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Propriedade: “VOX LACI” (a Voz do Lago) Trimestral 1000 exemplares Complexo Desportivo de S.D. de RanaPreço : 0 Euros Ano 4º Nº 8 Outubro/Dezembro de 2001 Jornal
impresso
por Junta Freguesia de
S.Domingos de Rana
Palavra de Maestro Sem regras reina o caos! Sem limites reina a desordem! Sem “Daqui não se pode passar!” reina o desinteresse, a frustração, a tristeza, o abandono! Se não houver regras iguais para todos, cada não sabe, não sente o que fazer, pois não há um caminho, mas um enorme terreno vazio à nossa volta, sem nenhum trilho ou caminho já delineado! “Para onde vou?” “Posso ir para qualquer lado?” “ Mas será que não há ninguém que me possa ajudar ( a crescer)?” . Estas são algumas das muitas questões que um indivíduo, sobretudo em criança, consciente ou inconscientemente, coloca a si mesmo. A desordem é apenas uma consequência da falta de limites, de um estreitar do terreno vazio, de uma indicação de um caminho! “ Alunos batem em professores!” São machetes dos media. Onde já chegámos? Às vezes dá-se a impressão que não estamos a falar de pessoas, mas de animais completamente descontrolados, revoltados com a sociedade canalizando a sua frustração para tudo e todos os que deveriam representar a autoridade: professores, polícia, pais...Nunca ou muito raramente, tiveram ou têm, alguém que lhes disse “Daqui não se pode passar!”. Por vezes deve-se explicar o porquê outras a melhor resposta será “Porque não!” Mas o trabalho do incutir das regras não termina aqui. Falta a parte mais importante: sempre que um indivíduo se comporta “como deve ser “ (não gosto muito desta frase, mas espero que entendam o sentido), tem de ser elogiado para que cresça o sentimento de procurar aquele tipo de atitudes. Se é “Não”, só pelo não, é vazio de sentido; se é “Não”, porque realmente me preocupo, faz todo o sentido, a quem disse “Não”, mas sobretudo a quem ouviu o “Não!” A Humanidade passou, sobretudo na Idade Média, pelo desinteresse absoluto sobre estas questões ( dá que pensar sobretudo se soubermos que foi a altura mais fértil de guerras e batalhas, doenças e epidemias), na segunda metade do século vinte, sobretudo depois das grandes guerras mundiais, de um lado as ditaduras dos pais dos países, de outro a anarquia total dos chamados movimentos “make love, not war”. Finalmente, assim parece, ou assim querem parecer, há já muita gente preocupada com este tipo de questões. Quantos pais não me dizem que gostavam do filho/a no Coro para aprender a ser disciplinado/a?!? É legítimo! O Coro não é mais do que uma pequena sociedade, dentro a própria sociedade, e o indivíduo, como animal social, deve saber estar, respeitar as diferenças do outro. É por isso que a indumentária impecável nos concertos e actuações, o querer falar só com o dedo no ar, o ter que fazer coisas nos ensaios mesmo que não apeteça, a estrela para o “melhor exemplo” de cada naipe, a selecção para determinados espectáculos, o brincar quando é para brincar, o cantar quando é para cantar, o saber estar, o saber falar, o de não se chamar nomes feios, o de não se rir da tristeza do outro, o do solistas ser substituído se faltar sem avisar, etc. não se está apenas a melhorar o nível artístico do coro, mas sobretudo a solidificar no indivíduo princípios e regras de conduta essenciais ao ser humano. Maestro Santos e Castro _____________________________________ Célia! Encontrámos o teu texto sobre o MUNDIAL em 2000 em Puebla(mais vale tarde que nunca) " Vamos lá pessoal! Descontrair, descontrair! ". É assim que começam normalmente todos os ensaios do coro adulto Vox Laci. Mas em Fevereiro (2000) iniciou-se o habitual ensaio de forma diferente. "Tenho uma coisa para vos dizer..." , disse o maestro, não contendo um sorriso. Confesso que pensei que se tratasse de mais um concerto! Todos ansiávamos o final do ensaio para que finalmente o "Sr.Professor" revelasse o que nos queria dizer. Mas não foi preciso. "Ok! Eu não aguento! Recebi um fax do director do coro Normalista de Puebla em que nos convidava para irmos representar Portugal no 1º Festival Mundial de Coros que se realiza em Julho LÁ!!" "sim Maestro, mais um dos seus sonhos!" . "É verdade! Temos é de arranjar patrocinador". Estávamos radiantes, mas todos sabíamos que seria muito difícil encontrarmos alguém disposto a financiar-nos com a módica quantia de 4 mil contos!! Era difícil mas não impossível! E a prova disso é que depois de 700 faxes enviados, publicidade, um concerto de gala e muitos, muitos sacrifícios, o coro foi representar Portugal ao México onde se destacou pela energia e alegria que demonstrava ao público. É com grande alegria que vos digo que fomos considerados o 3º melhor coro participante! Ficamos muito contentes, pois quem nos tinha considerado como tal tinham sido os maestros dos outros coros presentes e garanto-vos que eram muito bons! Argentina, Colômbia, Uruguai, Venezuela, França, Polónia, Espanha, Porto Rico, República Dominicana e, claro, Portugal, são os nomes dos 10 países que com as suas canções tentaram encantar e fazer sonhar as pessoas que as ouviam. Não era tarefa fácil mas penso que conseguimos. O que mais gostei, sem dúvida alguma, foi a modéstia e a alegria das pessoas com quem convivi. Acho que nos 10 dias que lá estive, "vivi" mais do que nos 15 anos de existência que eu tenho! Quando cheguei ao aeroporto não escondia o nervosismo que sentia, pois era o meu primeiro voo, mas, ao mesmo tempo, sabia que me iria divertir! Após 12 horas de voo (e de muitos calmantes), chegámos à Cidade do México. No aeroporto estavam 2 senhores com caras assustadoras à nossa espera. Encaminharam-nos para o autocarro que nos iria levar até ao hotel onde iríamos ficar os próximos 10 dias. O autocarro era, o que se podia chamar, tipicamente mexicano. Tudo corria bem até que de repente, se ouve um grito... " AAAHH! Não acredito!!" pois é, tinha colado uma pastilha nas minhas calças preferidas!! Passado o incidente, chegámos ao hotel onde todos nos receberam lindamente. Fomos jantar e enquanto os meus amigos comiam satisfeitos, eu olhava para eles. "o que foi Célia? A comida está divina!" exclamou o maestro. Nesse momento perguntei a mim mesma o que estava a fazer ali! Tinha colado pastilha nas calças e não gostava da comida! Só que instantes depois apercebi-me que se quisesse voltar teria de voar sozinha e aí exclui completamente a hipótese de regressar! Mas não há nada que o tempo não resolva, nem a fome! Tive de dar o braço a torcer visto que me queria alimentar e tive de fazê-lo com o que tinha! Uma sopa de pimentos assados! Com o tempo habituei-me , e afinal a comida mexicana não é tão má como eu pensava! Pois é, os 10 dias passaram e sabem que mais? Não me importava nada de lá ter ficado mais um tempo! Mas com uma condição: acordar ao meio-dia. É que enquanto lá estivemos acordámos sempre às 8 da manhã! Visitámos lugares lindíssimos: as pirâmides, o Museu do Amparo, fomos a um safari onde vi pela primeira, o que se chama "amor à primeira vista", mas desta vez um tanto ou quanto bizarro pois tratava-se de um amor impossível entre uma das coristas e um tigre! Com muita pena nossa tivemos de vir embora e aquela paixão foi transformada em juras de amor eterno e promessas de um dia voltarem a ver-se! Talvez num tapete, quem sabe? Muitas histórias engraçadas ocorreram durante a nossa estadia na bonita cidade de Puebla. Como sempre a despedida é o pior acontecimento quando vamos para um sítio destes!! Não queria chorar mas não conseguia deixar de pensar nos AMIGOS que fiz do outro lado do oceano! Mas ficou uma certeza, que por mais tempo que passe nunca irão esquecer o coro VOX LACI de Portugal! _____________________________________ O repórter no local exacto, à hora exacta!... A minha ida ao “Made in portugal” RTP1 Antes de irmos gravar tivemos que esperar num café e ficámos à espera mais ou menos 2 horas e meia. Nós começámos a ficar com fome e a senhora do café ofereceu uma pastilha elástica a cada um, para termos qualquer coisa para mastigar. Entretanto, fomos chamados para gravar e eu esqueci-me de deitar fora a pastilha para o lixo. Quando íamos a entrar no estúdio, uma colega chamou-me a atenção e eu fiquei muito atrapalhada. A única alternativa que encontrei foi dizer ao Maestro...e foi o que fiz! O maestro deu-me duas soluções: colar na mão ou na beira da saia, e se bem pensou, melhor o fez! Colou-me a pastilha elástica no cós da saia por dentro! Passada esta aventura a actuação correu bem, apesar de no início, alguns de nós estarmos um pouco nervosos. No estúdio, além da apresentadora Mila Ferreira, vimos também duas bandas conhecidas: os canta Baía e os Santa Maria. E assim terminou a gravação nos Estúdios Valentim de Carvalho. Tirar a pastilha da saia, é que nem podem imaginar... Além de outras actuações, alguns elementos do coro, foram cantar à Missa do galo na Igreja de S.D.Rana. Nunca tinha participado numa missa desse género, foi maravilhoso. A princípio custou-me a habituar à ideia mas pensei: eu também gosto de receber prendas, por isso vou dar uma prenda ao menino Jesus, Ele vai ficar muito contente comigo. No final da missa, cantei “Dorme, ó Deus! Foi lindo!!! Se tiver outra oportunidade volto a participar. Eu gosto muito de estar no coro; gosto das pessoas que o frequentam. “Iniciativa” RTP2. Quando chegámos ao local de ensaios onde se iria realizar a gravação (já todos bem arranjadinhos, claro!), estivemos a treinar e aquecer a voz. Perto das 19:30 (não sei precisar a hora) chamaram-nos para gravar as músicas. Antes de gravar os camera-men tiveram a ver de que prospectiva nos iriam filmar. No coro existem cartazes com a capa do nosso Cd de Natal (já o podem adquirir em todas as lojas de música do país, óptimo!!) mas os camera-men queriam mais, mas só tínhamos um, por isso nada feito. Quando chegou a altura de irmos gravar estava tudo perfeito. Cantámos três músicas: (Misterioso Pai-Natal”, “Um Santo Natal” e a “Rena de Natal”, que equivaleram a doze, porque repetimos 4 vezes cada uma!!!!! Quando chegámos ao fim estávamos cansadíssimos e talvez já fartos daquelas músicas, mas sobretudo aprendemos que a vida de artista não é fácil!!... Sou a mãe da Raquel Mendes, dos Bolacha-Maria e queria partilhar convosco as emoções que vivi no passado dia 17 de dezembro de 2001. Levei a Raquel ao ensaio, como de costume, e fui ver as novidades no placard. Qual surpresa a minha quando constato que a Raquel era uma das seleccionadas para ir actuar no “ Há Festa no Hospital” da Tvi e a seguir gravar para o “Made in Portugal”. Fiquei radiante pois temos família na Alemanha e assim era a oportunidade de eles a verem. Vou para casa por contar as novidades, mas passo antes pelo mini-mercado ali perto e quando estou na fila para a caixa, oiço uma das músicas do Coro. Quando olho para a televisão vejo a capa do Cd e fico muito contente por estarem a falar do Coro. Aparece então o Coro a cantar (filmado no Centro Cultural de Cascais aquando do lançamento do Cd) e logo a seguir aparece a cara da Raquel dentro do Cd e aí é que fiquei de boca aberta pois dessa é que eu não estava mesmo à espera! Foram para mim momentos muito emocionantes e cheios de orgulho, porque a Raquel gosta muito de cantar no coro e esta actividade tem sido muito benéfica para ela. Parabéns maestro, pelo seu trabalho e obrigado pela sua contribuição para que o mundo das nossas crianças seja um mundo melhor! Natália Mendes O nosso primeiro Concerto de Natal foi no dia 2 de Dezembro, Domingo, às 16:00 horas no OeirasParque. Tinha acabado de sair do cinema (15:45h) quando me fui vestir à casa de banho. Despachei-me num quarto de hora (muito rápido, para o que costuma ser!). Fui para junto do professor e fomos todos para o corredor, perto da casa de banho, para nos pormos em posição de coro (imaginem!!!... Ao pé de uma casa de banho.) claro que toda a gente estava a olhar para nós, mas isso já é outra história. Cantámos e encantámos o público que era muito! No dia do Concerto de Natal na Igreja da Conceição da Abóboda estava muito frio e nós tivemos que esperar, primeiro que a procissão acabasse e depois que o Maestro chegasse. Foi muito divertido, porque foi a primeira vez que o Maestro chegou atrasado. A maior parte dos coristas chegaram atrasados porque estiveram a ensaiar para a Missa do galo na Igreja de S.Domingos de Rana. Quando já estávamos todos, começámos o concerto que correu muito bem. No final o Padre Andrade ofereceu-nos muitos rebuçados. Adeus e Bom Ano. Saímos às 5:30 horas da manhã no autocarro com destino ao porto. A viagem correu animada com o Coro Adulto a cantar e a tocar viola, e em algumas músicas com a participação do Coro Infantil. Tal como no ano passado, deixámos as nossas coisas numa salinha e aguardámos a nossa vez de actuar noutra sala. A primeira música foi a “Rena de Natal” e mais tarde cantámos com o Coro Adulto o “Um Santo Natal”. A seguir à actuação, fomos para o autocarro, para encontrar um sítio para almoçar. Passou imenso tempo ( ou pareceu, a fome era tanta!...) até que lá conseguimos encontrar um restaurante. O comer estava muito bom e os senhores foram muito simpático (sim, porque aquilo foi uma invasão!). Depois do almoço, fomos de novo para o autocarro e a meio da viagem, parámos para lanchar. O professor foi muito simpático em ofereceu um gelado. Ai vai o nosso OBRIGADO!!! E chegámos a Lisboa perto das 19:00, depois de um dia muito divertido na companhia dos nossos amigos! Aproveito e dou-vos uma sugestão: entrem para o coro! Como o professor diz “no coro todos desafinamos, mas a intenção é desafinar todos de igual modo 8 e ao mesmo tempo!) E é muito divertido!... Olá! No dia 18 de Dezembro de 2001 fui eu e o meu coro ao “Há Festa no Hospital” Tvi. Só cantámos uma que era o “Um Santo Natal”. Eu gostei muito de ir cantar nesse dia. Não houve nenhum lanche para nós. O “Sic 10 Horas” foi o último programa de Natal que nós gravámos para a televisão. Tivemos que estar no local de ensaios às 9 horas da manhã para partirmos para o estúdio. Quando lá chegámos fomos por as coisas a um camarim que nos indicaram e depois deram-nos um “lanchinho da manhã”. Fomos todos para volta da mesa. Comemos todos e tudo. Tivemos um ensaio, vimos algumas revistas, televisão...Quando nos chamaram fomos cantar e cantámos muito bem. Gostei muito!
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