer o outro sentir-se especial,
saibamos ouvir e dar o benefício da dúvida antes
de nos exaltarmos.
Hoje que ainda é Natal, pois os Reis Magos estão
a caminho com as suas ofertas, poderíamos pegar
nas tecnologias ao nosso dispor e surpreender
quem estimamos: os nossos pais, filhos, amigos,
maridos, esposas e namorados com algo como “dou
graças por existires!”. Não custa nada.
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#12
Palavra de maestro
Só podemos exigir direitos, se cumprirmos com os
deveres
Por todo o lado ouve-se a
luta pelos direitos. Nos coros que dirijo
também. Aliás, sobretudo nos coros que são
constituídos por jovens adolescentes, a
reivindicação dos direitos está muito
patente nos seus comportamentos. Já não
crianças, querem ser tratados como adultos,
mas não o são ainda. Ser adulto não é quando
se atinge os 18 anos, mas quando se atinge a
responsabilização plena dos seus deveres e
direitos.
No VOX LACI incunte-se muito
a responsabilização: seja a individual, seja
a colectiva. Deste modo prepara-se,
molda-se, dá-se objectivos e projectos aos
coristas que lhes permitirá manejar uma
série de ferramentas que a um determinado
momento fará sentido. A propósito disso,
lembro-me sempre de um filme que me marcou
muito: “Karate Kid I”. É que o jovem com a
ânsia natural da sua idade de quem queria
aprender a lutar, foi posto a pintar
paredes, lavar janelas, carregar baldes,
enfim, actividades pouco dignificantes para
um futuro campeão. O professor sabia o que
estava a fazer, havia um propósito naqueles
momentos repetitivos. Até que surgiu o “click”!
Os olhos do jovem brilharam quando entendeu
como aqueles “trabalhos forçados” não eram
mais do que a base dos movimentos do Karaté.
Para ter direito a praticar Karaté, teve que
cumprir com os deveres que esse direito
acarreta.
E é isso que se passa com
tudo. Com o direito à família temos os
deveres como filhos, o direito à educação
para quem cumpre com o dever de estudar, o
direito a estar em palco se cumpre com os
deveres de estar nos ensaios. No VOX LACI
não se procura ver quem é o melhor, mas
fazer sobressair o melhor de cada um, levar
as pessoas a alcançar objectivos (pequenas
vitórias) que mais não são níveis de
desenvolvimento pessoal.
Em todo o tipo de direito
está subjacente um dever, e apenas podemos
exigir e lutar por mais direitos se os
nossos deveres estiverem a ser cumpridos.
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#13
Palavra de maestro
Porquê existe tanta maldade no mundo?
Pena que a liberdade de uns seja uma arma de maldade. Acredito que
quando nascemos somos uma tábua rasa, e a vida vai-nos marcando, pelas
decisões e consequências que vamos vivendo no dia-a-dia. Então, porque
existe tanta maldade no mundo? Porque existe pessoas que acordam a
pensar quem vão magoar e se deitam como fazer pior no dia seguinte? Será
que não se apercebem que o boomerang da vida aparecerá quando menos
esperam? Como é possível magoar pessoas inocentes, utilizando crianças
sem qualquer respeito pelo ser humano? Como podemos deixar de olhar para
os nossos umbigos? Tem de haver alternativas e novos caminhos, com novas
estratégias...
São vítimas da falta de bondade, não conhecem outro modo de viver, é uma
questão de sobrevivência : “Ou eu, ou o outro!”. Nunca viveram a
experiência de se sentirem especiais e únicos. São vítimas de quem os
criou, ou de quem lavou as mãos da responsabilidade de os criar.
Tornou-se para eles uma questão de sobrevivência, em vez de uma questão
do “Eu com o outro”, do “Eu pelo outro”, do “Eu através do outro”. Não
têm objecto da bondade, muitos nem têm consciência que agem com maldade.
Defendem as suas atitudes como se houvesse justificação, há sempre um
“porque...” Pouco ou nenhum espaço há para “Desculpe. Por favor
ajude-me”
Uns são vítimas, outros vitimizam-se. Somos livres, Ele deu-nos a
liberdade.
#14
Palavra de maestro
O risco de viver no seu próprio casulo
Quantas pessoas não conhecemos que vivem no seu próprio casulo, quantas
vezes nós mesmos não tivemos alturas assim? O risco desta opção (porque
é uma opção!), comporta outros riscos, mas talvez o maior seja o da vida
passar ao lado. Presumo que não deve haver nada pior do que sentirmos
que a “vida não espera”, ela acontece a cada milésimo de segundo,
indiferente às nossas opções.
Este casulo pode ter várias formas: o excesso de trabalho, o medo de
relação, os vícios, o pensamento obsessivo, as mudanças de humor, a
tristeza profunda, a euforia sem razão aparente... enfim uma série de
sintomas todas elas comuns no seu objectivo: negar a realidade que o
circunda. “E é mais fácil assim.” Será mesmo? E se um dia tal como
Veronika, Eduard e Mari quiserem sair de Villete, depois de tantos
anos enclausurados, e assumirem o risco de viver? O “lá fora”, continuou
com a sua vida, os “lá dentro” optaram por fazer um pause e agora querem
play. É que o “lá fora” já está noutra etapa, e na vida não existe o
rewind nem o forward. Depois como é? O risco do casulo não é assumido,
pois não se adaptam à vida. Ou voltam para o pause ou optam pelo stop.
Quem não tem altos e baixos? Quem nunca sofreu nem sofre? E não é isso a
vida? Um caminho que não sabemos onde nos leva, mas é feito das nossas
acções e não opções (que é uma opção!).
O risco está em todo o lado, mesmo no nosso pequeno casulo.
#15
Palavra de maestroA
dimensão de quanto mais damos, mais recebemos
Aprendemos desde de berço que devemos ser bons uns para os outros, mas
não somos preparados para os que são maus para connosco. Chocamo-nos com
histórias e notícias trágicas, “mas ainda bem que não é comigo!”. Até ao
dia em que abrimos a porta da nossa casa, do nosso coração e alma, e
ficamos vulneráveis pois não temos a “segurança” da porta fechada.
Magoam-nos, maltratam-nos pois pensámos que o outro pensa e sente como
nós: damos tudo, o outro recebe...e não retribui.. faz pouco...e o que
nos dá não é coerente com o que tínhamos em mente.
Muitos começam a nunca abrir mais a porta, sempre com medo de voltar a
acontecer o mau inesperado. A dimensão de quanto mais damos, mais
recebemos é posta em causa e torna-se mentira. Outros, os idílicos, os
que não vivem neste mundo, continuam a pensar e agir contra o pensamento
dominante na sociedade. Sofrem mas continuam a abrir a porta, sem
esperar nada em troca, apenas o sorriso a quem abriram a porta.
Os que vivem em relações de portas fechadas às sete chaves vivem uma
vida morna, com horários certinhos, com medo do inesperado que só
acontece a quem abre a porta. “Pois é, os outros têm sorte!” Os outros
são aqueles que abrem a porta, que sabem que poderão sofrer, mas também
sabem que se algum dia decidirem não abrir a porta, pode ser que estejam
a deixar partir a sua hipótese de ser feliz... E se um dia o inesperado
fosse um “obrigado!”, “gosto de ti!”, “fazes-me falta?”, “queres viver a
vida comigo?”
Nunca saberão porque a porta está fechada...
#16 Palavra de
Maestro:
Diferentes pobrezas
De
Amsterdão escrevo onde participo num dos acontecimentos
mais marcantes da minha vida: preparo em conjunto com
outros maestros internacionais o Poverty Requiem, para
podermos realizar nos nossos paises de origem. É um
encontro de culturas, mas mais forte ainda, é um
encontro de diferentes pobrezas. Um dos maestros que vem
do Senegal, dizia “todos somos pobres materialmente, mas
nao cultural e intelectuamente”, e como se fez silêncio
na sala...
Tenho estado a pensar desde então o que quis ele mesmo
dizer. E de facto, quando não lutamos pão diário, temos
a necessidade de lutar contra uns e outros, seja quando
estamos a irritarmo-nos no trânsito, seja no trabalho
onde tensões entre colegas e patrões fragilizam-nos,
seja no seio familiar onde deveria ser o “nosso castelo”
para nos sentirmos seguros. É triste que o ser humano,
em geral, nunca esteja satisfeito com o que já tem.
Ambição e querer ser melhor julgo que é importante, mas
dar graças pelo que se é e o que se tem é de uma alegria
e paz extrema, que poucos se podem gabar. Quando
poderemos nos gabar que usamos os transportes públicos
ou bicicletas para o trabalho e escola, que somos
companheiros e atenciosos no trabalho, e que a família
é, de facto, o nosso porto seguro? Quando haverá
qualidade de vida para não perder tempo no trânsito, não
ser necessário baixas por depressão nem comprimidos
“milagrosos” que põem uma pessoa a dormir?
Falou (nome do maestro senegalês) tinha razão.Eles lutam
para ter comida e são felizes, nós temos comida e
lutamos para ser felizes.
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#17 Palavra de Maestro A
desilusão faz parte da vida, a traição faz parte da vida de quem
trai
Somos humanos e como tal faliveis e cheio de defeitos, mas também
temos virtudes. Nalguns pesa mais os defeitos, noutros as virtudes.
Às vezes é uma fase na vida, que pende mais para um lado do que para
o outro...
Continuo a acreditar nas pessoas, na instituição da família, nas
regras e valores que devem reger um ser humano e, por fim, um grupo.
No meu dia-a-dia lido com pessoas, e seja o VOXLACI uma instituição
com objectivos corais e musicais, é antes um modo de estar. Alguém
escreveu “é simplesmente lindo olhar e pensar que algo tao
simples como um coro pode mexer na nossa vida e fazer um torbilhão
no coração e saltar de alegria, deixar cair lagrimas!”. E como
mexe...
Recentemente mexeu muito comigo a ingratidão de algumas “estrelas”
(que só existem no céu, mas não lhes digam nada!). A mãe de um deles
disse-me “Maestro:a desilusão faz parte da vida.” A desilusão faz
parte do crescimento de todos, a traição faz parte da vida de quem
trai. E será a própria vida a “professora”, quem ensinará que mentir
não leva a lado nenhum, que enganar faz parte dos falsos, e
trair....quem trai uma, trairá outra..Existe algo chamado de
“arrependimento”, mas só os de carácter já ouviram falar.
A essas “estrelas” corruptiveis, que foram importantes para o grupo
num determinado tempo, altura em que se regiam pela verdade e
decisões dificeis...espero que tenha valido a pena!
Feedbacks
Exmos. Senhores,
Recebo com regularidade notícias da VOX LACI, que agradeço, por
um lado, e por outro me enche de orgulho porque sou uma
residente da freguesia de S. Domingos de Rana.A “Palavra do
Maestro” tocou-me particularmente, porque nela consegui
encontrar a expressão de algo que há muito venho sentindo. Como
poderão constatar, também eu trabalho com pessoas e, em
particular, com músicos da Orquestra Metropolitana de Lisboa,
tendo já no meu curriculum uma passagem de 9 anos pelo Teatro
Nacional de São Carlos e pela Orquestra Sinfónica
Portuguesa.Bem-haja maestro pelas suas palavras que vou guardar
e que me permitirei citar, com a devida vénia, nas ocasiões
próprias. E são tantas… Mas “a desilusão faz parte da vida”, não
é? Aproveito a oportunidade para vos enviar o meu BEM-HAJAM pelo
vosso trabalho e pelo imagem de qualidade que vêm passando a um
público cada vez mais vasto e fiel. Com as mais cordiais
saudações.
Isabel Menezes Bandeira
Vogal da Direcção da AMEC
Boa tarde Sr. Maestro
Não sei porque recebi este email, mas sensibilizou-me.
Também já fui, como infelizmnte milhares de outras pessoas,
vítima da
traição, e sei que doi mais em quem é traído do que em traí.
De qualquer modo gostaria apenas de lhe dizer que a sua
"nova"
experiência vai-lhe permitir chegar a um nº ainda maior de
corações. "Deus nunca dá peso superior aquele que podemos
suportar..." Dina Agante
Compreendo a sua reflexão e o seu desgosto. O Coro é tudo o
que disse mas também um grupo de gente que reage de maneiras
diversas e muitas vezes aqueles que, porventura se
consideram "estrelas" por não terem assimilado o que é um
Coro (acho que no Coro não devem existir "estrelas" porque
somos um todo) pretende brilhar a todo o custo, esquecendo o
interesse do todo. Não se entristeça porque esses momentos
de solidão e tristeza só nos fazem crescer como seres
humanos e poderão ser transformados em excelentes
oportunidades para lutarmos mais e melhor por aquilo em que
acreditamos. Vá à luta e continue com o amor e boa
disposição ao serviço da causa que é a sua vida como Maestro
de um Coro que ama. Lá diz o ditado...."os cães ladram mas a
caravana passa..." e eu acrescento SEMPRE!!! Um abraço para
si e continuação de felicidades para o Vox Laci! Maria da
Piedade
Olá, o meu nome não vos diz nada. Canto no Coro da
Universidade da 3ª Idade do Barreiro e sou admirador da
vossa obra, Já nos encontrá-mos uma vez e sou leitor dos
seus escritos. Tenh 64 anos , fui colega e sou amigo do
Ivo Miranda (ACAL). Obrigado pelas suas intervenções
escritas, eu mesmo tenho -me apropriado de alguns
pensamentos e ensinamentos seus para no meu coro
os "transmitir". Para que este email não seja anónimo, sou
o Ernesto Nogueira tenor do CORUTIB. Saudações coralistas.
Obrigado
#18 Palavra de MaestroA
Moda da Solidariedade do Autocolante
Ser solidário não é para estarmos de bem com a nossa
consciência, é para que o outro se sinta bem com o nossa
disponibilidade. A moda da Solidariedade do autocolante
(“Vejam como eu ajudo!”), não serve os interesses de quem
mais necessita, mas de quem mais necessidade tem de se
mostrar. Ora, isso não é solidariedade...é exibicionismo à
conta da desgraça da próximo.
Segundo o dicionário, solidário vem do Lat. solidu, sólido,
ou seja, algo não pode ser sólido e depois já não o é.
“Agora apetece-me ser solidário!...Agora não dá muito
jeito...” Alguém solidário é alguém que se sente do mesmo
modo, como por exemplo, quando ouvimos alguém e o escutamos
com o coração, e ajudamos em silêncio, porque escutámos (em
Dublin, existem pessoas que são os “listeners” que estão nos
bancos da cidade para escutar quem quiser falar). Ser
solidário é dar apoio ou auxílio a quem precisa mais do que
nós. Há que fazer ouvir a nossa voz a favor dos que mais
precisam de nós, seja porque não têm para comer, para viver
ou para com quem falar. Um terço da População mundial é
POBRE, vive com menos de 1$ por dia.Em cada 6 pessoas do
mundo, 2 pessoas morrerão à fome dentro de pouco tempo
(ainda hoje até!). Por dia morrem 50 mil pessoas no mundo,
uma a cada 3 segundos...uma pessoa a cada 3 segundos morre,
deixa de ter vida a correr nas suas veias.. Em contraste
outros dois terços do mundo, morrem por viverem com excesso:
doenças cardiovasculares por má alimentação, tabagismo e
alccolismo, acidentes de viação por excesso de velocidade,
doenças do foro psiquiátrico por excesso de endeusamneto do
mundo material. É um contrasenso, o mundo está
desequilibrado, e o estar de braços cruzados é não só
aceitar tudo isto, como promover este desequilibrio.
A nossa solidariedade, a nossa voz é fundamental! Um dia
poderemos ser nós que necessitaremos que alguém grite por
nós.
#19 Palavra de Maestro
Quando a morte nos bate ao lado
Todos dias morrem pessoas. Os noticiários falam de pessoas
que morrem como se tratasse de apenas números “Hoje no
Afeganistão um bombista suicida provocou mais de 70 mortes!
Em Bangladesh poderão morrer milhões de pessoas se não
chegar ajuda!No Burundi uma aldeia foi completamente
dizimada!...” São números de facto, pois não temos um
contacto directo e humano. É demasiado longe...
Como podemos exigir que tenhamos, se nem o vizinho
conhecemos ou falamos, e muito menos convidamos para nossa
casa? Festa de Boas vindas do Bairro ao novo vizinho? Para
isso era preciso que houvesse um sentimento de bairro, de um
colectivo que cresce entre os membros de uma mesma
comunidade. O vizinho não é mais do que alguém que pouco
respeito nos merece, pois sacode as migalhas para cima de
nós, não paga as quotas a tempo, está sempre mal disposto.
Quem não tem um vizinho assim? Certamente todos têm. E se
perguntarmos, quem não tem um vizinho assim dentro de si? É
sempre mais fácil apontar o dedo ao vizinho, do que fazer
uma autocrítica. Sim, porque os outros é que isto e aquilo.
Até que algo nos faz parar nesta intensa batalha de
alegações contra o vizinho: a morte do vizinho do lado, e
sobretudo se fôr uma criança que tragicamente perdeu a vida
numa passadeira. Mas mais uma vez será que parámos para
pensar na dor desses pais,familiares e amigos (deixo aqui a
minha solidariadade), ou assustámo-nos de tal modo , pois
poderia ser o nosso filho? Talvez tenha tido sido ambos. De
todo o sofrimento do mundo, não haverá mais dor que a perda
de um filho. Deve ser uma dor de tal maneira devastadora e
incompreensível... “Porquê?”
Egoisticamente falando, quando a morte bater à porta, apenas
peço a Deus que me faça partir primeiro.
Reacções
*Gostei muito Anónimo
*E, apesar de tudo, dizemos que acreditamos em Deus e que a vida
continua...Bom fim de semana,Dad Ecce Gratum
*Caro Myguel Santos e Castro, hoje abrimos o jornal. Folheamos as páginas
do interior. Secção: Sociedade. Deparamos com um texto de
uma crónica de opinião que costumamos consultar. É um fulano
chamado Ruy Mossa que escreve os comentários semanalmente.
Um dia falámos a um amigo: já leste as colunas de um sujeito
chamado Ruy Mossa? É o maior. Não encontro pessoa alguma nas
páginas da imprensa escrita." - Sabes quem é?"" - Não"." -
Seu parvo, é o teu vizinho de porta".A partir daquela
informação, Ruy Mossa tornou-se um amigo para sempre. Os
vizinhos? Não existem. Agora são inseparáveis amigos.
Acreditam nesta estória? Filipe Oliveira
#20 Palavra de Maestro
Se não está preparado para o não, não está para o sim
Em muitas situações da nossa vida
somos injustiçados, ou pelo menos é o que sentimos,
nomeadamente quando achamos que merecemos determinada
posição no trabalho, determinada nota num trabalho escolar,
determinado/a pessoa numa relação de amizade e/ou amorosa,
determinados direitos (esquecendo os determinados deveres
que isso acarreta), determinada presença em palco. A questão
está aqui mesmo. Nada nem ninguém estão determinados tal
qual tragédia clássica, mas as nossas acções talvez não
tenham sido coerentes para atingir a “determinada”.
E eis que surge o determinado Não.
E com ele, que não era determinado, não estava nos planos,
assenta-se e invade-nos uma raiva, uma frustração, que
apenas o tempo a converterá em tristeza e, por fim, na
aceitação, e os mais desenvolvidos emocionalmente, na
felicidade que o outro ficou “ com a minha determinada”.
Quando o meu objectivo não é possessivo estou preparado para
o Sim, e mesmo que o Não surja, não ficarei
arrasado, mas aceito como parte do processo para receber o
Sim. Saber fazer as pazes com o Não, é
caminhar para o Sim. É verdade que existem muitas
injustiças, pessoas com cunhas, alunos lambe-botas, pessoas
manipuladoras e chefes (não os confundamos com líderes) que
são prepotentes e usam o seu determinado “poder”, no fundo
para se vingarem das suas frustrações e usam as pessoas. Mas
não é sobre estes caso que reflicto.
Já agradeceu hoje pelo lindo sol, por
ter saúde, por ter determinada pessoa quando acorda, pela
chuva que lava as almas, pelo trabalho que nos faz sentir
úteis, pelos filhos que trouxemos ao mundo? Saber aceitar e
agradecer as dificuldades, pode ser um caminho para viver em
harmonia com o melhor que a vida tem: o tempo que usufruímos
com quem mais amamos.
Reacções
"Verona"...
...fonte de inspiração !
...mergulhado nos seus pensamentos!
...no palco das águas de um lago ( não sei se profundo, mas
acredito que sim, pelo resultado de tão grande e profundo
trabalho! )
...espelhados hoje, em acções constantes, coerentes e
abrangentes...o "vox laci"...cresceu!
...é fruto de um grande "pensador!"
" vox laci" pelo que transparece ,caminha sempre mergulhado
neste "sonho".
Quem conhece " vox laci", não se cansa de "o" admirar!
O caminho feito e tudo o que já está planeado para os anos
seguintes, desejo seja repleto das maiores
Benções do "menino jesus" !!!
E , continue a renascer no coração da família, "vox laci"
(já enorme).
Ao maestro incansável, saúde e amor para continuar o
brilhante o trabalho que em boa hora escolheu!
Junto-me a todos vós num fraterno abraço!
Fátima Santos
#21 Palavra de Maestro A verdade vem sempre ao de
cima
Temos
vários exemplos na História, que a mentira e o engano não
perdura. É como o azeite num recipiente de água, vem sempre
ao de cima, mas no seu tempo próprio. Muitas vezes queremos
a verdade fast-food, imediata, mas ela não funciona assim. A
semente não se torna flor mais rápida, se regarmos com mais
água: ela se afogará. A verdade não se esconde, não finge,
não tem atalhos, ela apenas é. Muitos são aqueles à nossa
volta que não entendem esta lei básica da vida, e passam a
vida a sorrir falso, a cumprimentar sarcástico, a olhar
foragido, e constantemente com as costas viradas para a
simplicidade do "Gosto de estar contigo!"
Um dia saberemos a verdade sobre Hitler e Kennedy, a sida e
o cancro, do amigo e do desconhecido, sobre os sentimentos
de quem estamos (ou queremos estar) próximos. É preciso
saber ser paciente e, sê-lo, não poderá ser vivendo à espera
que o azeite à nossa volta venha ao de cima, mas cuidar que
o azeite não entre em nós. É um combate diário para que não
sejamos uma esponja que absorve o azeite, mas um corpo
dominado pela mente e ambos liderados pelo nosso grilo
falante. É tão fácil dizer mal, somos seduzidos que os
espertos são os que pisam e os inteligentes não têm emoções.
Esta é a "verdade" que reina, mas todos sabemos que é uma
questão de tempo. O hipócrita cansar-se-á de se ouvir, o
mentiroso não distinguirá a verdade, o ladrão roubará sua
paz, o assassino matará sua razão de viver, e o simples
viverá a verdade.
Quase sempre a verdade apenas quer vir ao de cima, mas não
estamos preparados para a receber, pois muitas vezes faz
sofrer, e "ninguém quer sofrer". Mas evoluir individualmente
é também sofrer, é aceitar que a nossa verdade pode não ser
tão verdade como pensávamos, pode afinal não ser água mas
azeite. E isso dói. Mas faz crescer.
Reacções
*Agir e sofrer como lugares de aprendizagem da
esperança “Podemos procurar limitar o
sofrimento e lutar contra ele, mas não podemos eliminá-lo.
Precisamente onde os homens, na tentativa de evitar qualquer
sofrimento, procuram esquivar-se de tudo o que poderia
significar padecimento, onde querem evitar a canseira e o
sofrimento por causa da verdade, do amor, do bem, descambam
numa vida vazia, na qual provavelmente já quase não existe a
dor, mas experimenta-se muito mais a obscura sensação da
falta de sentido e da solidão. Não é o evitar o sofrimento,
a fuga diante da dor, que cura o homem, mas a capacidade de
aceitar a tribulação e nela amadurecer, de encontrar o seu
sentido através da união com Cristo, que sofreu com infinito
amor (...) o
indivíduo não pode aceitar o sofrimento do outro, se ele
pessoalmente não consegue encontrar no sofrimento um
sentido, um caminho de purificação e de amadurecimento, um
caminho de esperança”. Bento
XVI, SPE
SALVI
*Maestro, honestamente não sei se lhe diga que tem razão ou
não... Como as coisas andam... :)
Acho que o Woody Allen expressou muito bem essa situação no
filme "Match Point" e o Marquês de Sade em "Os infortúnios
da virtude". Não sei se será assim tão linear... Porque para
todos os efeitos, há muitas verdades, como diria o João sem
Medo, do José Gomes Ferreira. Um abraço e votos de
excelentes festas.David Rodrigues
#22 Palavra de Maestro
O Natal não é sinónimo de felicidade para todos
O Natal espera-se feliz para as pessoas, mas não foi tão infeliz para as
pessoas que negaram abrigo a Maria e José? Todos os natais
pessoas continuam a negá-l´O, a si mesmo e a tantas Marias e
Josés que batem à porta não só nesta noite.
Num grupo uma pessoa altera uma dinâmica de grupo, uma pessoa altera o
ambiente num jantar de família, uma pessoa altera o destino
duma outra. No VOX LACI chamamos-lhe de factor X (FX), o
elemento variável que transforma a dinâmica quer esteja
presente ou ausente. Hoje, véspera de Natal muitos não terão
a sorte de ser ou ter ao seu lado o FX. Sofre-se muito nesta
noite de Natal, diria quase que talvez seja a noite, depois
do fim-de-ano, onde as pessoas mais sofrem. São dias que
estão embebidos de uma festividade, que quem não sentir,
pensará que algo de errado se passa consigo mesmo ou com os
outros. E tal como no “Pássaro da Alma” existem em cada um
de nós uma série de gavetas prontas a abrirem: uns a gaveta
da alegria de estar com quem ama, outros a da tristeza de
não estar; outros a gaveta da companhia em oposição com a
gaveta da solidão; outros a gaveta da fala contrapondo com a
da gaveta do silêncio. E todas as gavetas irmãs catapultam
numa sinfonia orquestrada pela presença ou ausência do FX
dando origem a composições individuais a nós chamamos de
vidas.
Muitos vivem o lado triste do Natal: dormem nas ruas até nesta noite que
devia ser de todos; discutem à mesa na noite da família
unida e em harmonia; comem sozinhos tendo como companhia um
copo de vinho ou um livro; alguns morrerão nas estradas e
suas casas, outros perderão a esperança de voltarem a ser
felizes. E tudo isto acontece também nesta noite que devia
ser de todos, mas não o é. É apenas para os felizardos que
têm dentro de si ou ao seu lado o FX.
#23 Palavra de Maestro A Dúvida da Certeza
A dúvida coexiste com a certeza e acompanha-nos no dia-a-dia
sempre que temos de tomar decisões. Umas são simples de
tomar, enquanto que outras podem parecer um inferno na
terra.
Em tempos de dúvidas e incertezas, é como se estivéssemos à
deriva numa jangada, onde até o céu coberto tapa qualquer
hipótese sequer de nos guiarmos pelas estrelas. Parecem
horas, dias a fio onde nada acontece e tudo ou qualquer
coisa esperamos que aconteça para que nos ajude a fazer um
“clique” e seja a faísca que precisávamos para dar algum
sentido ao sofrimento da dúvida, na procura de um porto de
abrigo, terra firme. E andamos de bóias em bóias iludidos
que são portos, mas mais não são que balões de ar, que nos
ajudam sim, mas dentro do espaço e tempo limite que um balão
de ar pode suportar. E continuamos com dúvidas, a sentir que
estamos prestes a afogar, e lutamos desesperados para não
deixar a dúvida vencer. Mas vencer quem? A nós próprios? Se
conseguiremos viver apenas connosco próprios? Sem dúvidas,
sem bengalas, sem dependências, sem relações que em vez de
nos fazer evoluir nos apagam, sem o nosso naipe por perto? A
dúvida instala-se, e desesperamos numa agonia sádica. Mas
porquê? Se depois da tempestade só pode vir a bonança, se
depois da dor só pode vir a cura, se depois da chuva só pode
vir o sol? Porquê que a dúvida que assola os mais corajosos
que estão dispostos a enfrentar os seus medos, pois querem
ser melhores pessoas, não é apenas aceite como um meio para
atingir um fim, mesmo que não saibamos onde ele se encontra,
mas com a certeza que existe.
“A Dúvida pode ser um laço tão poderoso e forte como a
certeza” e a primeira será a estrela polar que nos levará à
segunda, a terra firme, ao tal porto abrigo, que não está
fora de nós, mas no interior de cada um.
Reacções
*A
grande esperança-certeza "Toda a acção séria e recta do
homem é esperança em acto. É-o antes de tudo no sentido
de que assim procuramos concretizar as nossas esperanças
menores ou maiores: resolver este ou aquele assunto que
é importante, para prosseguir na caminhada da vida; com
o nosso empenho contribuir a fim de que o mundo se torne
um pouco mais luminoso e humano, e assim se abram também
as portas para o futuro. Mas o esforço quotidiano pela
continuação da nossa vida e pelo futuro da comunidade
cansa-nos ou transforma-se em fanatismo, se não nos
ilumina a luz daquela grande esperança que não pode ser
destruída sequer pelos pequenos fracassos e pela
falência em vicissitudes de alcance histórico (...) É
importante saber: eu posso sempre continuar a esperar,
ainda que pela minha vida ou pelo momento histórico que
estou a viver aparentemente não tenha mais qualquer
motivo para esperar. Só a grande esperança-certeza de
que, não obstante todos os fracassos, a minha vida
pessoal e a história no seu conjunto estão conservadas
no poder indestrutível do Amor e, graças a isso e por
isso, possuem sentido e importância, só uma tal
esperança pode, naquele caso, dar ainda a coragem de
agir e de continuar". Bento XVI, SPE SALVI
#24 Palavra de Maestro
Moluscos e lapas de mágoa
A mágoa é inerente a todo o ser humano:
uns vivem acima dela, outros gerem o dia-a-dia com os seus
afazeres, outros simplesmente cegam.
A esta hora existem pessoas que vivem magoadas, agarradas a situações do
passado, como mexilhões e lapas à rocha, que lhes custa
simplesmente viver e aceitar a dor e o sofrimento. Correm
numa azáfama, como se fosse véspera de natal atrás das
últimas prendas, mas em vez de ser um dia por ano, o fazem
por “desporto diário”, não escutando os outros, nem a vida,
muito menos a si mesmo. Não podem parar senão vão ao fundo,
não podem abrandar porque têm dependentes a seu cargo, não
podem estar sem fazer nada pois senão a mágoa vem ao de
cima, devem ser racionais e funcionais. Enquanto não pararem
o saco de batatas (mágoa), não se tornará mais leve, muito
menos desaparecerá. O seu peso será cada vez maior, e
tornar-se-á cada vez mais insuportável. É que ele não está
às nossas costas, mas dentro de nós, como mexilhões e lapas,
e apenas cada um de nós tem a faca para as retirar, e a
chave consiste em simplesmente aceitar que essa mágoa tem
uma razão de ser, mesmo que fiquemos incrédulos com tamanha
barbaridade que nos infligiram. Quando, mesmo não percebendo
as razões, aceitarmos a mágoa como processo de cura, de
crescimento individual, ela desaparecerá. Será lavada e
levada pelas ondas do mar que batem nas rochas, até que os
moluscos simplesmente caiem sem resistência, pois acabou o
seu tempo. A mágoa também é assim, mas tem uma vantagem: não
precisa da persistência e a força das ondas, mas a força da
nossa persistência em simplesmente a deixar cair. Cada um
tem os seus processos, as suas ondas de actuação, não
existem soluções gerais, pois as mágoas são individuais e
pessoais, e necessitam de uma chave própria. O ter a chave
depende apenas do tempo que eu quiser/precisar da mágoa.
O estar inserido num grupo, como por exemplo no coro, pode ajudar a
pessoa magoada a curar-se, a transformar-se interiormente,
sem nunca perder o seu EU, mas relativizando com a mágoa de
outros, poderá ser uma forma de decisão de simplesmente
deixar partir a pessoa que nos magoou. E muito.
#25 Palavra de
Maestro Pessoas abelhas
Fico sempre triste quando alguém sai do VOX LACI, é alguém
que deixou algo e segue o seu caminho. Muitos já passaram
por esta “experiência” que o VOX LACI proporciona a quem
quer crescer. Poucos são os que saíram e não sabemos a
razão. Uma coisa é certa: um dia todos sairão. É sempre
importante perceber a razão que leva alguém a terminar um
relacionamento seja ela com uma pessoa especial ou com um
determinado grupo.
Eu estou muito preocupado com a facilidade com que as
pessoas experimentam, tal abelhas, de flor em flor, buscando
emoções. Basta ver o crescente número de praticantes de
actividades radicais, de namoros e casamentos curtos mas
“intensos”, de uma crescente sensação de impunidade nos
actos das pessoas. O que vale é “sentir-me vivo”, estar
sempre apaixonado, com as emoções à flor da pele, e quando
elas terminam, o frenesim de andar atrás de uma nova emoção,
e depois outra...até que nada resta. Vivemos na era do
fast-food, fast-emotion, fast-sex e fast-tudo. E o que dá
isto tudo? Fast-depressões! A quantidade de receitas de
calmantes e estimulantes e o número de pessoas cada vez mais
dependentes do “seu” psicólogo, psiquiatra e em muitos casos
astrólogo. Já viram bem à volta? Existirá alguém que não
tenha no seu grupo de conhecimentos, uma pessoa que não
esteja deprimida ou que “não seja boa da cabeça”? Acredito
que começa na laxismo e banalização de tudo, sem objectivos
e sonhos que leve as pessoas a acreditarem que o sofrimento
numa determinada fase tem uma razão de ser. O sofrimento de
ter que estudar para ter uma boa nota, de ensaiar
repetidamente para um bom concerto, da fidelidade para uma
relação de confiança e amor, da alimentação cuidada para uma
boa saúde, de um desporto para a disciplina do corpo e
mente, e por aí fora. E são os nossos jovens e crianças que
têm de se perguntar: o que quero? Valerá o esforço?
Um carácter forte passa pela formatação do pensamento desde
do berço, que deverá ser apoiado pelas as acções diárias e
repetidas até ao fim da vida, e não resistente às mudanças
interiores. Assim teremos pessoas que não desistem de
relações com uma pessoa especial ou com um determinado
grupo, ao “mínimo” obstáculo. Infelizmente, são cada vez
mais raras.
Reacções
*Não posso estar mais de acordo. mencionaste os pontos
certos. Boa reflexão. Filomena
#26 Palavra de
MaestroSalvem-nos das festinhas de
escola
Não há Santo que aguente as Festinhas de Escola. Eu tive que
aguentar a da minha filha, no passado Natal, numa escola do
Concelho de Cascais. Não encontro melhor palavra do que
“deplorável”:
-
enquanto alunos actuavam, professores e auxiliares
transitavam pelo palco;
a actividade do inglês para mostrar que aprenderam
alguma coisa, cantaram o (apenas) o refrão do Jingle
Bells quatro vezes num inglês deplorável (gostaria de
ter uma conversa em inglês coma professora, só para a
ouvir falar!)
-
para ajudar tivemos que esperar a meio que as crianças
trocassem de indumentárias, mas informaram-nos de que
seríamos entretidos pelo professor de música, que com o
seu acordeão, e duas crianças aos berros, gritavam
músicas do pantanal (Brasil)
-
a actividade de expressão dramática teve a ideia de
colocar os seus alunos a dançar uma coreografia, onde
nitidamente apenas uma sabia o que fazia, mas todos com
movimentos sensuais?!?! Isto é a primária?!?
-
alunos que já não lhes apetecia estar no palco saíam a
meio, e os professores faziam beicinho para que eles
voltassem
Foram mesmo muito poucas as demonstrações, onde se via
empenho, brio dos professores, através dos seus alunos. Mas
nem tudo foi mau, teve uma coisa positiva: chegou ao fim.
(Ufa!)
Coitadas das crianças, mas a responsabilidade não é delas,
elas apenas estão ali para absorver e aprender. “mas as
crianças não dão mais..” Tira-me do sério este tipo de
afirmações. É como aqueles maestros que se queixam dos
“seus” coristas. Deveriam parar para pensar! Dei aulas
durante quase 20 anos, e quando me chegava um aluno, e se
alguém me dissesse “Professor, este aqui só dá problemas, e
não aprende nada”, o meu olhar era gélido para o/a
ignorante. A questão é que não foi ensinado à criança de que
ela é capaz, com o apoio de quem quer mesmo que ela consiga
atingir o objectivo de ser cada vez melhor, e não melhor do
que o outro, o que é completamente diferente, mas fica para
uma próxima reflexão. Esse tal aluno, passava a ser um dos
mais aplicados nas minhas aulas.
Esta reflexão esteve guardada desde do Natal, de modo que a
revolta que senti ao sair daquela festinha, fosse mais
serena ao passar para escrita. Mas é difícil, quando se
trata dos valores e princípios a que nossos filhos são
expostos. O princípio da mediocridade, da falta de empenho,
da falta de amor próprio e brio, o princípio de que qualquer
coisa serve. Mas sabemos que não serve, pois os que vivem
sob estes princípios são uns coitados! Mas sabem ainda de
outra coisa, quando transmiti a minha opinião à professora e
disse-lhe “deplorável”, ficou muito chocada, perguntou-me se
eu sabia o que significava, e que acha muito estranho pois
todos os pais gostaram muito. Pais e país, por favor,
acordem!!
Reacções
*Sempre que crescemos intelectualmente sentimos maior
isolamento na responsabilidade. Responsabilidade e exigência
para connosco , também na tolerância . Um abraço Jorge Sousa
Rêgo
*Olá bom, dia!Achei interessante a sua opinião sobre as
festas das escolas. Porque acho que a maioria dos pais pode
até pensar o mesmo, mas não questiona, ou por espírito
acanhado e pouco assumido (como em tantas outras coisas da
vida), ou porque tudo o que as nossas crianças fazem, tem
sempre um pouco de graça. Enfim, também penso que o sistema
actual e tradicional de ensino falha em muitos aspectos,
nomeadamente na estimulação das crianças para valorizarem o
que aprendem e terem gosto nisso. Sara Peres
#27 Palavra de
Maestro
Apenas podemos amar o que conhecemos
Hoje parece que
os dias deixaram de ter 24 horas, a semana 7
dias e o ano 12 meses. Tudo é para ontem,
como se o amanhã não fosse existir. Até
parece que temos menos tempo, quando a
esperança média de vida é bem superior ao
dos nossos antepassados. Que estranho, não é
verdade? E quando não há tempo, as pessoas
não param, não dialogam, logo não se
conhecem, e dificilmente saberão o que é
amar.
Quando por
acaso da vida (não acredito em acasos)
conhecemos alguém, ou desejamos pertencer a
um grupo, tudo é intensamente vivido, diria
mesmo, extenuadamente, como é próprio da
altura da paixão, mas e depois? Teremos de
escolher se preferimos andar de paixão em
paixão, como elefantes de nenúfar em
nenúfar, ou querer conhecer mais a fundo,
tomando a opção de parar, dar tempo, escutar
e dialogar. No meu entender cada vez são
mais raros estas atitudes de dar tempo para
conhecer, e depois do tempo de conhecimento,
o dito “namoro”, tomar uma decisão
consciente e responsável: “Sim desejo,
apesar de difícil, optar por estar com este
grupo, coro ou pessoa, pois vales a pena!”
Ou não…
Talvez se
déssemos tempo, se soubéssemos esperar,
refrear a nossa vontade de dizer mal, se não
julgássemos pelas primeiras impressões, se
não catalogássemos uns aos outros, talvez
pudéssemos criar novas amizades e simpatias,
mas com os blogues e emails, a difamação e a
crítica fácil, destrutiva e anónima
prevalece. Já tiveram tempo, conhecem
verdadeiramente o grupo/pessoa para falar
mal? Nas famílias, nas relações entre casais
e amigos, no trabalho e nos grupos, deve
haver espaço e tempo: espaço para poder
dizer o que nos vai a alma; tempo para poder
digerir/aceitar o outro que é naturalmente
diferente de mim. É quando damos tempo que a
semente se torna flor, que os nossos filhos
se tornam homens e mulheres, que nós
aceitamos o outro e, sobretudo, aceitamos as
nossas próprias limitações.
Temos amado e
sentimo-nos amados? Temos dado tempo?...
Reacções
Olá,Na maior parte das vezes gosto muito do que escreve.
Escreve o que sente e o que pensa!Sinto e penso de forma
muito semelhante, mas não escrevo, ou escrevo muito
pouco.De igual forma já compreendo e até consigo aceitar
esta falta de tempo, aliás não o espero sequer,
limito-me a dar. As vicissitudes da vida e também o
facto de ser muito mais velha do que você, fez-me
talvez, erradamente ou não, resfriarem os meus
“impulsos”. Espero que nunca mude! Contudo, deixe-me
dizer-lhe que se não lesse os seus textos, se não
tivesse tido a oportunidade de falar consigo e de
silenciosamente observar o seu carácter justo,
equivocamente confundido com intolerância, autoritarismo
e vingança, seria muito difícil reconhecer a Grande
Pessoa que é.Obrigada.Esmeralda
|
#28 Palavra de
Maestro
Optar
pelo urgente ou pelo importante
É importante a urgência com que vivemos o
dia-a-dia?Ou será urgente aprender a viver o
importante no dia-a-dia? Quando deixamos de
dar valor ao essencial, a probabilidade de
nos sentirmos cansados na/da vida é muito
elevada. Acordamos já cansados, o dia todo
sentimos o corpo pesado e resistente, até
custa mexer as bochechas e os lábios a quem
uns chamam de vulgo sorriso, e no final do
dia a sensação é de um cansaço ainda maior,
mesmo não termos tido feito nada.
Ironicamente com tanto cansaço, pode até
custar a adormecer.
Vivemos com a pressa de
tantas coisas que necessitam da nossa
atenção urgente, que muitas vezes perdemos o
importante por causa daquelas: o aniversário
de um amigo, a festa final da escola dos
filhos, uma data que nos passa completamente
ao lado, alguém ao nosso lado que precisou
de nós. É quando nos sentimos úteis que a
vida nos faz sentido, quando nos sentimos
importantes para alguém. Então porque se vê
tantas pessoas a correr atrás de supostas
urgências. O telemóvel que não para, a troca
de emails, a pausa rápida no trabalho, as
horas perdidas no trânsito para chegar a
tempo,etc. Será mesmo necessário? Claro que
todos sabemos que existem alturas da nossa
vida, que é urgente darmos o litro, mas são
fases, não uma rotina diária. Serão mais
felizes os que fazem muitas coisas pois são
urgentes? Ou os que procuram filtrar das
distracções mundanas e escolhem fazer o que
é importante? Mas como poderemos distinguir
o urgente do importante? Penso que basta
estar atento, apurar os sentidos, e se no
final a nossa atenção fez a diferença para o
outro, então optamos pelo importante.
Hoje fez a diferença para
alguém? Então optou pelo importante.Se não o
fez, pense que pode fazer como as dietas:
pode começar AMANHÃ. Quer fazer a diferença
e não sabe por onde começar? Junte-se
HOJE
a um coro.
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#29 Palavra de Maestro Acompanha-me
num tango?
Aprendemos muito com os nossos
pais, e uma delas que aprendi, é
que não se pode forçar a
“velhinha a atravessar a
passadeira”. Se a senhora não
quer, se prefere ficar ali à
espera (enquanto a vida vai
passando), se não quer ajuda,
forçar não é certamente o
desejável, pois tem de partir da
sua vontade e não contra a sua
vontade. Assim é a vida, assim é
um coro, assim é uma relação a
dois. Todos têm de querer
atravessar a passadeira, mesmo
com todos os medos: de ser
atropelado, do sinal mudar a
meio da travessia, de cair por
distracção. Não será assim um
grupo?
Todos têm as suas
limitações, mas é na união do
grupo, na reunião das forças e
fraquezas, buscando o mesmo
objectivo que se passa e
ultrapassa as passadeiras da
vida, umas sinalizadas, outras
não. É como o tango, 2 tornam-se
1, sem perder a sua
individualidade, ganham força,
destreza e beldade na execução
contínua de passos, olhar e
atitude numa simbiose nunca
perfeita , mas em busca dela:
ambos têm o mesmo objectivo, o
mesmo focus. Num coro tem de ser
claro o focus, o caminho, para a
explicação e aceitação da
repetição contínua da melodia,
do saber esperar pelos outros,
de ouvir e fazer-se ouvir, no
fundo de saber dançar. Tal como
a velhinha, num coro mas
especialmente numa relação a 2,
não se força, pergunta-se
“acompanha-me num tango?”;
pode-se até argumentar que vale
a pena aquela dança, de modo a
convencer o outro a
acompanhar-nos, pois nada é
maior que a satisfação de ter
alcançado objectivos em grupo
e/ou a 2. Mas hoje com a mudança
de “apetites”, pois hoje as
convicções parecem ter sido
substituídas por “apetites”, a
pergunta “acompanha-me num
tango” parece que não é
suficiente. Hoje usa-se talvez
mais “acompanha-me num tango até
quando?”, pois as pessoas querem
experimentar, vive-se a época do
“homo experimentus”, diria mesmo
“homo no satisfactus”. O para
sempre é longo demais, e se
amanhã não me apetecer mais?
Decide-se terminar o tango e vai
à procura de outra dança, outro
“apetite”.
Eu continuo com a mesma pergunta
onde está implícito e explícito
o não término, o de querer
ultrapassar as dificuldades com
os grupos que lidero, com os
laços afectivos que estabeleço,
pois sentimo-nos mais perto uns
dos outros não nos momentos
bons, mas no final de ter
passado a passadeira.
Acompanha-me num tango?
#30
Palavra de
Maestro Macaquinhos
à solta
Não vou ser
agradável, não o
posso ser. Quem
manda em casa?
Quando vejo
crianças a
decidirem e
abusarem da
paciência dos
pais, pergunto “
Afinal quem
manda?”. Os
estados
ditaturiais em
todo o mundo
estão a
terminar, mas
estão a surgir
outo tipo de
ditaduras: os
pequenos
ditadores.
Filhos que
literalmente
mandam nos pais.
As crianças não
estão a fazer
mais do que a
sua parte
instintiva pede,
mas somos
animais? “Agora
não me apetece
ir ao ensaio,
mas quero fazer
concertos…agora
apetece-me ir ao
ensaio!” Isto
são os macacos
que fazem: têm
fome comem, têm
bichos catam,
têm sono
dormem,têm
apetite
satisfazem.
Queremos que as
nossas crianças
sejam macacos ou
pessoas? A minha
filha há pouco
tempo
perguntou-me “ó
Pai, sabes qual
é a diferença
entre um macaco
e uma pessoa?” E
eu a pensar que
são daquelas
anedotas
infantis,
disse-lhe que
não. “É que as
pessoas pensam e
os macacos não!”
É verdade, mas
há muitos
criancinhas que
não pensam, e há
muitos
adolescentes e
adultos que
ainda são
criancinhas.
Também nós temos
de ser ensinados
a pensar, a
decidir, a
vislumbrar as
consequências
das nossas
decisões e das
nossas não
decisões. O
papel dos pais é
FUNDAMENTAL.
Diria que educar
é dizer 90% das
vezes “não”.
Esta percentagem
vai diminuindo,
pois as crianças
começam a
apreender dentro
de si o certo do
errado, ganhando
uma resistência
à frustração
própria de quem
está na vida,
tornando-se
pessoas, e não
macaquinhos à
solta "já
adultos” a viver
comodamente
ainda sob o
tecto dos pais.
Quando uma mãe
quer que a sua
filha faça a 1ª
Comunhão, mas
diz à catequista
: “Mas se a
minha filha acha
que é uma seca a
Missa, não vou
obrigá-la, não
acha?” Não é
obrigar minha
senhora, é
educar, que é
obrigar por
amor. Pois se
não formos nós
pais a
obrigar/educar,
serão outros que
obrigarão a sua
filha a ir por
caminhos que
certamente não
os deseja para
ela. E depois o
“eu fiz tudo!”
não é verdade,
pois deveria ter
dito NÃO ao seu
“apetece”! E não
o fez…
Mas sabem o que
é ainda mais
dramático? É que
estas pessoas
são muito
infelizes. Muito
mesmo.
Reacções
*É com muito agrado que recebo a vossa
newsletter, e a divulgo pelos cantores do meu
coro.De facto, caro Myguel, não podia concordar
mais consigo. E para "nós" que trabalhamos com
crianças, e vemos estes comportamentos, de
facto... estamos a criar "macaquinhos", ou então
são os "Educadores" que têm macaquinhos no
Sotão... Um
cumprimento fraterno deste amigo O Maestro,
Fernando Moreira, Madrigal - Grupo Coral de
Soutelo
*Obrigada. É sempre bem saber que
mais alguém sabe que a palavra não
também existe.Mas por experiência própria é
muito desgastante e deve ser por isso que o sim
é, a curto prazo, o caminho mais fácil. Só
espero que o futuro me “recompense” de tantos
nãos que tenho (devo) que dizer.BJS Manuela
Martins
*Ola
Maestro,Já mais que uma vez me questionei em
relação aos seus mails. Penso que a sua função
junto dos futuros adultos é muito importante dai
a minha filha frequentar o coro e logo que
possivel os gémeos também irão, acho que a
disciplina, alargarem os seus horizontes e
conviverem com outras comunidades faz parte do
processo de crescimento e amadurecimento das
crianças. Obrigado por estar presente.No entanto
os seus mails são muito incisivos e por vezes
demasiado fortes, com um pouco mais de doçura
também se ensinam lições importantissimas.Os
pais nos dias de hoje não estão presentes sempre
que querem e por vezes têm que sacrificar um
projecto ou outro para serem pais, mas é um
processo que pode ser arduo. Os pais também
precisam de uma palavra de conforto e de
obrigados por tentarem mesmo quando não
conseguem.A nossa sociedade promove o fácil o
descartavél, podemos mudar um pouco todos os
dias com amor, carinho e compreensão pois ainda
não estamos todos despertos para as necessidades
das crianças.Mais uma vez obrigado, por mim e
ainda mais pela Carolina, ter referências com
principios é a base para qualquer criança
crescer com principios também.Ate logo,Ana Lima
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#31 Palavra de Maestro "Viva
os Pais, os pais da nossa terra"
Recordo-me de muita coisa da
minha infância. Uma delas é
estar na praia com a minha mãe e
irmãos e quando o tempo estava
encoberto, cantávamos “Viva o
Sol, o sol da nossa terra, viva
o Sol, o sol da nossa terra” até
que o amigo sol se dignificasse
a aparecer. Melódicamente é
muito aborrecida , e quando esta
canção entra, dificilmente sai
da cabeça.
O facto é que agora como
adulto a melodia ainda cá está,
mas com a letra alterada. Depois
de mais este ano lectivo,
surge-me “Viva os Pais, os pais
da nossa terra, viva os Pais, os
pais da nossa terra”. “Viva os
Pais” que passam tempo com os
filhos, que não só seguem a
escola e as actividades como são
parte integrante e activa. Não é
fácil nos dias que correm,
competir com a selvajaria dos
noticiários e reality shows, com
o facilitismo do consumo de bens
e serviços, com a degradação de
valores - que vemos muitas vezes
à nossa volta - e que nos é
vendido nas novelas e séries
como bens de primeira
necessidade. Mas uma coisa é os
que vendem, outra é o que
compramos. Os meus parabéns e
forte abraço, aos que jantam em
família e conversam sobre o dia,
que mudam de canal quando dá
lixo, que estão nas variadas
Comissões de Pais, que conhecem
pessolmente os professores, que
obrigam os amigos dos seus
filhos a subirem para os
cumprimentar em vez de os filhos
descerem ao toque da campaínha.
Não desistam, mantenham-se fieis
aos vossos filhos, continuem
congruentes na vossa conduta,
estando atentos aos seus
silêncios, dando espaço quando é
para dar e colo e carinho assim
que necessitam. “Viva os pais…”
que não querem ser os melhores
amigos dos seus filhos, porque
amigos haverão sempre, mas MÃE e
PAI só há um.”Viva os pais da
nossa terra…”, deste canto do
mundo que é PORTUGAL, que
percebem que o importante não é
a quantidade de bens materiais,
mas a quantidade de
oportunidades que dão aos
filhos, que o importante é o
tempo que passam com eles, onde
conversam, brincam e jogam
criando-lhes uma sensação de
segurança e autonomia: não dão
o peixe, mas ensinam a pescar.
Três vivas aos Pais que
tantas vezes sem forças físicas
e mentais, colocam os filhos
como prioridade, que rezam com
eles, que lhes contam histórias,
que comem vegetais e legumes às
refeições e fazem reciclagem.
Três vivas aos Pais dos coristas
dos coros em Portugal que os
incentivam a cantar e os fazem
assumir os compromissos até ao
fim. Três vivas aos Pais! Upup!
Urrra!Upup!Urra!Upup!Urra!
Reacções
Miguel.Acabei de ler as Palavras do Maestro e,
fiquei fascinada, fascinada por saber que neste
mundo de consumismo e materialismo, onde se
perdem a cada passo os princípios e valores
morais, onde a família está em decadência, onde
a cada passo impera o oportunismo, onde mandam
os filhos e obedecem os pais, onde famílias
tradicionais estão em desuso, onde todos os
valores e respeito deixaram fazer sentido, onde
já quase não há afectos, ainda há jovens que
apelam ao bom senso na educação dos filhos, que
serão o nosso futuro. Parabéns Miguel pelas suas
palavras que guardei nos meus favoritos e
levarei a todos os que fazem parte do meu
correio electrónico.Parabéns Miguel pelo jovem
que é , pela sua simplicidade e grandeza, que
tive oportunidade de conhecer na escola e depois
na brevíssima passagem pelo VOX LACI. Partilho
e ponho em prática os seus conceitos e valores,
ainda que com dois filhos e dois netos gémeos
muito pequeninos, porque foram os conceitos que
colhi dos meus avós e pais Da mesma forma os
transmiti aos meus filhos porque de facto, a
família é um clã com força uma força
inabalável.Hoje, como avó caloira abdiquei de
muitos dos meus projectos para os ver e ajudar a
crescer, para ter a felicidade de a cada dia
seguir de perto o seu desenvolvimento, para a
cada passo cantar para eles (cantar vem da minha
infância), para ajudar a minha filha e o meu
filho adoptivo, como lhe chamo, nesta magnifica
caminhada que é ser avó, mas apenas avó.
Parabéns, parabéns Miguel………….Um abraço Branca
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#32 Palavra de Maestro Não
há segredos: trabalho!
Em todos os grupos, turmas de
escola, equipas no desporto,
famílias, coros, locais de
trabalho existem sempre dois
grupos. Por mais coeso e forte
seja um grupo, existem sempre
dois grupos: um encontra-se à
frente do outro, mesmo que a
diferença seja mínima. Dentro
desses grupos as pessoas vão
mudando de um grupo para o
outro. Normalmente no grupo A
são pessoas que se sentem
totalmente integradas no meio
social e função que desempenham;
no grupo B pessoas que entraram
há menos tempo que no grupo A e
que necessitam de tempo para
ganharem o seu espaço. Também
podemos ter no grupo B pessoas
que já tiveram tempo para estar
no grupo A mas, por razões que
devem ser analisadas
individualmente, ainda não
fizeram o tal “clique”.
Há só um Ronaldo, Bill Gates,
Belmiro,Dudamel, Marcelo.
Chamo-os de lebres, pois estão
sempre na frente, difícil de
acompanhar o seu ritmo e
capacidades. São pessoas que não
só se destacam no meio onde
estão inseridos pelo trabalho
desenvolvido como o resultado do
seu trabalho é extrapolado para
além fronteiras. Porquê que se
destacam? Não há segredos.
Trabalharam muito e não param de
querer evoluir, não se contentam
com o que já atingiram, estão
constantemente a querer mais e
melhor.Também não é segredo:
continuam a trabalhar.
Num coro também há lebres. O
ideal seria que todos os quatro
naipes tivessem lebres, ou seja,
coristas que puxam pelos seus
colegas. Há que aceitar com
naturalidade estas lebres, sem
contornar o óbvio. A selecção
portuguesa é a mesma sem Deco?
Se numa determinada altura um
aluno não é a lebre, mas tem
como objectivo ser, quando
alcança esse “estatuto” pode
escolher uma de duas vias: fica
contente por ser lebre e
trabalha para se manter assim;
fica aborrecido pois está à
frente e tem que “puxar” os que
estão atrás. Talvez seja altura
de mudar de grupo ou talvez seja
tempo para esperar pelo grupo
que vem atrás. Talvez apenas
pense que é uma lebre, mas não o
é.
O trabalho de um professor, um
maestro de um coro, é estar
atento e criar métodos de
trabalho de encorajamento para
quem está à frente e quem não
está. Um grupo faz-se com quem
está ainda atrás e quer chegar à
frente com o grupo. Uma lebre
não é grupo, é uma lebre só.
Ficamos abismados com os 20´s
dos melhores alunos, os impérios
económicos de alguns, os
salários milionários de poucos,
a perfeição de execução de obras
sejam com coros amadores ou
profissionais e poderemos ser
induzidos a pensar que são
dotados e que já nasceram assim.
Não é verdade! Tal como não é
segredo que quem não joga, nunca
ganhará o Euromilhões, também
nos coros não há segredos:
trabalho!
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#39 Palavra
de Maestro "EngripAdo?"
Alguém deve
estar a
ganhar muito
dinheiro.
Que se ganha
muito
dinheiro com
especulação
já se sabia,
mas chega de
brincar com
as pessoas e
manipular
informação
para
proveito de
uns quantos.
Claro que
devemos nos
precaver,
tal como
atravessamos
uma estrada,
colocar
cinto
enquanto
conduzimos,
não estar
exposto na
hora de
maior calor.
Claro que
existe o
perigo, mas
como alguém
disse há
pouco tempo,
o medo é
paralisador.
Podemos
optar por
viver com a
beleza de
viver
dia-a-dia ou
sucumbir ao
fatalismo.
Por muito
que não
queira
ouvir, ver
ou ler, nem
escrever… é
inevitável.
Não pela
razão mas
pela
consequência.
Até tenho
algum receio
de escrever
a malograda,
mas ver a
toda a hora
pessoas
alarmadas
como se
fosse
sífilis ou
lepra, como
se o
Apocalipse
estivesse a
chegar...
Será verdade
os números
que anunciam
todos os
dias em
Portugal?
Tenho sérias
dúvidas,
pois
estivemos
recentemente
na Holanda e
pouco ou
nada se lia
na
Comunicação
Social e
pela
informação
das
Autoridades
Sanitárias
eram às
centenas por
dia. Que tal
relativizar
e dar os
dados todos
de modo que
quem recebe
a informação
possa fazer
a sua
triagem.
“Hoje no
mundo
morreram x
pessoas com
a Gripe A”.
E com as
guerras?
Acidentes de
trabalho? De
viação?
Ataques
cardíacos?
Velhice?
Suicídio?
Loucura e
depressão?
Estou à
vontade para
falar pois
estive em
isolamento e
tratamento
com 48
pessoas em
Utrecht (
sim, fomos
nós!) porque
alguém se
lembrou de
fazer uma
festa
temática na
cidade. Como
a
originalidade
atrai:
“Vejamos!...Festa
do
Chocolate…não..anos
70…não…Gala…não…e
que tal
Festa da
Gripe A? E
para dar
algum
realismo
teremos
pessoas com
a gripe A e
como brinde
pode ser que
a leve
também para
casa!” Como
dizem os
miúdos hoje
em dia “
Estava A
pinha!”. Em
pouco tempo
se
alastrou…até
nós!
Da nossa
parte
podemos
dizer que
foi mais uma
experiência
que a vida e
o mundo
coral nos
permite.
Ficamos mais
unidos e
talvez mais
conscientes
que talvez
em Portugal
se façam as
coisas de
maneira
diferente.
Pelo que
vivenciámos
sem dúvida
que é rápido
o contágio,
mas também é
rápido todo
o processo
até à cura
(na maioria
dos 35 casos
apenas com
paracetemol
e descanso).
Houve muitos
que se
perguntavam
na casa:
“Mas é isto
de que tanto
falam? É
isto estar
engripAdo?”
Teríamos
sido notícia
se fosse
Varicela ou
Sarampo?
Porquê que
não foi
notícia o
Festival
Europa
Cantat que é
apenas o
festival
europeu mais
importante?!
Porque não é
futebol?...
Alguém deve
estar muito
satisfeito,
pois assim
desviamo-nos
do que é
realmente
importante e
focamo-nos
no urgente.
É uma
questão de
sobrevivência.
Penso que a
sigla foi
mal
escolhida.
Deveria ser
chamada de
Gripe P:
Pânico,
Paranóia,
Parvoíce,
Paralisador.
|
#33 Palavra de
Maestro "Não
me peçam para
dar aquilo que
tenho para
receber"
Soube que
Eunice Muñoz uma
vez disse: “Não
me peçam para
dar aquilo que
tenho para
receber “. Todos
os que de uma
maneira ou de
outra estão
ligados a
qualquer tipo de
arte são, em
geral, vistos
pelos “comuns
mortais” como
pessoas que
fazem aquilo que
gostam, logo não
lhes custa nada
fazer o jeito.
“Eles até têm
prazer no seu
trabalho!” Um
verdadeiro
escândalo
(gostar do que
se faz)!
Sou muitas
vezes abordado
para fazer
“borlas” aqui e
ali, e tive que
traçar um
limite- se não é
instituição de
solidariedade
deve pagar pelo
serviço de um
coro. Penso que
se todos os
artistas
parassem de
fazer “borlas”
para televisões
, rádios,
empresas
públicas e
privadas, podiam
fazer a
diferença no
panorama
musical,
nomeadamente
coral:
-
ao cobrar o
ouvinte é
mais
exigente com
quem canta;
-
quem canta
adopta uma
atitude de
profisssionalismo
e respeito
para com a
peça e o
público;
-
os coros
começariam a
ter recusos
financeiros
para
conseguirem
dar melhores
condições
aos coristas
e maestros
poderiam
viver da sua
profissão e
não como
hobby;
-
os concertos
começariam a
ter um
raciocínio
lógico e não
peças soltas
de um
puzzle;
-
haveria um
pensamento
cénico, com
os
programas,
entradas e
saídas de
uma peça,
afinação,
respiração;
-
ao haver
exigência
cortavam-se
as “pontas
soltas” que
são aqueles
que não vêm
com
regularidade
aos ensaios
mas andam
por ai mas
estão sempre
prontos para
fazer os
concertos;
As pessoas que
pedem “borlas”
usam sempre todo
o tipo de
pretexto para
conseguirem a
“borla”. No
fundo, não estão
a respeitar os
coristas que
dedicam o seu
tempo livre para
trabalhar: “Nós
talvez possamos
arranjar-vos
transporte”;
“Não vos custava
nada dar o
concerto, é
mesmo aqui na
vossa zona”;”
Nós gostamos
muito do vosso
coro!”. Todo
este tipo de
argumentos são
imediatamente
silenciados
quando trocamos
algumas
palavras: “Nós
talvez possamos
pagar a renda da
casa”; “Não vos
custava nada dar
a mensalidade do
colégio dos
miúdos ,é mesmo
aqui na vossa
zona”;”Nós
gostamos muito
do vosso Banco”.
No dia em que
puder ir ao
Hipermercado e
abastecer a
minha casa de
“borla” porque
sou maestro,
nesse mesmo dia
começo a fazer
borlas. Até esse
dia chegar,
respeitem-nos!
Reacções
*Exmo. Sr. Prof. maestro, Myguel Santos e Castro
Venho apenas dizer que fico sempre "encantada" com a
simplicidade e forma explícita com que nos traduz os
seus pensamentos e ideais, nas suas "Palavras de
Maestro". Obrigado por isso!Melhores
cumprimentos,Catarina Roriz
*Caro
Colega, há muitos anos que a minha atitude
profissional vai, muito activamente, no sentido
exposto neste magnífico texto. Fico feliz por ver
que, em Lisboa, um profissional consciente da
honradez da sua actividade a defende
desassombradamente. Acredito, até pelo teor do
texto, que não é o único, de qualquer modo peço-lhe
que aceite os meus votos de boa coragem para
persistir neste estilo de abordagem.Grande
abraço,João-Heitor Rigaud
*gostei de
ler! abraços, p
* FORÇA
COM A LUTA QUE JÁ É ANTIGA !...MAS... INSISTA
.JCPinto
*Boa Miguel!!!! Parabéns. Foi conciso sem ser
corrosivo…Beijos e até breve.Tudo de bom…Isabel
#34 Palavra
de Maestro
"Invertamos
a Crise
financeira/valores"
A crise vinha a
ser anunciada há
já muito tempo.
Hoje não se ouve
outra coisa
senão a
consequênca
económica e
social do que há
já muito tempo
se passava: uma
completa crise
de valores!
Quando um Pai
não passa tempo
na família é um
desconhecido,
quando uma mãe
tem de trabalhar
em duplos
empregos os
filhos não a
vêem, quando os
casais não
namoram
diariamente
iniciam vidas
paralelas,
quando os filhos
não dão
satisfações
procurarão
outras figuras
de referência,
quando alunos
não respeitam
professores não
há hierarquia,
(é fixe já ter
incendiado o
lixo da sala de
aula 53 vezes),
quando o mais
importante é “eu
atingir os meus
objectivos”…
A resposta não
será certamente
injectar
dinheiro no
mercado, mas
valores e não
falo dos
financeiros:
falo dos valores
do empenho e
esforço, da
cooperação e
respeito pelo
outro, do valor
do trabalho e
mérito, das
regras de boa
educação e são
convívio.
Todo o sistema
precisa de ordem
e de liderança e
o sistema
mundial precisa
que o sistema
familiar, célula
primeira, se
cure e se
encontre de
novo. Sem
famílias, sem
marido e mulher
e sem filhos… o
mundo não
melhorá e este
caminho do
egocentrismo
tenderá a acabar
em guerras.
“Entre eu e tu,
escolho eu!” Não
seria
inteligente
cooperar e
escolher “nós”?
Os coros, e
todas as
actividades que
envolvam
trabalho e
dinâmicas de
grupo, têm uma
responsabilidade
fundamental na
reordenação
mundial,
ajudando a criar
indivíduos
fortes de
carácter,
confiantes nas
suas qualidades
e virtudes,
humildes perante
os seus defeitos
e lacunas e
ambiciosos no
futuro que
apenas deles
dependerá.
Lembram-se da
professora da
série Fame?
"You've got big
dreams? You want
fame? Well, fame
costs. And right
here is where
you start paying
... in sweat."
O prazer de
saber pescar, de
testar iscos, de
nos cortarmos
com o anzol e
aprender a
esperar que o
peixe morda, foi
substituído pelo
peixe já no
prato, pelas
Nintendos,
telemóveis
sofisticados e
relações
fast-food. E
agora? Agora os
noticiários por
um lado falam de
despedimentos,
insolvências e
falências; por
outro dos novos
ricos, magnatas
ganancioso que
enriqueceram à
custa de
poupanças de
tantos e
offshores.
Não nos
concentremos no
problema da
crise, mas
usemos toda a
nossa energia
para a solução,
que no meu
entender, passa
por fazermos a
diferença à
nossa volta,
ensinando os
nossos filhos,
alunos, crianças
e jovens
coristas que a
integridade do
ser humano não
está à venda.
Reacções
*Viva
Miguel,Boa! Gostei…Abraço e até breve Isabel
*É
sempre com enorme prazer ler e reler as suas
palavras, nem sempre estarei totalmente de acordo,
mas respeito e admiro a sau coerência.Muito Obrigado
pela atenção que me dispensou. e escreva sempre,
sempre que eu envio aos meus colegas do Coro.
#35 Palavra de
Maestro
"Noc!noc!
Sou eu…Joe
Black!"
Muitos
certamente viram
o filme “Meet
Joe Black”. Mais
do que a morte
em si, o filme
falava da
pré-morte, ou
seja, sei que
vou morrer mas
não sei quando.
Quem quer ser
negativo
chama-lhe de
pré-morte, quem
quiser ser
positivo
chama-lhe de
vida.
Mesmos os mais
positivos por
vezes chamam-lhe
de pré-morte
(vamos
chamar-lhe de
Joe Black),
quando há um
noc!noc! seja à
nossa porta, ou
perto de nós.
Por vezes não
ouvimos a porta,
outras fingimos
que não estamos
em casa, outros
preferem não se
fechar em casa e
se “o Joe quiser
me fazer uma
visitinha, que
tenha trabalho a
encontrar-me,
pois estou a
viver”.
O Joe anda muito
atarefado: falam
dele na rádio,
jornais,
televisões, na
net. Mas não
damos grande
importância,
pois não é à
nossa porta. Mas
quando é…
trememos,
questionamo-nos,
mudamos. É como
vivéssemos num
mundo Matrix e
de repente se
imobilizasse e
apenas nós temos
movimentos de
acção num mundo
parado à nossa
volta. Esta
sensação talvez
seja sinal do
contrário: o
mundo real
continuará em
acção, enquanto
nós estamos
imobilizados com
o noc!noc! do
Joe à nossa
porta. O que
podemos fazer?
Podemos não
abrir a porta,
mas isso não vai
certamente
impedir de nos
encontrarmo-nos
com o Joe (rapaz
persistente!).
Podemos ver como
uma
oportunidade.
Sim, é isso!
Como uma
oportunidade!
Uma oportunidade
de mudar de
vida! De dar
atenção ao que é
importante, pois
o urgente já
deixou de ter
importância. O
importante são
os laços que
estabelecemos em
família, com os
amigos, no
trabalho, no
coro. O
importante são
as pessoas e
tudo o resto são
“peanuts”
perante o
noc!noc do Joe
Black!
Desperdiçar a
vida é uma opção
, mas Joe Black
não avisa quando
chegará a nossa
hora. E pedir
prolongamento,
pois ainda
estamos no
empate…. Não vai
certamente
surtir efeito.
Talvez o
noc!noc! não
seja do Joe, mas
do nosso irmão
António, ou da
nossa filha
Cristina, do
nosso avó
Fernando, ou do
nossa amiga
Florbela. Talvez
o noc!noc! seja
alguém do coro
que reclama a
nossa presença,
que sente a
nossa ausência.
Poderá ser
apenas o vento.
“O vento não é
certamente, e a
chuva não bate
assim!”
Noc!noc! Sou eu…
Reacções
*Olá
,eu sempre achei que a família é o nosso maior bem.
Onde somos mesmo nós. Como é bom chegar a casa... Um
beijinho amigo, Rita Rodrigues da Silva
*Bom Dia, Gostei muito do texto que enviou :)
Continuo à espera de uma oportunidade para ver o
coro vox laci ao vivo! Quando houver um espetáculo
avise-me por favor. um beijinho Susana
*Caro Miguel! Continue a persistir. Eu, que também
dirijo um Coro ( o Laus Deo) sei que sem
persistência, coragem, disponibilidade, amor e muita
, muita paciência, pouco ou nada conseguimos. A
Música - Mãe de todas as Artes, vale bem o nosso
esforço. Por isso, não desanime! Recebi, hoje, de
uma pessoa muito querida,( que foi minha Mestra de
Gregoriano) um poema que tomo a liberdade de lhe
enviar:
TO BE OR NOT TO BE
Entre o ser e o não ser, Escolho o Ser.
Porque Aquele que disse:"Eu sou Aquele que Sou" ,
chamou-me à existência para eu ser.
Rejeito todo o não ser!
Porque só quero ser, ser mais
Sempre mais rumo à plenitude do SER
N ´AQUELE QUE É! ( Irmã Nuno de Santa Maria,p.m. )
A todos os que querem ser!
Desejo-lhe as maiores felicidades e sucessos no seu
trabalho. Saudações cordiais Idalete Giga
*Myguel só agora li esta sua mensagem e logo nesta
fase da minha vida, é mesmo isto que se sente e pode
crer que ficamos diferentes. Para o descrever tão
bem quase aposto que já se cruzou com esse tal "Joe"
por ai numa esquina, nem que só de raspão, pois eu
estive muito recentemente mesmo em frente a ele
olhos nos olhos e digo-lhe que não é facil, não
tanto por nós mas pelos que ficam e que não
conseguimos tirar da cabeça nem um só segundo,
talvez por eles "Joe" acabou por adiar a minha
companhia ... só Deus sabe. E depois valem-nos a
família e os amigos para recuperar de tudo isto. Um
beijinho Cláudia Carvalho CA
#36 Palavra de Maestro "O grupo seguirá"
Um grupo não é uma manada. Um grupo que se quer como grupo é um agrupamento de pessoas díspares em pensamentos, sentimentos e atitudes que se juntam para atingir um determinado fim que os une.
Uma família é um grupo que nasce da vontade de um casal, uma empresa da vontade de uma pessoa ou de várias, tal como uma arte: uma companhia de dança, de teatro, um coro, uma orquestra. Começar é algo apenas para os corajosos: sair da sua comodidade de não ter responsabilidades (nem chatices) e iniciar algo, construir um sonho que afectará tantas pessoas e famílias. Mas o mais difícil não é o começar, mas é o manter. O mais difícil não é fazer algo bom, mas fazer igual ou superar. O mais difícil não é ganhar um jogo, mas o campeonato. E no outro ano seguinte. E no outro…
É muito difícil manter uma família hoje em dia, quer economicamente, mas sobretudo como célula fundamental da sociedade. Hoje há vários tipos de família… Continuar com uma empresa é apenas para os mais destemidos, pois apesar das adversidades à sua volta, manter aceso o sonho da continuidade e crescimento da empresa, não é para todos. Basta ver, infelizmente, a quantidade de empresas que encerram diariamente, e curiosamente outras que começam (dá que pensar…).
Num grupo que não faz da arte a sua vida, mas um hobby (diferente de passatempo), mais difícil se torna, diria saborosamente difícil. As mutações e oscilações que os grupos vivem e atravessam faz parte da sua evolução como grupo. Não se trata de darwinismo, mas de aceitar e dar graças pelo tempo em que nos encontramos. Devemos estar gratos com as pessoas que passaram pelo grupo, mas não podemos estar agarrados às pessoas do passado. Bem como as pessoas que não fazem mais parte do grupo, deixar o grupo seguir em paz. O grupo cresce e segue o seu próprio caminho traçado por uma direcção, sujeito a mudanças difíceis (e existe alguma mudança que não seja difícil?), com opiniões e resistências internas e externas , mas segue (“…, mas a carruagem continua”).
Uma manada não é um grupo, mas um aglomerado que não sabe para onde ir. Meu bisavô dizia “ Se não sabes para vais, não corras, pois só te vais cansar!”. Se cortarmos a cabeça de uma galinha, ela andará zonza a correr de um lado para o outro. Um grupo não é uma galinha. São várias pessoas que vivem vidas diferentes e é o acumular de energias diferentes que faz a energia do grupo canalizando para um fim comum. Quer não está -porque não quer ou não pode- para o fim comum (que o assuma) e fique feliz quando o grupo o atinge mesmo que isso implique que “eu” não fiz parte do fim último. Pode ser um almoço de família, um contrato conseguido pela empresa, uma apresentação ou uma temporada de concertos.
Um grupo nunca se cansa: muda, adapta-se, evolui, encontra novas formas de estar. A galinha ao fim de algum tempo cairá, um grupo fará da adversidade meio de coesão.E seguirá.
Reacções
*Concordo…
O mais difícil é manter e ter sempre a ambição e a
humildade de recomeçar! Abraço António Ferreira
*Concordo em absoluto com esta reflexão...
Cumprimentos Deolinda Auxtero
*é claro que não me esqueço penso nisso todos os
dias! Jorge Salgueiro
*Dear Myguel, You cannot imagine how timely your
message is. The International Festival Chorus
Shanghai performs David Fanshawe's African Sanctus
this Saturday and I was asked yesterday to stage
manage. I had already not signed in to do this
concert because April was so overcommitted. But,
finding a volunteer willing to coordinate composer,
artistic director, chinese laws, theatre, sound
engineers, volunteers, musicians and the CHOIR
together for a great performance has proved
difficult for the committee. I get so annoyed with
how things are done in China but then messages like
yours come through that remind me I'm not alone in
my frustrations. Thank you very much for the
reminder to keep going. Jacqueline
*PARABÉNS Myguel, está muito bem escrito e é tudo
verdade. Um beijinho Margarida
|
#37 Palavra de
Maestro
"Arregacemos
as mangas"
É tempo de sair
da pasmaceira!
É tempo de dar
um murro na mesa
e dizer “basta”.
Não é à toa que
cada vez mais
pessoas se
deprimam e
continuarão
insatisfeitas
pois apenas se
sabem lamentar.
Em vez de olhar
para o problema,
poderiam
procurar a
solução. Quanto
mais andarmos à
volta de um
problema, às
voltas e voltas,
acabaremos por
ficar tontos e
cair de
exaustão. E o
problema? Ainda
por resolver. Se
procurarmos uma
solução ela
surgirá com
certeza, nem que
seja por
tentativa-erro.
Só falha quem
tenta, apenas
sairá a lotaria
a quem comprar a
cautela, vencerá
os obstáculos
quem tiver as
mangas
arregaçadas.
Ó Portugal e
seus habitantes,
arregacem as
mangas! Façam
frente às
dificuldades e
encarem as
mudanças como
oportunidades.
Acredito que
tudo tem uma
razão de ser e
que não há
coincidências. A
vida é demasiada
perfeita para
não ter sentido.
Carpe diem!
Aproveitem o
tempo e a vida.
Cada dia que
passa, estamos
mais perto da
morte. Vamos
estar à espera
dela?
Podemos agora
num pequeno
instante mudar
toda a nossa
vida. Apenas com
uma decisão:
“Vou procurar
uma solução!”.
Num instante uma
pessoa nasce,
vive, cria e
morre. A força
do pensamento -
e por
consequência da
palavra - tem
uma força
tremenda e
repercussões a
nível corporal.
A tristeza com
factos que
acontecem na
nossa vida não
pode nos
subjugar e
dirigir a nossa
vida! Uma
relação que
termina, uma
doença, um
despedimento,
uma morte não
pode apagar a
essência do que
cada um é e
perpetuar o
sentimento de
tristeza ad
eternum. Devemos
saber ler os
sinais à nossa
volta e tomar
decisões. E a
melhor decisão
para sair da
tristeza e
pasmaceira é a
decisão mental
de arregaçar as
mangas! As
dificuldades
deveriam ser
catalizadoras do
nosso
crescimento.
Como dizia o
actor Herman
José “ a vida é
como os
interruptores:
ora para cima,
ora para
baixo!”. Quando
estamos em baixo
podemos decidir
nada fazer ou
podemos pensar
que é uma fase.
A vida de um
grupo ( como um
coro, empresa,
família, etc) é
também como os
interruptores.
Quando está para
baixo há que
encarar como uma
fase; quando
está para cima
também. A minha
mae diz "ora
estamos a ir
para Belém, ora
estamos a ir
para Jerusalém".
A isto dá-se o
nome de vida.
Uma coisa é
parar, pensar e
tirar conclusões
sobre
determinado
facto; outra é
lamentar como
desporto ou
hobby. Lamentar
é perder tempo.
Arregacemos e
construamos
juntos um
presente melhor!
*Bom dia, Maestro, muito inspiradora esta sua
Palavra, gostei! Obrigada. Isabel Lopes
*Myguel, Muito obrigado. Um abraço. Maria de
Fátima
#38 Palavra
de Maestro "Não
são rosas"
Há uma foto
que não me
sai da
cabeça.
Estava a ler
um jornal
diário e sou
chamado à
atenção para
uma foto com
circunferências
coloridas e
o título
“Distribuição
Gratuita nas
Escolas”.
Pensei eu,
que adoro
topo o tipo
de doces,
que iriam
distribuir
gomas nas
escolas. E a
história da
obesidade e
das cáries?
Comecei a
ler e não é
o meu
espanto, que
afinal não
são gomas,
nem “são
rosas meu
senhor, são
rosas” (tal
como conta a
lenda), mas
preservativos.
Os meus
sinceros
parabéns aos
mentores
desta ideia.
É como se
fossemos ao
dentista
para tratar
de uma raiz
podre e é
colocado uma
massa branca
para que
continue
bonitinho
por fora.
Está errado,
profundamente
errado! “Mas
é para
evitar a
gravidez na
adolescência….”
Como se
qualquer
miúdo, sim
estamos a
falar de
crianças -a
distribuição
é para ser
feita no
secundário e
já se fala
no
preparatório
– soubesse
usar com
sabedoria.
Estamos a
falar da
adolescência,
e para
aqueles que
já
esqueceram a
sua
adolescência,
não é um
tempo fácil
nem de
grande
sabedoria,
não são
rosas, é um
tempo de
perguntas e
alterações
constantes
de humores e
de amores,
um tempo
fundamental
de
aprendizagem
de resolução
de situações
tensas e
emocionais,
e a
mensagem: “
se o teu
corpo pede,
toma lá um
preservativo”,
não é uma
resposta
séria, mas
uma perfeita
ignorância!
Este tipo de
mensagem é
um SMS:
curto e
eficaz na
destruição
da
consciência
e valores
dos nossos
miúdos. È
não pensar
nas
consequências,
mas no
imediato; é
não ensinar
a esperar e
a cumprir
com as suas
responsabilidades;
é sermos
escravos do
instinto,
tal como os
animais.
Qualquer dia
muda esta
moda de
distribuição
de presentes
(um presente
é para ser
aberto na
hora!), será
substituída
por outra,
pois
verificarão
que não
funcionou.
Naturalmente,
que estou
preocupado
com o
aumento da
gravidez na
adolescência,
mas e a taxa
de
analfabetismo?
Não é
superior? A
quantidade
de miúdos
que não
sabem ler e
escrever
como deve de
ser,
entrando nas
faculdades
sem saber de
cor a
tabuada e
com erros
ortográficos….porquê
que em vez
de
distribuir
preservativos,
não é
oferecido os
manuais
escolares em
Setembro,
fomentando a
educação
responsável
(e com ela a
sexual)?
Porquê não
implementar
novos
estilos de
vida,
envolvendo
os Pais,
criando
novas
rotinas e
standards de
excelência?
Porque não
criar coros
e orquestras
nas escolas
em Portugal?
Porque não
distribuir e
fomentar a
mensagem que
quem não
canta/toca é
que é mau?
Quando
acabam com a
mensagem de
que
transgredir
é que é
fixe?
Já viram
quando vier
outra moda?
Com a
imaginação
sem limites:
qualquer dia
os miúdos
lembram-se
de usar as
calças
baixas e
mostrar um
pouco das
cuecas (os
mais
radicais
mostrarão
tudo), de
começar a
fazer furos
no corpo e
dão o nome
de piercing,
das
raparigas
usarem
boxers de
rapazes e
decotes até
ao umbigo,
etc. Isto
levado ao
extremo era
como se
qualquer dia
tivéssemos
políticos
que não
cumprem os
seus
mandatos até
ao fim!
Já viram se
tudo isto
algum dia
acontecesse?
Qualquer dia
preservativos
não chegam,
têm de vir
às cores. E
quando virem
que não
resulta,
alguém se
lembrará de
pôr sabores.
É que ao
preço que
andam as
pastilhas,
qualquer dia
veremos os
miúdos a
mastigar os
presentes
com sabor.
Sinceramente!...
Reacções
*(...)Adorei
a forma como
a elaborou e
especialmente
a ironia. A
educação
para a saúde
é
evidentemente
escassa, e
não consigo
perceber
como é que
alguns pais
não se
ENVOLVEM na
vida dos
filhos.
Estive agora
a estagiar
em pediatria
e vi que as
crianças já
não são como
eram, e
aprendi que
para além do
amor uma das
melhores
coisas que
os pais
podem dar
aos seus
filhos é uma
estrutura
(psicológica,
emocional,
etc) para
lidarem com
as
frustrações
da vida.
Isto tudo
começa
quando
aprendem a
lidar com o
não dos
pais. Como
consequência
de muitas
consequências
temos agora
"absurdices"
como a
distribuição
de
preservativos
sem uma
formação
prévia.
Enfim, é bom
saber que
alguns de
nós fazemos
a nossa
parte em
tentar
mudar. Um
beijinho,
Daniela
*Escrito
pelo meu
querido e
jovem amigo
Myguel
Santos e
Castro… ele
é que devia
ser o
Ministro da
Educação e
Ministro da
Saúde!
Obrigado
Myguel.
Abraços.
Maria de
Fátima
*BRAVO!!!
Mais
palavras
para quê?
Bem haja!
Cumprimentos
Anabela
*Olá Myguel,
boa noite
Aprecio
sempre as
suas
"crónicas" e
apreciei
muito esta
em
particular....é
tempo de
dizer aos
nossos
"brilhantes"
dirigentes
que todos,
ou quase
todos, qual
rei da
história,
vão
nus......
Bons
feriados,
Atentamente
, Filipa
Lopes
*Caro Miguel
Li o seu
texto
Palavra de
Maestro" Não
são rosas" (
antes
fossem!!!)
com muita
atenção e
interesse.
Estou cem
por cento de
acordo
consigo!
Penso que
qualquer
decisão
totalitária
imposta no
nosso
sistema
educativo,
seja ela a
distribuição
gratuita de
preservativos,
computadores
"Magalhâes"(
estes não
são
gratuitos,
mas um
grande
negócio da
China...) ou
o que quer
que seja,
sem um amplo
debate
público com
investigadores
nacionais e
estrangeiros,
é uma grande
falta de
respeito
pelas
crianças e
adolescentes,
pelos pais,
pelos
professores
e por todos
os que
desejam uma
Educação
baseada em
autênticos
valores
humanos e
não em
economicismos
sinistros,
tecnocratas,bacocos,
terroristas.
Uma decisão
totalitária
como foi o
triste caso
dos
"Magalhães"
e agora os
"preservativos"
são crimes
pedagógicos
que nos vão
custar muito
caro! É uma
questão de
tempo...
A violência
nas escolas
não
diminuirá,
mas
aumentará
assustadoramente.
Aliás, nunca
as Artes (
que são os
verdadeiros
fundamentos
da Educação
...)
tiveram, de
facto,
permissão
para entrar
na Escola, a
sério! Ainda
se cultiva o
conceito
miope do
"ler,
escrever e
contar"( de
há mais de
cem anos)
como sendo o
mais
importante,
no 1º ciclo
do E.B. As
escolas
continuam
com um vazio
artístico
preocupante.
As AECs (
Actividades
de
enriquecimento
curricular,
eu diria
antes de
empobrecimento
e
desorientação
curricular =
AEDCs...)
são uma
artimanha,
uma
autêntica
fantochada,
uma burla,
um negócio
para
empresas sem
escrúpulos a
quem o
Ministério
da (des)Educação
entregou, de
mão beijada,
( sabe-se
lá, com que
intenções),
a
responsabilidade
de
"recrutar"
professores,
para a dita
fantochada,
passando um
atestado de
incompetência
às próprias
escolas.
Estes
professores
( muitos sem
preparação
pedagógica e
musical
adequadas)
são os
escravos do
século XXI.
Nem chegam a
fazer parte
da "geração
dos 400 ou
500 euros"!
Há empresas
que têm o
descaramento
de oferecer
ao "escravo"
três euros à
hora(!!!!).
E os "
escravos"
não têm a
coragem de
denunciar
esta
situação
humilhante,
surrealista,
desumana! É
urgente
fazer a
avaliação
desta
fantochada
por
avaliadores
independentes
do ME! As
conclusões,
a serem
verdadeiras,
serão de
arrepiar! Os
pais também
têm de ser
responsabilizados
em todo este
processo
kafkiano...
O nosso
saudoso
Professor
Agostinho da
Silva dizia
que " é a
obediência
dos povos
que alimenta
a tirania
dos
governos".
Ora nunca
como hoje
foi tão
necessário e
urgente
desobedecer,
denunciar,
gritar bem
alto toda a
espécie de
injustiças e
corrupção.
Quando se
assiste, por
exemplo, à
dureza e
inflexibilidade,
ou , pelo
contrário, à
permissividade
da lei, urge
perguntar:
as leis
foram feitas
para durar
eternamente,
mesmo quando
são
obsoletas,
ou foram
feitas para
nos servir e
proteger e ,
por isso,
têm de
evoluir
constantemente?
A avaliar
pelo que se
passa hoje
na nossa
sociedade,
parece que
as leis
foram
criadas para
durar
eternamente.
Ninguém lhes
pode tocar.
Será que o
legislador (
gostaríamos
todos de
saber o nome
e currículo
verdadeiro
de todos os
que legislam
e como
legislam...)
se julga um
Deus
Todo-Poderoso
e
Omnipotente?....
Espero não o
ter maçado
com estas
reflexões...
São também
um desabafo.
Temos de dar
uma volta de
360º à
Educação! E
será a
Música ( Mâe
de Todas as
Artes) que
ajudará a
limpar os
miasmas
lenta e
insidiosamente
aglomerados
nos
espíritos...
Um abraço e
até sempre
Idalete Giga
#39
Palavra
de
Maestro "EngripAdo?"
Alguém
deve
estar a
ganhar
muito
dinheiro.
Que se
ganha
muito
dinheiro
com
especulação
já se
sabia,
mas
chega de
brincar
com as
pessoas
e
manipular
informação
para
proveito
de uns
quantos.
Claro
que
devemos
nos
precaver,
tal como
atravessamos
uma
estrada,
colocar
cinto
enquanto
conduzimos,
não
estar
exposto
na hora
de maior
calor.
Claro
que
existe o
perigo,
mas como
alguém
disse há
pouco
tempo, o
medo é
paralisador.
Podemos
optar
por
viver
com a
beleza
de viver
dia-a-dia
ou
sucumbir
ao
fatalismo.
Por
muito
que não
queira
ouvir,
ver ou
ler, nem
escrever…
é
inevitável.
Não pela
razão
mas pela
consequência.
Até
tenho
algum
receio
de
escrever
a
malograda,
mas ver
a toda a
hora
pessoas
alarmadas
como se
fosse
sífilis
ou
lepra,
como se
o
Apocalipse
estivesse
a
chegar...
Será
verdade
os
números
que
anunciam
todos os
dias em
Portugal?
Tenho
sérias
dúvidas,
pois
estivemos
recentemente
na
Holanda
e pouco
ou nada
se lia
na
Comunicação
Social e
pela
informação
das
Autoridades
Sanitárias
eram às
centenas
por dia.
Que tal
relativizar
e dar os
dados
todos de
modo que
quem
recebe a
informação
possa
fazer a
sua
triagem.
“Hoje no
mundo
morreram
x
pessoas
com a
Gripe
A”. E
com as
guerras?
Acidentes
de
trabalho?
De
viação?
Ataques
cardíacos?
Velhice?
Suicídio?
Loucura
e
depressão?
Estou à
vontade
para
falar
pois
estive
em
isolamento
e
tratamento
com 48
pessoas
em
Utrecht
( sim,
fomos
nós!)
porque
alguém
se
lembrou
de fazer
uma
festa
temática
na
cidade.
Como a
originalidade
atrai:
“Vejamos!...Festa
do
Chocolate…não..anos
70…não…Gala…não…e
que tal
Festa da
Gripe A?
E para
dar
algum
realismo
teremos
pessoas
com a
gripe A
e como
brinde
pode ser
que a
leve
também
para
casa!”
Como
dizem os
miúdos
hoje em
dia “
Estava A
pinha!”.
Em pouco
tempo se
alastrou…até
nós!
Da nossa
parte
podemos
dizer
que foi
mais uma
experiência
que a
vida e o
mundo
coral
nos
permite.
Ficamos
mais
unidos e
talvez
mais
conscientes
que
talvez
em
Portugal
se façam
as
coisas
de
maneira
diferente.
Pelo que
vivenciámos
sem
dúvida
que é
rápido o
contágio,
mas
também é
rápido
todo o
processo
até à
cura (na
maioria
dos 35
casos
apenas
com
paracetemol
e
descanso).
Houve
muitos
que se
perguntavam
na casa:
“Mas é
isto de
que
tanto
falam? É
isto
estar
engripAdo?”
Teríamos
sido
notícia
se fosse
Varicela
ou
Sarampo?
Porquê
que não
foi
notícia
o
Festival
Europa
Cantat
que é
apenas o
festival
europeu
mais
importante?!
Porque
não é
futebol?...
Alguém
deve
estar
muito
satisfeito,
pois
assim
desviamo-nos
do que é
realmente
importante
e
focamo-nos
no
urgente.
É uma
questão
de
sobrevivência.
Penso
que a
sigla
foi mal
escolhida.
Deveria
ser
chamada
de Gripe
P:
Pânico,
Paranóia,
Parvoíce,
Paralisador.
Reacções
*Parabéns
Miguel
pela
fantástica
dissertaçao
sobre a
gripe P,
desculpe,
A.
Parabéns
também
pela
união do
grupo!
Parabéns
pela
vossa
colaboração
em
eventos
tão
importantes.
Parabéns
por nos
deleitarem
com o
vosso
trabalho,
com as
vossas
vozes...Força
a todos
os
componentes
do grupo
Vox Laci...
Um
Bem-Haja
e um
abraço
também,Clo
*Gostei
Abraço
Cecilio
Regojo
*Caro
maestro
"engripado"
Obrigado
pelo seu
testemunho.
Há muito
que
estou
convencido
do que
me acaba
de
escrever.
O mundo
em que
vivemos
é assim.
Quer uma
pequena
"
profecia"?.
A partir
das
eleições
deixar-se-á
de falar
em Gripe
A na
Comunicação
Social.
Vale uma
aposta?
Um
abraço
amigo do
P.
Joaquim
Taveira
*Esta
notícia
teve
lugar a
entrevista
na TSF,
não
porque
era um
Coro que
estava
no
grande
evento
de
Grupos
Corais
mas
porque
alguns
miúdos
estavam
com
gripe A.
Por
acaso o
Maestro
é uma
pessoa
normal e
nada de
pânico,
e por
acaso
também a
pessoa q
acompanhava
o Coro
imaginem…é
médica.
Bravo
Miguel e
Maria
João
Mira
.Belíssimo
exemplo
de
competência
para
acompanhar
um Coro
como o
VOXLACI.
Este vou
ter q
enviar
porque
na
verdade
anda
tudo A
parvalhado…informem-se
povo que
se diz
evoluído.
Quando
vier a
gripe
normal
de
Inverno
como
irão
reagir?
Luísa
Gonçalves
*Ainda
bem que
no final
tudo
correu
bem.
Boas
férias
para
todos.
Com
amizade,
Filomena
Calado
*Certíssimo,
Myguel
:) nos
pensamos
isso,
também.
Irina
*Lamento
que
tenha
passado
por essa
privação
mas
estou
feliz
por,
finalmente,
encontrar
alguém
suficientemente
lúcido
para ver
que é
tudo um
esquema
para
encher
os
bolsos
de
alguns e
distrair
o povo
das
coisas
importantes
da vida.
E como
muito
bem
disse,
uma
delas é,
sem
dúvida,
a música
que
constrói
e eleva
a alma
aos
píncaros
do
universo.
Bem haja
pela sua
partilha.
Fernanda
Helena
Guterres
de
Carvalho
*CONCORDO
CONSIGO
PLENAMENTE!
E NÃO
SERÁ QUE
O
PRÓPRIO
GOVERNO
NÃO
ANDARÁ
ENGRIPADO
JÁ HÁ
BASTANTE
TEMPO? E
QUE TAL
SE O
ENGRIPÁSSEMOS
DE VEZ?
BOM ANO
CORAL
MANUELA
SACARRÃO
#40
Palavra
de
Maestro Crianças
Ping-Pong
Não, não
são
chineses,
mas
crianças
portuguesas.
É início
do ano
lectivo
e os
pais
fazem
contas
às
actividades
extra-curriculares
do seus
filhos.
Os
professores
que
estiveram
no ano
lectivo
passado
a
dedicarem-se
aos
alunos
vivem na
incógnita
se a
passagem
do seu
saber
terá
continuidade
em
2009/10.
É que é
uma
altura
em que
os pais
perguntam
“Então
este ano
queres
experimentar
o quê?”
São pais
abandónicos
que
fazem
esta
pergunta.
Uma
coisa
são pais
que
estão
atentos
aos
gostos e
aptidões
dos seus
filhos,
outra
são pais
que
andam à
mercê
dos seus
“apetites”
destas
“pobres
criancinhas”.Também
se
lembram
de
perguntar
quando
um filho
está a
sangrar
“Para
qual
hospital
queres
ir
agora?”
Numa
sociedade
cada vez
menos
preocupada
com o
compromisso
e de
formar
Homens e
Mulheres,
caminharemos
para um
mundo a
saltar
de um
lado
para o
outro,
sempre
insatisfeitos
com o
prazer
imediato.
Acredito
que um
indivíduo
apenas o
é dentro
de um
grupo,
onde é
obrigado
a criar
o seu
próprio
espaço
sem
pisar o
do
próximo.
Caimos
inevitavelmente
na
importância
dos
coros.
Qual o
papel
social e
educacional?
Lutar!
Acredito
que seja
não
parar de
evoluir,
aceitar
as
próprias
fragilidades
dos seus
maestros
e
coristas,
não
aceitar
a
acomodação
e gritar
“BASTA!”
indo
mesmo
contra o
sistema
político
e
social.
Como
podemos
exigir
aos
“miúdos”
que se
esforcem
se há
Pais que
não vão
aos seus
concertos,
aos seus
saraus,
às
reuniões
da
escola,
não
sabem
quem são
os
amigos
dos seus
filhos,
o nome
da
professora
primária,
nao
falam
com
eles?
Como
podemos
aceitar
que um
Pai e um
filho
estejam
um ao
lado do
outro
cada um
no seu
telemóvel
pois nao
têm
conversa?
Como
podemos
acreditar
nas
pessoas
que com
responsabilidades
sociais
sejam os
primeiros
a não
dar
exemplo,
a não
serem
testemunho?
Como
podemos
aceitar
que um
Pai que
quer e
pode
estar
com os
seus
filhos,
um
Tribunal
lhe
negue
esse
direito
às
crianças,
porque
não é
Mãe?
Somos
todos
responsáveis
pelo
aumento
do
Síndrome
Criança
Ping-Pong,
sobretudo
nas
crianças
de pais
separados.
A
criança
é
“jogada”
de um
lado
para o
outro,
sem
nunca
saber
onde vai
cair,
simplesmente
no seu
olhar
distante
e
.triste
parece
dizer
“não me
abandones”.
Não
estamos
a
abandoná-las
quando
pais
trabalham
até mais
tarde
para não
estarem
em casa?
Ou
escolas
que
começam
cada vez
mais
cedo e
acabam
cada vez
mais
tarde?
Que
sociedade
é esta
que
fomenta
“adultos”
do vale
tudo,
sem
valores
nem
irmandade?
Qual o
bom
futuro
que
podemos
antever
com
adolescentes
encorajados
pelos
seus
pais a
experimentarem
cursos,
actividades
e
namoros?
Estaremos
condenados?”
Não! Uma
aldeia
povoada
por
irredutíveis
gauleses
ainda
resiste
ao
invasor.”
Uma
aldeia
de
pessoas
com
valores,
de pais
com
tempo e
amor,
professores
dedicados
e
valorizados
e que
trabalham
para que
as
crianças
saibam
dar
valor às
coisas e
tirem
elações
das
dificuldades,
deixando
de ser
crianças
Ping-Pong
para se
tornarem
Homens e
Mulheres,
e por
conseguinte
bons
Pais.
Reacções
*Grande
Maestro!!!
como
sempre,
estou de
acordo
com as
suas
palavras
e
principalmente
com os
seus
factos.
Meus
respeitos
e
admiracao
para uma
pessoa
de
corajem.
Um
grande
abraco.Sebastian
Scheriff
*Caro
Maestro,
Antes de
mais
obrigado
pelas
suas
palavras
e como
tão bem
descreve
a
sociedade
em que
nos
tornamos.
Infelizmente,
eu estou
de
alguma
forma a
identificar-me
com
essas
pessoas
(...)Desculpe
o
desabafo,
mas isto
foi para
lhe
dizer
que
muitas
vezes
esse
abandono
não é
premeditado
nem
voluntário,
mas uma
obrigação
que nos
deixa
com
poucas
alternativas.
Continue
com o
seu bom
trabalho
e com as
chamadas
de
atenção,
espero
que
consiga
mudar
atitudes.
Cumprimentos,
Cláudia
Sousa
*Caro
Amigo,
Grandes
palavras
(crianças
ping
pong).
Felicidades
Joaquim
Azevedo
*Obrigada,
Myguel
:) Muito
bom é o
teu
artigo!
Precisamos
saber de
parar e
reflectir
de
repente,
obrigatoriamente,
sempre.
Irina
Cherstiukova
*Hey
buddy,You
have
shared
some
very
wise and
important
points
here -
it's
good to
hear
them.Looking
forward
to
catching
up next
month,J
#41 Palavra de Maestro "Segundas oportunidades"
“Maestro, vou sair do coro.” São poucos os que conseguem dizer. Seja por vergonha, medo da reacção ou simplesmente falta de consideração, poucos são os que conseguem verbalizar. Não é fácil acabar , cortar com o vínculo que se criou com o grupo, as pessoas que se tornaram amigas, o projecto em que estava envolvido. É uma decisão muito difícil!
Julgo que o papel do maestro é o de agradecer: primeiro, porque o corista teve consideração e respeito; segundo, porque no tempo em que esteve foi uma peça importante na dinâmica. O grupo é o que é hoje também pelas pessoas que por ele passaram. Apenas assim um dia poderemos ouvir “ Posso voltar?”. Quanto mais nos prendem, mais queremos sair.
Dizemos no Vox Laci que não somos um fim mas um meio, um tempo, onde as pessoas pedem para entrar (audição), mas que terminará certamente um dia. Como um comboio que apanha e larga passageiros. Apenas tenho uma certeza acerca das pessoas que estão: um dia sairão. E com esta consciência não se perdem coristas, mas ganham-se pessoas, pois apenas na liberdade de cada um, na responsabilidade do compromisso para com o grupo, poderemos todos crescer.
Não é muito diferente de uma relação a dois: ambos fazem uma audição e partindo -ou não- para o compromisso, sabem que um dia partirão: seja pela morte física, seja pela emocional. Um dia tudo terá o seu fim. Aceitando esta inevitabilidade, porquê preocuparmo-nos por antecipação?
Vivamos, aceitemos, amemos, cantemos, estudemos, investamos, choremos, brinquemos, dêmos graças pelas coisas boas que a vida (Deus) nos proprociona, sobretudo pelas segundas oportunidades. São tantas, mas por vezes estamos focados no ponto negro da folha. Não estou a falar do “Second Life”, mais vale viver uma vida virtual do que a beleza da vida real, nem muito menos das vidas duplas que tantos insistem viver. “Estou a cantar em dois coros, mas os maestros não sabem!”, “Estou a cabular, mas os professores não vêem!”, “Estou a viver um caso extra-conjugal!”, ... isto não são segundas oportunidades, mas vidas paralelas e de mentira.
Segundas oportunidades são quando: coristas voltam a cantar; alunos voltam a estudar; professores voltam a ter brio e alegria no ensino; músicos voltam a tocar; pessoas voltam acreditar no amor; o rancor e a mágoa dão lugar ao perdão (filho pródigo); crianças voltem a viver sua infância; jovens sem pressa de ser adultos à força, pais e filhos voltam a confiar. Segundas oportunidades são quando aprendemos com os erros, aceitamos a nossa humanidade e acreditamos para além da na nossa capacidade. Ninguém nasce ensinado, a vida é uma aprendizagem diária com os nossos erros e os dos outros. Temos de dar segundas oportunidades a quem as pede. Um dia poderemos ser nós a precisar.
Seja já a 2ª, 3ª ou 234ª oportunidade é sempre uma outra oportunidade para se ser feliz. A grande questão é se no final valerá a pena.
Segundas oportunidades são quando pessoas voltam a sonhar. Está a dar/receber uma segunda oportunidade? Reacções
*Obrigada por este texto.Desejo-lhe força e alegria e esperança e criatividade e amor para continuar.Maria Maya
*Caro Myguel,Gostei muito do teu texto.Não sei porquê, mas lembrei-me de um PP que preparei à uns tempos para enviar pelo Natal em 2005. Penso que vais gostar (O texto não é meu, nem sei de quem é, eu limitei-me a traduzir e adaptar). Abraço e continua a ser como és Cecilio Regojo PS: Um dia certamente nos vamos reencontrar
*Julgo nunca ter-me recusado a oferecer uma segunda oportunidade...Obrigado por este REFLECTIR.Um abraço.JM
*Foi mesmo muito bom ler-te Myguel.Beijos de uma ex-corista... que sonha ainda um dia voltar a cantar.Mil beijos e obrigada!Xinha
*Hey buddy,Some great thoughts here. I'm really pleased you write these in English as well as Portuguese. Here's looking forward to chatting again soon later this week.With best wishes,Joel
*Dear Mr Myguel Santos e Castro,
Only by chance it happened that I was able to read your 'philosophical letter' about second chances...
Possibly, it was a case where Mrs Laima, acting Director and the main Administrator of Dainu Sala that takes care about all the technical Kivi (Lithuania) matters was definitely upset when her daughter left the singing group under very unusual circumstances.
I am a father of one girl who stays with those eight singers that decided 'to tell the truth to the rest' and to do not continue the simple case because they wanted more.
Of course, this is 'their truth' because it is so difficult to understand the 'real case'. You said a lot of nice and true words in your letter, and probably I should agree with you especially where you speak about reality, about trains and passengers etc.
If your photo is the correct one, you are a young man. I am definitely older than you, going to become 55 next year. But this does not mean that my 'truth' is better than 'yours'. Do we have an absolute truth especially when we deal with human beings?
As it happened, eight girls decided that they want to continue 'a high quality case', and in such a case one can not imagine the situation where everyone remains happy. Some leavers took their decision themselves (thank God), the others wanted to fight a bit for their rights. Laima's daughter's case was a very delicate (as I myself was explained by my daughter - again, do I know the truth?) In the real life she is a very silent and modest girl, and (again, if my information is correct) she even said to the others, 'girls, thank you that you said this to me because I myself would never take this decision knowing though that my singing definitely is not the best one in the group'. She has got a lot of another different talents besides singing, and I am absolutely sure that she will be happy in her future life.
For the moment, eight girls continue singing, a weak ago they had an excellent performance in the live music club where some of the leavers simply participated as part of the audience, and nothing bad happened. Life still goes on!
Of course, it is very sad when some girls took this parting very painfully. Realisticly, after some time there will be peace and understanding but... not today. If I e.g. were Laima possibly I would feel the same. For the moment we are on the different stages. Again, this is life. Sometimes it is too cruel, and of course I agree with you and your nice words about 'second chances'.
With warmest regards, Bronius (father of Ruta)
|
#42 Palavra de Maestro
Sejamos honestos
Existe
algo
mais
honesto
do que
aquilo
que
sentimos?
Quando
duas
pessoas
na mesma
sala uma
tem
calor
outra
frio,quem
tem
razão?
Será que
importa?
Ambos
são
honestos
e sentem
de modo
diferente.
Num coro
importa
quem tem
razão? E
quem
define
quem a
tem?
Individualmente
tomamos
posições
sobre
pessoas
e actos,
mas
tomamos
pelos
nossos
sentimentos.
São eles
que nos
impelem
a agir
ou não.
A razão,
o medo
de não
sermos
aceites,
de
ficarmos
sós
poderá
nos
levar a
uma
tristeza
profunda,
pois não
estamos
a ser
honestos.
Quando
alguém
sorri
para nós
e nas
costas
faz
lobby...sejamos
honestos,
é feio!
Aquando
ontem na
televisão
via um
estádio
alemão a
prestar
homenagem
a um
jogador
que
tinha
decidido
pôr
termo à
vida,
vimos 50
mil
pessoas
e outras
milhares
fora do
estádio,
crianças,
homens e
mulheres
choravam.
Foi um
momento
honesto,
libertador!
Aquela
pessoa
que
jazia
morta
permitiu
que
milhares
de
pessoas
se
confrontassem
e
curassem
(?) dos
seus
medos e
angústias,
chorando,
fazendo
refletir
cada um
de nós:
o que de
mais
importante
é para
mim?
Estatuto
social,
ser
maestro,
Presidente
de uma
instituição,
ter um
grande
carro e
casa,
conta
bancária
recheada,
ser
solista?
Devemos
nos
colocar
insistemente
em
dúvida e
porquê
estamos
a tomar
determinadas
decisões,
tal como
um
capitão
de um
barco
olha
para os
aparelhos
e vai
acertando
a sua
rota. Ao
sermos
honestos
os
outros
nos
conhecerão
pelo que
somos,
não pelo
que
parecemos.
Os que
não são
honestos
com eles
próprios,
nem se
apercebem
que não
são
honestos
com os
outros,
pois
vivem
num
mundo de
eternas
desculpas
pessoais
“Eu
nunca
assumo a
minha
responsabilidade,
pois a
culpa é
do
outro!”
(Recomendo
o livro
“Ser bom
não
chega”)
Se
queremos
pertencer
a um
coro,
associação,
família
ou
direcção
devemos
conhecer
a sua
cultura,
para que
a nossa
integração
seja
possível.
Há coros
que
aceitam
pessoas
desafinadas
outras
não,
associações
que
aceitam
sem
condições
novos
membros
outras
não,
famílias
que se
aceitam
uns aos
outros
outras
não, e
por aí
fora.
“Há
condições:
para
entrares
tens de
agir
assim
(mesmo
que não
seja
como te
sentes)”.
Vivo com
isso
diariamente.
Sejamos
honestos,
temos
medo do
diferente,
do
desconhecido,
tal como
os
“árabes”
da
Europa
do Sul
tinham
medo dos
“bárbaros”
da
Europa
do
Norte.
Agora
esse
medo não
existe,
pois nos
conhecemos,
já não
imaginamos.
Catalogamos
pois é
mais
fácil
para
nós,
como
meio de
defesa
pessoal.
Os medos
são
criados
pelas
imagens
internas
de uma
determinada
percepção
que
criamos,
se
alterarmos
a
percepção
deixamos
de ter
medo.
Uma boa
forma de
o fazer
é ser
honesto
e falar
cruamente.
Faço-o
nos
coros
que
dirijo.
Quando
somos
honestos,
estamos
em
contacto
connosco
mesmos,
sentimos
uma paz
e
alegria
imensa e
estamos
atentos
às
coisas
boas que
nos
acontecem
diariamente.(E
se
acontecem!)
Quando
não
somos
honestos,
vivemos
com
medos e
sob essa
percepção
vemos o
que nos
rodeia.
Sou
criticado
pela
minha
forma
dura e
directa
de
colocar
as
coisas,
mas
estou a
ser
honesto
em como
me sinto
e penso.
Catalogam-me:
idealista,
surrealista,
arrogante.
Importa-me
o que
dizem de
mim, dos
medos
internos
que cada
um tem?
Apenas
das
pessoas
que eu
amo, e
mesmo
essas
sofrem
com a
minha
honestidade
e eu com
a delas.
Mas é
mais
honesto.
Reacções
*Discordo que a honestidade traga sempre
benefícios ou que ser duro seja um modo de vida
saudável. Isto porque honestidade em excesso
pode interferir com a liberdade e vida de outras
pessoas, e na verdade, ser honesto implica que
exista uma verdade... e verdades existem muitas,
por isso pode ser inadequado impormos a presença
a nossa verdade. Por outro lado, dureza
normalmente é insegurança, quem não tem
argumentos nem razões explicáveis, opta por
afirmar e segurar-se demasiado fixo/inutável.De
resto, acrecento que na minha opinião em geral
as "palavras de maestro" são muito egocentricas,
mesmo que tente faze-las parecer filosóficas.
Estas palavras de maestro servem-lhe sempre para
dar recados e enviar mensagens suas para outros
e não para entregar algo de realmente
construtivo e altruista á humanidade.
Pode retirar-me desta lista de envio?
Obrigada!Andreia Gonçalves
*Grande Myguel!!!, tudo bem contigo. Recibi a
tua mensajem, e como sempre , estou de acordo.
so queria enviarte um abraço e saber como vai
tudo. Outro abraço. Sebastian
*olá Hoje consegui ler com mais atenção a
palavra de maestro e, de facto, muitas vezes a
honestidade traz-nos "problemas" e solidão no
sentido de ficarmos sós com a nossa posição,
opinião, atitude, por nos sentirmos bem com ela
e acharmos que é a mais correcta naquele
momento. No entanto, o princípio eleito por
grande parte das pessoas não é o da honestidade
mas, como diz e muito bem, o principio da "Maria
vai com as outras". Tenho esta experiência em
muitas situações da minha vida profissionail e
pessoal, o que, muitas vezes, me leva a pensar
se não sou eu que estou errada e todos os outros
estão certos. São apenas opiniões diferentes e
há que, acima de tudo, respeitarmo-nos uns aos
outros. Obrigada pelas suas palavras. Fazem todo
o sentido nos dias que correm Lurdes
*Meu caro Myguel Fiquei…sem palavras com
as suas. Pertinentes e exactas. Parabéns pela
sua conduta. Se o meu “voto” tiver causa e
efeito….não mude/! De certa forma…também sou
assim. Igual a mim mesmo. Um abraço! José Luis
Mendes Callais Coord. Prog. RDP INT.
*Bom dia! Revejo-me nalgumas dessas palavras…
Sara
*Dear Myguel, Thank you for this interesting
message ! Hope to see you in another event !
Best regards. Noël MINET
#43 Palavra de Maestro "Em quem posso confiar?"
Quando estamos à frente de um grupo esta é uma questão fulcral. Seja o grupo um coro, família , turma na escola, local do trabalho ou mesmo o país em que vivemos teremos sempre momentos de dúvida. Sejamos parte do grupo ou o seu líder a questão é transversal.
Digo muitas vezes nos grupos que dirijo “quanto mais darem, mais receberão”. O inverso também é proporcional. Se não me dedico à minha “cara metade”, aos meus alunos e professores, se não tiver brio no que faço no trabalho, como posso contestar se não sou reconhecido? Reconhecido pelo quê? Pelo que não faço? Reconhecimento significa que os outros têm conhecimento do que faço, do meu esforço, não da sua ausência. Chegar tarde por sistema, não trazer material, não ser uma mais valia para o grupo, mas antes pelo contrário ser uma distracção na evolução colectiva, há-de chegar o dia da “Operação STOP”. E dói bastante!
É isto viver em grupo, em sociedade. Os pequenos grupos tais como os coros, têm as suas regras de conduta e à medida que o colectivo avança se os indivíduos não acompanharem essa evolução ficarão para trás. Haverá gente que viva numa sociedade global que não saiba ligar um computador ou uma televisão? Estamos a falar de mínimos. Mínimos esses que quando não são cumpridos poderão levar os indivíduos prevaricadores a serem despedidos no trabalho, a verem a “cara metade” a terminar a relação, os pais a retirarem os filhos das actividades que eles gostam pois o rendimento escolar é negativo, a não actuar nos concertos de um coro, orquestra ou teatro, entre tantos outros exemplos.
Mas em quem eu confio?
Confio nos pais que confiam nos professores que confiam nos alunos que farão o seu máximo; confio nos queixoso que confiam nos advogados que confiam nos tribunais que se fará justiça; confio nos trabalhadores que confiam nos seus líderes que confiam que o futuro se constroí em parceria; confio nos coristas que confiam que o maestro confia nos que efectivamente trabalham; confio nas crianças que confiam que os seus progenitores mesmo cansados saberão dizer “não” porque os amam.
Confio nos coristas que estão nos ensaios, chegam antes da hora, com um sorriso, prontos para trabalhar e ajudar, que vêem o coro como um conjunto de vontades mas o grupo está acima da minha. Estes sabem que têm a minha confiança e eu a deles.
A confiança é feita de constantes acordos que tem a tendência para nos sentirmos cada vez mais seguros. Quem não procura o seu “porto de abrigo” ou o seu colo para em tempestades poder apenas estar e esperar pela vinda da bonança? Não se compra a confiança e não se constroí de um dia para o outro, mas de um momento para o outro poderá ficar seriamente abalada. Mas será possivel restaurar a confiança quando abalada? Acredito que sim se ambas as partes procurarem a verdade nua e crua: de um lado o arrependimento sem limites, do outro o perdão sem limites.
Um grupo será tanto mais forte quanto maior confiança houver entre todos, quanto maior e melhor fôr a sensação de “que bom é estar contigo”. A ausência deste sentimento faz com que haja maus ambientes nos locais de trabalho, famílias desagregadas, coros e orquestras com grupinhos em guerrilha interna, povos da mesma nação com ódios regionais.
Cada um de nós sabe em quem confiar. Não temos de confiar cegamente em todos, mas como é bom poder descansar num colo que confiamos.
Feedbacks
*Olá Miguel. Leio sempre com bastante atenção as
tuas "Palavras de Maestro", são sempre crónicas
interessantes e penso que ilustram bem a pessoa
que és. "Em quem posso confiar?" é sempre uma
dúvida que se coloca, porque mesmo aqueles com
quem contamos podem faltar no momento que mais
precisamos... Não pensei que esta minha crise de
asma se prolongasse tanto tempo que me
impossibilitasse de fazer Ramos, mas a verdade é
que o fez. Traí a confiança que tu ou o grupo
depositaram em mim? Obviamente não, só não estou
apta para o tipo de "tarefa" que o grupo, tu e
eu mesma esperávamos à partida. Por isso darei
outro tipo de contribuição, estando a assistir e
dando uma opinião "de fora" que espero possa
contribuir para a melhoria contínua do grupo.
Confesso que estou muito curiosa para assistir
ao concerto de hoje e ver o "antes" e o "depois"
da semana com o maestro americano! Já me estou a
desviar do assunto... Só para concluir, a
confiança é fundamental mas também há que pensar
no que cada um pode dar em cada momento. Não
pode estar tudo dependente de alguém que por
algum motivo não pode. Não é justo para essa
pessoa, que tem o enorme peso nas costas de não
poder falhar para não trair a confiança. Não é
justo para a grupo porque essa ausência ou falha
de alguém pode inviabilizar um trabalho de
meses... E pronto, aqui ficou a minha "Palavra
de Corista". :) Beijinhos. Isabel
|
#44 Palavra de Maestro "Falta de Verdade Sólida"
Há falta de verdade nos coros, pois há falta de verdade na sociedade. Todos os maestros sabem que um coro é uma microsociedade e se fôr um líder atento e observador consegue saber quando determinada pessoa/corista está a passar por uma fase boa ou má na sua vida pessoal.É sua obrigação chamar a atenção (se se interessa verdadeiramente pela pessoa).
As dificuldades que não nos matam, fortalecem-nos! As vitórias e regras apertadas “cimentam um grupo” (Fabio Capello). Sempre que o grupo está unido e forte nada o abaterá e os seus componentes unem-se como uma rede de aço. A “falta de verdade é corrosiva” (Platão). Esta é a maior adversidade dos nossos tempos: as pessoas preferem iludir a ver as coisas como elas são. É a chamada modernidade líquida (Zygmunt Bauman) pois os líquidos, diferentemente dos sólidos, não mantêm sua forma com facilidade.
Há falta de verdade sólida: quando os líderes de um país dizem que não haverá aumentos de impostos mas depois aumentam; quando familias não passam tempo qualitativo juntos; quando um corista falta para estar num outro coro ou está desmotivado; quando a infidelidade e homossexualiade entra nos casamentos (entre uma mulher e um homem) e se aceita ; quando a lealdade é algo de abstracto e não se pratica nas relações de amizade falando nas costas; quando o amor passa a ser um produto televisivo e não uma vivência diária nas pequenas coisas como o buscar de um copo de água.
Ao menos estejam calados: não falem, não prometam, não critiquem, não usem o termo verdade. Deixem-se de hipocrisias!
E depois anda meio mundo (será apenas meio mundo?) inquieto, infeliz, resignado. Este sentimento entra nos grupos de coros, teatros, orquestras e de escolas. São constantemente bombardeados pela falta de verdade que a vivem como uma verdade absoluta. Que verdade não seja confundida com agressividade e crítica destrutiva. É um trabalho duro e aqui deixo a minha admiração por todos os responsáveis de grupos, professores e Encarregados de Educação.
Quando não gostamos de alguém que não conhecemos ( e são tantos) é porque não nos sentámos e conversámos. Fazemos juízos de valor do que imaginamos que a pessoa é ou do que ela diz sobre a nossa pessoa. Será humano? Humano talvez seja, mas não é certamente de “Pessoa” (Rita Mendes Leal).
Nos coros que dirijo e nas relações que mantenho digo o que sinto, a “minha” verdade e com a verdade do “outro” chegamos à “nossa” verdade, sempre mutável mas sem relativismos. Não deixarei de dizer aquilo que penso e fazer aquilo que achar correcto e justo para o grupo. Um líder é o primeiro defensor do grupo indo muitas contra o que a maioria do grupo pensa, mas cabe a ele a “responsabilidade da autoridade” (Bento XVI) e de delinear os objectivos e exigir o esforço da verdade a cada corista.
Como pessoa, católico praticante, marido, pai e maestro exijo que as pessoas sejam verdadeiras comigo. A verdade incomoda, mas apenas aos vivem na verdade relativa ou hipócrita, ou seja, na verdade líquida.
Feedbacks
*Maestro Gostei da mensagem.É por isso que
quando se chega ao lugar de lider muitas vezes
se fica só,porque ninguém gosta de ouvir
verdades.Desejo muita sorte para sua carreira e
coro.
Um Abraço Natália Neff
*Olá outra vez O seu mail tocou-me e por isso
tenho que lhe responder...(...)Concordo
plenamente consigo quando diz que a falta de
verdade é corrosiva.As meias-palavras, a verdade
adaptada às circunstâncias, as pessoas que
fingem ser o que não são, a "mosca-mortice" e a
"sonsice", a ausência de lealdade, a
maledicência com o intuito de prejudicar o
outro, a inveja, a falta de verticalidade....
Tudo isso caracteriza uma boa parte da sociedade
actual, e choca...choca e corrói!...Que bom
seria se de cada ser humano pudessem
transparecer as suas características! Mas isso é
cada vez menos verdade.Estamos num mundo
altamente competitivo, em que todos temos uma
maior ou menor necessidade de nos exibirmos, de
prevalecer sobre os outros, mas alguns fazem-no
sem o mínimo pudor. (...)Bom fim de semana e
desculpe o desabafo!... Eulália
*Meus caros!Eu também sou músico e
instrumentista profissional e não poderia deixar
de fazer um reparo ao artigo que me foi
enviado... "Muito Reaccionário, Conservador e
ate pretencioso!Eu sou totalmente independente
em relação aos lóbies económicos, partidos
políticos e religiões... Como há muitas
religiões neste mundo, por acaso sou baptizado
mas não sou praticante...Este artigo carece de
vícios, e até" pecados", já que é assinado por
um católico praticante, limitando o seu campo de
acção, em termos de pensamento!Verdades
absolutas? Não existem... Meus cumprimentos,R
*Miguel Só para partilhar uma frase que às vezes
digo às minhas filhas e amigos:"A verdade dói
menos que a mentira"A mentira ao ser descoberta
fere mais que a verdade inicial.BJS Manuela
Martins
*Meu caro maestro O seu artigo de opinião...é
forte e sensível. Partilho dos seus pontos de
vista. Um abraço. José Luis Mendes Callais
*Bom Dia Já que acompanho o Coro há uns anos,
não me inscrevendo apenas por falta de
disponibilidade em tempo e dinheiro, quero dizer
que, sendo apenas pessoa, (não sou católica, não
sou maestro, não sou pai, não sou casada) estou
absolutamente de acordo com as palavras do
Maestro. E faz muito mais sentido chamar
"verdade líquida" ao progressivo descompromisso
da sociedade. Gostei. Fernanda Helena de
Carvalho
*YES! Thank you for the truth! TRUTH has been my
goal in life since a teenager! THank you for
being a warrior of the truth and courageously
showing the way! LOVE YOU! kisses & hugs,Sanna
|
#45 Palavra de Maestro "O tom motivador"
Segundo o Wikipedia o Tom se refere à altura de um som na escala geral dos sons. Para que um coro ou orquestra possa tocar em conjunto devem tocar todos na mesma tonalidade ou tom e afinados pelo mesmo som ( por exemplo o diapasão). Por isso mesmo antes do início de um concerto de orquestra o concertino dá a nota pela qual todos os instrumentos devem estar afinados; por isso mesmo o maestro dá as notas correspondentes à peça a interpretar por um ensemble de vozes. Isto tudo antes de poder sequer começar a música propriamente dita.
Num grupo de pessoas, díspares nas suas personalidades, ideologias, educação e valores, também é necessário que todos percebam o tom certo que os liga a todos: são as chamadas políticas de cultura de grupo. Dependendo do objectivo que tenha cada grupo, coro, orquestra, empresa, teatro ou família é muito importante que todos os intervenientes tenham presentes que o seu instrumento, a sua pessoas, a sua opinião é importante mas nada está acima da harmonia do todo. Imaginemos o que seria se numa orquestra alguém dos metais lembrava-se de “carregar” na dinâmica do seu instrumento perturbando toda a execução daquela obra ou então aquela soprano que infelizmente, para quem ouve, ainda não percebeu que está a cantar num coro...
É um gerir constante de emoções! Tem de tão desgastante como de motivante. Desgastante, pois um Encarregado de Educação atento é aquele que privilegiando a autonomia do seu Educando é o primeiro a apoiar e a ajudar nas dificuldades, de modo que em situações semelhantes o Educando consiga fazer face a elas e ultrapassá-las, enfim, cresce; Motivante, pois vê o seu “rebento” a desabrochar e a trilhar a vida. Assim acontece num coro, assim acontece no VoxLaci. Proporcionar aos coristas etapas evolutivas musicalmente, fá-los sofrer, frustrar, chorar, mas passa por ai, pois são as “dores de crescimento”. Mas como é bom “chegar a Bicesse!”. Respeitamos a liberdade individual, pois qualquer um pode sair quando quiser, mas não podemos aceitar alguém que pensa poder estar acima do tom colectivo. A bem do grupo, da harmonia musical, oferecemos uma partitura em “mute”.
Quando vejo miudos e graúdos a não terem tento na língua, namorados a gritarem como se estivessem num mercado, amigos que não sabem falar sem denegrir o outro, penso “Estás a precisar de ir para um coro!”. Antigamente diziam que era na tropa que os rapazes de tornavam homens, pois aprendiam a contar com eles próprios, a respeitar a hierarquia e regras, a saberem viver com a liberdade do outro. Hoje temos alunos que vão passando de ano sem nada saberem, dando pontapés na gramática e sem saberem a tabuada (e a baterem nos professores?!). Desgastante?! Não, é muito motivante! Pois podemos fazer a diferença na nossa familia, bairro, coro. Dizemos qual é o tom com que queremos ser tratados e demonstramos como todos temos a ganhar se todos harmoniosamente estivermos na mesma tonalidade. Simples?! Não, mas é muito motivante!
Com os melhores cumprimentos.
o maestro,Myguel Santos e Castro
www.voxlaci.com
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