Propriedade: “VOX LACI” (a Voz do Lago) Trimestral 1000 exemplares       Complexo Desportivo de S.D. de Rana

Preço : 0 Euros Ano 1 Nº3 Abril de 2000

Jornal impresso por Junta Freguesia de S.Domingos de Rana

PALAVRA DE MAESTRO

Nestes tempos em que o meio-ambiente - note-se, o físico – está na ordem do dia, manifestações são organizadas por populares interessados, o buraco do ozono já esteve mais em moda, e tantos que ficamos escandalizados pelos sucessivos acidentes de cargueiros de petróleo derramando crude matando indiscriminadamente a fauna e flora marítima e, por consequência directa, nós mesmos, pouco e/ou nada se fala no que chamarei de “ambiente interior por consequência do exterior”. Como está a nossa alma? Como está o ambiente na nossa família, na nossa escola, no nosso trabalho, ou seja, como está o meu/seu/nosso ambiente com as relações que temos durante o nosso dia-a-dia? Não tem sido tão poucas as vezes que ouvimos de um recente conhecimento que travámos (com um então estranho até aquela altura), como foi bom termos tido tempo para escutar. É que hoje dificilmente as pessoas param...para fazer coisas que verdadeiramente lhes dá prazer, e com isso melhorando o seu interior. Muitas são já as pessoas que entenderam que arranjar uma ocupação, para além do trabalho, família e escola revitaliza-os e como tal têm um modo de estar diferente: mais descontraído, mais alegre, mais “vida”. Sentir-mo-nos úteis, vivos não é apenas uma necessidade, é obrigatório! É com esta filosofia de vida que se pretende que os ensaios e actuações atinjam quer no Coro Infantil, quer Adulto. E tem sido atingido: resultado disso é o crescente número de pessoas que fazem audições. Predispõem-se, pois algo os atraiu: entusiasmo de um coralista, o modo de estar em palco, um repertório “virado para fora”, para o público e não só para alguns “entendidos na matéria”. Temos mais um motivo de orgulho no crescimento do nosso coro: o Adulto vai representar Portugal, entre os dias 14 e 21 de Julho, no 1º Festival Mundial de Coros, que se vai realizar em Puebla, a 120 km da cidade do México. São os tais voos de que falava na edição anterior. Isto só se consegue com uma fantástica união de grupo que é cada vez maior, pois o ambiente exterior (sala de ensaios, pessoas que constituem os coros, etc.) e a relação individual que se estreita entre as diversas pessoas tornando-as amigas, e como tal disponíveis, criando uma relação de cumplicidade entre todos e todos com o Maestro. Sem estes factores essenciais não haveria motivação; logo não tinha sentido existir! Mas EXISTE! Fico satisfeito quando oiço comentários do género: “ estava cansado/a, mas ainda bem que vim! Sinto-me relaxado/a!” e vejo o entusiasmo de crianças e adultos com que vivem os ensaios e actuações, porque todos dão um pouco de si, da sua energia e ,tal como uma bola de neve que é constituída de conjunto de flocos que depois cresce, cresce, cresce, também deve ser assim os nossos encontros para que todos se sintam revigorados, prontos para o “lufa-lufa” do dia seguinte. Continuemos e que cada um continue a contribuir para que o ambiente coral seja cada vez melhor, melhorando por consequência o estado de espírito do próximo, libertando-nos assim do desgaste diário, sentindo-nos bem com nós próprios, pois estamos entre pessoas de bem!

 

 

o Maestro, Myguel Santos e Castro

O Coro

Classificações e definições semânticas

A palavra CORO, deriva do grego choròs, (latim chorus, italiano coro, francês choeur, alemão der chor, inglês choir, russo khor) entendendo como tal na terminologia musical moderna o canto interpretado por várias pessoas (1). Se as vozes que o formam cantam todas simultaneamente a mesma melodia, o coro é chamado monódico; se as vozes entoam linhas melódicas diferentes entrelaçadas harmonicamente ou imitando-se entre elas, teremos o coro polifónico. As distintas possibilidades de as vozes humanas e a natureza das mesmas nos leva a distinguir às seguintes formações:

Coro de vozes iguais: ( do latin, vocibus aequales o paribus vocibus), quando está formado só por vozes femininas ou só por vozes masculinas.

Coro misto: (do latin, vocibus inaequales), quando as vozes de ambos os sexos são usadas contemporaneamente em partes distintas.

Coro de vozes brancas: quando o coro é formado por crianças e assimilado ao das mulheres. Sem dificuldade, o ouvido exercitado distingue um de outro pelo timbre claro e vigoroso das vozes das crianças. A nomenclatura das vozes ou partes usadas actualmente num coro é a seguinte:

 

Vozes femininas Vozes masculinas

Agudas: Sopranos Tenores

Intermédias: Mezzo-sopranos Barítonos

Graves: Contraltos Baixos

Os nomes das vozes têm, geralmente, um significado etimológico que caracteriza a sua função no conjunto polifónico. Assim, SOPRANO, é a italianização dos advérbios latinos supra o superius com os que designavam a voz que canta “por cima das outras”. Também se conhecia com o nome de cantus nos finais do século XVII. CONTRALTO, é a tradução latina de altus (nome que também se deu à viola em França). A preposição latina contra, indicava inicialmente uma parte destinada a harmonizar com outra voz e misturando-se com ela. Assim, o vocábulo contralto é o resultado desta fusão. TENOR, procede do latim tenère, e foi a voz que nas primeiras experiências polifónicas tinha confiado o cantus firmus litúrgico ou profano em torno do qual, as outras vozes faziam o discantus. O nome BARÍTONO está formado por duas palavras gregas: baris (grave) e tònos (tons).Suficientemente claros e evidentes resultam os nomes de MEZZO-SOPRANO e BAIXO pela função que desempenham no conjunto interpretativo. Nos inícios da polifonia medieval francesa, a voz masculina adoptava o nome de «atile» com as terminações indicativas de «haute-taille», «moyenne-taille» e «basse-taille».No século de ouro da polifonia vocal (1500), as partes daquelas obras que excediam as quatro vozes - utilizadas já na escola flamenga do século XV- eram indicadas com adjectivos numerais latinos ou italianos. Temos, portanto, o quinto nas obras a cinco vozes, o sexto nas seis, etc. , que, noutros sítios utilizavam geralmente uma das quatro claves já empregues. Nos nossos dias, a escrita coral a quatro vozes mistas, utilizam as vozes de SOPRANO, CONTRALTO, TENOR e BAIXO. Os coros femininos a vozes iguais se dividem em sopranos, mezzo-sopranos e contraltos, dividindo estes últimos em primeiros e segundos se se cantarem a quatro vozes. Esta mesma distribuição de vozes é válida para o coro de crianças. Os coros a vozes iguais masculinos dividem-se em primeiro tenor, segundo tenor, barítono e baixo.

 

(1) Para os gregos, a palavra coro designou inicialmente a dança ou conjunto de dançarinos. Depois indicou o canto que acompanhava a dança e também o lugar onde era executada.

 

Adrian Cobo, Iniciacion Coral A

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Pessoas Pessoas Pessoas Pessoas Pessoas

Sou a Luísa Gonçalves. Canto no Coro Adulto (contralto) desde de Fevereiro de 1997 e sou o nº 50. Trabalho no Centro de Saúde da Parede. Boa ideia!!! Tá bem. Letra maior e melhor revisão dos textos no que refere à língua portuguesa. Claro! Sem os ensaios não conseguia cantar nada. Gosto do convívio (às vezes não!), de ganhar conhecimentos; a parte humana é o mais importante. Já! Vários (julgo que todos). Gosto de quase todas as músicas. - Acho que a escolha de quem vai aos concertos deveria ser feita pelo maestro e não consoante as ausências ou presenças. Há quem falte e saiba as músicas de cor e quem vá sempre e por vezes falham nalgumas (é o meu caso).

 

Foi em Fev. que entrei para o coro Adulto. O meu nome é Ana Dinis Vieira e o meu nº é o 81. Há 5 anos que trabalho como Auxiliar de Acção Educativa no Colégio do Rosário em Cascais. As minhas perspectivas futuras são: continuar a trabalhar onde estou, mas como Educadora de Infância, curso que vou tirar nos tempos mais próximos. Os meios de comunicação sempre foram importantes e este não é menos. Toda a divulgação que se possa fazer a respeito deste nosso coro é muito saudável. Assim como o dar a conhecer de todos os elementos que nele participam que não são poucos!!! Se queremos fazer boa figura perante um público, se ambicionamos a perfeição nas músicas que cantamos, acho que sim, que é importante haver ensaios e mais que isso é essencial que os haja! Ambientes sérios e divertidos é difícil de encontrar! Os ensaios que nós temos conseguem ser assim! O que mais gosto nos ensaios, é mesmo cantar e depois a boa disposição do resto das pessoas e uma vontade geral das mesmas de fazer o melhor que sabem! Já actuei no teatro Gil Vicente em Março passado e adorei. Senti aquele nervoso miudinho que é normal antes de entrar. Acho importante que todos os naipes se conheçam entre si...mas acho que é também importante que se conheçam uns aos outros. O coro são 4 naipes diferentes. Eu só conheço os sopranos e acho que era engraçado conhecer também os contraltos, até mesmo os tenores e os baixos. Penso que a união faz a força. O que sinto quando o Maestro ensaia só com um naipe de cada vez é que os outros 3 não respeitam quem está a tentar aprender. Não sei se o respeito pelos colegas tem a haver com o facto de muitos de nós nem sequer sabermos o nome uns dos outros...

 

 

1-Chamo-me Maria João Santos, canto no coro dos adultos (contralto) desde do princípio de Janeiro. Sou o nº61. 2-Sou estudante na escola de StºAntónio da Parede (mais conhecido pelos ”macacos”). Gostaria muito de tirar um curso de Administração Naval e ser Oficial da Marinha Portuguesa. 3-Acho que foi uma ideia muito original, mas não tenho nenhuma crítica para este. 4-Os ensaios são bastante importantes porque não só aprendemos mais, como lidamos com as outras pessoas. O que mais gosto é o “stress” do Maestro para nos “enfiar” a letra, tempos, etc. 5-Já actuei no primeiro concerto deste ano (Teatro Gil Vicente) e gostei muito. Gosto das músicas, pois são muito diferentes do outro coro onde andava: são mais “mexidas”. As minhas preferidas são...O.K.! Gosto de todas! 6-Não vejo qualquer defeito. Sem comentários!

 

 

1-Sou o Pedro, namorado da Alexandra (contralto). 2-Sou bombeiro profissional em Lisboa. 3-Acho que é uma boa ideia, porque divulga as actividades do coro. Penso que a entrevista é útil para os coralistas terem uma noção de como o coro é visto pelo público. 4-Já assisti a várias actuações e gostei bastante, principalmente como o coro pode ser algo didáctico e lúdico. Gosto bastante das músicas principalmente pela variedade de ritmos e línguas. No coro Infantil, gosto especialmente da música do Pinóquio; no coro Adulto: “One by One”, “Ning Wendete” e “Piccola Canta di Natale”. 5-Espero que o coro continue a aumentar para que se torne cada vez mais forte e mais coeso. Penso que o aumento do número de ensaios por semana ajuda a melhorar a qualidade de um coro que sempre se distinguiu pela sua originalidade e simpatia. Repórter: Alexandra Bernardo Naipe: Contralto

 

 

1-Ana Isabel Tocha. 2-Gerente de loja. Atende os clientes, faço vendas e trato dos assuntos de loja. 3-Interessante. Gostava. Dialogar sobre os problemas dos jovens e ajudar com soluções interessantes. 4-Só do coro Adulto. Sim. “One by One”. 5- Mudem de farda, não condiz com o espírito de grupo.

 

Repórter: Sónia Rodrigues Naipe: Soprano

 

1-Tânia Santos e sou prima de Célia Machado (contralto). 2-Sou estudante de 10ºAno, na área de economia. 3-Acho que é uma bom meio para as pessoas adquirirem conhecimentos sobre o coro. 4-Já assisti a algumas actuações do coro Adulto e duas do coro Infantil. Demonstram um grande empenho e simpatia para quem os está a ouvir e a ver. Gosto bastante das músicas sendo a minha preferida o “ Ning Wendete”. 5-Continuem a “trabalhar” para conseguirem ser um dos melhores coros de Portugal. Repórter: Célia Machado Naipe: Contralto

 

 

No dia 17, o nosso jornal esteve na partida dos veleiros integrado nas comemorações dos 500 anos da Descoberta do Brasil e registámos a prestação do Gonçalo. -Boa!

O mestre a dar uns toques para o pessoal

A lição que veio do gelo

Fomos a Cascais, ao velhinho Gil Vicent, actuar e ver actuar o nosso “rival “ (Coro do Alasca) que primou pela diferença: do espectáculo, da distribuição dos naipes (homens ao centro entre as sopranos e contraltos), da qualidade do repertório (a maestrina é que ficou a perder com o seu empenho). Também foi local de confraternização, que o diga o Gonçalo que se viu grego para as “encomendas”...

SOL INVICTUS

No passado dia 20 de Março, dentro do programa de actividades, organizado pela C.M.Cascais, chamado Sol Invictus, foi sinalizado o 1º dia da primavera com um concerto no teatro Gil Vicente, em Cascais. Participou o Coro do Alasca e o nosso. Infelizmente o Coro Discantus, não actuou, por motivos de saúde de última hora. Desde de já as nossas melhoras! É uma sala lindíssima, toda restaurada tendo casa cheia! Correu muito bem e a actuação do Alasca deu-nos ideias para o futuro! Um coro não tem só de cantar, pois não!? AGUARDEM-NOS!!

 

Desenho do Maestro feito pelo Angelo, do naipe dos Flipper

Notícias Breves

- Em Janeiro o Coro Vox Laci tornou-se sócio da Associação de Coros da Área de Lisboa (ACAL).

- No dia 26 de Fevereiro, pelas 17:30, com o Salão Nobre do Palácio da Independência, em Lisboa, completamente cheio, foi lançado “O Cancioneiro Antológico”, que contêm 40 partituras escolhidas pela ACAL.

- Decorrerá entre 14 e 23 de Abril o 6º Curso Internacional de Canto Almada/2000, sob a direcção do professor Helmut Lips e a professora Mª Dolores Suarez.

- Realiza-se de 23 a 28 de Outubro o 1º Festival Mundial de Coros “El Caribe” na República Dominicana. O coro suporta a viagem até Santo Domingo e todos os dias do Festival dá um concerto de 60 minutos. Alimentação e alojamento é por conta da organização.

- O Papa João Paulo II vem dia 13 de Maio a Fátima!