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Palavra de Maestro 

#1 PALAVRA DE MAESTRO: Natal=Coros; Resto do ano=Nada!

Estou ligado a coros há mais de 10 anos! E há mais de 10 anos que verifico o seguinte no nosso país: as pessoas , geralmente, não saiem de casa para assistir a actuações de coros! Mas na altura do Natal (até) vão! Porquê?!?! Simples!

  • O repertório apresentado pelos coros é normalmente do conhecimento do público que assiste;
  • As pessoas estão mais sensibilizadas para os “X-mas carols”, do que para o resto do repertório coral;
  • Existe uma ideia generalizada que “os coros são uma seca!”, mas como é Natal pode ser que haja um milagre

Quanto ao primeiro ponto, quem é que gosta de ser apanhado de surpresa? Só se for uma boa surpresa! Não o será quando o repertório de um concerto é completamente desconhecido. Nem mesmo uma peça para que o público possa participar activamente ( já não digo cantando com a sua voz, mas com a sua alma). É fundamental fazer boa música coral para o público. Sem público, não há actuação! Um artista sem público, mais vale não marcar concertos, pois cantará para si e só para si.

Que as pessoas estão mais sensibilizadas no Natal é verdade! Mas voltamos ao ponto anterior! Sejamos francos e sem qualquer tipo de preconceitos! Aquele espírito de Natal, as luzes, o Pai-Natal, a árvore, o presépio, e acima de tudo, o Menino Jesus, está já embrulhado de certos clássicos de natal, que os coros não devem, nem podem fugir! São os clássicos que o público quer ouvir! E existem milhares de versões e arranjos para todo o tipo de gostos dos denominados clássicos de Natal! Faz sentido que num Concerto de Natal não tenha um “We wish you a Merry X-mas”, “Noite feliz” ou um “Jingle Bells”? Temos que ter um grande respeito e consideração pelo público saciando a sua fome e sede! Não sou dos que fazem música só para que os outros gostem, mas temos de ter um repertório ( no Natal ou noutra época), equilibrado: conhecidas com desconhecidas (que depois passam para o lado das conhecidas). O público é como um bebé: há que saber dar de comer! Ou nós desde de pequenos já gostávamos de chocos, ou de iscas, ou de um bom peixe grelhado? Tudo se educa, tudo se aprende e especialmente o bom gosto.

Chegámos ao terceiro ponto –tentei  simplificar o mais possível, mas muitos outros pontos podiam ser acrescentados – da ideia generalizada  de que é uma seca assistir a coros! Devo dizer que em muitos casos, é verdade. Uma falta de respeito completa para com o público! Mas só fazem uma dessas ao público! O problema é quando, esse público que ficou “vacinado” a coros, já nem quer tentar ver outros,; já nem dá o benefício da dúvida! E os coros que têm um enorme respeito pelo público, equilibrando o seu repertório com peças desconhecidas e conhecidas, com momentos calmos e serenos  e outros mais vivos, temperado com o condimento da qualidade, sentem que remam contar a maré. É como quando estamos a ter um pesadelo e esforçamo-nos para correr, mas o nosso movimento é muito lento, apesar de todo o esforço para chegar à tal porta!... 

As mentalidades mudam se os tempos mudarem também! Não podemos ter o mesmo tipo de coros de há 20 anos atrás! Há que haver uma lufada de ar fresco, sangue novo, pois senão corremos o risco do colesterol e de enfartes cardíacos que matarão quaisquer hipóteses  de sucesso de as pessoas saírem das suas casas para assistirem a coros.

O maestro, Myguel Santos e Castro


Palavra de Maestro    #2 II DOMINGO 

Acreditando num ente superior ou não, chame-se Deus, Alá ou outro, o que é certo é que todos nós, cada um de nós , procura estar bem consigo mesmo e com os outros, uma “espécie” de paz interior, a que chamarei agora de espiritualidade! Este equilíbrio entre as forças do exterior e do interior, entre o stress do dia-a-dia e a serenidade do nosso coração, entre as vicissitudes da nossas relações pessoais e a tranquilidade da nossa alma...convenhamos!...não é fácil! Este equilíbrio cada pessoa encontra de várias modos: uns a irem ao ginásio, outros a apaixonarem-se, alguns a descobrir locais no mundo onde são fontes para retemperar de forças (Taizé, França?), etc. Mas a espiritualidade no seu conceito mais vasto está indubitavelmente ligada à instituição da Igreja!

Foi num convite, feito pelo Prior da Igreja Paroquial de S.Domingos de Rana, que desde Novembro, que o Coro VOX LACI Adulto, é responsável pela animação musical da Eucaristia no segundo domingo de cada mês. Os resultados viram-se de imediato no final da primeira Eucaristia, e sobretudo antes do começo da segunda vez:

  • no final da primeira, pois veio muita gente agradecer pelos momentos musicais (espirituais) que tocaram no coração das pessoas, ajudando assim a fazer uma melhor ligação entre o equilíbrio exterior e interior;
  • na segunda pois, sabendo já que seria o Coro VOX LACI Adulto animar a Eucaristia, a Igreja encontrava-se a abarrotar mesmo antes do início da mesma, participando no ensaio que é feito 30 minutos antes da celebração;

Aceitei o desafio, estando consciente da eventual resistência que iria encontrar no seio interior-“MISSA?!?!” Benefícios para o Coro? Os mesmos de um concerto ou actuação, mas com um suplemento maior de espiritualidade, de uma certa paz interior! As razões de ter aceite?

    1. Haver uma rotina de concertos, ajudando a quebrar o medo inicial do palco! Havendo no mínimo uma actuação por mês, permite a que todos tenham uma relação “tu cá , tu lá!” com o palco;
    2. Permitiu uma integração muito maior dos novos coristas seleccionados nas Audições! Visto que são peças (em português e latim)que não têm um grande grau de dificuldade, apenas com um ensaio as dez peças todas, ficam prontas, permitindo que os novos coristas possam estar em palco o mais rápido possível;
    3. Estamos a actuar para 400 pessoas por mês! São o maior veículo de publicidade! São também potenciais futuros coristas!
    4. Sentimos uma adesão muito maior nas Audições em Janeiro! Perguntámos como sabiam das audições e porquê que gostariam de ser VOX LACI? Souberam através da folha de cânticos ou da folha de concertos; porque fazemos boa música e somos úteis!
    5. É também um dever cívico, colocar à disposição da sociedade os nossos talentos (parábola dos talentos) e fazer frutificar! Sinto que agora, os coristas do Adulto e do Juvenil ( que se juntaram desde da Eucaristia passada), no final sentem uma certa paz, dever cumprido e alegria por termos actuado!

Existem milhares de peças que podem ser interpretadas no decorrer de uma cerimónia! Não é vergonha actuar em missas! Vergonha é actuar sem as peças terem qualidade pois ou não estão ainda prontas, ou porque o maestro ou o coro não tem ainda capacidade para a  interpretar! Na Alemanha, França, Inglaterra, países bálticos, é com orgulho que participam em cerimónias religiosas, pois fazem-no com grande qualidade!

Coros que já tenham atingido um bom nível de qualidade: coloquem as vossas gargantas ao serviço do outro!

 

Despeço-me respeitosamente,

O Maestro, Myguel Santos e Castro


#3  Todos os dias deparo-me com pessoas mal dispostas... certamente não cantam em coros! 

Todos nós sabemos que a música tem um efeito terapêutico nas pessoas! Seja a ouvi-la ou interpretá-la, a música é um veículo de emoções! Tudo o que está cá dentro salta cá para fora! E é com este "cá para fora" que os maestros trabalham para que esta energia toda que se gera numa sala de ensaios, com pessoas tão diferentes umas das outras, com locais de trabalho tão díspares, modos de pensar ,  problemas pessoais e profissionais, tenha um objectivo comum: que as pessoas se sintam bem em cantar! Sem este sentir bem interior, sem esta paz, as pessoas, os coristas não deixam grande margem de manobra para o maestro faze-las atingir patamares individuais, e por consequência, colectivos. Aprendo todos os dias, com um olhar mais triste de um corista ou com um sorriso mais forçado, aprendo que a minha primeira função como maestro é eu ser feliz com o que faço! Se eu for feliz, a minha energia contagiará um a um, e o contágio coral, é mais rápido de que um vírus informático. Seja um contágio positivo, seja negativo. O povo diz "que quem canta, seus males espanta!". Então cantem! Cantem, que os vossos problemas não desaparecerão mas terão outra visão sobre eles! Cantem, que um amor não correspondido continuará a fazer sofrer mas não são os cantos de amor os mais bonitos? Cantem, que mesmo o mais desafinado tem direito a aprender a cantar!

Cantem e contagiem! Contagiem e teremos mais coros, mais pessoas, mais alegria de viver, porque Cantamos!

Reações

»» Viva Maestro Myguel!  Muito Bom Dia! Chapeaux!!!!!!!!!  Como dizem os franceses! Chapeaux para o seu bom sentido de humor! Para o seu entusiasmo e empenho!  Há dias, depois de um acesso de relativo mau humor…um anjo sussurrou-me:” ponha música na sua vida”. Estou a seguir o conselho. Continuação de Bom trabalho…com esse entusiasmo todo. Até sempre  Um abraço

Isabel Macedo

 

»» Pedimos que nos retirem da vossa lista !

 

Ex.mos Srs.

 

- O Projecto Vox Angelis não pretende continuar a receber a vossa Newsletter no endereço de e-mail. Por favor, pedia-lhe que nos retirasse da sua lista !  Muitos cumprimentos,  A Direcção da Vox Angelis

 

 

* Lamentamos o transtorno e lamentamos ainda mais a falta de espírito de cooperação!  Está  retirado o vosso email!

o Maestro, Myguel Santos e Castro  www.voxlaci.com

 

- Uma pequena advertência ! Maestro 

Em resposta à sua observação "lamentamos ainda mais a falta de espírito de cooperação", gostaria de lembrar-lhe que a vossa informação institucional não nos é útil e nem nos interessa.  Nessa medida, não se trata de cooperação, mas trata-se de inteligência, coerência e bom-senso.  Muitos cumprimentos

 

* Não sabemos sinceramente o porquê de tanta agressividade! Talvez seja porque no vosso largo repertório sacro haja falta de Deus...

Lamentamos mais uma vez a vossa falta  "de inteligência, coerência e bom-senso". Saudações corais e sucesso  

o Maestro, Myguel Santos e Castro
www.voxlaci.com 


#4  “é um pais do ram-ram!”

 Nunca tinha ouvido esta expressão, mas de facto, é uma expressão que denota a frustração e a desilusão de quem quer fazer algo, mas depende de outros .E depender dos outros neste pais... é um ram-ram!

É de facto um pais pequenininho em mentalidade. Como haverá este pais não estar na cauda? São nas simples coisas, nas “burocratices”, nos papeis e mais papeis, na passividade de tantas pessoas, na inércia da resolução, na pouca vontade de  fazer, na preocupação com o seu umbigo, no picar o ponto na entrada e saída, na falta de brio em si próprio e na tarefa a executar,... É um ram-ram de coisas que de facto desespera o mais destemido e obstinado herói que quer fazer pela vida, fazer “coisas” neste pais. Mas como herois que são, existem poucos. Sim não vale a pena ser herói. “ Herois não existem!”

É de facto muito irritante, querer fazer, querer lá chegar, sonhar com ideais e ideias , e termos alguém do nosso lado a dizer” é uma utopia!” ou “ tomara eu ter tempo para as minhas coisas!” De facto tempo, deve ser a única coisas que todos temos por igual! Do mais pobre ao mais rico: 24h por dia! Mas há quem decida fazer algo de útil para a sociedade nesse tempo! Outros ( e são a maioria) preferem como que numa consola de jogos brincar com a vida e paciência de utentes de um hospital , de um serviço, ou de uma associação.

O que fazer para que essas pessoas, que normalmente, não são pessoas que ocupam lugar de chefias (no fundo são uns frustrados, pois farão e serão sempre ram-ram), se apercebam que não trabalham por conta de outrem mas por conta própria, que o Estado não é ele mas todos nós, que o grãozinho de areia como se sentem trava a engrenagem! Nada! Não se pode obrigar alguém mudar e evoluir. Apenas a vida, as tareias que a vida dá, tem esse dom da mudança. Infelizmente há quem prefira o ram-ram e lamentar-se. As coisas mudam, as sociedades mudam, as pessoas nem todas... Para muitos ser-se funcionário público é um objectivo, “ é pouco , mas é certo”! Com os despedimentos que vemos ao nosso redor de empresas publicas, afinal “não é (tão)certo”. Certo é a morte, e o que fazemos da vida é da nossa inteira responsabilidade.

Se é verdade que o ram-ram dos outros é obstáculo ao nosso fazer, também é verdade que o ram-ram  dos outros não impedirá de atingirmos os nossos sonhos. Pode demorar mais tempo, mas fiquem sabendo que chegamos lá!

 Reações

»Concordo completamente consigo e grito também" quem sabe faz a hora, não espera acontecer..."
Que este ano, apesar de todas as dificuldades que se nos deparem, consigamos todos continuar a cantar bem e muito!
Beijinho para todos,
DAD
Coro Ecce Gratum - São João do Estoril

»Adorei!...e Concordei! Cumprimentos,  Cristina Tomé  cdanca-almada

»Caro Myguel Santos e Castro  

Gostei muito do texto “Palavra de Maestro” e gostava de o incluir como artigo de opinião no Jornal de Cascais. Para isso, preciso do seu acordo e de uma fotografia tipo passe.  

Aguardo uma resposta, Ana Luisa Pinho (chefe de redacção)  Jornal de Cascais

»Viva Miguel!  Acabo de ler o seu email! No placar que tenho ao lado da minha secretária colei uma mensagem…que um colega um dia me fez chegar…num dos meus momentos de desalento…desse mundo que fala, e passo-lho: “Em vez de te lamentares da escuridão… Acende uma vela!   

Que o conforte a si como a mim me vai confortando…qdo as forças se vão abaixo! Bjo amigo Até sempre!  Isabel Macedo

»Myguel, ao ler o seu email de ontem, ñ percebi se havia chorar..vi nele, um retrato perfeito de comportamentos arrogantes duma sociedade sem consideracao por si propria. Gostaria de alguma forma continuar com o LUTADOR chamado Myguel. Admiro-o e nao kero viver no mundo so dos utopicos. Bem Haja  Clotilde


 #5  Não podemos continuar a lavar as mãos!

 A educação e formação são temas muito sensíveis para mim. Quer um, quer outro são a base de um indivíduo, e por conseguinte, a base de um grupo, de uma empresa, de um concelho, de um pais, e por final, de um mundo. Não são “as crianças de hoje”, não são “onde isto vai parar”, não são “os alunos que batem em professores”, não são “os adolescentes de hoje”, não são “os adultos não querem emprego, mas trabalho”! São “os pais de hoje”, são “onde estiveram vocês que não pararam os  vossos filhos”, são “porque não quiseram se chatear no momento certo”, são “os pais de ontem”, são “os valores do facilitismo e da não frustração”. Isto pára, no dia que nós pais parar de lavarmos as mãos. No dia em que nós, mesmo cansados do trabalho, brincamos com os nossos filhos ao final do dia; mesmo com o trânsito caótico arranjamos maneiras de fugir dele e organizamos programas em família; rotinas familiares, tais como sentarem à mesa sem televisão; rotinas em que se conversa do que acontece de bom e de menos bom; horários fixos de deitar e de levantar permitindo o corpo e a mente descansarem para que no dia seguinte esteja recuperado.

Paremos de lavar as mãos senhores empresários, quando acusamos a crise dos maus resultados, procuremos novas oportunidades e inovemos! Paremos de lavar as mãos senhores políticos, quando por “ restrições orçamentais” não apoiam as crianças e jovens na ocupação dos seus tempos livres, na cultura, na formação, na educação, não prevenindo e gastam milhares em tentativas de reintegrações, curas e desintoxicações. Paremos de lavar as mãos agentes culturais subsidiodepentes, quando não há dinheiro, nada fazem e atiram a responsabilidade para os outros. Paremos todos de lavar as mãos! Este testemunho e legado da lavagem de mãos tem de acabar, e agora! Não é só fazer um filho, não é só ter um canudo, não é só ser eleito, não é só picar o ponto! Isso tudo é o começo de uma responsabilidade de fazer algo, de inovar em tempos de vacas magras, de usar a imaginação para ultrapassar os obstáculos, de FAZER!

Pais!!!! Estejamos atentos aos nossos filhos, pois senão estivermos, outros estão à espreita. Depois é tempo das lamentações, do “fiz tudo o que sabia”! A questão é que no mundo globalizante fazer tudo o que sabemos muitas vezes não chega. Há que querer saber mais, para fazer melhor! Há que saber mexer no computador, para saber que conteúdos eles estão a ver. Há que resistir ao constante consumismo, dos ténis xpto, do telemóvel última geração, do leitor mp3, dos gadgets que a toda a hora nos tentam incutir como bens de primeira necessidade. Há que impor regras com consequências claras caos as respeitam ou não, há que impedir de ver tanto lixo na televisão, há que estar com eles! É difícil ?!?!?

E quem disse que amar era fácil?

Feedbacks

*Maestro   Tem toda a razão, mas ...... estou farta!, porque se eu fosse ( e o meu marido!) e todos os outros Pais dos seus coros como critica....não tinha alunos! Somos nós que continuamos, e acreditamos, que vale a pena tentar fazer a diferença, e Deus sabe muitas vezes com que sacrifícios! ...Quando falo disto não são os monetários que me afligem mais, são os sociais... pelos valores que estamos a incutir  e que transformam os nossos filhos nuns "estranhos" perante o mundo que estamos a criar e onde eles vão ter que lutar com "armas" bem diferentes das comunmente usadas. Ainda não estou certa de que tenho este direito! Por isso peço um favor... escreva , critique, tem toda a razão e concordo com o que pensa, mais ....faça o que pensa!, Aliás a  prova é que a maioria dos seus formandos ( porque assim os considero ) troca muita coisa pelo prazer de estar  nesse projecto.  E no mínimo utilize os seus Jovens como exemplo de que mudar é possível, e de que afinal Pais como os que pede existem.  Cumprimentos Mafalda Monteiro


#6  o tal pequenininho

 

 

Nada é errado, nada é proibido, isto se soubéssemos pormo-nos no lugar do outro. Cada atitude tem uma consequência, mas antes cada atitude tem uma causa. Quando existe um novelo de lã emaranhado, é porque começou com um pequenininho nó, que não faz muita importância no inicio, mas começa a incomodar à medida que o tempo passa. Temos inúmeros exemplos disso: uma avalanche, um assassinato, um furacão, motor gripado, divórcio, uma doença, uma falta de aptidão de integração social, uma depressão, etc. Todos eles começaram com algo muito pequeno ( um floco de neve, um acontecimento traumático na infância, uma brisa, falta de óleo, falta de diálogo, etc.), mas que marcará no desenrolar do tempo; todos eles tem uma origem, uma causa, uma estaca zero. Se nos libertássemos de preconceitos e valores estabelecidos pela sociedade, entenderíamos o mais hediondo, o mais horrível. Foi por isso que foi criado as regras na família, no trabalho, na sociedade, pois assim cria-se o comportamento aceitável, independentemente da origem de cada um, das causas que definiram a personalidade, das mágoas, raivas e frustrações. Ninguém tem desculpa, pois as regras são claras. Eu diria que ninguém tem culpa, mas responsabilidade. A palavra culpa tem uma carga negativa tão pesada que não permite que o indivíduo se responsabilize, nesta sociedade generalizada pela falta de amor. Muitos andam à procura da sua alma gémea, outros frustrados com a metade que encontrou, poucos são felizes pois entendem que é preciso fazer diariamente pelo outro, todos à procura da causa de si mesmo. É um desencontro do “que preciso” de cada um. É a evolução da consciência individual e global. Não diria que seja uma visão dramática, mas uma visão que pretende aceitar a responsabilidade das minhas atitudes mas que procura estar em paz com a causa que define aquelas.

Quando temos um problema, temos de procurar a solução, e a vida diz-me que é o tal pequenininho nó onde tudo começou. Tudo tem uma solução: seja a solução de amar, lutar e ir à procura do pequenininho nó; seja a solução de amar, lutar e ir à procura de um novo novelo de lã...


#7  Relações em rede 

Se todos cuidassem primeiro de si, não precisariam do outro para viver. Não nascemos para estar sós, mas também não nascemos para sermos dependentes. Estamos ligados através de inúmeras relações, como que se tratasse de uma rede, quando há uma linha que se rompe o todo aguenta, quando dependemos de uma relação e se a linha arrebenta, nós arrebentamos. É muito importante estarmos em vários grupos. Cada grupo tem determinadas características que nos dá algo que permite que nos sintamos mais fortes como indivíduo. Mas deve ser uma relação  de equilíbrio entre dar e receber. Tal como a relação que estabelecemos com quem queremos que nos rodeie. Como saber se estamos em equilíbrio? A maior parte sente que dá mais do que recebe, mas se assim fosse não devia haver uma menor parte que sentia que recebe mais do que dá? Tenho algumas dúvidas de conseguir encontrar alguém deste último grupo. Pelo menos aqui na “zona”!

E que tal se permitíssemos receber? E que tal se não sentíssemos em dívida ou culpados? Não há uma balança de pagamentos de importações e exportações do amor. Mas temos algo dentro de nós que nos diz, ou que nos incomoda, e se a quisermos ouvir, saberemos saber viver a vida como ela a merece: em pleno! Mas tal como nos esforçamos na escola para ter boas notas, ou no local de trabalho, é necessário esforço para sermos felizes. Esta ideia que nos violenta que tudo é tão fácil... fácil é baixar os braços, fácil é não fazer nada, fácil é o capitão largar o seu leme, fácil é dizermos que somos assim e pronto, fácil é culparmos o outro pelas nossas frustrações e fracassos! Difícil é ouvirmos o nosso interior sem sermos molestados pelo fácil. Todo o esforço tem uma consequência: seja a recompensa que nos fez avançar, seja a frustração de não atingirmos. Vencedores não são aqueles que têm mais vitórias, mas os que souberam fazer depois das derrotas. Uma boa relação é aquela que não termina após um desentendimento, mas fortalece-se, um bom grupo não se desagrega na dificuldade, mas une-se e procura novas soluções. 

Feedback

"Uma boa relação é aquela que não termina após um desentendimento, mas fortalece-se "Aí é que está o busílis, amigo... Por isso mesmo, por vezes chegamos à conclusão que, apesar de tudo o que demos e de tudo o que recebemos, não conseguimos construir uma boa relação...  Até... Sandra 

Boa tarde, maestro
Pelo desabafo, acho que está a precisar de passear um pouco no meu jardim. Permita-se um pouco de sonho.
Passeie pelo www.jardimdepedra.blogspot.com
Um dia feliz  anete joaquim

Exmo Sr Presidente do Coro Vox Laci, A Poesia e a Música Coral andam por vezes de mãos dadas. Por isso o convidamos cordialmente a visitar a página: www.poetas-somos.org

Com estima e consideração, Orlando Soares  Fânzeres-Gondomar


#8  Diz-me como comes o bitoque, dir-te-ei quem és 

 Quando temos um bitoque à nossa frente o que fazemos? Qual a estratégia? Atacamos as batatas? Deixamos o ovo para o fim? Não comemos a pouca salada que existe? Engonha mos a comer o bife? São nos pequenos comportamentos, nas pequenas estratégias que nos vamos moldando para o futuro. Recentemente saiu um trabalho que dizia que as crianças que conseguiam deixar o ovo para o fim, tinham um nível de aceitação à frustração muito elevado face às dificuldades, sabendo que seriam recompensados no fim. Isto vai ser uma ferramenta muito útil para o seu futuro! 

No mundo de hoje atacamos o ovo, o que dá prazer de imediato. Um sinal visível é o nível de obesidade infantil; um sinal menos visível é o aumento de pessoas em tratamento psiquiátrico e psicoterapia... Se hoje as coisas parecem más, no futuro será muito pior, pois estamos a habituarmo-nos pelo princípio do ovo. E que tal se deixássemos todos o ovo para o fim? Sabendo que há ovo no fim comeríamos a salada que faz bem ao corpo, não mastigaríamos a carne como se tratasse de pastilha elástica e as batatas molhadinhas no molho e ovo é que “saberia a pato”. Mas não!!!! “Porque eu tenho que sofrer? Que disparate! Eu tenho é que ser feliz!” Pois é, mas não vejo muitas caras satisfeitas por ai... vejo sim uma busca desenfreada pelo encher de um vazio através de prazeres imediatos. É como se quiséssemos esvaziar o mar com uma concha. Não é esse o caminho. Em vez do “eu tenho é de ser feliz!” porque não alterar o discurso e com ela a atitude. “Eu tenho é que me sentir bem comigo próprio/a”. É muito chato muitas vezes, mas temos o chato do Grilo Falante , a nossa consciência que nos fala. Podemos não querer ouvir, mas vai pesando e pesando.

Em princípio temos todos uma certa consciência do que é o certo. “E é certo sofrer?!?!?!” Depende. Não é certo sofrer porque que se está longe e quer estar perto? Não é certo sofrer porque é preciso perder algum peso para ser mais saudável? Porque ralhamos com os nossos filhos porque os amamos? Damos segunda oportunidade porque também falhamos? Comer tudo e deixar o melhor para o fim? Poupar em pequenos sacrifícios para comprar algo maior?

Sofrer por algo maior sim, sofrer por sofrer, por masoquismo, porque não se é amado não. Como canta Padre Zézinho “ A decisão é tua, a decisão é tu-u-a!”


Feedback das Ultimas Actuações

Com a época de exames em que estou, tive que fazer as minhas opções.e penso que não errei nas minhas escolhas. não faltei aos ensaios nem aos 3concertos. ajudei a montar na quinta feira o palco nos maristas de manha.á tarde fui ao ensaio geral.no sábado apresentei-me logo de manha para qualquer ajuda. e isso foi recompensado.e hoje estou feliz por isso. foram três concertos diferentes mas muito bons para a evolução do coro Vox Laci. no concerto de sexta foi evidente o equilibrio que existe entre o coro Juvenil e o Adulto. a energia juvenil com a maturidade do adulto brotou num concerto muito coeso, simples e brilhante.sem material e improvisando, pois estava nos maristas, os coros conseguiram transformar o concerto num serão de vozes do lago, encantado as poucas pessoas que lá estavam (que foi uma pena). Do concerto do maristas penso que não é necessário falar, pois foi um concerto maravilhoso, onde cada coro deu o seu melhor. O concerto os jerónimos foi o culminar perfeito do trabalho que o coro juvenil teve ao longo deste ano.Agradeço ao maestro Myguel, pelo empenho e pela entrega que tem feito desde o inicio do seu sonho. desejava ter 100 pessoas. hoje tem mais de 140 nas suas mãos. temos todos que lhe dar um obrigado.mais que um projecto é uma alegria tão para quem assiste como para quem canta. Tenham ATITUDE e seremos os melhores.  David
 

OLÁ ‘ MYGUEL’ Muitos parabéns pelo concerto de ontem dia 25, nos Jerónimos. Como pude constatar o Coro Jovem tem feito progressos muito significativos… estão mais coordenados, as coreografias mais perfeitas, o visual está muito bonito, é muito agradável ver o ouvir um grupo de jovens que sabe estar em palco.  Parabéns a todos, continuem a cantar e encantar, um futuro cheio de sucessos.  Da Amiga, Ana Maria Santos

ola maestro! quero desde ja dar os parabens pelo belissimo espetaculo de hoje... o coro juvenil está cada vez melhor e nós nem sequer temos noçao disso, so mesmo quem ve de fora, claro que ha muito a melhorar, mas no geral desde a sonoridade, presença e ate mesmo a propria atitude esta muito boa! as pessoas estavam a deliciar e a saborear o exlente expetaculo que o coro estava a propocionar! um espetaculo tao bom que foi de ir as lagrimas!!! gostava também de dizer que existem diversas pessoas que estao de parabens, a oportunidade que foi dada a teresinha de fazer o solo (e muito bem) e que cantou divinalmente, o eugenio que esta com uma presença muito boa e ate a joana khalil q esta a levar isto cada vez mais a serio.  Ana Cotovio

Olá Myguel, Parabéns pelo seu trabalho, pela sua dedicação pelo seu amor ao trabalho. Hoje finalmente consegui ver como o Miguel fez o coro evoluir, sei que sem coristas não era possível, mas sem o Miguel era UTÓPICO, mesmo impossível. Sabe que eu não digo o que não me sai da alma, e do coração. A verdade é que o Coro é do Miguel. Não quero que me responda nem agradeça, eu é que deixar bem claro como me orgulho de si e do seu trabalho. Um Abracinho Luisa

Olá Myguel! Adorei o concerto de sabado e queria dar-lhe os parabens e agradecer o seu excelente trabalho.Obrigada mais uma vez, Sofia

Adoro o Coro VOX LACI e Adoro particpar nele! Sara

Gosto muito de trabalahr com o maestro! Carolina

Foi muito, muito giro! Anónimo

Este espectáculo foi muito bem organizado e o Coro VOX LACI é muito unido!! Rita Faria

Muito Bom, gostei muitíssimo, mas pouco divulgado!!! MªFerreira

Foi espectacular e muito bem organizado. Penso que deveriam haver mais concertos em conjunto (4 coros) durante o ano e não apenas no Natal e no encerramento das actividades. Também poderia e deveria ser mais divulgado nos arredores.Parabéns e felicidades! Lurdes Barbosa

Gosto muito de participar no Coro VOX LACI, nunca vou querer desistir! Parabéns a todos nós! Inês Moreira

Acho que o Coro VOX LACI é um coro muito unido e que o maestro faz tudo para que o coro cante muito bem. Barbara Costa

Acho que o espectáculo está muito bom! Carolina

Espectacular! A organização está fantástica e o coro está cada vez mais a atingir um estádio de maturidade, profissionalismo como nunca. Continuem! Parabéns! Ângela Alves


#9  Vale muito a pena viver! 

“Quando chegarmos ao nosso último dia ou chegarmos à outra vida, aí perceberemos o porquê das coisas da nossa vida...”

 

Não sei se será assim, mas sei que tudo o que acontece, acontece porque tem uma razão de ser. Mesmo as coisas mais monstruosas e inacreditáveis, mesmo as coisas mais sem sentido e as que menos estamos à espera. Hoje vivi esta última.

 

Vi reunido numa sala pessoas que nada tinham a ver uns com os outros, e por causa de um sonho de há mais de 13 anos, por causa da música coral, se uniram e fizeram algo em conjunto. Pessoas estiveram juntas em comunidade, à parte das suas crenças, educações e ideias. Estiveram alegres, conviveram, deram-se a conhecer, trabalharam para um bem em comum. Seria bom que o exemplo destas micro sociedades se extravasasse para a sociedade.

Sabemos que estamos a fazer a diferença, seja na música que fazemos, seja na atitude e empenho que pomos no que fazemos, seja nos valores e princípios que partilhamos e fomentamos.

Sim, hoje não foi preciso ir para o estrangeiro para buscar novas forças e ideias. Vi pessoas que deram o duro, pessoas que partilharam do seu ser, pessoas que preparam surpresas para que outros pudessem sorrir, pessoas que se dispuseram a ajudar sem procurar recompensa.

A todos vós que são parte do meu sonho, a todos vós que me fizeram acreditar ainda mais que vale a pena sonhar, apesar das vicissitudes da vida, a minha eterna gratidão!

 

Vale muito a pena viver!


#10  Palavra de Maestro:Professor por opção, ensino por paixão  

 

Por mais tempo que passe, quando uma pessoa nos marca, esse efeito fica para o resto da vida. Uma das pessoas que me marcou, foi a minha professora de português do 10º e 11º ano. Marcou-me de tal  maneira, que sempre que escrevo ou componho, penso o que ela diria sobre o que fiz. Muitas vezes em seminários e workshops e falo que o mais importante não é sermos professores fixes na primeira aula, mas um professor por opção e ensinar com paixão, a minha professora português é sempre o meu exemplo top do que é um verdadeiro professor. 

            Estava nos meus milhares pensamentos e um deles era como estaria a professora? E o que a vida me preparou?!? “Bom dia sr.maestro!” Eu fiquei tal modo atónito... passados mais de 15 anos, a professora! Qual a probabilidade de às oito e meia da manhã, num supermercado, depois de 15 anos, eu estar a pensar no efeito que a professora teve em mim até hoje, nos encontarmos? Naquele instante, foi como se o tempo se congelasse, e viesse à memória uma série de acontecimentos: a primeira aula onde os engraçadinhos do costume perceberam que “esta” não era para brincadeiras, quando chorei a receber a minha primeira negativa a português, a sua indiferença perante a  minha revolta, o quão trabalhei como nunca tinha feito, e como passei mesmo à tangente no final do ano,... mas foi sem dúvida a melhor professora, pois obrigou os alunos a superarem-se. E é disto que faz falta em Portugal: pessoas que não tenham medo que os seus alunos, coristas e empregados se superem, pois isso obrigará os professores, maestros e patrões a nunca se instalarem com a ideia patética que mais nada têm a aprender.

A vida tem destas coisas, é estar atento ao que ela nos diz. E uma das coisas que ela nos diz constantemente é que “parar é morrer”.


#11 Palavra de Maestro: “dou graças por existires!” 

 

É nos vendido que é tudo tão fácil no mundo materialista. Queremos um carro, roupas, viagens e é só fazer um creditozinho. Credotizinho aqui, creditozito ali, e num ápice estamos encrencados. O movimento de dinheiro e prendas este Natal... terá sido proporcional ao movimento de amor e carinho? Será que os 50€ correspondem ao que sinto por ti, ou gasto 50€ porque também fazes o mesmo e depois sentir-me-ia mal por dar uma prenda menor? Porque são os Euros, a tabelar o que sentimos pelo outro, e não a experiência de fazer o outro verdadeiramente feliz: os nossos pais, filhos, amigos, maridos, esposas e namorados.

O que é o Natal? Não é a paz? No programa “Dr.Phil” ele dizia que o que todos procuram é aquela sensação fantástica de paz interior. Não foi por isso que o Natal surgiu, que Nossa Senhora sofreu ao dar à Luz o Menino Jesus, para que estejamos em paz e harmonia? Para isso temos de saber ser coerentes, que os nossos actos correspondam às nossas palavras (mesmo no mundo que nos tenta moldar para o facilitismo), que saibamos fazer o outro sentir-se especial, saibamos ouvir e dar o benefício da dúvida antes de nos exaltarmos.

Hoje que ainda é Natal, pois os Reis Magos estão a caminho com as suas ofertas, poderíamos pegar nas tecnologias ao nosso dispor e surpreender quem estimamos: os nossos pais, filhos, amigos, maridos, esposas e namorados com algo como “dou graças por existires!”. Não custa nada.


 #12 Palavra de maestro Só podemos exigir direitos, se cumprirmos com os deveres

 

Por todo o lado ouve-se a luta pelos direitos. Nos coros que dirijo também. Aliás, sobretudo nos coros que são constituídos por jovens adolescentes, a reivindicação dos direitos está muito patente nos seus comportamentos. Já não crianças, querem ser tratados como adultos, mas não o são ainda. Ser adulto não é quando se atinge os 18 anos, mas quando se atinge a responsabilização plena dos seus deveres e direitos.

No VOX LACI incunte-se muito a responsabilização: seja a individual, seja a colectiva. Deste modo prepara-se, molda-se, dá-se objectivos e projectos aos coristas que lhes permitirá manejar uma série de ferramentas que a um determinado momento fará sentido. A propósito disso, lembro-me sempre de um filme que me marcou muito: “Karate Kid I”. É que o jovem com a ânsia natural da sua idade de quem queria aprender a lutar, foi posto a pintar paredes, lavar janelas, carregar baldes, enfim, actividades pouco dignificantes para um futuro campeão. O professor sabia o que estava a fazer, havia um propósito naqueles momentos repetitivos. Até que surgiu o “click”! Os olhos do jovem brilharam quando entendeu como aqueles “trabalhos forçados” não eram mais do que a base dos movimentos do Karaté. Para ter direito a praticar Karaté, teve que cumprir com os deveres que esse direito acarreta.

E é isso que se passa com tudo. Com o direito à família temos os deveres como filhos, o direito à educação para quem cumpre com o dever de estudar, o direito a estar em palco se cumpre com os deveres de estar nos ensaios. No VOX LACI não se procura ver quem é o melhor, mas fazer sobressair o melhor de cada um, levar as pessoas a alcançar objectivos (pequenas vitórias) que mais não são níveis de desenvolvimento pessoal.

Em todo o tipo de direito está subjacente um dever, e apenas podemos exigir e lutar por mais direitos se os nossos deveres estiverem a ser cumpridos.


#13 Palavra de maestro Porquê existe tanta maldade no mundo?

Pena que a liberdade de uns seja uma arma de maldade. Acredito que quando nascemos somos uma tábua rasa, e a vida vai-nos marcando, pelas decisões e consequências que vamos vivendo no dia-a-dia. Então, porque existe tanta maldade no mundo? Porque existe pessoas que acordam a pensar quem vão magoar e se deitam como fazer pior no dia seguinte? Será que não se apercebem que o boomerang da vida aparecerá quando menos esperam? Como é possível magoar pessoas inocentes, utilizando crianças sem qualquer respeito pelo ser humano? Como podemos deixar de olhar para os nossos umbigos? Tem de haver alternativas e novos caminhos, com novas estratégias...
São vítimas da falta de bondade, não conhecem outro modo de viver, é uma questão de sobrevivência : “Ou eu, ou o outro!”. Nunca viveram a experiência de se sentirem especiais e únicos. São vítimas de quem os criou, ou de quem lavou as mãos da responsabilidade de os criar. Tornou-se para eles uma questão de sobrevivência, em vez de uma questão do “Eu com o outro”, do “Eu pelo outro”, do “Eu através do outro”. Não têm objecto da bondade, muitos nem têm consciência que agem com maldade. Defendem as suas atitudes como se houvesse justificação, há sempre um “porque...” Pouco ou nenhum espaço há para “Desculpe. Por favor ajude-me”
Uns são vítimas, outros vitimizam-se. Somos livres, Ele deu-nos a liberdade.


#14 Palavra de maestro O risco de viver no seu próprio casulo

Quantas pessoas não conhecemos que vivem no seu próprio casulo, quantas vezes nós mesmos não tivemos alturas assim? O risco desta opção (porque é uma opção!), comporta outros riscos, mas talvez o maior seja o da vida passar ao lado. Presumo que não deve haver nada pior do que sentirmos que a “vida não espera”, ela acontece a cada milésimo de segundo, indiferente às nossas opções.
Este casulo pode ter várias formas: o excesso de trabalho, o medo de relação, os vícios, o pensamento obsessivo, as mudanças de humor, a tristeza profunda, a euforia sem razão aparente... enfim uma série de sintomas todas elas comuns no seu objectivo: negar a realidade que o circunda. “E é mais fácil assim.” Será mesmo? E se um dia tal como Veronika, Eduard e Mari quiserem sair de Villete, depois de tantos anos enclausurados, e assumirem o risco de viver? O “lá fora”, continuou com a sua vida, os “lá dentro” optaram por fazer um pause e agora querem play. É que o “lá fora” já está noutra etapa, e na vida não existe o rewind nem o forward. Depois como é? O risco do casulo não é assumido, pois não se adaptam à vida. Ou voltam para o pause ou optam pelo stop.
Quem não tem altos e baixos? Quem nunca sofreu nem sofre? E não é isso a vida? Um caminho que não sabemos onde nos leva, mas é feito das nossas acções e não opções (que é uma opção!).
O risco está em todo o lado, mesmo no nosso pequeno casulo.


#15 Palavra de maestroA dimensão de quanto mais damos, mais recebemos


Aprendemos desde de berço que devemos ser bons uns para os outros, mas não somos preparados para os que são maus para connosco. Chocamo-nos com histórias e notícias trágicas, “mas ainda bem que não é comigo!”. Até ao dia em que abrimos a porta da nossa casa, do nosso coração e alma, e ficamos vulneráveis pois não temos a “segurança” da porta fechada. Magoam-nos, maltratam-nos pois pensámos que o outro pensa e sente como nós: damos tudo, o outro recebe...e não retribui.. faz pouco...e o que nos dá não é coerente com o que tínhamos em mente.
Muitos começam a nunca abrir mais a porta, sempre com medo de voltar a acontecer o mau inesperado. A dimensão de quanto mais damos, mais recebemos é posta em causa e torna-se mentira. Outros, os idílicos, os que não vivem neste mundo, continuam a pensar e agir contra o pensamento dominante na sociedade. Sofrem mas continuam a abrir a porta, sem esperar nada em troca, apenas o sorriso a quem abriram a porta.
Os que vivem em relações de portas fechadas às sete chaves vivem uma vida morna, com horários certinhos, com medo do inesperado que só acontece a quem abre a porta. “Pois é, os outros têm sorte!” Os outros são aqueles que abrem a porta, que sabem que poderão sofrer, mas também sabem que se algum dia decidirem não abrir a porta, pode ser que estejam a deixar partir a sua hipótese de ser feliz... E se um dia o inesperado fosse um “obrigado!”, “gosto de ti!”, “fazes-me falta?”, “queres viver a vida comigo?”
Nunca saberão porque a porta está fechada...


#16 Palavra de Maestro: Diferentes pobrezas
 

De Amsterdão escrevo onde participo num dos acontecimentos mais marcantes da minha vida: preparo em conjunto com outros maestros internacionais o Poverty Requiem, para podermos realizar nos nossos paises de origem. É um encontro de culturas, mas mais forte ainda, é um encontro de diferentes pobrezas. Um dos maestros que vem do Senegal, dizia “todos somos pobres materialmente, mas nao cultural e intelectuamente”, e como se fez silêncio na sala...

Tenho estado a pensar desde então o que quis ele mesmo dizer. E de facto, quando não lutamos pão diário, temos a necessidade de lutar contra uns e outros, seja quando estamos a irritarmo-nos no trânsito, seja no trabalho onde tensões entre colegas e patrões fragilizam-nos, seja no seio familiar onde deveria ser o “nosso castelo” para nos sentirmos seguros. É triste que o ser humano, em geral, nunca esteja satisfeito com o que já tem. Ambição e querer ser melhor julgo que é importante, mas dar graças pelo que se é e o que se tem é de uma alegria e paz extrema, que poucos se podem gabar. Quando poderemos nos gabar que usamos os transportes públicos ou bicicletas para o trabalho e escola, que somos companheiros e atenciosos no trabalho, e que a família é, de facto, o nosso porto seguro? Quando haverá qualidade de vida para não perder tempo no trânsito, não ser necessário baixas por depressão nem comprimidos “milagrosos” que põem uma pessoa a dormir?

Falou (nome do maestro senegalês) tinha razão.Eles lutam para ter comida e são felizes, nós temos comida e lutamos para ser felizes.


#17 Palavra de Maestro A desilusão faz parte da vida, a traição faz parte da vida de quem trai

 

Somos humanos e como tal faliveis e cheio de defeitos, mas também temos virtudes. Nalguns pesa mais os defeitos, noutros as virtudes. Às vezes é uma fase na vida, que pende mais para um lado do que para o outro...

Continuo a acreditar nas pessoas, na instituição da família, nas regras e valores que devem reger um ser humano e, por fim, um grupo. No meu dia-a-dia lido com pessoas, e seja o VOXLACI uma instituição com objectivos corais e musicais, é antes um modo de estar. Alguém escreveu “é simplesmente lindo olhar e pensar que algo tao simples como um coro pode mexer na nossa vida e fazer um torbilhão no coração e saltar de alegria, deixar cair lagrimas!”. E como mexe...

Recentemente mexeu muito comigo a ingratidão de algumas “estrelas” (que só existem no céu, mas não lhes digam nada!). A mãe de um deles disse-me “Maestro:a desilusão faz parte da vida.” A desilusão faz parte do crescimento de todos, a traição faz parte da vida de quem trai. E será a própria vida a “professora”, quem ensinará que mentir não leva a lado nenhum, que enganar faz parte dos falsos, e trair....quem trai uma, trairá outra..Existe algo chamado de “arrependimento”, mas só os de carácter já ouviram falar.

A essas “estrelas” corruptiveis, que foram importantes para o grupo num determinado tempo, altura em que se regiam pela verdade e decisões dificeis...espero que tenha valido a pena!

 

Feedbacks

Exmos. Senhores,

 Recebo com regularidade notícias da VOX LACI, que agradeço, por um lado, e por outro me enche de orgulho porque sou uma residente da freguesia de S. Domingos de Rana.A “Palavra do Maestro” tocou-me particularmente, porque nela consegui encontrar a expressão de algo que há muito venho sentindo. Como poderão constatar, também eu trabalho com pessoas e, em particular, com músicos da Orquestra Metropolitana de Lisboa, tendo já no meu curriculum uma passagem de 9 anos pelo Teatro Nacional de São Carlos e pela Orquestra Sinfónica Portuguesa.Bem-haja maestro pelas suas palavras que vou guardar e que me permitirei citar, com a devida vénia, nas ocasiões próprias. E são tantas… Mas “a desilusão faz parte da vida”, não é? Aproveito a oportunidade para vos enviar o meu BEM-HAJAM pelo vosso trabalho e pelo imagem de qualidade que vêm passando a um público cada vez mais vasto e fiel. Com as mais cordiais saudações.

Isabel Menezes Bandeira Vogal da Direcção da AMEC

Boa tarde Sr. Maestro

Não sei porque recebi este email, mas sensibilizou-me. Também já fui, como infelizmnte milhares de outras pessoas, vítima da
traição, e sei que doi mais em quem é traído do que em traí. De qualquer modo gostaria apenas de lhe dizer que a sua "nova"
experiência vai-lhe permitir chegar a um nº ainda maior de corações. "Deus nunca dá peso superior aquele que podemos suportar..."  Dina Agante

Compreendo a sua reflexão e o seu desgosto. O Coro é tudo o que disse mas também um grupo de gente que reage de maneiras diversas e muitas vezes aqueles que, porventura se consideram "estrelas" por não terem assimilado o que é um Coro (acho que no Coro não devem existir "estrelas" porque somos um todo) pretende brilhar a todo o custo, esquecendo o interesse do todo. Não se entristeça porque esses momentos de solidão e tristeza só nos fazem crescer como seres humanos e poderão ser transformados em excelentes oportunidades para lutarmos mais e melhor por aquilo em que acreditamos. Vá à luta e continue com o amor e boa disposição ao serviço da causa que é a sua vida como Maestro de um Coro que ama. Lá diz o ditado...."os cães ladram mas a caravana passa..." e eu acrescento SEMPRE!!! Um abraço para si e continuação de felicidades para o Vox Laci! Maria da Piedade

Olá, o meu nome não vos diz nada. Canto no Coro da Universidade da 3ª Idade do Barreiro e sou admirador da vossa obra, Já nos encontrá-mos uma vez e sou leitor dos seus escritos. Tenh 64 anos , fui colega e sou   amigo   do Ivo Miranda (ACAL). Obrigado pelas suas intervenções escritas, eu mesmo tenho -me apropriado de alguns pensamentos e ensinamentos seus para no meu coro os "transmitir". Para que este email não seja anónimo, sou  o Ernesto Nogueira tenor do CORUTIB. Saudações coralistas. Obrigado


#18 Palavra de MaestroA Moda da Solidariedade do Autocolante

Ser solidário não é para estarmos de bem com a nossa consciência, é para que o outro se sinta bem com o nossa disponibilidade. A moda da Solidariedade do autocolante (“Vejam como eu ajudo!”), não serve os interesses de quem mais necessita, mas de quem mais necessidade tem de se mostrar. Ora, isso não é solidariedade...é exibicionismo à conta da desgraça da próximo.
Segundo o dicionário, solidário vem do Lat. solidu, sólido, ou seja, algo não pode ser sólido e depois já não o é. “Agora apetece-me ser solidário!...Agora não dá muito jeito...” Alguém solidário é alguém que se sente do mesmo modo, como por exemplo, quando ouvimos alguém e o escutamos com o coração, e ajudamos em silêncio, porque escutámos (em Dublin, existem pessoas que são os “listeners” que estão nos bancos da cidade para escutar quem quiser falar). Ser solidário é dar apoio ou auxílio a quem precisa mais do que nós. Há que fazer ouvir a nossa voz a favor dos que mais precisam de nós, seja porque não têm para comer, para viver ou para com quem falar. Um terço da População mundial é POBRE, vive com menos de 1$ por dia.Em cada 6 pessoas do mundo, 2 pessoas morrerão à fome dentro de pouco tempo (ainda hoje até!). Por dia morrem 50 mil pessoas no mundo, uma a cada 3 segundos...uma pessoa a cada 3 segundos morre, deixa de ter vida a correr nas suas veias.. Em contraste outros dois terços do mundo, morrem por viverem com excesso: doenças cardiovasculares por má alimentação, tabagismo e alccolismo, acidentes de viação por excesso de velocidade, doenças do foro psiquiátrico por excesso de endeusamneto do mundo material. É um contrasenso, o mundo está desequilibrado, e o estar de braços cruzados é não só aceitar tudo isto, como promover este desequilibrio.
A nossa solidariedade, a nossa voz é fundamental! Um dia poderemos ser nós que necessitaremos que alguém grite por nós.


#19 Palavra de Maestro Quando a morte nos bate ao lado


Todos dias morrem pessoas. Os noticiários falam de pessoas que morrem como se tratasse de apenas números “Hoje no Afeganistão um bombista suicida provocou mais de 70 mortes! Em Bangladesh poderão morrer milhões de pessoas se não chegar ajuda!No Burundi uma aldeia foi completamente dizimada!...” São números de facto, pois não temos um contacto directo e humano. É demasiado longe...
Como podemos exigir que tenhamos, se nem o vizinho conhecemos ou falamos, e muito menos convidamos para nossa casa? Festa de Boas vindas do Bairro ao novo vizinho? Para isso era preciso que houvesse um sentimento de bairro, de um colectivo que cresce entre os membros de uma mesma comunidade. O vizinho não é mais do que alguém que pouco respeito nos merece, pois sacode as migalhas para cima de nós, não paga as quotas a tempo, está sempre mal disposto. Quem não tem um vizinho assim? Certamente todos têm. E se perguntarmos, quem não tem um vizinho assim dentro de si? É sempre mais fácil apontar o dedo ao vizinho, do que fazer uma autocrítica. Sim, porque os outros é que isto e aquilo.
Até que algo nos faz parar nesta intensa batalha de alegações contra o vizinho: a morte do vizinho do lado, e sobretudo se fôr uma criança que tragicamente perdeu a vida numa passadeira. Mas mais uma vez será que parámos para pensar na dor desses pais,familiares e amigos (deixo aqui a minha solidariadade), ou assustámo-nos de tal modo , pois poderia ser o nosso filho? Talvez tenha tido sido ambos. De todo o sofrimento do mundo, não haverá mais dor que a perda de um filho. Deve ser uma dor de tal maneira devastadora e incompreensível... “Porquê?”
Egoisticamente falando, quando a morte bater à porta, apenas peço a Deus que me faça partir primeiro.
 

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  *Gostei muito Anónimo
  *E, apesar de tudo, dizemos que acreditamos em Deus e que a vida continua...Bom fim de semana,Dad Ecce Gratum
  *Caro Myguel Santos e Castro, hoje abrimos o jornal. Folheamos as páginas do interior. Secção: Sociedade. Deparamos com um texto de uma crónica de opinião que costumamos consultar. É um fulano chamado Ruy Mossa que escreve os comentários semanalmente. Um dia falámos a um amigo: já leste as colunas de um sujeito chamado Ruy Mossa? É o maior. Não encontro pessoa alguma nas páginas da imprensa escrita." - Sabes quem é?"" - Não"." - Seu parvo, é o teu vizinho de porta".A partir daquela informação, Ruy Mossa tornou-se um amigo para sempre. Os vizinhos? Não existem. Agora são inseparáveis amigos. Acreditam nesta estória? Filipe Oliveira


#20 Palavra de Maestro Se não está preparado para o não, não está para o sim

 Em muitas situações da nossa vida somos injustiçados, ou pelo menos é o que sentimos, nomeadamente quando achamos que merecemos determinada posição no trabalho, determinada nota num trabalho escolar, determinado/a pessoa numa relação de amizade e/ou amorosa, determinados direitos (esquecendo os determinados deveres que isso acarreta), determinada presença em palco. A questão está aqui mesmo. Nada nem ninguém estão determinados tal qual tragédia clássica, mas as nossas acções talvez não tenham sido coerentes para atingir a “determinada”.

E eis que surge o determinado Não. E com ele, que não era determinado, não estava nos planos, assenta-se e invade-nos uma raiva, uma frustração, que apenas o tempo a converterá em tristeza e, por fim, na aceitação, e os mais desenvolvidos emocionalmente, na felicidade que o outro ficou “ com a minha determinada”. Quando o meu objectivo não é possessivo estou preparado para o Sim, e mesmo que o Não surja, não ficarei arrasado, mas aceito como parte do processo para receber o Sim. Saber fazer as pazes com o Não, é caminhar para o Sim. É verdade que existem muitas injustiças, pessoas com cunhas, alunos lambe-botas, pessoas manipuladoras e chefes (não os confundamos com líderes) que são prepotentes e usam o seu determinado “poder”, no fundo para se vingarem das suas frustrações e usam as pessoas. Mas não é sobre estes caso que reflicto.

Já agradeceu hoje pelo lindo sol, por ter saúde, por ter determinada pessoa quando acorda, pela chuva que lava as almas, pelo trabalho que nos faz sentir úteis, pelos filhos que trouxemos ao mundo? Saber aceitar e agradecer as dificuldades, pode ser um caminho para viver em harmonia com o melhor que a vida tem: o tempo que usufruímos com quem mais amamos.

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"Verona"...
...fonte de inspiração !
...mergulhado nos seus pensamentos!
...no palco das águas de um lago ( não sei se profundo, mas acredito que sim, pelo resultado de tão grande e profundo trabalho! )
...espelhados hoje, em acções constantes, coerentes e abrangentes...o "vox laci"...cresceu!
...é fruto de um grande "pensador!"
" vox laci" pelo que transparece ,caminha sempre mergulhado neste "sonho".
Quem conhece " vox laci", não se cansa de "o" admirar!
O caminho feito e tudo o que já está planeado para os anos seguintes, desejo seja repleto das maiores
Benções do "menino jesus" !!!
E , continue a renascer no coração da família, "vox laci" (já enorme).
Ao maestro incansável, saúde e amor para continuar o brilhante o trabalho que em boa hora escolheu!
Junto-me a todos vós num fraterno abraço!
Fátima Santos


#21 Palavra de Maestro A verdade vem sempre ao de cima
 
 Temos vários exemplos na História, que a mentira e o engano não perdura. É como o azeite num recipiente de água, vem sempre ao de cima, mas no seu tempo próprio. Muitas vezes queremos a verdade fast-food, imediata, mas ela não funciona assim. A semente não se torna flor mais rápida, se regarmos com mais água: ela se afogará. A verdade não se esconde, não finge, não tem atalhos, ela apenas é. Muitos são aqueles à nossa volta que não entendem esta lei básica da vida, e passam a vida a sorrir falso, a cumprimentar sarcástico, a olhar foragido, e constantemente com as costas viradas para a simplicidade do "Gosto de estar contigo!"  
 Um dia saberemos a verdade sobre Hitler e Kennedy, a sida e o cancro, do amigo e do desconhecido, sobre os sentimentos de quem estamos (ou queremos estar) próximos. É preciso saber ser paciente e, sê-lo, não poderá ser vivendo à espera que o azeite à nossa volta venha ao de cima, mas cuidar que o azeite não entre em nós. É um combate diário para que não sejamos uma esponja que absorve o azeite, mas um corpo dominado pela mente e ambos liderados pelo nosso grilo falante. É tão fácil dizer mal, somos seduzidos que os espertos são os que pisam e os inteligentes não têm emoções. Esta é a "verdade" que reina, mas todos sabemos que é uma questão de tempo. O hipócrita cansar-se-á de se ouvir, o mentiroso não distinguirá a verdade, o ladrão roubará sua paz, o assassino matará sua razão de viver, e o simples viverá a verdade.
  Quase sempre a verdade apenas quer vir ao de cima, mas não estamos preparados para a receber, pois muitas vezes faz sofrer, e "ninguém quer sofrer". Mas evoluir individualmente é também sofrer, é aceitar que a nossa verdade pode não ser tão verdade como pensávamos, pode afinal não ser água mas azeite. E isso dói. Mas faz crescer.

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 *Agir e sofrer como lugares de aprendizagem da esperança  “Podemos procurar limitar o sofrimento e lutar contra ele, mas não podemos eliminá-lo. Precisamente onde os homens, na tentativa de evitar qualquer sofrimento, procuram esquivar-se de tudo o que poderia significar padecimento, onde querem evitar a canseira e o sofrimento por causa da verdade, do amor, do bem, descambam numa vida vazia, na qual provavelmente já quase não existe a dor, mas experimenta-se muito mais a obscura sensação da falta de sentido e da solidão. Não é o evitar o sofrimento, a fuga diante da dor, que cura o homem, mas a capacidade de aceitar a tribulação e nela amadurecer, de encontrar o seu sentido através da união com Cristo, que sofreu com infinito amor (...) o indivíduo não pode aceitar o sofrimento do outro, se ele pessoalmente não consegue encontrar no sofrimento um sentido, um caminho de purificação e de amadurecimento, um caminho de esperança”.    Bento XVI, SPE SALVI 

  *Maestro, honestamente não sei se lhe diga que tem razão ou não... Como as coisas andam... :)
Acho que o Woody Allen expressou muito bem essa situação no filme "Match Point" e o Marquês de Sade em "Os infortúnios da virtude". Não sei se será assim tão linear... Porque para todos os efeitos, há muitas verdades, como diria o João sem Medo, do José Gomes Ferreira. Um abraço e votos de excelentes festas.David Rodrigues


#22 Palavra de Maestro O Natal não é sinónimo de felicidade para todos

  O Natal espera-se feliz para as pessoas, mas não foi tão infeliz para as pessoas que negaram abrigo a Maria e José? Todos os natais pessoas continuam a negá-l´O, a si mesmo e a tantas Marias e Josés que batem à porta não só nesta noite.
  Num grupo uma pessoa altera uma dinâmica de grupo, uma pessoa altera o ambiente num jantar de família, uma pessoa altera o destino duma outra. No VOX LACI chamamos-lhe de factor X (FX), o elemento variável que transforma a dinâmica quer esteja presente ou ausente. Hoje, véspera de Natal muitos não terão a sorte de ser ou ter ao seu lado o FX. Sofre-se muito nesta noite de Natal, diria quase que talvez seja a noite, depois do fim-de-ano, onde as pessoas mais sofrem. São dias que estão embebidos de uma festividade, que quem não sentir, pensará que algo de errado se passa consigo mesmo ou com os outros. E tal como no “Pássaro da Alma” existem em cada um de nós uma série de gavetas prontas a abrirem: uns a gaveta da alegria de estar com quem ama, outros a da tristeza de não estar; outros a gaveta da companhia em oposição com a gaveta da solidão; outros a gaveta da fala contrapondo com a da gaveta do silêncio. E todas as gavetas irmãs catapultam numa sinfonia orquestrada pela presença ou ausência do FX dando origem a composições individuais a nós chamamos de vidas.
  Muitos vivem o lado triste do Natal: dormem nas ruas até nesta noite que devia ser de todos; discutem à mesa na noite da família unida e em harmonia; comem sozinhos tendo como companhia um copo de vinho ou um livro; alguns morrerão nas estradas e suas casas, outros perderão a esperança de voltarem a ser felizes. E tudo isto acontece também nesta noite que devia ser de todos, mas não o é. É apenas para os felizardos que têm dentro de si ou ao seu lado o FX.


#23 Palavra de Maestro A Dúvida da Certeza

A dúvida coexiste com a certeza e acompanha-nos no dia-a-dia sempre que temos de tomar decisões. Umas são simples de tomar, enquanto que outras podem parecer um inferno na terra.
Em tempos de dúvidas e incertezas, é como se estivéssemos à deriva numa jangada, onde até o céu coberto tapa qualquer hipótese sequer de nos guiarmos pelas estrelas. Parecem horas, dias a fio onde nada acontece e tudo ou qualquer coisa esperamos que aconteça para que nos ajude a fazer um “clique” e seja a faísca que precisávamos para dar algum sentido ao sofrimento da dúvida, na procura de um porto de abrigo, terra firme. E andamos de bóias em bóias iludidos que são portos, mas mais não são que balões de ar, que nos ajudam sim, mas dentro do espaço e tempo limite que um balão de ar pode suportar. E continuamos com dúvidas, a sentir que estamos prestes a afogar, e lutamos desesperados para não deixar a dúvida vencer. Mas vencer quem? A nós próprios? Se conseguiremos viver apenas connosco próprios? Sem dúvidas, sem bengalas, sem dependências, sem relações que em vez de nos fazer evoluir nos apagam, sem o nosso naipe por perto? A dúvida instala-se, e desesperamos numa agonia sádica. Mas porquê? Se depois da tempestade só pode vir a bonança, se depois da dor só pode vir a cura, se depois da chuva só pode vir o sol? Porquê que a dúvida que assola os mais corajosos que estão dispostos a enfrentar os seus medos, pois querem ser melhores pessoas, não é apenas aceite como um meio para atingir um fim, mesmo que não saibamos onde ele se encontra, mas com a certeza que existe.
“A Dúvida pode ser um laço tão poderoso e forte como a certeza” e a primeira será a estrela polar que nos levará à segunda, a terra firme, ao tal porto abrigo, que não está fora de nós, mas no interior de cada um.

Reacções

*A grande esperança-certeza "Toda a acção séria e recta do homem é esperança em acto. É-o antes de tudo no sentido de que assim procuramos concretizar as nossas esperanças menores ou maiores: resolver este ou aquele assunto que é importante, para prosseguir na caminhada da vida; com o nosso empenho contribuir a fim de que o mundo se torne um pouco mais luminoso e humano, e assim se abram também as portas para o futuro. Mas o esforço quotidiano pela continuação da nossa vida e pelo futuro da comunidade cansa-nos ou transforma-se em fanatismo, se não nos ilumina a luz daquela grande esperança que não pode ser destruída sequer pelos pequenos fracassos e pela falência em vicissitudes de alcance histórico (...) É importante saber: eu posso sempre continuar a esperar, ainda que pela minha vida ou pelo momento histórico que estou a viver aparentemente não tenha mais qualquer motivo para esperar. Só a grande esperança-certeza de que, não obstante todos os fracassos, a minha vida pessoal e a história no seu conjunto estão conservadas no poder indestrutível do Amor e, graças a isso e por isso, possuem sentido e importância, só uma tal esperança pode, naquele caso, dar ainda a coragem de agir e de continuar". Bento XVI, SPE SALVI


#24 Palavra de Maestro Moluscos e lapas de mágoa

 

A mágoa é inerente a todo o ser humano: uns vivem acima dela, outros gerem o dia-a-dia com os seus afazeres, outros simplesmente cegam.
  A esta hora existem pessoas que vivem magoadas, agarradas a situações do passado, como mexilhões e lapas à rocha, que lhes custa simplesmente viver e aceitar a dor e o sofrimento. Correm numa azáfama, como se fosse véspera de natal atrás das últimas prendas, mas em vez de ser um dia por ano, o fazem por “desporto diário”, não escutando os outros, nem a vida, muito menos a si mesmo. Não podem parar senão vão ao fundo, não podem abrandar porque têm dependentes a seu cargo, não podem estar sem fazer nada pois senão a mágoa vem ao de cima, devem ser racionais e funcionais. Enquanto não pararem o saco de batatas (mágoa), não se tornará mais leve, muito menos desaparecerá. O seu peso será cada vez maior, e tornar-se-á cada vez mais insuportável. É que ele não está às nossas costas, mas dentro de nós, como mexilhões e lapas, e apenas cada um de nós tem a faca para as retirar, e a chave consiste em simplesmente aceitar que essa mágoa tem uma razão de ser, mesmo que fiquemos incrédulos com tamanha barbaridade que nos infligiram. Quando, mesmo não percebendo as razões, aceitarmos a mágoa como processo de cura, de crescimento individual, ela desaparecerá. Será lavada e levada pelas ondas do mar que batem nas rochas, até que os moluscos simplesmente caiem sem resistência, pois acabou o seu tempo. A mágoa também é assim, mas tem uma vantagem: não precisa da persistência e a força das ondas, mas a força da nossa persistência em simplesmente a deixar cair. Cada um tem os seus processos, as suas ondas de actuação, não existem soluções gerais, pois as mágoas são individuais e pessoais, e necessitam de uma chave própria. O ter a chave depende apenas do tempo que eu quiser/precisar da mágoa.
  O estar inserido num grupo, como por exemplo no coro, pode ajudar a pessoa magoada a curar-se, a transformar-se interiormente, sem nunca perder o seu EU, mas relativizando com a mágoa de outros, poderá ser uma forma de decisão de simplesmente deixar partir a pessoa que nos magoou. E muito.


 

#25 Palavra de Maestro Pessoas abelhas

Fico sempre triste quando alguém sai do VOX LACI, é alguém que deixou algo e segue o seu caminho. Muitos já passaram por esta “experiência” que o VOX LACI proporciona a quem quer crescer. Poucos são os que saíram e não sabemos a razão. Uma coisa é certa: um dia todos sairão. É sempre importante perceber a razão que leva alguém a terminar um relacionamento seja ela com uma pessoa especial ou com um determinado grupo.

Eu estou muito preocupado com a facilidade com que as pessoas experimentam, tal abelhas, de flor em flor, buscando emoções. Basta ver o crescente número de praticantes de actividades radicais, de namoros e casamentos curtos mas “intensos”, de uma crescente sensação de impunidade nos actos das pessoas. O que vale é “sentir-me vivo”, estar sempre apaixonado, com as emoções à flor da pele, e quando elas terminam, o frenesim de andar atrás de uma nova emoção, e depois outra...até que nada resta. Vivemos na era do fast-food, fast-emotion, fast-sex e fast-tudo. E o que dá isto tudo? Fast-depressões! A quantidade de receitas de calmantes e estimulantes e o número de pessoas cada vez mais dependentes do “seu” psicólogo, psiquiatra e em muitos casos astrólogo. Já viram bem à volta? Existirá alguém que não tenha no seu grupo de conhecimentos, uma pessoa que não esteja deprimida ou que “não seja boa da cabeça”? Acredito que começa na laxismo e banalização de tudo, sem objectivos e sonhos que leve as pessoas a acreditarem que o sofrimento numa determinada fase tem uma razão de ser. O sofrimento de ter que estudar para ter uma boa nota, de ensaiar repetidamente para um bom concerto, da fidelidade para uma relação de confiança e amor, da alimentação cuidada para uma boa saúde, de um desporto para a disciplina do corpo e mente, e por aí fora. E são os nossos jovens e crianças que têm de se perguntar: o que quero? Valerá o esforço?

Um carácter forte passa pela formatação do pensamento desde do berço, que deverá ser apoiado pelas as acções diárias e repetidas até ao fim da vida, e não resistente às mudanças interiores. Assim teremos pessoas que não desistem de relações com uma pessoa especial ou com um determinado grupo, ao “mínimo” obstáculo. Infelizmente, são cada vez mais raras.

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*Não posso estar mais de acordo. mencionaste os pontos certos. Boa reflexão. Filomena


#26 Palavra de MaestroSalvem-nos das festinhas de escola

Não há Santo que aguente as Festinhas de Escola. Eu tive que aguentar a da minha filha, no passado Natal, numa escola do Concelho de Cascais. Não encontro melhor palavra do que “deplorável”:

  • enquanto alunos actuavam, professores e auxiliares transitavam pelo palco;
    a actividade do inglês para mostrar que aprenderam alguma coisa, cantaram o (apenas) o refrão do Jingle Bells quatro vezes num inglês deplorável (gostaria de ter uma conversa em inglês coma professora, só para a ouvir falar!)

  • para ajudar tivemos que esperar a meio que as crianças trocassem de indumentárias, mas informaram-nos de que seríamos entretidos pelo professor de música, que com o seu acordeão, e duas crianças aos berros, gritavam músicas do pantanal (Brasil)

  • a actividade de expressão dramática teve a ideia de colocar os seus alunos a dançar uma coreografia, onde nitidamente apenas uma sabia o que fazia, mas todos com movimentos sensuais?!?! Isto é a primária?!?

  • alunos que já não lhes apetecia estar no palco saíam a meio, e os professores faziam beicinho para que eles voltassem

Foram mesmo muito poucas as demonstrações, onde se via empenho, brio dos professores, através dos seus alunos. Mas nem tudo foi mau, teve uma coisa positiva: chegou ao fim. (Ufa!)

Coitadas das crianças, mas a responsabilidade não é delas, elas apenas estão ali para absorver e aprender. “mas as crianças não dão mais..” Tira-me do sério este tipo de afirmações. É como aqueles maestros que se queixam dos “seus” coristas. Deveriam parar para pensar! Dei aulas durante quase 20 anos, e quando me chegava um aluno, e se alguém me dissesse “Professor, este aqui só dá problemas, e não aprende nada”, o meu olhar era gélido para o/a ignorante. A questão é que não foi ensinado à criança de que ela é capaz, com o apoio de quem quer mesmo que ela consiga atingir o objectivo de ser cada vez melhor, e não melhor do que o outro, o que é completamente diferente, mas fica para uma próxima reflexão. Esse tal aluno, passava a ser um dos mais aplicados nas minhas aulas.

Esta reflexão esteve guardada desde do Natal, de modo que a revolta que senti ao sair daquela festinha, fosse mais serena ao passar para escrita. Mas é difícil, quando se trata dos valores e princípios a que nossos filhos são expostos. O princípio da mediocridade, da falta de empenho, da falta de amor próprio e brio, o princípio de que qualquer coisa serve. Mas sabemos que não serve, pois os que vivem sob estes princípios são uns coitados! Mas sabem ainda de outra coisa, quando transmiti a minha opinião à professora e disse-lhe “deplorável”, ficou muito chocada, perguntou-me se eu sabia o que significava, e que acha muito estranho pois todos os pais gostaram muito. Pais e país, por favor, acordem!!

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*Sempre que crescemos intelectualmente sentimos maior isolamento na responsabilidade. Responsabilidade e exigência para connosco , também na tolerância . Um abraço Jorge Sousa Rêgo

*Olá bom, dia!Achei interessante a sua opinião sobre as festas das escolas. Porque acho que a maioria dos pais pode até pensar o mesmo, mas não questiona, ou por espírito acanhado e pouco assumido (como em tantas outras coisas da vida), ou porque tudo o que as nossas crianças fazem, tem sempre um pouco de graça. Enfim, também penso que o sistema actual e tradicional de ensino falha em muitos aspectos, nomeadamente na estimulação das crianças para valorizarem o que aprendem e terem gosto nisso. Sara Peres


#27 Palavra de Maestro  Apenas podemos amar o que conhecemos

 

Hoje parece que os dias deixaram de ter 24 horas, a semana 7 dias e o ano 12 meses. Tudo é para ontem, como se o amanhã não fosse existir. Até parece que temos menos tempo, quando a esperança média de vida é bem superior ao dos nossos antepassados. Que estranho, não é verdade? E quando não há tempo, as pessoas não param, não dialogam, logo não se conhecem, e dificilmente saberão o que é amar.

Quando por acaso da vida (não acredito em acasos) conhecemos alguém, ou desejamos pertencer a um grupo, tudo é intensamente vivido, diria mesmo, extenuadamente, como é próprio da altura da paixão, mas e depois? Teremos de escolher se preferimos andar de paixão em paixão, como elefantes de nenúfar em nenúfar, ou querer conhecer mais a fundo, tomando a opção de parar, dar tempo, escutar e dialogar. No meu entender cada vez são mais raros estas atitudes de dar tempo para conhecer, e depois do tempo de conhecimento, o dito “namoro”, tomar uma decisão consciente e responsável: “Sim desejo, apesar de difícil, optar por estar com este grupo, coro ou pessoa, pois vales a pena!” Ou não…

Talvez se déssemos tempo, se soubéssemos esperar, refrear a nossa vontade de dizer mal, se não julgássemos pelas primeiras impressões, se não catalogássemos uns aos outros, talvez pudéssemos criar novas amizades e simpatias, mas com os blogues e emails, a difamação e a crítica fácil, destrutiva e anónima prevalece. Já tiveram tempo, conhecem verdadeiramente o grupo/pessoa para falar mal? Nas famílias, nas relações entre casais e amigos, no trabalho e nos grupos, deve haver espaço e tempo: espaço para poder dizer o que nos vai a alma; tempo para poder digerir/aceitar o outro que é naturalmente diferente de mim. É quando damos tempo que a semente se torna flor, que os nossos filhos se tornam homens e mulheres, que nós aceitamos o outro e, sobretudo, aceitamos as nossas próprias limitações.

Temos amado e sentimo-nos amados? Temos dado tempo?...

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Olá,Na maior parte das vezes gosto muito do que escreve. Escreve o que sente e o que pensa!Sinto e penso de forma muito semelhante, mas não escrevo, ou escrevo muito pouco.De igual forma já compreendo e até consigo aceitar esta falta de tempo, aliás não o espero sequer, limito-me a dar. As vicissitudes da vida e também o facto de ser muito mais velha do que você, fez-me talvez, erradamente ou não, resfriarem os meus “impulsos”. Espero que nunca mude! Contudo, deixe-me dizer-lhe que se não lesse os seus textos, se não tivesse tido a oportunidade de falar consigo e de silenciosamente observar o seu carácter justo, equivocamente confundido com intolerância, autoritarismo e vingança, seria muito difícil reconhecer a Grande Pessoa que é.Obrigada.Esmeralda


#28 Palavra de Maestro Optar pelo urgente ou pelo importante

   É importante a urgência com que vivemos o dia-a-dia?Ou será urgente aprender a viver o importante no dia-a-dia? Quando deixamos de dar valor ao essencial, a probabilidade de nos sentirmos cansados na/da vida é muito elevada. Acordamos já cansados, o dia todo sentimos o corpo pesado e resistente, até custa mexer as bochechas e os lábios a quem uns chamam de vulgo sorriso, e no final do dia a sensação é de um cansaço ainda maior, mesmo não termos tido feito nada. Ironicamente com tanto cansaço, pode até custar a adormecer.

  Vivemos com a pressa de tantas coisas que necessitam da nossa atenção urgente, que muitas vezes perdemos o importante por causa daquelas: o aniversário de um amigo, a festa final da escola dos filhos, uma data que nos passa completamente ao lado, alguém ao nosso lado que precisou de nós. É quando nos sentimos úteis que a vida nos faz sentido, quando nos sentimos importantes para alguém. Então porque se vê tantas pessoas a correr atrás de  supostas urgências. O telemóvel que não para, a troca de emails, a pausa rápida no trabalho, as horas perdidas no trânsito para chegar a tempo,etc. Será mesmo necessário? Claro que todos sabemos que existem alturas da nossa vida, que é urgente darmos o litro, mas são fases, não uma rotina diária. Serão mais felizes os que fazem muitas coisas pois são urgentes? Ou os que procuram filtrar das distracções mundanas e escolhem fazer o que é importante? Mas como poderemos distinguir o urgente do importante? Penso que basta estar atento, apurar os sentidos, e se no final a nossa atenção fez a diferença para o outro, então optamos pelo importante.

  Hoje fez a diferença para alguém? Então optou pelo importante.Se não o fez, pense que pode fazer como as dietas: pode começar AMANHÃ. Quer fazer a diferença e não sabe por onde começar? Junte-se HOJE a um coro. 


 

#29 Palavra de Maestro Acompanha-me num tango?

 

    Aprendemos muito com os nossos pais, e uma delas que aprendi, é que não se pode forçar a “velhinha a atravessar a passadeira”. Se a senhora não quer, se prefere ficar ali à espera (enquanto a vida vai passando), se não quer ajuda, forçar não é certamente o desejável, pois tem de partir da sua vontade e não contra a sua vontade. Assim é a vida, assim é um coro, assim é uma relação a dois. Todos têm de querer atravessar a passadeira, mesmo com todos os medos: de ser atropelado, do sinal mudar a meio da travessia, de cair por distracção. Não será assim um grupo?

     Todos têm as suas limitações, mas é na união do grupo, na reunião das forças e fraquezas, buscando o mesmo objectivo que se passa e ultrapassa as passadeiras da vida, umas sinalizadas, outras não. É como o tango, 2 tornam-se 1, sem perder a sua individualidade, ganham força, destreza e beldade na execução contínua de passos, olhar e atitude numa simbiose nunca  perfeita , mas em busca dela: ambos têm o mesmo objectivo, o mesmo focus. Num coro tem de ser claro o focus, o caminho, para a explicação e aceitação da repetição contínua da melodia, do saber esperar pelos outros, de ouvir e fazer-se ouvir, no fundo de saber dançar. Tal como a velhinha, num coro mas especialmente numa relação a 2, não se força, pergunta-se “acompanha-me num tango?”; pode-se até argumentar que vale a pena aquela dança, de modo a convencer o outro a acompanhar-nos, pois nada é maior que a satisfação de ter alcançado objectivos em grupo e/ou a 2. Mas hoje com a mudança de “apetites”, pois hoje as convicções parecem ter sido substituídas por “apetites”, a pergunta “acompanha-me num tango” parece que não é suficiente. Hoje usa-se talvez mais “acompanha-me num tango até quando?”, pois as pessoas querem experimentar, vive-se a época do “homo experimentus”, diria mesmo “homo no satisfactus”. O para sempre é longo demais, e se amanhã não me apetecer mais? Decide-se terminar o tango e vai à procura de outra dança, outro “apetite”.

    Eu continuo com a mesma pergunta onde está implícito e explícito o não término, o de querer ultrapassar as dificuldades com os grupos que lidero, com os laços afectivos que estabeleço, pois sentimo-nos mais perto uns dos outros não nos momentos bons, mas no final de ter passado a passadeira. Acompanha-me num tango?


#30 Palavra de Maestro Macaquinhos à solta 

  

Não vou ser agradável, não o posso ser. Quem manda em casa? Quando vejo crianças a decidirem e abusarem da paciência dos pais, pergunto “ Afinal quem manda?”. Os estados ditaturiais em todo o mundo estão a terminar, mas estão a surgir outo tipo de ditaduras: os pequenos ditadores. Filhos que literalmente mandam nos pais.

As crianças não estão a fazer mais do que a sua parte instintiva pede, mas somos animais? “Agora não me apetece ir ao ensaio, mas quero fazer concertos…agora apetece-me ir ao ensaio!” Isto são os macacos que fazem: têm fome comem, têm bichos catam, têm sono dormem,têm apetite satisfazem. Queremos que as nossas crianças sejam macacos ou pessoas? A minha filha há pouco tempo perguntou-me “ó Pai, sabes qual é a diferença entre um macaco e uma pessoa?” E eu a pensar que são daquelas anedotas infantis, disse-lhe que não. “É que as pessoas pensam e os macacos não!” É verdade, mas há muitos criancinhas que não pensam, e há muitos adolescentes e adultos que ainda são criancinhas. Também nós temos de ser ensinados a pensar, a decidir, a vislumbrar as consequências das nossas decisões e das nossas não decisões. O papel dos pais é FUNDAMENTAL. Diria que educar é dizer 90% das vezes “não”. Esta percentagem vai diminuindo, pois as crianças começam a apreender dentro de si o certo do errado, ganhando uma resistência à frustração própria de quem está na vida, tornando-se pessoas, e não macaquinhos à solta "já adultos” a viver comodamente ainda sob o tecto dos pais.

Quando uma mãe quer que a sua filha faça a 1ª Comunhão, mas diz à catequista : “Mas se a minha filha acha que é uma seca a Missa, não vou obrigá-la, não acha?” Não é obrigar minha senhora, é educar, que é obrigar por amor. Pois se não formos nós pais a obrigar/educar, serão outros que obrigarão a sua filha a ir por caminhos que certamente não os deseja para ela. E depois o “eu fiz tudo!” não é verdade, pois deveria ter dito NÃO ao seu “apetece”! E não o fez…

Mas sabem o que é ainda mais dramático? É que estas pessoas são muito infelizes. Muito mesmo.

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   *É com muito agrado que recebo a vossa newsletter, e a divulgo pelos cantores do meu coro.De facto, caro Myguel, não podia concordar mais consigo. E para "nós" que trabalhamos com crianças, e vemos estes comportamentos, de facto... estamos a criar "macaquinhos", ou então são os "Educadores" que têm macaquinhos no Sotão... Um cumprimento fraterno deste amigo O Maestro, Fernando Moreira, Madrigal - Grupo Coral de Soutelo

  *Obrigada. É sempre bem saber que mais alguém sabe que a palavra não também existe.Mas por experiência própria é muito desgastante e deve ser por isso que o sim é, a curto prazo, o caminho mais fácil. Só espero que o futuro me “recompense” de tantos nãos que tenho (devo) que dizer.BJS Manuela Martins

   *Ola Maestro,Já mais que uma vez me questionei em relação aos seus mails. Penso que a sua função junto dos futuros adultos é muito importante dai a minha filha frequentar o coro e logo que possivel os gémeos também irão, acho que a disciplina, alargarem os seus horizontes e conviverem com outras comunidades faz parte do processo de crescimento e amadurecimento das crianças. Obrigado por estar presente.No entanto os seus mails são muito incisivos e por vezes demasiado fortes, com um pouco mais de doçura também se ensinam lições importantissimas.Os pais nos dias de hoje não estão presentes sempre que querem e por vezes têm que sacrificar um projecto ou outro para serem pais, mas é um processo que pode ser arduo. Os pais também precisam de uma palavra de conforto e de obrigados por tentarem mesmo quando não conseguem.A nossa sociedade promove o fácil o descartavél, podemos mudar um pouco todos os dias com amor, carinho e compreensão pois ainda não estamos todos despertos para as necessidades das crianças.Mais uma vez obrigado, por mim e ainda mais pela Carolina, ter referências com principios é a base para qualquer criança crescer com principios também.Ate logo,Ana Lima

 


 

#31 Palavra de Maestro "Viva os Pais, os pais da nossa terra"

 

       Recordo-me de muita coisa da minha infância. Uma delas é estar na praia com a minha mãe e irmãos e quando o tempo estava encoberto, cantávamos “Viva o Sol, o sol da nossa terra, viva o Sol, o sol da nossa terra” até que o amigo sol se dignificasse a aparecer. Melódicamente é muito aborrecida , e quando esta canção entra, dificilmente sai da cabeça.

    O facto é que agora como adulto a melodia ainda cá está, mas com a letra alterada. Depois de mais este ano lectivo, surge-me “Viva os Pais, os pais da nossa terra, viva os Pais, os pais da nossa terra”. “Viva os Pais” que passam tempo com os filhos, que não só seguem a escola e as actividades como são parte integrante e activa. Não é fácil nos dias que correm, competir com a selvajaria dos noticiários e reality shows, com o facilitismo do consumo de bens e serviços, com a degradação de valores - que vemos muitas vezes à nossa volta - e que nos é vendido nas novelas e séries como bens de primeira necessidade. Mas uma coisa é os que vendem, outra é o que compramos. Os meus parabéns e forte abraço, aos que jantam em família e conversam sobre o dia, que mudam de canal quando dá lixo, que estão nas variadas Comissões de Pais, que conhecem pessolmente os professores, que obrigam os amigos dos seus filhos a subirem para os cumprimentar em vez de os filhos descerem ao toque da campaínha. Não desistam, mantenham-se fieis aos vossos filhos, continuem congruentes na vossa conduta, estando atentos aos seus silêncios, dando espaço quando é para dar e colo e carinho assim que necessitam. “Viva os pais…” que não querem ser os melhores amigos dos seus filhos, porque amigos haverão sempre, mas MÃE e PAI só há um.”Viva os pais da nossa terra…”, deste canto do mundo que é PORTUGAL, que percebem que o importante não é a quantidade de bens materiais, mas a quantidade de oportunidades que dão aos filhos, que o importante é o tempo que passam com eles, onde conversam, brincam e jogam criando-lhes uma sensação de segurança e autonomia:  não dão o peixe, mas ensinam a pescar.

    Três vivas aos Pais que tantas vezes sem forças físicas e mentais, colocam os filhos como prioridade, que rezam com eles, que lhes contam histórias, que comem vegetais e legumes às refeições e fazem reciclagem. Três vivas aos Pais dos coristas dos coros em Portugal que os incentivam a cantar e os fazem assumir os compromissos até ao fim. Três vivas aos Pais! Upup! Urrra!Upup!Urra!Upup!Urra!

Reacções

Miguel.Acabei de ler as Palavras do Maestro e, fiquei fascinada, fascinada por saber que neste mundo de consumismo e materialismo, onde se perdem a cada passo os princípios e valores morais, onde a família está em decadência, onde a cada passo impera o oportunismo, onde mandam os filhos e obedecem os pais, onde famílias tradicionais estão em desuso, onde todos os valores e respeito deixaram fazer sentido, onde já quase não há afectos, ainda há jovens que apelam ao bom senso na educação dos filhos, que serão o nosso futuro. Parabéns Miguel pelas suas palavras que guardei nos meus favoritos e levarei a todos os que fazem parte do meu correio electrónico.Parabéns Miguel pelo jovem que é , pela sua simplicidade e grandeza, que tive oportunidade de conhecer na escola e depois na brevíssima passagem  pelo VOX LACI. Partilho e ponho em prática os seus conceitos e valores, ainda que com dois filhos e dois netos  gémeos muito pequeninos, porque  foram os conceitos que colhi dos meus avós e pais Da mesma forma os transmiti aos meus filhos porque de facto, a família é um clã com força uma força inabalável.Hoje, como avó caloira abdiquei de muitos dos meus projectos para os ver e ajudar a crescer, para ter a felicidade de a cada dia seguir de perto o seu desenvolvimento, para a cada passo cantar para eles (cantar vem da minha infância), para ajudar a minha filha  e o meu filho adoptivo, como lhe chamo, nesta magnifica caminhada que é ser avó, mas apenas avó. Parabéns, parabéns Miguel………….Um abraço Branca


#32 Palavra de Maestro Não há segredos: trabalho!

Em todos os grupos, turmas de escola, equipas no desporto, famílias, coros, locais de trabalho existem sempre dois grupos. Por mais coeso e forte seja um grupo, existem sempre dois grupos: um encontra-se à frente do outro, mesmo que a diferença seja mínima. Dentro desses grupos as pessoas vão mudando de um grupo para o outro. Normalmente no grupo A são pessoas que se sentem totalmente integradas no meio social e função que desempenham; no grupo B pessoas que entraram há menos tempo que no grupo A e que necessitam de tempo para ganharem o seu espaço. Também podemos ter no grupo B pessoas que já tiveram tempo para estar no grupo A mas, por razões que devem ser analisadas individualmente, ainda não fizeram o tal “clique”.
Há só um Ronaldo, Bill Gates, Belmiro,Dudamel, Marcelo. Chamo-os de lebres, pois estão sempre na frente, difícil de acompanhar o seu ritmo e capacidades. São pessoas que não só se destacam no meio onde estão inseridos pelo trabalho desenvolvido como o resultado do seu trabalho é extrapolado para além fronteiras. Porquê que se destacam? Não há segredos. Trabalharam muito e não param de querer evoluir, não se contentam com o que já atingiram, estão constantemente a querer mais e melhor.Também não é segredo: continuam a trabalhar.
Num coro também há lebres. O ideal seria que todos os quatro naipes tivessem lebres, ou seja, coristas que puxam pelos seus colegas. Há que aceitar com naturalidade estas lebres, sem contornar o óbvio. A selecção portuguesa é a mesma sem Deco? Se numa determinada altura um aluno não é a lebre, mas tem como objectivo ser, quando alcança esse “estatuto” pode escolher uma de duas vias: fica contente por ser lebre e trabalha para se manter assim; fica aborrecido pois está à frente e tem que “puxar” os que estão atrás. Talvez seja altura de mudar de grupo ou talvez seja tempo para esperar pelo grupo que vem atrás. Talvez apenas pense que é uma lebre, mas não o é.
O trabalho de um professor, um maestro de um coro, é estar atento e criar métodos de trabalho de encorajamento para quem está à frente e quem não está. Um grupo faz-se com quem está ainda atrás e quer chegar à frente com o grupo. Uma lebre não é grupo, é uma lebre só.
Ficamos abismados com os 20´s dos melhores alunos, os impérios económicos de alguns, os salários milionários de poucos, a perfeição de execução de obras sejam com coros amadores ou profissionais e poderemos ser induzidos a pensar que são dotados e que já nasceram assim. Não é verdade! Tal como não é segredo que quem não joga, nunca ganhará o Euromilhões, também nos coros não há segredos: trabalho!

#39 Palavra de Maestro "EngripAdo?"

 

           Alguém deve estar a ganhar muito dinheiro. Que se ganha muito dinheiro com especulação já se sabia, mas chega de brincar com as pessoas e manipular informação para proveito de uns quantos. Claro que devemos nos precaver, tal como atravessamos uma estrada, colocar cinto enquanto conduzimos, não estar exposto na hora de maior calor. Claro que existe o perigo, mas como alguém disse há pouco tempo, o medo é paralisador. Podemos optar por viver com a beleza de viver dia-a-dia ou sucumbir ao fatalismo.

 

Por muito que não queira ouvir, ver ou ler, nem escrever… é inevitável. Não pela razão mas pela consequência. Até tenho algum receio de escrever a malograda, mas ver a toda a hora pessoas alarmadas como se fosse sífilis ou lepra, como se o Apocalipse estivesse a chegar...

 

Será verdade os números que anunciam todos os dias em Portugal? Tenho sérias dúvidas, pois estivemos recentemente na Holanda e pouco ou nada se lia na Comunicação Social e pela informação das Autoridades Sanitárias eram às centenas por dia. Que tal relativizar e dar os dados todos de modo que quem recebe a informação possa fazer a sua triagem. “Hoje no mundo morreram x pessoas com a Gripe A”. E com as guerras? Acidentes de trabalho? De viação? Ataques cardíacos? Velhice? Suicídio? Loucura e depressão?

 

Estou à vontade para falar pois estive em isolamento e tratamento com 48 pessoas em Utrecht ( sim, fomos nós!) porque alguém se lembrou de fazer uma festa temática na cidade. Como a originalidade atrai: “Vejamos!...Festa do Chocolate…não..anos 70…não…Gala…não…e que tal Festa da Gripe A? E para dar algum realismo teremos pessoas com a gripe A e como brinde pode ser que a leve também para casa!” Como dizem os miúdos hoje em dia “ Estava A pinha!”. Em pouco tempo se alastrou…até nós!

 

Da nossa parte podemos dizer que foi mais uma experiência que a vida e o mundo coral nos permite. Ficamos mais unidos e talvez mais conscientes que talvez em Portugal se façam as coisas de maneira diferente. Pelo que vivenciámos sem dúvida que é rápido o contágio, mas também é rápido todo o processo até à cura (na maioria dos 35 casos apenas com paracetemol e descanso). Houve muitos que se perguntavam na casa: “Mas é isto de que tanto falam? É isto estar engripAdo?” Teríamos sido notícia se fosse Varicela ou Sarampo? Porquê que não foi notícia o Festival Europa Cantat que é apenas o festival europeu mais importante?! Porque não é futebol?...

 

Alguém deve estar muito satisfeito, pois assim desviamo-nos do que é realmente importante e focamo-nos no urgente. É uma questão de sobrevivência. Penso que a sigla foi mal escolhida. Deveria ser chamada de Gripe P: Pânico, Paranóia, Parvoíce, Paralisador.

#33 Palavra de Maestro "Não me peçam para dar aquilo que tenho para receber"

 

 

  Soube que Eunice Muñoz uma vez disse: “Não me peçam para dar aquilo que tenho para receber “. Todos os que de uma maneira ou de outra estão ligados a qualquer tipo de arte são, em geral, vistos pelos “comuns mortais” como pessoas que fazem aquilo que gostam, logo não lhes custa nada fazer o jeito. “Eles até têm prazer no seu trabalho!” Um verdadeiro escândalo (gostar do que se faz)!

  Sou muitas vezes abordado para fazer “borlas” aqui e ali, e tive que traçar um limite- se não é instituição de solidariedade deve pagar pelo serviço de um coro. Penso que se todos os artistas parassem de fazer “borlas” para televisões , rádios, empresas  públicas e privadas, podiam fazer a diferença no panorama musical, nomeadamente coral:

  • ao cobrar o ouvinte é mais exigente com quem canta;
  • quem canta adopta uma atitude de profisssionalismo e respeito para com a peça e o público;
  • os coros começariam a ter recusos financeiros para conseguirem dar melhores condições aos coristas e maestros poderiam viver da sua profissão e não como hobby;
  • os concertos começariam a ter um raciocínio lógico e não peças soltas de um puzzle;
  • haveria um pensamento cénico, com os programas, entradas e saídas de uma peça, afinação, respiração;
  • ao haver exigência cortavam-se as “pontas soltas” que são aqueles que não vêm com regularidade aos ensaios mas andam por ai mas estão sempre prontos para fazer os concertos;

  As pessoas que pedem “borlas” usam sempre todo o tipo de pretexto para conseguirem a “borla”. No fundo, não estão a respeitar os coristas que dedicam o seu tempo livre para trabalhar: “Nós talvez possamos arranjar-vos transporte”; “Não vos custava nada dar o concerto, é mesmo aqui na vossa zona”;” Nós gostamos muito do vosso coro!”. Todo este tipo de argumentos são imediatamente silenciados quando trocamos algumas palavras: “Nós talvez possamos pagar a renda da casa”; “Não vos custava nada dar a mensalidade do colégio dos miúdos ,é mesmo aqui na vossa zona”;”Nós gostamos muito do vosso Banco”.

No dia em que puder ir ao Hipermercado e abastecer a minha casa de “borla” porque sou maestro, nesse mesmo dia começo a fazer borlas. Até esse dia chegar, respeitem-nos!

Reacções

  *Exmo. Sr. Prof. maestro, Myguel Santos e Castro
Venho apenas dizer que fico sempre "encantada" com a simplicidade e forma explícita com que nos traduz os seus pensamentos e ideais, nas suas "Palavras de Maestro". Obrigado por isso!Melhores cumprimentos,Catarina Roriz

  *Caro Colega, há muitos anos que a minha atitude profissional vai, muito activamente, no sentido exposto neste magnífico texto. Fico feliz por ver que, em Lisboa, um profissional consciente da honradez da sua actividade a defende desassombradamente. Acredito, até pelo teor do texto, que não é o único, de qualquer modo peço-lhe que aceite os meus votos de boa coragem para persistir neste estilo de abordagem.Grande abraço,João-Heitor Rigaud

  *gostei de ler! abraços, p

*FORÇA COM A LUTA QUE JÁ É ANTIGA !...MAS... INSISTA .JCPinto

*Boa Miguel!!!! Parabéns. Foi conciso sem ser corrosivo…Beijos e até breve.Tudo de bom…Isabel


#34 Palavra de Maestro "Invertamos a Crise financeira/valores"

A crise vinha a ser anunciada há já muito tempo.
Hoje não se ouve outra coisa senão a consequênca económica e social do que há já muito tempo se passava: uma completa crise de valores!
Quando um Pai não passa tempo na família é um desconhecido, quando uma mãe tem de trabalhar em duplos empregos os filhos não a vêem, quando os casais não namoram diariamente iniciam vidas paralelas, quando os filhos não dão satisfações procurarão outras figuras de referência, quando alunos não respeitam professores não há hierarquia, (é fixe já ter incendiado o lixo da sala de aula 53 vezes), quando o mais importante é “eu atingir os meus objectivos”…
A resposta não será certamente injectar dinheiro no mercado, mas valores e não falo dos financeiros: falo dos valores do empenho e esforço, da cooperação e respeito pelo outro, do valor do trabalho e mérito, das regras de boa educação e são convívio.
Todo o sistema precisa de ordem e de liderança e o sistema mundial precisa que o sistema familiar, célula primeira, se cure e se encontre de novo. Sem famílias, sem marido e mulher e sem filhos… o mundo não melhorá e este caminho do egocentrismo tenderá a acabar em guerras. “Entre eu e tu, escolho eu!” Não seria inteligente cooperar e escolher “nós”?
Os coros, e todas as actividades que envolvam trabalho e dinâmicas de grupo, têm uma responsabilidade fundamental na reordenação mundial, ajudando a criar indivíduos fortes de carácter, confiantes nas suas qualidades e virtudes, humildes perante os seus defeitos e lacunas e ambiciosos no futuro que apenas deles dependerá. Lembram-se da professora da série Fame? "You've got big dreams? You want fame? Well, fame costs. And right here is where you start paying ... in sweat."
O prazer de saber pescar, de testar iscos, de nos cortarmos com o anzol e aprender a esperar que o peixe morda, foi substituído pelo peixe já no prato, pelas Nintendos, telemóveis sofisticados e relações fast-food. E agora? Agora os noticiários por um lado falam de despedimentos, insolvências e falências; por outro dos novos ricos, magnatas ganancioso que enriqueceram à custa de poupanças de tantos e offshores.
Não nos concentremos no problema da crise, mas usemos toda a nossa energia para a solução, que no meu entender, passa por fazermos a diferença à nossa volta, ensinando os nossos filhos, alunos, crianças e jovens coristas que a integridade do ser humano não está à venda.

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*Viva Miguel,Boa! Gostei…Abraço e até breve Isabel

*É sempre com enorme prazer ler e reler as suas palavras, nem sempre estarei totalmente de acordo, mas respeito e admiro a sau coerência.Muito Obrigado pela atenção que me dispensou. e escreva sempre, sempre que eu envio aos meus colegas do Coro.


#35 Palavra de Maestro "Noc!noc! Sou eu…Joe Black!"

Muitos certamente viram o filme “Meet Joe Black”. Mais do que a morte em si, o filme falava da pré-morte, ou seja, sei que vou morrer mas não sei quando. Quem quer ser negativo chama-lhe de pré-morte, quem quiser ser positivo chama-lhe de vida.
Mesmos os mais positivos por vezes chamam-lhe de pré-morte (vamos chamar-lhe de Joe Black), quando há um noc!noc! seja à nossa porta, ou perto de nós. Por vezes não ouvimos a porta, outras fingimos que não estamos em casa, outros preferem não se fechar em casa e se “o Joe quiser me fazer uma visitinha, que tenha trabalho a encontrar-me, pois estou a viver”.
O Joe anda muito atarefado: falam dele na rádio, jornais, televisões, na net. Mas não damos grande importância, pois não é à nossa porta. Mas quando é… trememos, questionamo-nos, mudamos. É como vivéssemos num mundo Matrix e de repente se imobilizasse e apenas nós temos movimentos de acção num mundo parado à nossa volta. Esta sensação talvez seja sinal do contrário: o mundo real continuará em acção, enquanto nós estamos imobilizados com o noc!noc! do Joe à nossa porta. O que podemos fazer?
Podemos não abrir a porta, mas isso não vai certamente impedir de nos encontrarmo-nos com o Joe (rapaz persistente!). Podemos ver como uma oportunidade. Sim, é isso! Como uma oportunidade! Uma oportunidade de mudar de vida! De dar atenção ao que é importante, pois o urgente já deixou de ter importância. O importante são os laços que estabelecemos em família, com os amigos, no trabalho, no coro. O importante são as pessoas e tudo o resto são “peanuts” perante o noc!noc do Joe Black!
Desperdiçar a vida é uma opção , mas Joe Black não avisa quando chegará a nossa hora. E pedir prolongamento, pois ainda estamos no empate…. Não vai certamente surtir efeito. Talvez o noc!noc! não seja do Joe, mas do nosso irmão António, ou da nossa filha Cristina, do nosso avó Fernando, ou do nossa amiga Florbela. Talvez o noc!noc! seja alguém do coro que reclama a nossa presença, que sente a nossa ausência. Poderá ser apenas o vento. “O vento não é certamente, e a chuva não bate assim!”
Noc!noc! Sou eu…

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  *Olá ,eu sempre achei que a família é o nosso maior bem. Onde somos mesmo nós. Como é bom chegar a casa... Um beijinho amigo, Rita Rodrigues da Silva
  *Bom Dia, Gostei muito do texto que enviou :) Continuo à espera de uma oportunidade para ver o coro vox laci ao vivo! Quando houver um espetáculo avise-me por favor. um beijinho Susana

  *Caro Miguel! Continue a persistir. Eu, que também dirijo um Coro ( o Laus Deo) sei que sem persistência, coragem, disponibilidade, amor e muita , muita paciência, pouco ou nada conseguimos. A Música - Mãe de todas as Artes, vale bem o nosso esforço. Por isso, não desanime! Recebi, hoje, de uma pessoa muito querida,( que foi minha Mestra de Gregoriano) um poema que tomo a liberdade de lhe enviar:
TO BE OR NOT TO BE
Entre o ser e o não ser, Escolho o Ser.
Porque Aquele que disse:"Eu sou Aquele que Sou" , chamou-me à existência para eu ser.
Rejeito todo o não ser!
Porque só quero ser, ser mais
Sempre mais rumo à plenitude do SER
N ´AQUELE QUE É! ( Irmã Nuno de Santa Maria,p.m. )
A todos os que querem ser!
Desejo-lhe as maiores felicidades e sucessos no seu trabalho. Saudações cordiais Idalete Giga

*Myguel só agora li esta sua mensagem e logo nesta fase da minha vida, é mesmo isto que se sente e pode crer que ficamos diferentes. Para o descrever tão bem quase aposto que já se cruzou com esse tal "Joe" por ai numa esquina, nem que só de raspão, pois eu estive muito recentemente mesmo em frente a ele olhos nos olhos e digo-lhe que não é facil, não tanto por nós mas pelos que ficam e que não conseguimos tirar da cabeça nem um só segundo, talvez por eles "Joe" acabou por adiar a minha companhia ... só Deus sabe. E depois valem-nos a família e os amigos para recuperar de tudo isto. Um beijinho Cláudia Carvalho CA


#36 Palavra de Maestro "O grupo seguirá"

 

         Um grupo não é uma manada. Um grupo que se quer como grupo é um agrupamento de pessoas díspares em pensamentos, sentimentos e atitudes que se juntam para atingir um determinado fim que os une.

    Uma família é um grupo que nasce da vontade de um casal, uma empresa da vontade de uma pessoa ou de várias, tal como uma arte: uma companhia de dança, de teatro, um coro, uma orquestra. Começar é algo apenas para os corajosos: sair da sua comodidade de não ter responsabilidades (nem chatices) e iniciar algo, construir um sonho que afectará tantas pessoas e famílias. Mas o mais difícil não é o começar, mas é o manter. O mais difícil não é fazer algo bom, mas fazer igual ou superar. O mais difícil não é ganhar um jogo, mas o campeonato. E no outro ano seguinte. E no outro…

    É muito difícil manter uma família hoje em dia, quer economicamente, mas sobretudo como célula fundamental da sociedade. Hoje há vários tipos de família… Continuar com uma empresa é apenas para os mais destemidos, pois apesar das adversidades à sua volta, manter aceso o sonho da continuidade e crescimento da empresa, não é para todos. Basta ver, infelizmente, a quantidade de empresas que encerram diariamente, e curiosamente outras que começam (dá que pensar…).

    Num grupo que não faz da arte a sua vida, mas um hobby (diferente de passatempo), mais difícil se torna, diria saborosamente difícil. As mutações e oscilações que os grupos vivem e atravessam faz parte da sua evolução como grupo. Não se trata de darwinismo, mas de aceitar e dar graças pelo tempo em que nos encontramos. Devemos estar gratos com as pessoas que passaram pelo grupo, mas não podemos estar agarrados às pessoas do passado. Bem como as pessoas que não fazem mais parte do grupo, deixar o grupo seguir em paz. O grupo cresce e segue o seu próprio caminho traçado por uma direcção, sujeito a mudanças difíceis (e existe alguma mudança que não seja difícil?), com opiniões e resistências internas e externas , mas segue (“…, mas a carruagem continua”).

    Uma manada não é um grupo, mas um aglomerado que não sabe para onde ir. Meu bisavô dizia “ Se não sabes para vais, não corras, pois só te vais cansar!”. Se cortarmos a cabeça de uma galinha, ela andará zonza a correr de um lado para o outro. Um grupo não é uma galinha. São várias pessoas que vivem vidas diferentes e é o acumular de energias diferentes que faz a energia do grupo canalizando para um fim comum. Quer não está -porque não quer ou não pode- para o fim comum (que o assuma) e fique feliz quando o grupo o atinge mesmo que isso implique que “eu” não fiz parte do fim último. Pode ser um almoço de família, um contrato conseguido pela empresa, uma apresentação ou uma temporada de concertos.

    Um grupo nunca se cansa: muda, adapta-se, evolui, encontra novas formas de estar. A galinha ao fim de algum tempo cairá, um grupo fará da adversidade meio de coesão.E seguirá.

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  *Concordo… O mais difícil é manter e ter sempre a ambição e a humildade de recomeçar! Abraço António Ferreira

  *Concordo em absoluto com esta reflexão... Cumprimentos Deolinda Auxtero

  *é claro que não me esqueço penso nisso todos os dias! Jorge Salgueiro

  *Dear Myguel, You cannot imagine how timely your message is. The International Festival Chorus Shanghai performs David Fanshawe's African Sanctus this Saturday and I was asked yesterday to stage manage. I had already not signed in to do this concert because April was so overcommitted. But, finding a volunteer willing to coordinate composer, artistic director, chinese laws, theatre, sound engineers, volunteers, musicians and the CHOIR together for a great performance has proved difficult for the committee. I get so annoyed with how things are done in China but then messages like yours come through that remind me I'm not alone in my frustrations. Thank you very much for the reminder to keep going. Jacqueline

  *PARABÉNS Myguel, está muito bem escrito e é tudo verdade. Um beijinho Margarida

 

 


#37 Palavra de Maestro "Arregacemos as mangas"

É tempo de sair da pasmaceira!
É tempo de dar um murro na mesa e dizer “basta”. Não é à toa que cada vez mais pessoas se deprimam e continuarão insatisfeitas pois apenas se sabem lamentar. Em vez de olhar para o problema, poderiam procurar a solução. Quanto mais andarmos à volta de um problema, às voltas e voltas, acabaremos por ficar tontos e cair de exaustão. E o problema? Ainda por resolver. Se procurarmos uma solução ela surgirá com certeza, nem que seja por tentativa-erro. Só falha quem tenta, apenas sairá a lotaria a quem comprar a cautela, vencerá os obstáculos quem tiver as mangas arregaçadas.
Ó Portugal e seus habitantes, arregacem as mangas! Façam frente às dificuldades e encarem as mudanças como oportunidades. Acredito que tudo tem uma razão de ser e que não há coincidências. A vida é demasiada perfeita para não ter sentido. Carpe diem! Aproveitem o tempo e a vida. Cada dia que passa, estamos mais perto da morte. Vamos estar à espera dela?
Podemos agora num pequeno instante mudar toda a nossa vida. Apenas com uma decisão: “Vou procurar uma solução!”. Num instante uma pessoa nasce, vive, cria e morre. A força do pensamento - e por consequência da palavra - tem uma força tremenda e repercussões a nível corporal. A tristeza com factos que acontecem na nossa vida não pode nos subjugar e dirigir a nossa vida! Uma relação que termina, uma doença, um despedimento, uma morte não pode apagar a essência do que cada um é e perpetuar o sentimento de tristeza ad eternum. Devemos saber ler os sinais à nossa volta e tomar decisões. E a melhor decisão para sair da tristeza e pasmaceira é a decisão mental de arregaçar as mangas! As dificuldades deveriam ser catalizadoras do nosso crescimento.
Como dizia o actor Herman José “ a vida é como os interruptores: ora para cima, ora para baixo!”. Quando estamos em baixo podemos decidir nada fazer ou podemos pensar que é uma fase. A vida de um grupo ( como um coro, empresa, família, etc) é também como os interruptores. Quando está para baixo há que encarar como uma fase; quando está para cima também. A minha mae diz "ora estamos a ir para Belém, ora estamos a ir para Jerusalém". A isto dá-se o nome de vida.
Uma coisa é parar, pensar e tirar conclusões sobre determinado facto; outra é lamentar como desporto ou hobby. Lamentar é perder tempo. Arregacemos e construamos juntos um presente melhor!

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*Bom dia, Maestro, muito inspiradora esta sua Palavra, gostei! Obrigada. Isabel Lopes

*Myguel, Muito obrigado. Um abraço. Maria de Fátima


 

#38 Palavra de Maestro "Não são rosas"

 

           Há uma foto que não me sai da cabeça. Estava a ler um jornal diário e sou chamado à atenção para uma foto com circunferências coloridas e o título “Distribuição Gratuita nas Escolas”. Pensei eu, que adoro topo o tipo de doces, que iriam distribuir gomas nas escolas. E a história da obesidade e das cáries? Comecei a ler e não é o meu espanto, que afinal não são gomas, nem “são rosas meu senhor, são rosas” (tal como conta a lenda), mas preservativos. Os meus sinceros parabéns aos mentores desta ideia.

É como se fossemos ao dentista para tratar de uma raiz podre e é colocado uma massa branca para que continue bonitinho por fora. Está errado, profundamente errado! “Mas é para evitar a gravidez na adolescência….” Como se qualquer miúdo, sim estamos a falar de crianças -a distribuição é para ser feita no secundário e já se fala no preparatório – soubesse usar com sabedoria. Estamos a falar da adolescência, e para aqueles que já esqueceram a sua adolescência, não é um tempo fácil nem de grande sabedoria, não são rosas,  é um tempo de perguntas e alterações constantes de humores e de amores, um tempo fundamental de aprendizagem de resolução de situações tensas e emocionais, e a mensagem: “ se o teu corpo pede, toma lá um preservativo”, não é uma resposta séria, mas uma perfeita ignorância!

Este tipo de mensagem é um SMS: curto e eficaz na destruição da consciência e valores dos nossos miúdos. È não pensar nas consequências, mas no imediato; é não ensinar a esperar e a cumprir com as suas responsabilidades; é sermos escravos do instinto, tal como os animais. Qualquer dia muda esta moda de distribuição de presentes (um presente é para ser aberto na hora!), será substituída por outra, pois verificarão que não funcionou.

Naturalmente, que estou preocupado com o aumento da gravidez na adolescência, mas e a taxa de analfabetismo? Não é superior? A quantidade de miúdos que não sabem ler e escrever como deve de ser, entrando nas faculdades sem saber de cor a tabuada e com erros ortográficos….porquê que em vez de distribuir preservativos, não é oferecido os manuais escolares em Setembro, fomentando a educação responsável (e com ela a sexual)? Porquê não implementar novos estilos de vida, envolvendo os Pais, criando novas rotinas e standards de excelência? Porque não criar coros e orquestras nas escolas em Portugal? Porque não distribuir e fomentar a mensagem que quem não canta/toca é que é mau? Quando acabam com a mensagem de que transgredir é que é fixe?

Já viram quando vier outra moda? Com a imaginação sem limites: qualquer dia os miúdos lembram-se de usar as calças baixas e mostrar um pouco das cuecas (os mais radicais mostrarão tudo), de começar a fazer furos no corpo e dão o nome de piercing, das raparigas usarem boxers de rapazes e decotes até ao umbigo, etc. Isto levado ao extremo era como se qualquer dia tivéssemos políticos que não cumprem os seus mandatos até ao fim! Já viram se tudo isto algum dia acontecesse?

Qualquer dia preservativos não chegam, têm de vir às cores. E quando virem que não resulta, alguém se lembrará de pôr sabores. É que ao preço que andam as pastilhas, qualquer dia veremos os miúdos a mastigar os presentes com sabor. Sinceramente!...
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*(...)Adorei a forma como a elaborou e especialmente a ironia. A educação para a saúde é evidentemente escassa, e não consigo perceber como é que alguns pais não se ENVOLVEM na vida dos filhos. Estive agora a estagiar em pediatria e vi que as crianças já não são como eram, e aprendi que para além do amor uma das melhores coisas que os pais podem dar aos seus filhos é uma estrutura (psicológica, emocional, etc) para lidarem com as frustrações da vida. Isto tudo começa quando aprendem a lidar com o não dos pais. Como consequência de muitas consequências temos agora "absurdices" como a distribuição de preservativos sem uma formação prévia. Enfim, é bom saber que alguns de nós fazemos a nossa parte em tentar mudar. Um beijinho, Daniela
*Escrito pelo meu querido e jovem amigo Myguel Santos e Castro… ele é que devia ser o Ministro da Educação e Ministro da Saúde! Obrigado Myguel. Abraços. Maria de Fátima
*BRAVO!!! Mais palavras para quê? Bem haja! Cumprimentos Anabela
*Olá Myguel, boa noite Aprecio sempre as suas "crónicas" e apreciei muito esta em particular....é tempo de dizer aos nossos "brilhantes" dirigentes que todos, ou quase todos, qual rei da história, vão nus...... Bons feriados, Atentamente , Filipa Lopes
*Caro Miguel Li o seu texto Palavra de Maestro" Não são rosas" ( antes fossem!!!) com muita atenção e interesse. Estou cem por cento de acordo consigo! Penso que qualquer decisão totalitária imposta no nosso sistema educativo, seja ela a distribuição gratuita de preservativos, computadores "Magalhâes"( estes não são gratuitos, mas um grande negócio da China...) ou o que quer que seja, sem um amplo debate público com investigadores nacionais e estrangeiros, é uma grande falta de respeito pelas crianças e adolescentes, pelos pais, pelos professores e por todos os que desejam uma Educação baseada em autênticos valores humanos e não em economicismos sinistros, tecnocratas,bacocos, terroristas. Uma decisão totalitária como foi o triste caso dos "Magalhães" e agora os "preservativos" são crimes pedagógicos que nos vão custar muito caro! É uma questão de tempo...
A violência nas escolas não diminuirá, mas aumentará assustadoramente. Aliás, nunca as Artes ( que são os verdadeiros fundamentos da Educação ...) tiveram, de facto, permissão para entrar na Escola, a sério! Ainda se cultiva o conceito miope do "ler, escrever e contar"( de há mais de cem anos) como sendo o mais importante, no 1º ciclo do E.B. As escolas continuam com um vazio artístico preocupante. As AECs ( Actividades de enriquecimento curricular, eu diria antes de empobrecimento e desorientação curricular = AEDCs...) são uma artimanha, uma autêntica fantochada, uma burla, um negócio para empresas sem escrúpulos a quem o Ministério da (des)Educação entregou, de mão beijada, ( sabe-se lá, com que intenções), a responsabilidade de "recrutar" professores, para a dita fantochada, passando um atestado de incompetência às próprias escolas. Estes professores ( muitos sem preparação pedagógica e musical adequadas) são os escravos do século XXI. Nem chegam a fazer parte da "geração dos 400 ou 500 euros"! Há empresas que têm o descaramento de oferecer ao "escravo" três euros à hora(!!!!). E os " escravos" não têm a coragem de denunciar esta situação humilhante, surrealista, desumana! É urgente fazer a avaliação desta fantochada por avaliadores independentes do ME! As conclusões, a serem verdadeiras, serão de arrepiar! Os pais também têm de ser responsabilizados em todo este processo kafkiano... O nosso saudoso Professor Agostinho da Silva dizia que " é a obediência dos povos que alimenta a tirania dos governos". Ora nunca como hoje foi tão necessário e urgente desobedecer, denunciar, gritar bem alto toda a espécie de injustiças e corrupção. Quando se assiste, por exemplo, à dureza e inflexibilidade, ou , pelo contrário, à permissividade da lei, urge perguntar: as leis foram feitas para durar eternamente, mesmo quando são obsoletas, ou foram feitas para nos servir e proteger e , por isso, têm de evoluir constantemente? A avaliar pelo que se passa hoje na nossa sociedade, parece que as leis foram criadas para durar eternamente. Ninguém lhes pode tocar. Será que o legislador ( gostaríamos todos de saber o nome e currículo verdadeiro de todos os que legislam e como legislam...) se julga um Deus Todo-Poderoso e Omnipotente?.... Espero não o ter maçado com estas reflexões... São também um desabafo. Temos de dar uma volta de 360º à Educação! E será a Música ( Mâe de Todas as Artes) que ajudará a limpar os miasmas lenta e insidiosamente aglomerados nos espíritos... Um abraço e até sempre Idalete Giga


#39 Palavra de Maestro "EngripAdo?"

 

           Alguém deve estar a ganhar muito dinheiro. Que se ganha muito dinheiro com especulação já se sabia, mas chega de brincar com as pessoas e manipular informação para proveito de uns quantos. Claro que devemos nos precaver, tal como atravessamos uma estrada, colocar cinto enquanto conduzimos, não estar exposto na hora de maior calor. Claro que existe o perigo, mas como alguém disse há pouco tempo, o medo é paralisador. Podemos optar por viver com a beleza de viver dia-a-dia ou sucumbir ao fatalismo.

 

Por muito que não queira ouvir, ver ou ler, nem escrever… é inevitável. Não pela razão mas pela consequência. Até tenho algum receio de escrever a malograda, mas ver a toda a hora pessoas alarmadas como se fosse sífilis ou lepra, como se o Apocalipse estivesse a chegar...

 

Será verdade os números que anunciam todos os dias em Portugal? Tenho sérias dúvidas, pois estivemos recentemente na Holanda e pouco ou nada se lia na Comunicação Social e pela informação das Autoridades Sanitárias eram às centenas por dia. Que tal relativizar e dar os dados todos de modo que quem recebe a informação possa fazer a sua triagem. “Hoje no mundo morreram x pessoas com a Gripe A”. E com as guerras? Acidentes de trabalho? De viação? Ataques cardíacos? Velhice? Suicídio? Loucura e depressão?

 

Estou à vontade para falar pois estive em isolamento e tratamento com 48 pessoas em Utrecht ( sim, fomos nós!) porque alguém se lembrou de fazer uma festa temática na cidade. Como a originalidade atrai: “Vejamos!...Festa do Chocolate…não..anos 70…não…Gala…não…e que tal Festa da Gripe A? E para dar algum realismo teremos pessoas com a gripe A e como brinde pode ser que a leve também para casa!” Como dizem os miúdos hoje em dia “ Estava A pinha!”. Em pouco tempo se alastrou…até nós!

 

Da nossa parte podemos dizer que foi mais uma experiência que a vida e o mundo coral nos permite. Ficamos mais unidos e talvez mais conscientes que talvez em Portugal se façam as coisas de maneira diferente. Pelo que vivenciámos sem dúvida que é rápido o contágio, mas também é rápido todo o processo até à cura (na maioria dos 35 casos apenas com paracetemol e descanso). Houve muitos que se perguntavam na casa: “Mas é isto de que tanto falam? É isto estar engripAdo?” Teríamos sido notícia se fosse Varicela ou Sarampo? Porquê que não foi notícia o Festival Europa Cantat que é apenas o festival europeu mais importante?! Porque não é futebol?...

 

Alguém deve estar muito satisfeito, pois assim desviamo-nos do que é realmente importante e focamo-nos no urgente. É uma questão de sobrevivência. Penso que a sigla foi mal escolhida. Deveria ser chamada de Gripe P: Pânico, Paranóia, Parvoíce, Paralisador.

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*Parabéns Miguel pela fantástica dissertaçao sobre a gripe P, desculpe, A. Parabéns também pela união do grupo! Parabéns pela vossa colaboração em eventos tão importantes. Parabéns por nos deleitarem com o vosso trabalho, com as vossas vozes...Força a todos os componentes do grupo Vox Laci... Um Bem-Haja e um abraço também,Clo
*Gostei Abraço Cecilio Regojo
*Caro maestro "engripado" Obrigado pelo seu testemunho. Há muito que estou convencido do que me acaba de escrever. O mundo em que vivemos é assim. Quer uma pequena " profecia"?. A partir das eleições deixar-se-á de falar em Gripe A na Comunicação Social. Vale uma aposta? Um abraço amigo do P. Joaquim Taveira
*Esta notícia teve lugar a entrevista na TSF, não porque era um Coro que estava no grande evento de Grupos Corais mas porque alguns miúdos estavam com gripe A. Por acaso o Maestro é uma pessoa normal e nada de pânico, e por acaso também a pessoa q acompanhava o Coro imaginem…é médica. Bravo Miguel e Maria João Mira .Belíssimo exemplo de competência para acompanhar um Coro como o VOXLACI. Este vou ter q enviar porque na verdade anda tudo A parvalhado…informem-se povo que se diz evoluído. Quando vier a gripe normal de Inverno como irão reagir? Luísa Gonçalves
*Ainda bem que no final tudo correu bem. Boas férias para todos. Com amizade, Filomena Calado
*Certíssimo, Myguel :) nos pensamos isso, também. Irina
*Lamento que tenha passado por essa privação mas estou feliz por, finalmente, encontrar alguém suficientemente lúcido para ver que é tudo um esquema para encher os bolsos de alguns e distrair o povo das coisas importantes da vida. E como muito bem disse, uma delas é, sem dúvida, a música que constrói e eleva a alma aos píncaros do universo. Bem haja pela sua partilha. Fernanda Helena Guterres de Carvalho
*CONCORDO CONSIGO PLENAMENTE! E NÃO SERÁ QUE O PRÓPRIO GOVERNO NÃO ANDARÁ ENGRIPADO JÁ HÁ BASTANTE TEMPO? E QUE TAL SE O ENGRIPÁSSEMOS DE VEZ? BOM ANO CORAL MANUELA SACARRÃO


#40 Palavra de Maestro Crianças Ping-Pong

Não, não são chineses, mas crianças portuguesas.

É início do ano lectivo e os pais fazem contas às actividades extra-curriculares do seus filhos. Os professores que estiveram no ano lectivo passado a dedicarem-se aos alunos vivem na incógnita se a passagem do seu saber terá continuidade em 2009/10. É que é uma altura em que os pais perguntam “Então este ano queres experimentar o quê?”

São pais abandónicos que fazem esta pergunta. Uma coisa são pais que estão atentos aos gostos e aptidões dos seus filhos, outra são pais que andam à mercê dos seus “apetites” destas “pobres criancinhas”.Também se lembram de perguntar quando um filho está a sangrar “Para qual hospital queres ir agora?”

Numa sociedade cada vez menos preocupada com o compromisso e de formar Homens e Mulheres, caminharemos para um mundo a saltar de um lado para o outro, sempre insatisfeitos com o prazer imediato.

Acredito que um indivíduo apenas o é dentro de um grupo, onde é obrigado a criar o seu próprio espaço sem pisar o do próximo. Caimos inevitavelmente na importância dos coros. Qual o papel social e educacional? Lutar! Acredito que seja não parar de evoluir, aceitar as próprias fragilidades dos seus maestros e coristas, não aceitar a acomodação e gritar “BASTA!” indo mesmo contra o sistema político e social.

Como podemos exigir aos “miúdos” que se esforcem se há Pais que não vão aos seus concertos, aos seus saraus, às reuniões da escola, não sabem quem são os amigos dos seus filhos, o nome da professora primária, nao falam com eles? Como podemos aceitar que um Pai e um filho estejam um ao lado do outro cada um no seu telemóvel pois nao têm conversa? Como podemos acreditar nas pessoas que com responsabilidades sociais sejam os primeiros a não dar exemplo, a não serem testemunho? Como podemos aceitar que um Pai que quer e pode estar com os seus filhos, um Tribunal lhe negue esse direito às crianças, porque não é Mãe?

Somos todos responsáveis pelo aumento do Síndrome Criança Ping-Pong, sobretudo nas crianças de pais separados. A criança é “jogada” de um lado para o outro, sem nunca saber onde vai cair, simplesmente no seu olhar distante e .triste parece dizer “não me abandones”.

Não estamos a abandoná-las quando pais trabalham até mais tarde para não estarem em casa? Ou escolas que começam cada vez mais cedo e acabam cada vez mais tarde? Que sociedade é esta que fomenta “adultos” do vale tudo, sem valores nem irmandade? Qual o bom futuro que podemos antever com adolescentes encorajados pelos seus pais a experimentarem cursos, actividades e namoros?

Estaremos condenados?” Não! Uma aldeia povoada por irredutíveis gauleses ainda resiste ao invasor.” Uma aldeia de pessoas com valores, de pais com tempo e amor, professores dedicados e valorizados e que trabalham para que as crianças saibam dar valor às coisas e tirem elações das dificuldades, deixando de ser crianças Ping-Pong para se tornarem Homens e Mulheres, e por conseguinte bons Pais.

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 *Grande Maestro!!! como sempre, estou de acordo com as suas palavras e principalmente com os seus factos. Meus respeitos e admiracao para uma pessoa de corajem. Um grande abraco.Sebastian Scheriff

*Caro Maestro, Antes de mais obrigado pelas suas palavras e como tão bem descreve a sociedade em que nos tornamos. Infelizmente, eu estou de alguma forma a identificar-me com essas pessoas (...)Desculpe o desabafo, mas isto foi para lhe dizer que muitas vezes esse abandono não é premeditado nem voluntário, mas uma obrigação que nos deixa com poucas alternativas. Continue com o seu bom trabalho e com as chamadas de atenção, espero que consiga mudar atitudes. Cumprimentos, Cláudia Sousa

*Caro Amigo, Grandes palavras (crianças ping pong). Felicidades Joaquim Azevedo

*Obrigada, Myguel :) Muito bom é o teu artigo! Precisamos saber de parar e reflectir de repente, obrigatoriamente, sempre. Irina Cherstiukova

*Hey buddy,You have shared some very wise and important points here - it's good to hear them.Looking forward to catching up next month,J


#41 Palavra de Maestro "Segundas oportunidades"
 

“Maestro, vou sair do coro.” São poucos os que conseguem dizer. Seja por vergonha, medo da reacção ou simplesmente falta de consideração, poucos são os que conseguem verbalizar. Não é fácil acabar , cortar com o vínculo que se criou com o grupo, as pessoas que se tornaram amigas, o projecto em que estava envolvido. É uma decisão muito difícil!  

Julgo que o papel do maestro é o de agradecer: primeiro, porque o corista teve consideração e respeito; segundo, porque no tempo em que esteve foi uma peça importante na dinâmica. O grupo é o que é hoje também pelas pessoas que por ele passaram. Apenas assim um dia poderemos ouvir “ Posso voltar?”. Quanto mais nos prendem, mais queremos sair.

Dizemos no Vox Laci que não somos um fim mas um meio, um tempo, onde as pessoas pedem para entrar (audição), mas que terminará certamente um dia. Como um comboio que apanha e larga passageiros. Apenas tenho uma certeza acerca das pessoas que estão: um dia sairão. E com esta consciência não se perdem coristas, mas ganham-se pessoas, pois apenas na liberdade de cada um, na responsabilidade do compromisso para com o grupo, poderemos todos crescer.

Não é muito diferente de uma relação a dois: ambos fazem uma audição e partindo -ou não- para o compromisso, sabem que um dia partirão: seja pela morte física, seja pela emocional. Um dia tudo terá o seu fim. Aceitando esta inevitabilidade, porquê preocuparmo-nos por antecipação?

Vivamos, aceitemos, amemos, cantemos, estudemos, investamos, choremos, brinquemos, dêmos graças pelas coisas boas que a vida (Deus) nos proprociona, sobretudo pelas segundas oportunidades. São tantas, mas por vezes estamos focados no ponto negro da folha. Não estou a falar do “Second Life”, mais vale viver uma vida virtual do que a beleza da vida real, nem muito menos das vidas duplas que tantos insistem viver. “Estou a cantar em dois coros, mas os maestros não sabem!”, “Estou a cabular, mas os professores não vêem!”, “Estou a viver um caso extra-conjugal!”, ... isto não são segundas oportunidades, mas vidas paralelas e de mentira.

Segundas oportunidades são quando: coristas voltam a cantar; alunos voltam a estudar; professores voltam a ter brio e alegria no ensino; músicos voltam a tocar; pessoas voltam acreditar no amor; o rancor e a mágoa dão lugar ao perdão (filho pródigo); crianças voltem a viver sua infância;  jovens sem pressa de ser adultos à força, pais e filhos voltam a confiar. Segundas oportunidades são quando aprendemos com os erros, aceitamos a nossa humanidade e acreditamos para além da na nossa capacidade. Ninguém nasce ensinado, a vida é uma aprendizagem diária com os nossos erros e os dos outros. Temos de dar segundas oportunidades a quem as pede. Um dia poderemos ser nós a precisar.

Seja já a 2ª, 3ª ou 234ª oportunidade é sempre uma outra oportunidade para se ser feliz. A grande questão é se no final valerá a pena.

Segundas oportunidades são quando pessoas voltam a sonhar. Está a dar/receber uma segunda oportunidade?

Reacções

*Obrigada por este texto.Desejo-lhe força e alegria e esperança e criatividade e amor para continuar.Maria Maya

*Caro Myguel,Gostei muito do teu texto.Não sei porquê, mas lembrei-me de um PP que preparei à uns tempos para enviar pelo Natal em 2005. Penso que vais gostar (O texto não é meu, nem sei de quem é, eu limitei-me a traduzir e adaptar). Abraço e continua a ser como és  Cecilio Regojo PS: Um dia certamente nos vamos reencontrar

*Julgo nunca ter-me recusado a oferecer uma segunda oportunidade...Obrigado por este REFLECTIR.Um abraço.JM

*Foi mesmo muito bom ler-te Myguel.Beijos de uma ex-corista... que sonha ainda um dia voltar a cantar.Mil beijos e obrigada!Xinha

*Hey buddy,Some great thoughts here. I'm really pleased you write these in English as well as Portuguese. Here's looking forward to chatting again soon later this week.With best wishes,Joel

*Dear Mr Myguel Santos e Castro,
Only by chance it happened that I was able to read your 'philosophical letter' about second chances...
Possibly, it was a case where Mrs Laima, acting Director and the main Administrator of Dainu Sala that takes care about all the technical Kivi (Lithuania) matters was definitely upset when her daughter left the singing group under very unusual circumstances.
I am a father of one girl who stays with those eight singers that decided 'to tell the truth to the rest' and to do not continue the simple case because they wanted more.
Of course, this is 'their truth' because it is so difficult to understand the 'real case'. You said a lot of nice and true words in your letter, and probably I should agree with you especially where you speak about reality, about trains and passengers etc.
If your photo is the correct one, you are a young man. I am definitely older than you, going to become 55 next year. But this does not mean that my 'truth' is better than 'yours'. Do we have an absolute truth especially when we deal with human beings?
As it happened, eight girls decided that they want to continue 'a high quality case', and in such a case one can not imagine the situation where everyone remains happy. Some leavers took their decision themselves (thank God), the others wanted to fight a bit for their rights. Laima's daughter's case was a very delicate (as I myself was explained by my daughter - again, do I know the truth?) In the real life she is a very silent and modest girl, and (again, if my information is correct) she even said to the others, 'girls, thank you that you said this to me because I myself would never take this decision knowing though that my singing definitely is not the best one in the group'. She has got a lot of another different talents besides singing, and I am absolutely sure that she will be happy in her future life.
For the moment, eight girls continue singing, a weak ago they had an excellent performance in the live music club where some of the leavers simply participated as part of the audience, and nothing bad happened. Life still goes on!
Of course, it is very sad when some girls took this parting very painfully. Realisticly, after some time there will be peace and understanding but... not today. If I e.g. were Laima possibly I would feel the same. For the moment we are on the different stages. Again, this is life. Sometimes it is too cruel, and of course I agree with you and your nice words about 'second chances'.
With warmest regards, Bronius (father of Ruta)
 


#42 Palavra de Maestro Sejamos honestos

Existe algo mais honesto do que aquilo que sentimos? Quando duas pessoas na mesma sala uma tem calor outra frio,quem tem razão? Será que importa? Ambos são honestos e sentem de modo diferente.
Num coro importa quem tem razão? E quem define quem a tem? Individualmente tomamos posições sobre pessoas e actos, mas tomamos pelos nossos sentimentos. São eles que nos impelem a agir ou não. A razão, o medo de não sermos aceites, de ficarmos sós poderá nos levar a uma tristeza profunda, pois não estamos a ser honestos. Quando alguém sorri para nós e nas costas faz lobby...sejamos honestos, é feio!
Aquando ontem na televisão via um estádio alemão a prestar homenagem a um jogador que tinha decidido pôr termo à vida, vimos 50 mil pessoas e outras milhares fora do estádio, crianças, homens e mulheres choravam. Foi um momento honesto, libertador! Aquela pessoa que jazia morta permitiu que milhares de pessoas se confrontassem e curassem (?) dos seus medos e angústias, chorando, fazendo refletir cada um de nós: o que de mais importante é para mim? Estatuto social, ser maestro, Presidente de uma instituição, ter um grande carro e casa, conta bancária recheada, ser solista?
Devemos nos colocar insistemente em dúvida e porquê estamos a tomar determinadas decisões, tal como um capitão de um barco olha para os aparelhos e vai acertando a sua rota. Ao sermos honestos os outros nos conhecerão pelo que somos, não pelo que parecemos. Os que não são honestos com eles próprios, nem se apercebem que não são honestos com os outros, pois vivem num mundo de eternas desculpas pessoais “Eu nunca assumo a minha responsabilidade, pois a culpa é do outro!” (Recomendo o livro “Ser bom não chega”)
Se queremos pertencer a um coro, associação, família ou direcção devemos conhecer a sua cultura, para que a nossa integração seja possível. Há coros que aceitam pessoas desafinadas outras não, associações que aceitam sem condições novos membros outras não, famílias que se aceitam uns aos outros outras não, e por aí fora. “Há condições: para entrares tens de agir assim (mesmo que não seja como te sentes)”. Vivo com isso diariamente.
Sejamos honestos, temos medo do diferente, do desconhecido, tal como os “árabes” da Europa do Sul tinham medo dos “bárbaros” da Europa do Norte. Agora esse medo não existe, pois nos conhecemos, já não imaginamos. Catalogamos pois é mais fácil para nós, como meio de defesa pessoal. Os medos são criados pelas imagens internas de uma determinada percepção que criamos, se alterarmos a percepção deixamos de ter medo. Uma boa forma de o fazer é ser honesto e falar cruamente. Faço-o nos coros que dirijo.
Quando somos honestos, estamos em contacto connosco mesmos, sentimos uma paz e alegria imensa e estamos atentos às coisas boas que nos acontecem diariamente.(E se acontecem!) Quando não somos honestos, vivemos com medos e sob essa percepção vemos o que nos rodeia.
Sou criticado pela minha forma dura e directa de colocar as coisas, mas estou a ser honesto em como me sinto e penso. Catalogam-me: idealista, surrealista, arrogante. Importa-me o que dizem de mim, dos medos internos que cada um tem? Apenas das pessoas que eu amo, e mesmo essas sofrem com a minha honestidade e eu com a delas. Mas é mais honesto.

Reacções

*Discordo que a honestidade traga sempre benefícios ou que ser duro seja um modo de vida saudável. Isto porque honestidade em excesso pode interferir com a liberdade e vida de outras pessoas, e na verdade, ser honesto implica que exista uma verdade... e verdades existem muitas, por isso pode ser inadequado impormos a presença a nossa verdade. Por outro lado, dureza normalmente é insegurança, quem não tem argumentos nem razões explicáveis, opta por afirmar e segurar-se demasiado fixo/inutável.De resto, acrecento que na minha opinião em geral as "palavras de maestro" são muito egocentricas, mesmo que tente faze-las parecer filosóficas. Estas palavras de maestro servem-lhe sempre para dar recados e enviar mensagens suas para outros e não para entregar algo de realmente construtivo e altruista á humanidade.
Pode retirar-me desta lista de envio? Obrigada!Andreia Gonçalves

*Grande Myguel!!!, tudo bem contigo. Recibi a tua mensajem, e como sempre , estou de acordo. so queria enviarte um abraço e saber como vai tudo. Outro abraço. Sebastian

*olá Hoje consegui ler com mais atenção a palavra de maestro e, de facto, muitas vezes a honestidade traz-nos "problemas" e solidão no sentido de ficarmos sós com a nossa posição, opinião, atitude, por nos sentirmos bem com ela e acharmos que é a mais correcta naquele momento. No entanto, o princípio eleito por grande parte das pessoas não é o da honestidade mas, como diz e muito bem, o principio da "Maria vai com as outras". Tenho esta experiência em muitas situações da minha vida profissionail e pessoal, o que, muitas vezes, me leva a pensar se não sou eu que estou errada e todos os outros estão certos. São apenas opiniões diferentes e há que, acima de tudo, respeitarmo-nos uns aos outros. Obrigada pelas suas palavras. Fazem todo o sentido nos dias que correm  Lurdes

*Meu caro Myguel  Fiquei…sem palavras com as suas. Pertinentes e exactas. Parabéns pela sua conduta. Se o meu “voto” tiver causa e efeito….não mude/! De certa forma…também sou assim. Igual a mim mesmo. Um abraço! José Luis Mendes Callais Coord. Prog. RDP INT.

*Bom dia! Revejo-me nalgumas dessas palavras… Sara

*Dear Myguel, Thank you for this interesting message ! Hope to see you in another event ! Best regards. Noël MINET


#43 Palavra de Maestro "Em quem posso confiar?"
 

  Quando estamos à frente de um grupo esta é uma questão fulcral. Seja o grupo um coro, família , turma na escola, local do trabalho ou mesmo o país em que vivemos teremos sempre momentos de dúvida. Sejamos parte do grupo ou o seu líder a questão é transversal.

  Digo muitas vezes nos grupos que dirijo “quanto mais darem, mais receberão”. O inverso também é proporcional. Se não me dedico à minha “cara metade”, aos meus alunos e professores, se não tiver brio no que faço no trabalho, como posso contestar se não sou reconhecido? Reconhecido pelo quê? Pelo que não faço? Reconhecimento significa que os outros têm conhecimento do que faço, do meu esforço, não da sua ausência. Chegar tarde por sistema, não trazer material, não ser uma mais valia para o grupo, mas antes pelo contrário ser uma distracção na evolução colectiva, há-de chegar o dia da “Operação STOP”. E dói bastante!

  É isto viver em grupo, em sociedade. Os pequenos grupos tais como os coros, têm as suas regras de conduta e à medida que o colectivo avança se os indivíduos não acompanharem essa evolução ficarão para trás. Haverá gente que viva numa sociedade global que não saiba ligar um computador ou uma televisão? Estamos a falar de mínimos. Mínimos esses que quando não são cumpridos poderão levar os indivíduos prevaricadores a serem despedidos no trabalho, a verem a “cara metade” a terminar a relação, os pais a retirarem os filhos das actividades que eles gostam pois o rendimento escolar é negativo, a não actuar nos concertos de um coro, orquestra ou teatro, entre tantos outros exemplos.

  Mas em quem eu confio?

  Confio nos pais que confiam nos professores que confiam nos alunos que farão o seu máximo; confio nos queixoso que confiam nos advogados que confiam nos tribunais que se fará justiça; confio nos trabalhadores que confiam nos seus líderes que confiam que o futuro se constroí em parceria; confio nos coristas que confiam que o maestro confia nos que efectivamente trabalham; confio nas crianças que confiam que os seus progenitores mesmo cansados saberão dizer “não” porque os amam.

  Confio nos coristas que estão nos ensaios, chegam antes da hora, com um sorriso, prontos para trabalhar e ajudar, que vêem o coro como um conjunto de vontades mas o grupo está acima da minha. Estes sabem que têm a minha confiança e eu a deles.

  A confiança é feita de constantes acordos que tem a tendência para nos sentirmos cada vez mais seguros. Quem não procura o seu “porto de abrigo” ou o seu colo para em tempestades poder apenas estar e esperar pela vinda da bonança? Não se compra a confiança e não se constroí de um dia para o outro, mas de um momento para o outro poderá ficar seriamente abalada. Mas será possivel restaurar a confiança quando abalada? Acredito que sim se ambas as partes procurarem a verdade nua e crua: de um lado o arrependimento sem limites, do outro o perdão sem limites.

  Um grupo será tanto mais forte quanto maior confiança houver entre todos, quanto maior e melhor fôr a sensação de “que bom é estar contigo”. A ausência deste sentimento faz com que haja maus ambientes nos locais de trabalho, famílias desagregadas, coros e orquestras com grupinhos em guerrilha interna, povos da mesma nação com ódios regionais.

Cada um de nós sabe em quem confiar. Não temos de confiar cegamente em todos, mas como é bom poder descansar num colo que confiamos.

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*Olá Miguel. Leio sempre com bastante atenção as tuas "Palavras de Maestro", são sempre crónicas interessantes e penso que ilustram bem a pessoa que és. "Em quem posso confiar?" é sempre uma dúvida que se coloca, porque mesmo aqueles com quem contamos podem faltar no momento que mais precisamos... Não pensei que esta minha crise de asma se prolongasse tanto tempo que me impossibilitasse de fazer Ramos, mas a verdade é que o fez. Traí a confiança que tu ou o grupo depositaram em mim? Obviamente não, só não estou apta para o tipo de "tarefa" que o grupo, tu e eu mesma esperávamos à partida. Por isso darei outro tipo de contribuição, estando a assistir e dando uma opinião "de fora" que espero possa contribuir para a melhoria contínua do grupo. Confesso que estou muito curiosa para assistir ao concerto de hoje e ver o "antes" e o "depois" da semana com o maestro americano! Já me estou a desviar do assunto...  Só para concluir, a confiança é fundamental mas também há que pensar no que cada um pode dar em cada momento. Não pode estar tudo dependente de alguém que por algum motivo não pode. Não é justo para essa pessoa, que tem o enorme peso nas costas de não poder falhar para não trair a confiança. Não é justo para a grupo porque essa ausência ou falha de alguém pode inviabilizar um trabalho de meses... E pronto, aqui ficou a minha "Palavra de Corista". :) Beijinhos. Isabel


#44 Palavra de Maestro "Falta de Verdade Sólida"
 

 Há falta de verdade nos coros, pois há falta de verdade na sociedade. Todos os maestros sabem que um coro é uma microsociedade e se fôr um líder atento e observador consegue saber quando determinada pessoa/corista está a passar por uma fase boa ou má na sua vida pessoal.É sua obrigação chamar a atenção (se se interessa verdadeiramente pela pessoa).

As dificuldades que não nos matam, fortalecem-nos! As  vitórias e regras apertadas “cimentam um grupo” (Fabio Capello). Sempre que o grupo está unido e forte nada o abaterá e os seus componentes unem-se como uma rede de aço. A “falta de verdade é corrosiva” (Platão). Esta é a maior adversidade dos nossos tempos: as pessoas preferem iludir a ver as coisas como elas são. É a chamada modernidade líquida (Zygmunt Bauman) pois os líquidos, diferentemente dos sólidos, não mantêm sua forma com facilidade.

Há falta de verdade sólida:  quando os líderes de um país dizem que não haverá aumentos de impostos mas depois aumentam; quando familias não passam tempo qualitativo juntos; quando um corista falta para estar num outro coro ou está desmotivado; quando a infidelidade e homossexualiade entra nos casamentos (entre uma mulher e um homem) e se aceita ; quando a lealdade é algo de abstracto e não se pratica nas relações de amizade falando nas costas; quando o amor passa a ser um produto televisivo e não uma vivência diária nas pequenas coisas como o buscar de um copo de água.

Ao menos estejam calados: não falem, não prometam, não critiquem, não usem o termo verdade. Deixem-se de hipocrisias!

E depois anda meio mundo (será apenas meio mundo?) inquieto, infeliz, resignado. Este sentimento entra nos grupos de coros, teatros, orquestras e de escolas. São constantemente bombardeados pela falta de verdade que a vivem como uma verdade absoluta. Que verdade não seja confundida com agressividade e crítica destrutiva. É um trabalho duro e aqui deixo a minha admiração por todos os responsáveis de grupos, professores e Encarregados de Educação.

Quando não gostamos de alguém que não conhecemos ( e são tantos) é porque não nos sentámos e conversámos. Fazemos juízos de valor do que imaginamos  que a pessoa é ou do que ela diz sobre a nossa pessoa. Será humano? Humano talvez seja, mas não é certamente de “Pessoa” (Rita Mendes Leal).

Nos coros que dirijo e nas relações que mantenho digo o que sinto, a “minha” verdade e com a verdade do “outro” chegamos à “nossa” verdade, sempre mutável mas sem relativismos. Não deixarei de dizer aquilo que penso e fazer aquilo que achar correcto e justo para o grupo. Um líder é o primeiro defensor do grupo indo muitas contra o que a maioria do grupo pensa, mas cabe a ele a “responsabilidade da autoridade” (Bento XVI) e de delinear os objectivos e exigir  o esforço da verdade a cada corista.

Como pessoa, católico praticante, marido, pai e maestro exijo que as pessoas sejam verdadeiras comigo. A verdade incomoda, mas apenas aos vivem na verdade relativa ou hipócrita, ou seja, na verdade líquida.

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*Maestro Gostei da mensagem.É por isso que quando se chega ao lugar de lider muitas vezes se fica só,porque ninguém gosta de ouvir verdades.Desejo muita sorte para sua carreira e coro.
Um Abraço Natália Neff

*Olá outra vez O seu mail tocou-me e por isso tenho que lhe responder...(...)Concordo plenamente consigo quando diz que a falta de verdade é corrosiva.As meias-palavras, a verdade adaptada às circunstâncias, as pessoas que fingem ser o que não são, a "mosca-mortice" e a "sonsice", a ausência de lealdade, a maledicência com o intuito de prejudicar o outro, a inveja, a falta de verticalidade.... Tudo isso caracteriza uma boa parte da sociedade actual, e choca...choca e corrói!...Que bom seria se de cada ser humano pudessem transparecer as suas características! Mas isso é cada vez menos verdade.Estamos num mundo altamente competitivo, em que todos temos uma maior ou menor necessidade de nos exibirmos, de prevalecer sobre os outros, mas alguns fazem-no sem o mínimo pudor. (...)Bom fim de semana e desculpe o desabafo!... Eulália

*Meus caros!Eu também sou músico e instrumentista profissional e não poderia deixar de fazer um reparo ao artigo que me foi enviado... "Muito Reaccionário, Conservador e ate pretencioso!Eu sou totalmente independente em relação aos lóbies económicos, partidos políticos e religiões... Como há muitas religiões neste mundo, por acaso sou baptizado mas não sou praticante...Este artigo carece de vícios, e até" pecados", já que é assinado por um católico praticante, limitando o seu campo de acção, em termos de pensamento!Verdades absolutas? Não existem... Meus cumprimentos,R
*Miguel Só para partilhar uma frase que às vezes digo às minhas filhas e amigos:"A verdade dói menos que a mentira"A mentira ao ser descoberta fere mais que a verdade inicial.BJS Manuela Martins

*Meu caro maestro O seu artigo de opinião...é forte e sensível. Partilho dos seus pontos de vista. Um abraço. José Luis Mendes Callais

*Bom Dia Já que acompanho o Coro há uns anos, não me inscrevendo apenas por falta de disponibilidade em tempo e dinheiro, quero dizer que, sendo apenas pessoa, (não sou católica, não sou maestro, não sou pai, não sou casada) estou absolutamente de acordo com as palavras do Maestro. E faz muito mais sentido chamar "verdade líquida" ao progressivo descompromisso da sociedade. Gostei. Fernanda Helena de Carvalho

*YES! Thank you for the truth! TRUTH has been my goal in life since a teenager! THank you for being a warrior of the truth and courageously showing the way! LOVE YOU! kisses & hugs,Sanna

 




 


#45 Palavra de Maestro "O tom motivador"

 

Segundo o Wikipedia o Tom se refere à altura de um som na escala geral dos sons. Para que um coro ou orquestra possa tocar em conjunto devem tocar todos na mesma tonalidade ou tom e afinados pelo mesmo som ( por exemplo o diapasão). Por isso mesmo antes do início de um concerto de orquestra o concertino dá a nota pela qual todos os instrumentos devem estar afinados; por isso mesmo o maestro dá as notas correspondentes à peça a interpretar por um ensemble de vozes. Isto tudo antes de poder sequer começar a música propriamente dita.

Num grupo de pessoas, díspares nas suas personalidades, ideologias, educação e valores, também é necessário que todos percebam o tom certo que os liga a todos: são as chamadas políticas de cultura de grupo. Dependendo do objectivo que tenha cada grupo, coro, orquestra, empresa, teatro ou família é muito importante que todos os intervenientes tenham presentes que o seu instrumento, a sua pessoas, a sua opinião é importante mas nada está acima da harmonia do todo. Imaginemos o que seria se numa orquestra alguém dos metais lembrava-se de “carregar” na dinâmica do seu instrumento perturbando toda a execução daquela obra ou então aquela soprano que infelizmente, para quem ouve, ainda não percebeu que está a cantar num coro...

É um gerir constante de emoções! Tem de tão desgastante como de motivante. Desgastante, pois um Encarregado de Educação atento é aquele que privilegiando a autonomia do seu Educando é o primeiro a apoiar e a ajudar nas dificuldades, de modo que em situações semelhantes o Educando consiga fazer face a elas e ultrapassá-las, enfim, cresce; Motivante, pois vê o seu “rebento” a desabrochar e a trilhar a vida. Assim acontece num coro, assim acontece no VoxLaci. Proporcionar aos coristas etapas evolutivas musicalmente, fá-los sofrer, frustrar, chorar, mas passa por ai, pois são as “dores de crescimento”. Mas como é bom “chegar a Bicesse!”. Respeitamos a liberdade individual, pois qualquer um pode sair quando quiser, mas não podemos aceitar alguém que pensa poder estar acima do tom colectivo. A bem do grupo, da harmonia musical, oferecemos uma partitura em “mute”.

Quando vejo miudos e graúdos a não terem tento na língua, namorados a gritarem como se estivessem num mercado, amigos que não sabem falar sem denegrir o outro, penso “Estás a precisar de ir para um coro!”. Antigamente diziam que era na tropa que os rapazes de tornavam homens, pois aprendiam a contar com eles próprios, a respeitar a hierarquia e regras, a saberem viver com a liberdade do outro. Hoje temos alunos que vão passando de ano sem nada saberem, dando pontapés na gramática e sem saberem a tabuada (e a baterem nos professores?!). Desgastante?! Não, é muito motivante! Pois podemos fazer a diferença na nossa familia, bairro, coro. Dizemos qual é o tom com que queremos ser tratados e demonstramos como todos temos a ganhar se todos harmoniosamente estivermos na mesma tonalidade. Simples?! Não, mas é muito motivante!

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*Caro Myguel
Antes demais espero que este endereço de email seja o correcto para me dirigir a si.O meu nome é ines baptista, uma anónima obviamente, mas vi-me quase que "obrigada" a endereçar-lhe algumas palavras após ter lido alguns artigos seus.Não interessando muito o meu curriculo musical, apenas posso acrescentar que estou ligada à música, e daí que me chega ao mail um dos seus artigos, acerca do "Tom", que um amigo achou interessantíssimo e tratou logo de encaminhar a todos quantos pode o mesmo texto.Gostei muito...e como música é-me completamente linear essa metáfora com o "Tom" social aos vários níveis, sendo mais que certo que essa ideia da pauta mute é fantástica, pois afinal....quem suporta desafinações?????Depois a curiosidade levou-me ao site do seu coro, que desconhecia até então, e mais uma vez me deliciei com mais palavras suas acerca da música, das pessoas, da vida, e da forma como esta deve ser vivida...tal como uma melodia harmoniosa, com fortes e pianos, maior ou menos intensidade, e também com as fundamentais pausas (tirando os diatraidos que tocam/cantam nas pausas).Admiro o ser-se maestro. O liderar um grupo, seja ele qual for. exige trabalho, gosto claro, e alguma (muita) psicologia para "afinar tantos tons" num grupo tão diversificado. Mas aí está o gozo de pertencer a um coro/grupo, muitas vezes nem é pelo resultado final, mas pelas batalhas travadas para o obter.Se eu poderia viver sem música? sim poderia.....mas não seria a mesma ines....não teria vivido as emoções que vivi, não teria pisado os palcos que pisei, e conhecido o prazer que se pode ter com a música!Peço desculpa se me alonguei, queria apenas felicitá-lo pela forma como escreve e como contagia todos quantos pertecem à grande familia da musica, que muito se esforçam e se dedicam, em detrimento de tantos fins de semana em familia etc etc...mas vale muito o esforço. Continuação de um excelente trabalho  quem sabe nao terei oportunidade de assistir a um dos vossos concertos que acredito sejam fantásticos!  Ines Baptista

*Parabens Maestro muito pertinente este texto pois ne vida real serve de "carapuça" a tantas outras situações. Gostei muito vou guardar e divulgar a outras pessoas em seu nome é claro. Saudaçóes de Josefina Lourenço

 
 



 


#46 Palavra de Maestro "Influência positiva"

 

Sejamos uma influência positiva onde quer que estejamos e exijamos que os outros também o sejam. Sejamos um vírus positivo que contagia quem está ao nosso redor.

Numa altura de crise finaceira mundial (será apenas finaceira?!) saibamos ser Grandes. Quando tudo corre bem é fácil, mas são nas dificuldades que vemos as bases morais e a integridade dos indivíduos, dos líderes e da Sociedade.

O “bota abaixo”, o pessimismo e a falta de brio não poderão ser nunca características de algo de Grande. A desafinação, a falta de assiduidade e pontualidade, o não dar o melhor de sí mesmo (que não é a mesma coisa de ser o melhor!), o não respeitar os outros é antes de mais uma Grande falta de respeito pelo próprio. Saibamos ser cordiais mas não ingénuos, honestos mas não gratuitamente agressivos, olhar em frente sem esquecer de onde viemos.

Ser uma influência positiva é estar disponível, com um sorriso sempre que possível, é darmos tempo do nosso tempo para ouvir e perceber o outro, é sermos verdadeiros connosco mesmos quando sentimos que algo “cá dentro” não está bem. Guardar as coisas cá dentro, normalmente dá asneira, pois muitas vezes tolda-nos o discernimento e depois  “salta a tampa” no pior momento.

Sobretudo em grupo verificamos a influência de um indivíduo no todo: se o pai diz asneiras, se a professora  falta, se o maestro não estuda , se a chefe não trabalha, se os políticos mentem... como poderemos ter filhos cordiais, alunos assíduos, coristas motivados, trabalhadores reconhecidos, uma sociedade solidária?

Se quem está em posição hierárquica superior não fôr uma influência positiva, quem o será? TODOS temos de o ser, mesmo que MUITOS não o sejam. Denunciemos sim, mas não deixemos de procurar nas pequenas coisas sermos uma influência positiva.

Todos sabemos como se pode influenciar positivamente, pois se nos lembrarmos de alguém que nos diz bastante, existem características transversais: trabalhador, alegre, exigente, duro nas palavras,sensível, motivador, solidário, etc.

Saibamos ser Grandes nas pequenas coisas: ser assíduos aos compromissos a que assumímos e pontuais aos horários estabelecidos.  Podemos começar hoje. Exijamos!

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*Dear Myguel, Thanks a lot for the mail below. It’s really very strong. I don’t know the author of this text but it is deeply philosophical and positively thinking approach within a fully negative environment that we all are living recently. I fully agree with this approach and I’m glad to see that there are also other people who are positively thinking. Keep thinking and acting positively and there will be a better world tomorrow.
Best regards, Thomas Louziotis

*Caro Myguel,Li as suas palavras e felicito-o pelas mesmas. É bom sermos optimistas, e não nos deixarmos arrastar pela  desgraça .Um abraço amigo,Leonor Lucena

*Gostei muito :) Obrigada! Um beijinho! Mariana Góis

*Dear Myguel, CONGRATULATIONS !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! Your text is really great! Keep on writing POSITIVELY! Best regards, Thomas

*Meu Caro Miguel,Muito obrigado pelo seu email, mas infelizmente, este País está, mesmo em baixo.Os Professores não ensinam.Os Pais não educam.Os políticos não governam, etc. etc..Um abraço do Victor Bem Haja

*Ola Myguel como esta? Foi com muito agrado que recebi o seu mais recente pensamento...que achei fantástico!!! Consegue tocar nos pontos chave de uma forma simples mas carregada de simbolismo. Desde já agradeço por me ter mandado.Curiosamente já me chegou reencaminhado o mesmo texto, porque o que é vale a pena deve ser divulgado e as suas palavras andam a correr portugal :) um bom fim de semana e parabens pela forma bonita como nos transmite o que lhe vai na alma...


#47 Palavra de Maestro "Contentinhos" com o quê? 
 

“Mantem-te positivo dentro e/ou fora do coro!” Esta tem sido a minha mensagem desde que dirijo coros, mas nos dias de hoje, tem sido cada vez com mais veemência que reitero este ensinamento.

Numa sociedade que passa a mensagem do facilitismo , que tudo está bem no final e vão todos contentinhos para casa. Parece o coro que ouvi ontem: desalinhados, desafinados, sem vida e objectivo e vão todos no final para casa a sentirem-se contentinhos por que serviram a comunidade. O que não sabem (será mesmo que são assim tão surdos?!)  é que serviram a comunidade de uma grande dor de cabeça e instabilidade emocional. Que dor!...

Numa sociedade que promove o contentinho mas que vive e exige tão pouco. O problema não são os jovens e crianças de hoje, são a geração que os colocou cá.  O problema não são as crianças “hoje não querem ir ao ensaio”, o problema está na geração que diz “ok!” a isto. O problema não estão nos jovens que parecem que não sabem falar sem ofender, o problema está na geração que olha impávida e passivamente. O problema não são os colegas de trabalho que se dão mal, mas a chefia que não intervem  com autoridade em situações de injustiça. A solução está em estarmos atentos em todos os minutos e passarmos a mensagem que o “contentinho” é algo falso e que não perdura, mas a sensação do bem real, de uma música executada na perfeição é algo de sublime, mas não precisa de ser parte de outro mundo! Pode ser deste mundo!

Manter -mo-nos positivos é saber fazer uma autocrítica não para ficarmos todos contentinhos, mas saber onde falhámos ou podemos melhorar: uma determinada passagem, uma entrada em falso, uma pequena distracção, uma frase menos conseguida, a música toda mal. Poderão  estar confusos se estou a falar do coro ou da sociedade...estou a falar de ambos ao mesmo tempo, ou não é um coro uma micro-sociedade? Ou o coro não reflecte a nossa sociedade? Ora vejamos exemplos. Há falta de homens nos coros (há mais mulheres no mundo), falta de crianças nos coros infantis(baixa natalidade), pessoas zangadas e ressentidas porque não são solistas ou chefes. Não percebem que se deve proteger a individualidade de cada um , mas que a estabilidade do coro/sociedade/ empresa/família/etc. está acima de quaisquer apetites de carreira?! Enfim...o mal fica para quem o pratica e remumina dentro de sí. Estão "contentinhos" com o quê? Com o vazio de sentido.

Por mim, pelos coros que dirijos, pela sociedade em que estou inserido continuarei o meu caminho pelo positivo, fugindo do “contentinho”,  procurando estar atento ao meu redor, a cuidar dos que estão à minha volta, preocupado com os mais ausentes, exigente com todos mas sobretudo comigo próprio. Não atingirei nunca a perfeição mas continuarei no caminho à procura de ser cada vez mais, cada vez melhor. Podemos parecer que somos poucos, mas sei que não estou só!

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*Parabéns Myguel, assim é que é: há que dizer as coisas como elas são.Um abraço,Leonor Lucena
*Parabéns...A coragem é acima de todas uma das maiores e mais dignas qualidades de um ser humano.Bonitas palavras.Tou consigo.BeijinhoNatália
*Caro Miguel.Parabéns. Mais do que preocupar-se verifico que continua a ocupar-se ao procurar a perfeição. É o melhor remédio. Há os que passam a vida preocupados sem nunca virem a estar ocupados. Estou certo que o coro está cada vez melhor dado que verdadeiramente se ocupa com ele e com as pessoas (já pouco habitual nos tempos que correm). Keep going.Um abraço.Joaquim

*Boa tarde, Maestro ! Apesar de a minha filha já não estar sob a sua “alçada coral”, prezo, louvo e incentivo-o a que continue no seu trilho……. Tenho pena que não estejam mais perto da nossa área, mas continuamos em contacto.Força para continuar um trabalho tão nobre, dignificante e que por vezes não terá o justo e devido reconhecimento, mas devemos reconhecer-nos na nossa consciência….. Com amizade, Rui Ferreira (Pai da Beatriz Ferreira)

*Exmo. Maestro Miguel Santos e Castro, Parabéns pelo artigo. Retrata precisamente aquilo que se passa na nossa sociedade coralista e não só!..pois o que sinto muitas vezes é que muitas pessoas/público fica "contentinho" e bate muitas palmas porque conhece e gosta da música e não pela qualidade do grupo em termos de apresentação, afinação, expressão, musicalidade! E cada vez há mais grupos que buscam o sucesso rápido, sem pensar na exigência e responsabilidade do trabalho árduo individual de cada membro do grupo, que são
absolutamente necessários realizar para se fazer/viver a Música! Cumprimentos, José Maria Silva Faial - Açores

 

#48 Palavra de Maestro "Fim e início de ciclos"
 

Joe Black tem estado ocupado. Em pouco tempo tive amigos meus que perderam o seu Pai. Ontem perdi o meu avô Jorge. Tudo isto nos faz questionar. Como se tivéssemos levado com um comboio por cima...é surreal. Mas ainda cá estamos. Há que aprender e aceitar. “Deus leva quem mais ama!” Neste mundo tão obcecado com a economia, que pouco liga às referências familiares, pouco entende a importância de onde viemos, das nossas próprias raízes, chegaremos ao Homo Humanitas?

Hoje foi a enterrar o nosso avô Jorge. E chorei e me emocionei por todas as perdas  que foram passando na minha vida. Sim, que passaram.  Negar o passado é não querer ter um futuro. Os pedros e alexandras, os bernardos e anas, os nunos e joanas, tantos... Talvez por isso o meu sistema imunológico esteja em baixo, hoje não me sinto uma fortaleza, nem tenho a apetência de vestir o papel de marido,pai, maestro, professor ou gestor. Hoje sou só eu e a minha alma. Hoje esta perda tocou num ponto cá dentro (pensava eu protegido!) onde guardo a série de perdas profissionais e pessoais,  todas elas sempre emocionais. Que saudades que tenho de tanta gente. É a vida, e a minha não é mais difícil que a dos outros, é simplesmente a minha. São ciclos constantes que terminam e se iniciam. Podemos chorar pelos que terminam, mas em memória deles devemos iniciar outros com mais garra, mais força e determinação. Há que deixá-los partir para obtermos paz interior.

Todos os que dirigem grupos sabem do que falo: o fim de um ciclo é o início sempre de um novo. Os alunos nos anos lectivos, os jogadores nos campeonatos, os sucessivos (des) governos,  no trabalho quando muda a chefia, na família quando os filhos crescem, os coristas quando entram e saiem dos coros. Sempre doloroso, mas há que encarar os novos ciclos como uma fase de crescimento para nos tornarmo-nos pessoas mais humanas.

Hoje termina e começa um ciclo da minha vida. Já não tenho o avô Fernando, nem a avó Helena, nem a avó Boneca, nem o avô Jorge. Já não tenho avós. Os meus filhos têm e que tesouro que eles são. Que os saibam valorizar e aproveitar.

Há que estar grato pelo tempo que estivemos juntos e agradecer tudo o que aprendemos.

A disponibiidade daquele sorriso do nosso Avô Jorge deixou de estar disponível nesta vida, talvez nos vejamos numa outra. Eu acredito que sim. Beijo grande Avós!

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*Olá Miguel Lamento a sua perca.Deixo-lhe aqui as palavras de John Donne, que serve de introdução ao livro de Ernest Hemingway, “Por Quem os Sinos Dobram”. Nenhum homem é uma ilha, isolado em si mesmo; todo homem é um pedaço do continente, uma parte da terra firme. Se um torrão de terra for levado pelo mar, a Europa fica diminuída, como se fosse um promontório, como se fosse o solar dos teus amigos ou o teu próprio; a morte de qualquer homem me diminui, porque sou parte do gênero humano, e por isso não me perguntes por quem os sinos dobram; eles dobram por ti" e um abraço meu, Ana.

*Olá Miguel. Lamento teres perdido o teu avô. Este ano faz 10 anos que perdi a minha querida avó Glória, e às vezes ainda custa tanto... E muitas vezes questiono-me "será que ela teria orgulho da pessoa que sou hoje?", "que conselhos me daria?". São perguntas sem resposta, mas também acredito que um dia nos voltaremos a encontrar. Até lá ficam as memórias e os ensinamentos que ela me deixou.Também já não tenho avôs nem avós, e fica um vazio. Perde-se aquele elo com o passado.
Mas tenho um sobrinho lindo de 3 anos e uma sobrinha muito fofinha que ainda nem tem 1 mês. É mais um ciclo que começa!Beijo,Isabel

*Olá Miguel Os meus sinceros sentimentos.Eu sei bem o que é não ter avós... Só conheci uma e aproveitei bem todos os pedacinhos que podia estar com ela. Faleceu quando eu tinha 12 anos e ainda hoje sinto a sua falta. Contribuiu muito para o que sou hoje. Deixou ensinamentos que não se apagam pelo facto de ela já não estar fisicamente entre nós. Ela continua a habitar o seu espaço dentro do coração de cada um dos netos e no meu tem um grande pedaço. Com certeza o seu avô também ficará instalado nos vossos corações. Cumprimentos Anabela Galindro

*Obrigada por esta palavras de força para todos nós! Lamento a “partida” de quem lhe era/é tão querido ficando sempre no coração, nas memórias todos os momentos, palavras, emoções…inesquecíveis! Deixo aqui a minha amizade sempre que a necessitar. Um beijinho Esmeralda

*Da minha parte e do Grupo de Trabalho do CORUTIB, de que faço parte enviamos sentidos pesamos à família do Maestro Myguel Santos e Castro de que sou um admirador pelos escritos e sensibilidade que habitualmente recebo.P´lo Grupo de Trabalho e Corutib Ernesto Nogueira

*Caro Myguel, Muito obrigada pelas suas palavras, por dividir connosco este momento da sua vida.
Fiquei emocionada. Ana Teresa Lima

*Olá Myguel Lamento a perda do seu avô. Mas é o curso natural da vida, ainda que doloroso para os mais próximos. Um beijinho, Emília

*Benvolgut Myguel, T’envio el meu condol per la pèrdua del teu avi Jorge, i t’acompanyo amb el meu sentiment. També t’agraeixo les teves reflexions carregades d’emoció. Mentre confio i desitjo que et recuperis d’aquests moments de tristesa, no ho dubto. Rep una forta abraçada. Jordi Llobet i Martí www.poblequecanta.cat

*Hey there buddy, I'm so sorry to hear your sad news. This sounds like a really tough time for you. You've made some very wise reflections here, and I am sure that the future will bring years and years of joy as you watch your own children grow. I guess the thing to dwell on is the happy times you had while your grandparents were with you - and those are memories that you will always treasure.
If you need to chat, just call anytime. That's what friends are here for of course. Stay strong, and my thoughts are with you. Your buddy,  Joel

*THANK YOU VERY MUCH FOR YOUR VOICE. Elzbieta Siczek from Warsaw, Poland

* boa noite, Miguel.Apesar de nao me conhecer e de nao termos nenhuma amizade sem ser a do facebook. Deixe me dar os meus sentimentos. Acredito que o momento seja penoso e triste. Sabe eu ainda tenho a sorte de ter avos, so da parte do pai é que ja faleceu o meu avo. Infelizmente ou por a vida nao se proporcionar tinha poucas vivencias com este avo paterno. Mas nao quero imaginar se os meus avos maternos desaparecem, principalmente o meu doce avo materno. Pois com ele tenho doces memorias, por explo de dormir a sesta com ele, do cheiro dele, dos miminhos dele. entre outras vivencias cheias de alegria e travessuras. O que quero transmitir a si, é que se lembre do rosto alegre e feliz de quando o seu avo o via, das brincadeiras que voce teve com com seu avo. Sei que por muito que se esforce a lagrima aparece no canto do olho, assim como aparece a mim, saber que o meu terno avo um dia irá partir. Só de pensar isso perturba quando mais acontecer. O Miguel irá reparar que daqui a um tempo, a dor é outra , dessipa se mas nao desaparece. Porque a memoria esta lá.Se agora precisa de chorar chore, mas chore tudo durante o tempo que precise, fique consigo mesmo, até é bom esquecer se por momentos o seu papel na sua profissao, na sua familia, porque o Miguel tem de fazer o luto. Quando voce renascer das cinzas aí ja conseguira pensar nos seus, agora liberte se faz bem, ao corpo e á alma. Obrigada por este momento de atençao da sua parte, mas eu nao podia deixar de passar uma situaçao tao dolorosa como o desaparecimento de um avo.Desejo lhe PAZ Nónó Macedo

*No ano passado perdi meu pai em Março e um tio amado em Julho.Já estive onde vc está hoje,e só posso dizer que não passa,mas melhora.Paz e um beijo  Luciana Dantas Monteiro

*Acabei agora de ler a tua publicação! Não foi por acaso que se me embargou a voz no "Silence my soul"... porque de ti... mais do que me veres, sei que tu me sentes!!! E que me lês nas entrelinhas do meu olhar! Talvez algo que não saiba explicar... ao mesmo tempo desconcertante mas maravilhoso! Só queria partilhar contigo que também eu de sinto e leio nos olhos e que... se não estás bem... não estamos bem! E porque para mim é mais facil escrever do que falar (nada que não saibas há muito! :) aqui fica o abraço sentido de um mano mais novo que te ama! Nunca te esqueças de apontar para as estrelas para chegar à lua! E aqui sempre terás um fiel companheiro! Rui Farinha

* Lamento muita a sua perca, neste momento de dor, não há palavra, que exprimam o que sentimos, só há a dor da partida, mesmo tendo fé, acreditando que estão num sítio melhor. Infelizmente, também já perdi os meus. Restam-nos as recordações de todos os momentos vividos, um
beijinho de muita força, para toda a família!
Helena Seno

* um beijinho muito grande, Cecília Abreu Gossieaux

* Não sabia... os meus sentimentos. Eu mais que ninguém nesta altura te compreendo. Aceito mas não suporto a dor...compreendo mas angústia-me não o ver...tenho fé mas sinto a falta... enfim, eles estão sem dúvida em paz e num sítio melhor. Beijinhos para todos e em especial para a minha afilhada.Celia Machado Matias
 

*os meus sentidos sentimentos Miguel. É nestas alturas que nos questionamos do porquê de a única coisa certa neste mundo ser também a coisa mais dificil de aceitar. Um dia saberemos a resposta... Um beijinho grande Diana Coimbra

*Myguel, um abraço muito sentido perante a sua dor que tão bem conheço! Fica-nos na memória para sempre todo aquele carinho, todo aquele amor, tudo o que recebemos daqueles que foram e serão as nossas grandes referências!Teresa Parrot Morato
 

* eu e a minha família lamentamos muito a sua perda. Recordar os muitos momentos felizes que de certeza viveu com o seu avô talvez torne este momento menos doloroso. Muita força!Inês Moreira

* ‎:( um beijinho grande maestro.
Cláudia Carvalho

*Olá Myguel,Lamento muito a sua perda…E com tudo o que possa dizer essas são a verdadeiras perdas. Avós são uns queridos e é preciso continuar a falar deles e a lembrar as vivências. É a minha forma de fazer o luto e mesmo assim e mesmo difícil para mi que ainda não fiz o luto do meu pai e já lá vão 20 anos mas acho delicioso lembrar as cenas macacas q nós tínhamos com eles e curiosamente foi ontem fazer umas fotos do meu Pai q qchei giríssima e q não tinha, portanto ele está presente sempre nas minhas ATITUDES E DECISÕES TRISTEZAS E ALEGRIAS. Ele dizia q para afrente é q é p caminho. Mas é muito bom recordar e acredite q é mesmo viver outra vez esses momentos.Desculpe o discurso e um grande BEIJO Luisa

*www.ruadireita.com Abraço forte,Eduardo Silva

*Gostei do que li! Parabéns pelo texto e os meus sentimentos pela perda! Sei o que sente…infelizmente eu também já não tenho avós…e os meus filhos já perderam os dois avôs! Continuação de bom trabalho em cada ciclo que iniciar na sua vida! Deolinda Auxtero

*Não sei porque recebemos as suas mensagens. Contudo, leio-as sempre. Esta tocou-me particularmente. É uma delícia ler o que o Maestro escreve. Bem-haja. Penso que nunca estaremos preparados para aquilo que não queremos... mas a vida continua e o tempo ensinar-nos-á a viver com as ausências físicas. Costumo dizer que existiremos pelo menos enquanto houver alguém que recorde a nossa existência. Deixo-lhe aqui um pequeno excerto que, espero, mesmo que de uma forma ínfima, seja uma forma diferente de recordar o dia de hoje… com esperança! “A chuva de Inverno estava cansada de cair. Queria estender-se e deslizar no rio, de olhos fechados pela luz do sol, embalada pelo azul do céu. Mas foi com a brisa da Primavera, soprada pelos lábios dos meninos, que as gotas de chuva se transformaram em bolhas de luz, com brilho multicolor. E que voaram em direcção ao mar para lembrar aos peixes e às ondas que se preparassem, que nunca a Primavera se esquecera de trazer o Verão.” Eugénio Roda  Muita força. Continuação de bom trabalho Cristina Pedroso

*Dearest Myguel, I am sorry to hear of your Grandfather's passing. I send you all my love, blessings and condolences. It is a big time of transition when the grandparents leave this form of existence. I remember it well when my last grandparents died some years ago. I was very sad too, even though it was natural for them to die. I had loved them so much and felt so safe with them. I was scared how it would be without them. But I found it to be a very important transition and a good one in many ways. It made us all alive grow and take the next place in the next phase in our lives. And I have continued to feel my grandparents' love and support with me all the time...I would not be who I am and where I am in life without their lives and all their sacrifices and their never ending love. It is so beautiful this life with the different generations and these cycles of life. Recently I have been trying to support Sudhir to my best as he is preparing to let go of his parents. They have first of all become weak and closer to the final stages in life and also they are moving back to India tomorrow. Sudhir's father wants to go back there to die. We hope he still has a lot of time with us, but he feels it's his time to go soon.We have been packing them and helping them get ready. My mother-in-law is not able to move or talk or do anything herself anymore, but we know she still feels everything and knows on the intuitive level everything that's going on. It will be a big journey for the whole family to get to India. Sudhir is flying with them to help them move. HE has not been to India for 10 years. I think this is a time of huge importance for him. Let's see where it takes us.I think of you and your sweet family so often Myguel. It was such a beautiful time for me in Portugal and with you. I learned so much and have not forgotten any of it nor the Secret! It really is so as they say in Secret :)I hope all else is going well with you and your family and that you have the time and support from each other to go through the grieving in peace!Big hugs and lots of love,Sanna


#49 Palavra de Maestro " Quanto vale um troca-tintas?"
 

 

Quanto vale a palavra de uma pessoa hoje me dia?

Quando alguém se compromete, como sabemos que é para  a vida? Ou pelo menos pelo tempo acordado? Deve haver falta de pintores em Portugal com tanta gente troca-tintas ou de cozinheiros com tanta gente à procura de tacho. Dizem uma coisa depois fazem outra, ouve o que te digo , não olhes para o que eu faço.

Em todo o lado há falta de seriedade e profissionalismo, mas sobretudo de honra. A honra não se compra, mas há quem a venda. Há quem defenda que todos têm o seu preço, para uns basta o cargo de Presidente da Assembleia, eu continuo acreditar no prólogo das histórias do Astérix “Toda a Gália foi ocupada pelos romanos... Toda? Não! Uma aldeia povoada por irredutíveis gauleses ainda resiste ao invasor. E a vida não é nada fácil”

Uma pessoa pode não ter família, dinheiro ou emprego mas a sua palavra de honra ninguém lha tira, é sagrada! Ou pelo menos antigamente era e quem faltasse à sua palavra haveria duelos até à morte. Por vezes não vencia quem merecia -nada difere dos dias de hoje-, mas combatiam por um ideal. Não defendo que retornemos aos tempos de capa e espada, mas que em tempos se levava muito a sério os compromissos, disso não há dúvidas. A sociedade em geral caiu numa pasmaceira de facilitismo e prazer imediato que me enoja. Hoje comprometo-me com algo, amanhã logo se vê se me dá jeito, se me apetece ou não. Como podemos acreditar nas palavras:

- dos vereadores da cultura que se comprometem com algo mas no fim a “montanha pariu um rato”,

-com as Juntas de Freguesia que nunca têm dinheiro para os agentes culturais da sua freguesia mas têm milhares de euros para gastar com artistas popularuchos,

-com os políticos que cortam fitas de obras que nunca foram terminadas,

-com coristas que saiem a meio de uma série de concertos pois têm outros interesses pondo em cheque o trabalho do grupo, 

-com pessoas inscritas nas escolas, vulgo alunos, que não estudam e ainda prejudicam o rendimento dos seus colegas

-com professores, que passam a vida em constantes “baixas” rotativas, (parecem hamsters)

-com pessoas que fazem pouco dos acordos e sentenças nos tribunais

Mas nem todos são assim, há outros, poucos, que resistem irredutivelmente! E  vencerão,  no fim, vencerão. Já são vencedores pois dormem descansados de noite, cansados de lutarem durante o dia por ideais, pois a sua palavra é apenas uma e não precisam de a escrever pois a sua boca é sagrada. Sim é sim, não é não.

Quanto vale um troca-tintas, quanto vale um balde de tintas, quanto vale a credibilidade? Todos temos os nossos defeitos, mas que não sirvam como desculpa para se servir a sí mesmo com o pretexto de servir os outros.

No VoxLaci levamos muito a sério a palavra de honra de cada um, incutimos que não se mente e que há consequências para toda a acção (recuso-me a escrever ação) ou inacção, pois é preferivel querermos superar as nossas fragilidades, do que fazer de conta que somos algo que não somos. Toda a escolha implica uma renúncia. Não renunciemos à nossa palavra.

 

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*INDISCUTIVELMENTE BRILHANTE !!!!UM BEM HAJA. Carla Mansos

*Boa Myguel. Somos poucos? Aí não concordo.
60% não participam das «eleições» + 10% votam em branco ou nulo = 70%
Dos 30% restantes : O partido Mais votado elege-se com 30%, dos 30% restantes = 9%
O 2º partido Mais votado elege-se com 20%, dos restantes 30% = 6%
Conclusão :1) dos possíveis eleitores (100%), há 9% que apoiam o desgoverno e 6% que pretendem substituí-los para os mesmos lugares.
2) 70% são significativamente mais volumosos que 15% de palhaços, pelas democráticas regras da quantidade.
3) Felizmente que o império da quantidade nunca se sobreporá ao da Qualidade.
4) Há fases tristes da história, em que até o Grande Otelo(O tôlo) afirmava :«..se soubesse no que dava o 25 de Abril nunca o teria feito,........emigrava como tantos portugueses fizeram (quando da Revolta dos Cravas)».
5) Se a Qualidade existe em pouca quantidade, não é de estranhar, embora em Portugal isso não seja um facto como se documentou acima.

*Gostei muito do seu texto. Revela a sua indignação e a força dos seus princípios e valores. Percebo-o perfeitamente e é por essa razão que lhe dou a conhecer este blogue. Espero tenha paciência para dar uma espreitadela,que comente se lhe apetecer e que, se achar bem, o envie aos seus contactos. http://daluasobretudo.blogspot.com  Muito obrigada.
Com os melhores cumprimentos Luísa Castelo- Branco

*MUITO BEM!!!!! Concordo com cada vírgula. ABSOLUTAMENTE de acordo e os meus PARABÉNS. Tendo em conta "AS CHEFIAS" sem vergonha e sem carácter (também vou escrever SEMPRE os c´s que não se lêem, os p's que não se lêem, os circunflexos, etc.,até porque este acordo foi assinado por pessoas tão cheias de ideias....uns verdadeiros CRÂNIOS), voltando à falta de carácter, estes super chefes, cujo chefe fez um percurso académico que...... um percurso político que...... um sucesso governativo que...... . Bem, faltam-me os adjectivos. MAS...... como uma formiga no carreiro não tem peso mas faz falta no formigueiro pode ter a certeza que o meu insignificante voto NÃO VAI PARA O ESTERCO de trocas-tintas e aldrabões que têm um ego maior que o oceano. Quando me encho de paciência e me disponho a ouvir e vêr o "extra-terrestre" chega a dar dó tanta loucura.(Talvez fosse bom para a demência dele, forrarem as salas de espelhos). Que gosto enorme que me dava pregar-lhe um valente par de estalos no dito e pô-lo um mês a pão e água fechado num quarto escuro num monte deserto do Alentejo. Isso é que era. Estou completamente FARTA de tantos asnos. HONRA e SERIEDADE são completamente abstractos para este tipo de gente. Acho que não há adjectivo suficientemente abrangente para classificar o tipo de gente que anda por aí, e troca-tintas é muito pouco, e estes bocados de esterco são de tão má qualidade que nem servem para adubar as roseiras ( diz a minha madrinha que fez este mês 89 maravilhosos anos). Uma boa dose de coragem e uma boa dose de raiva, que ajuda a levar a vida. Não está sózinho e estamos a crescer. Só desejo com muita força que no dia das eleições muitos e muitos vão votar para rebentarmos com o tacho a estes MENTIROSOS. Publidisart - Artes Gráficas

*Muito bom, lindo! Gostei mesmo. Andreia Soares

*Pare de culpar e criticar os outros. Seja responsável pelo que lhe acontece na vida. Joana Reis

*Caro Maestro, Quero felicitá-lo pelo seu artigo “Quanto vale um troca-tintas ?”. É tal e qual como diz e parece haver muitos ! Mas, graças a Deus, existem oásis e o Miguel pode orgulhar-se de ser um deles. Aproveito a oportunidade para lhe enviar o e-mail em anexo, pois relaciona-se precisamente com a falta de valores de que fala e com a era do “ter” que, infelizmente, hoje vivemos. Quero ainda dizer-lhe que o seu penúltimo artigo, “Fim e início de ciclos”, me tocou igualmente muito. Também eu acredito no reencontro e estou certa de que os nossos queridos que já partiram continuam a acompanhar-nos e a proteger-nos sempre ! O seu Avô Jorge continua a inspirá-lo ! Que Deus os guarde a todos ! Bem haja pelas suas palavras ! Melhores cumprimentos. Teresa Feio

 

#50 Palavra de Maestro " Acabemos JÁ com os SUBSÍDIOS"
 

 Todos dias é um bom dia para fazer um balanço, para colocar sob outra perspectiva decisões e convicções já enraizadas. Hoje é um bom dia para regressar  às origens. Hoje chego ao bonito número  50! Quando comecei esta rúbrica/opinião não tinha em mente onde tudo isto ia dar, nem sei precisar quando escrevi a 1ª, mas lembro-me como se fosse hoje do tema: Natal=Coros,  Resto do Ano= Nada! Em todas as rúbricas sempre escrevi sobre algo relativamente ao mundo coral e muitas transponho para a sociedade.

Voltando à 1ª rúbrica, quero propôr um desafio aos coros e lideres das autarquias e governos: acabemos JÁ com os SUBSÍDIOS! Só a palavra faz-me urticária pois começa com sub, significando que existe uma relação não de igualdade, mas de alguém que é superior ao outro. Pois bem...onde nos levaram os subsídios à música, companhias de teatro e bailado e aos coros? Na minha opinião a lado nenhum e esta crise económica que afecta o mundo, já mostrou que são nos subsídios que se começou a cortar. Ora, são nestes tempos de aperto, que temos de ser mais imaginativos e encontrar novas soluções. São nestes tempos que penso que a verdadeira arte virá ao de cima, a arte de fazer a arte um produto comercial! "Que horror!" dirão alguns. Pois bem, se me indicarem um supermercado onde me possa abastecer de alimentos mensalmente gratuitamente, então meus queridos críticos faço a minha mea culpa, senão shhhiu!

"Se acabarem com os subsidios como poderemos sobreviver? Temos tantas despesas, como por exemplo pagar ao maestro." E que tal os coristas pagarem pela actividade? E que tal começarem a ter um produto vendável? Sim, algo que faça as pessoas sairem do comodismo da sua casa e comprarem um bilhete para um concerto de música coral. " Se gratuitamente já há pouco público, então se fosse a pagar não haveria ninguém!" . Ah sim?!...talvez no início o grande público estranharia, mas depois já não, mudando mentalidades dos coristas e do público. Para o Ténis, Ballet, Ginásio, concertos Pop/rock paga-se , para os coros existe uma coisa chamada de quota. Lastimável. Se subsídio faz-me urticária, quota faz-me psoríase! A palavra quota sugere cota, ou seja, velho. Pois velhos são os trapos, os coros não precisam de o ser. Eu recuso-me.

Então acabamos com os subsídios, façamos concertos pagos (mas nada de valores simbólicos) e que mais podemos fazer? Tanto! Há um mundo de coisas que podemos fazer. E que tal PARCERIAS? Uma relação de igualdade em que um ganha aliando-se ao outro. Autarquias façam parcerias com as entidades locais perante um plano de actividades que crie riqueza cultural e acabem JÁ com os SUBSÍDIOS . Quando há pouco tempo em reunião com a nossa autarquia me informaram que havia 27 coros, fiquei incrédulo? 27? Só em Cascais? E quem são, que nunca ouvi falar? E o que fazem? E receberam anualmente o mesmo apoio económico por igual, sem olhar à sua mais valia, sua evolução?

Criem valor na vossa região de tal forma, que os políticos e entidades financeiras certamente quererão se associar, mas por favor queiram fazer sempre MAIS e MELHOR!

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* Caro Maestro,Escrevo-lhe na qualidade de presidente de uma pequena associação cultural que acolhe o Coral Allegro, em Sintra.Sigo com regularidade os seus textos via email que recebo, dos quais nem todos subscrevo mas respeito e procuro entender o ponto de vista de modo construtivo.Porém, desta vez, achei pertinente responder-lhe não porque discorde totalmente da sua opinião mas porque esta merece alguns comentários.Primeiramente é necessário separar águas dos coros, ou suas organizações, que vivem dos/com subsídios. Um verdadeiro erro, concordo! Falo pela Associação Coral de Sintra, a minha associação, que está organizada de modo a receber um subsídio anual da C. M.Sintra como complemento aos seus rendimentos e não como fonte principal. Talvez a abordagem da gestão esteja longe da necessária para alguns dos nossos colegas musicais...Porém, para aqueles que não sobrevivem graças às verbas de subsídios, estes valores são muitas vezes importantes para assegurar que novos e mais "arrojados" projectos sejam possíveis.Como referi somos uma pequena organização. No entanto graças ao nosso esforço, trabalho e... subsídio, ao fim de dois anos de planeamento conseguimos gravar o nosso primeiro CD sem abalar a nossa gestão financeira.Concertos pagos a preços justos e acessíveis financiariam de modo diferente os coros, motivavam maestros e coralistas a trabalhar arduamente e a inovar para atrair público e novo público à causa coral.
A realidade porém é bem diferente porque a maioria dos coros anda, ano após ano, a cantar os mesmos temas e não existe em Portugal uma estrutura que exclusivamente una os coros, lhes dê força e representação, promova formação, crie espaçopara debate, etc.Mesmo sendo amadores deveriamos ser distinguidos pela qualidade (claro!) mas também pelo projecto de trabalho, pela defesa da cultura musical coral, pela divulgação da música, pela representação da nossa terra, concelho e país.Mas... somos unidos em torno do que em comum acreditamos? É a nossa total dispersão que faz com que por vezes o nosso trabalho seja "vendido ao desbarato"! Existe sempre alguém que faz mais barato... ou nívelamos a qualidade que "achamos" que temos pelo valor do que cobramos?Às vezes sou levado a acreditar que há pessoas que cantam (não lhes chamo coralistas) para viajar, comer e beber, o que não sendo mau é limitado quando a música fica num plano muito secundário.Para mudar é necessário muito trabalho! Cada um de nós sózinho, por mais vontade que tenha nunca fará "a" diferença.Sejamos "amadoramente profissionais"!Quem aceita o desafio?É este omeu desabafo...Saudações musicais,Paulo AlmeidaPresidente ACS
*BOA MAESTRO!!!! PARABÉNS MAIS UMA VEZ!!!!GOSTO MUITO DE LER O QUE ESCRVE.....É SEMPRE DESAFIANTE E PORTUGAL PRECISA DISTO!!!com os meus cumprimentos, lília
*DO : VICTOR BEM HAJATIRO-TE O MEU CHAPÉU MIGUEL.UMA BOA ÁRVORE, DÀ UM BOM FRUTO.

*Muito obrigada!Também sou leitora assídua dos seus textos que julgo sempre bastante pertinentes, parabéns também!Os melhores cumprimentos,Erica Mandillo

*Em linha com a palavra de Maestro abaixo, a minha formação profissional e académica impele-me a aproveitar uma notícia de hoje para prestar aquilo que entendo ser serviço público. Em anexo podem encontrar um pequeno estudo que a rádio Renascença fez para comparar o preço de produtos alimentares portugueses e estrangeiros. A conclusão revela que, nos produtos estudados, o cabaz de origem portuguesa (os produtos mais baratos de origem portuguesa) é 33% mais caro do que o "cabz mais barato possível" (que escolhe sempre o mais barato, seja português ou estrangeiro).Este debate pairou em tempos no Coro e não tive oportunidade de entrar nele, por isso aqui fica a visão de um economista. Este é um dos perigos da campanha "comprem português": podemos estar a convidar as famílias portuguesas a gastar mais dinheiro por produtos em que a eventual diferença de qualidade não justifique a diferença de preço. A minha pergunta fundamental é esta: em vez de apelar aos consumidores portugueses que gastem mais dinheiro para comprar agricultura tradicional portuguesa por sistema, não seria preferível apelar aos agricultores portugueses que re-inventem a agricultura para produzir bens únicos, não-tradicionais, diferenciados e qualitativamente distintivos (e.g. agricultura gourmet) que os estrangeiros não conseguem igualar e que vamos conseguir vender em Portugal e no estrangeiro a preço elevado, gerando mais riqueza para os produtores? Ou, se preferirem: em vez de apelar aos consumidores portugueses para prejudicar deliberadamente os produtores agrícolas estrangeiros mais eficientes, não será mais inteligente desafiar o aparelho produtivo português a re-direccionar recursos para a indústria tecnológica, que até gera mais riqueza?A agricultura tradicional portuguesa nunca irá conseguir competir com outras mais eficientes por terem mais escala (terrenos muito maiores, que permitem redução enorme de custos fixos), por isso, acho que devemos abdicar de concorrer no mercado da agricultura tradicional; a minha visão estratégica para o país é, neste capítulo, muito simples: concentrar os recursos agrícolas em agricultura de nicho e distintiva, libertando todos os outros recursos para sectores de maior valor acrescentado.
A mensagem "comprar português" é uma espécie de subsídio à agricultura portuguesa, que a premeia apesar da sua ineficiência e que vende a quem nela trabalha e investe uma ilusão muito perigosa: podemos continuar a ser ineficientes, porque vamos continuar a conseguir vender os nossos produtos. Em economia, é preciso fazer soar o alarme, quando há oportunidades de gerar mais riqueza noutros sectores. Muitas vezes, esse alarme é duro de ouvir, mas necessário para alcançar horizontes ambiciosos. Eu prefiro um Portugal que usa a eficiência estrangeira para comprar farinha barata, colocando os seus cérebros e investimentos no desenvolvimento de produtos como o vinho do Porto ou os ecrãs de papel (ambos produtos que já fazemos). Eu prefiro um Portugal mais rico e sem pessoas a produzir farinha, do que um Portugal em que se faz farinha e se vive com salários comedidos. Eu prefiro a ambição ao medo da mudança, eu prefiro um Portugal que vê na dependência alimentar uma oportunidade e não um problema. A globalização é uma ponte que começámos a atravessar nos Descobrimentos e na qual não podemos ficar a meio - ou continuamos a atravessar, ou temos que voltar de onde partimos! E na margem para onde vamos há trabalho e riqueza! Por isso, digo com o Myguel: acabe-se JÁ com os SUBSÍDIOS! Vamos avançar Portugal! Um abraço Rúben

 

#51 Palavra de Maestro We are the World "
 

De tempos em tempos surge uma música que é composto com o objectivo de chamar a atenção de quem mais sofre...mas a milhares de kms de distância. A mais emblemática terá sido o WE ARE THE WORLD, mas houve outras depois disso e também em Portugal a favor de Moçambique, Sudão  e Timor Leste. Músicos juntam-se para ajudar e com o seu mediatismo envolvem uma comunidade, uma nação ou um mundo. Todos queremos um mundo melhor, todos aspiramos a algo melhor: melhores coros, melhor educação, melhor ambiente, melhores condições de vida. Mas se possivel isto tudo sem sair do comodismo do nosso sofá seria fantástico. Enquanto vou fazendo zapping à TV, o mundo lá fora que trabalhe e encontre as formas necessárias para que o mundo se torne melhor. Assim, quando estiver cansado de fazer zapping em casa, abrirei a porta para um mundo melhor. Neste raciocínio, só há um pequenininho problema: e se todos pensassem assim?

Ao falar com colegas meus, queixam-se como é difícil o mundo das artes, sobretudo a música e a realidade coral. Argumento sempre com o mesmo: não é difícil o mundo coral, ela apenas reflete a sociedade. Claro que  é difícil que um corista entre em conexão com um outro com apenas um ensaio por semana, se nem o nome do nosso vizinho que vemos todos os dias sabemos? Claro que é dificil que um coro/companhia de treatro/bailado/orquestra façam cada vez melhor música quando há sempre quem chegue atrasado ou falta aos ensaios. Há que transpôr barreiras e derrubar paredes, a começar pelo “Man in the Mirror”(nós mesmos). Como quero um melhor ambiente se não tenho o trabalho de fazer a divisão do lixo em casa? Como quero melhores coros se não há renovação e inovação no repertório e apresentação do mesmo? Como poderei ter coristas a atingir niveis de excelência se como maestro acho que nada mais tenho a aprender...

Falamos muito de Solidariedade, sobretudo neste tempo difícil que mundo global atravessa, mas não tentemos mudar o mundo todo, comecemos pelas escola onde damos aulas, pelos filhos que temos, pelos coros que dirigimos, pelos eleitores recenseados que votaram, pelo público que nos assiste. Comecemos por nos dirigir a um vizinho que sempre dissemos apenas formalmente “Bom Dia!” e acrescentemos algo mais “Peço desculpa, vemo-nos todos os dias mas não sei o seu nome, chamo-me Myguel!”. Afinal WE ARE THE WORLD. Mas que mundo queremos?